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Cultura

É de baque-solto

Um ano após a passagem de mestre Salustiano, o maracatu eletriza Pernambuco. Cores, rodas, ritmos, mistérios. Histórias de uma manifestação que encarna o sincrestismo brasileiro. E de um personagem ideoso e realizador que semeou, além de quinze filhos, uma lantejoula preciosa no mosaico antropofágico que somos

Carolina Gutierrez
11 de março de 2009

Novos dias

Se vai pular sete ondinhas, recomendo que mergulhe de cabeça.
O Ano novo tem cara de gente boa, mas não acredite nele.
Acredite em você.
Feliz todo dia!

Sérgio Vaz
11 de dezembro de 2008

A nova arte da Cooperifa

Ela veio para ficar. A primeira Mostra Cultural da Cooperifa reunirá guerreiros e guerreiras fortemente armados com canetas, cadernos e livros. Trava-se uma luta incansável contra a ignorância,mediocridade, conformismo, tristeza e as pobrezas material e espiritual que insistem em saquear a quebrada

Eleilson Leite
14 de novembro de 2008

A força e o peso do que não está

Em Lake Tahoe, Fernando Eimbcke encara um novo desafio: retratar a dor sem jamais mencioná-la diretamente, ou colocar em foco suas causas. O resultado é um filme inovador porém não-formalista, uma obra metafórica e provocadora sobre os sentidos da ausência

Bruno Carmelo
10 de novembro de 2008

Na Primavera, a leitura supera o marketing

Alternativa à Bienal, mostra de editoras independentes relembra que livros são, acima de tudo, espaço para idéias, inteligência e utopia. Evento abre espaço para iniciativas que não se submetem ao mercado, e combina exposição de obras com programação cultural – onde tem espaço a arte periférica

Eleilson Leite
27 de setembro de 2008

Linha de Passe: um gol de letra e um gol-contra

Em seu novo filme, Walter Salles e Daniela Thomas constroem uma história brasileira que debate, com profundidade e sutileza, a existência e os dramas humanos. Mas o cacoete de associar periferia a infelicidade dá à obra um tom de chavão e frustra a própria intenção de esperança do diretor

Eleilson Leite
22 de setembro de 2008

Anjos e crianças

Não são poucos os poemas em que Bandeira aborda a infância como região idealizada, cuja simples rememoração pode amenizar o espaço presente da solidão, dor, perda, doenças e aporias que todo adulto precisa lidar [1]

Pedro Marques
12 de setembro de 2008

A heroína do Novo Mundo

“Maria de Sanabria – a lendária expedição das mulheres que atravessaram o Atlântico no século XVI”, do ítalo-uruguaio Diego Bracco, é um romance histórico sobre a aventura dessa nobre sevilhana que, em 1550, chegou ao litoral de Santa Catarina

Dida Bessana
12 de setembro de 2008

O fazedor de humanos

As lições de um velho mestre incluem algo que deveria ser essencial para todos: a literatura

Renata Miloni
12 de setembro de 2008

Quando o labirinto é o mundo

A trama de Saramago é simples mas não é agradável. Seus personagens abandonaram toda a esperança, como se diz no pórtico do inferno dantesco

Fábio Fernandes
12 de setembro de 2008

Cooperifa: leia o livro, veja o filme e ouça o disco

Série de obras artísticas celebra os saraus que ajudaram a construir o conceito de cultura periférica — e o mundo de iniciativas que está surgindo a partir deles. Trabalhos ressaltam opinião da jornalista Eliane Brum: "A Cooperifa é um abalo sísmico a partir de uma esquina de quebrada"

Eleilson Leite
11 de setembro de 2008

Eclipse

Ela dava a volta por um lado da casa, ele partia correndo na direção oposta, mas era no armário de tia Argentina que acabavam os dois, fundidos naquele silêncio e naquela imobilidade

Maria Valéria Rezende
31 de agosto de 2008

Uma estranha num país estrangeiro

Em “O encontro”, de Anne Enright, ganhador do Man Booker Prize de 2007, o passado ressurge como um país coberto de neblina

Alysson Oliveira
31 de agosto de 2008

Mês de desgraça ou descanso

Não tente viver como um francês em Paris em agosto. Já ao longo do ano essa é uma idéia de turista com complexo de superioridade; no verão, simplesmente não é possível

Diego Viana
31 de agosto de 2008

Um longo adeus que não termina

Não faltam aos versos de Pedro Salinas a substância palpável e viva da experiência amorosa, que os afasta da mera abstração

Marco Catalão
31 de agosto de 2008

Praias, pandeiros e limoncelos

As primeiras notas foram facilmente reconhecidas. E todos entraram juntos no refrão de No Woman No Cry. Todos, menos o próprio violeiro, que ficou novamente pelo caminho, mais estático que a Vênus de Milo

Daniel Cariello
22 de agosto de 2008

Tantas palavras

Quase ri dessa idéia absurda, outra que me cruzava o pensamento sem que eu soubesse de onde nem por que ela vinha. Mas me contive a tempo diante de um par de olhos que pareciam estar levando bem a sério a aventura

Luiz Paulo Faccioli
22 de agosto de 2008

Na Bienal do Livro, um roteiro alternativo

Debate sobre literatura periférica e um punhado de editoras, universitárias e semi-artesanais, valem a visita. Aí persiste o encanto de uma feira que foi indispensável — mas chega aos 40 anos um tanto decadente e deselegante. Talvez por apostar no gigantismo, e se render à lógica de mercado

Eleilson Leite
22 de agosto de 2008

Bom senso e bom gosto

Segundo fórum regional de debates sobre o Plano Nacional de Cultura volta a atrair — agora em Fortaleza — centenas de produtores. Participantes sugerem reduzir o peso do eixo Rio-São Paulo, expressam posições divergentes sobre direitos autorais e questionam sentidos da Lei Rouanet

Marília Arantes
19 de agosto de 2008

Imitar a "realidade" — e questionar seu valor...

Em Waltz With Bashir, Ari Folman usa animação para narrar episódio da história de Israel. Mas não retrata fatos, e sim memórias e sonhos — até o surpreendente final. Artifício traz à tona questões instigantes. Há documentário "objetivo"? Pode-se enxergar o mundo sem as lentes do que somos?

Bruno Carmelo
2 de agosto de 2008

O Hip Hop nunca foi tão pop

Vinte e cinco anos depois de despontar no Brasil, a cultura hip-hop está bombando como nunca. Ligou-se ao showbizz, mas é capaz de manter, mesmo assim, seus princípios e essência. É claramente periférica. Dez eventos a celebram, a partir deste fim de semana, em São Paulo

Eleilson Leite
26 de julho de 2008

No Pequod – em busca de Moby Dick

“Moby Dick” conquistou admiradores nos mais diferentes quadrantes do planeta. Albert Camus, um deles, chamou seu autor de o “Homero do Pacífico”

David Oscar Vaz
5 de julho de 2008

Um discurso, quando o desejo é calar

Somos criados para aplaudir a mais dramática das desgraças; estamos acostumados a rir do sofrimento e derreter de comiseração pelas misérias. Mas a reação que temos diante de uma alegria pacata, digamos, de atirar pedrinhas no lago, é bem diferente. Bocejamos, viramos a página, mudamos de canal. A bonomia é coisa muito fastidiosa, sobretudo a dos outros

Diego Viana
5 de julho de 2008

O dia da morte

Quando demoramos a morrer, logo entramos na lista dos que já morreram. É inevitável. Não temos o direito de não morrer

Manoel Fernandes Neto
5 de julho de 2008

Odradek e os personagens

Como lidar com o peso daquilo que é criação e que é inexistente, mas que ainda assim sobrevive ao tempo e nunca se desgasta?

Olivia Maia
5 de julho de 2008

Adoção, comércio e poesia

Ao retratar o assalariamento de famílias adotivas, Foster Child expõe abismo social e alienação nas Filipinas. Mas o faz sem esquecer os laços de ternura que unem os pais de aluguel a seus filhos temporários, num sinal de que pode persistir humanidade, em meio ao que é precário ao extremo

Bruno Carmelo
29 de junho de 2008

Uma simples pergunta ou um profundo questionamento?

A literatura me atraiu porque nela encontrei histórias distintas, personagens mais humanos do que os reais, mundos que talvez eu nunca alcance

Renata Miloni
28 de junho de 2008

Os contos de Flannery O’Connor

Há quem tenha comparado Flannery O’Connor com Tchekhov, o que pode não dizer muito, já que se popularizou certa idéia, bastante redutora, de que qualquer conto de “atmosfera” seria tchekhoviano. Mas a comparação pode ser procedente, se considerarmos a objetividade da frase de Tchekhov, e a materialidade de suas descrições, muito ao gosto de O’Connor

Gregório Dantas
28 de junho de 2008

Os novos Espelhos de Galeano

Escritor uruguaio lança seu livro mais recente: "Espejos. Una historia casi universal". Em tom de crônica poética, obra passeia por temas como arte, desigualdade, feminismo, mídia, impérios e resistências. "Le Monde Diplomatique" publica uma seleção de trechos, cedidos e escolhidos pelo próprio autor

Eduardo Galeano
24 de junho de 2008

Um quadro, três histórias

Verdadeiros samurais modernos, munidos de máquinas fotográficas ao invés de espadas, os japoneses não se importaram com as dimensões da obra e nem com o aviso, e saíram clicando em uma velocidade digna de Guiness. Do livro dos recordes, claro, não da cerveja

Daniel Cariello
9 de junho de 2008

Plano Nacional de Cultura: realidade ou ficção?

Ministério lança documento ousado, que estabelece, pela primeira vez, política cultural para o país. Dúvida: a iniciativa será capaz de driblar a falta de recursos e a cegueira histórica do Estado em relação à produção simbólica? Coluna convida os leitores a debate e mobilização sobre o tema

Eleilson Leite
7 de junho de 2008

Seis

Para boa parte dos seguidores de Pitágoras, o divino Um era a manifestação inteligível do universo, o Dois colocava diante do homem a presença dos opostos, o Três escancarava os portais do múltiplo

Diego Viana
6 de junho de 2008

Pêlo amargo na narina

Ainda não havia feito a barba. Áspera. E, na narina, aquele pêlo. Pirata. Não, não era seu aquilo. Um pêlo que crescia de dentro pra fora, a incomodar-lhe, a roçar-lhe o buço, a lembrar-lhe a existência, minuto a minuto, a roubar-lhe tempo

Teresa Candolo
6 de junho de 2008

Triste sina

Quem o visse, se o visse, de relance, nesse instante após a metamorfose, não sabia o que via, o que tinha visto, um vulto fugaz, um tiro veloz, um vasto susto, um engano da vista

Antonio Carlos Olivieri
6 de junho de 2008

Domingo

A voz do homem está mais baixa e rouca, como se ele fosse chorar. Aqui, ó, aqui! Os olhos parecem que vão saltar do rosto e rolar na sarjeta. Agarra a mão e guia para a virilha. Há ali uma coisa cega e sem nome

Neuza Paranhos
6 de junho de 2008

Realidade, mentira ou Jogo de Cena?

Nova obra de Eduardo Coutinho é um "filme-tese" complexo e surpreendente. Ao embaralhar verdade e ficção, em depoimentos de mulheres que falam de parto e morte, diretor parece interessado em questionar as barreiras entre a representação do real e a do imaginário

Bruno Carmelo
5 de junho de 2008

Salamaleque!

— Bra bra bra minha mulher bra bra bra bra.
— Eu sei, eu sei. Também acharia estranho o fato de a moto sumir.
— Bra bra bra bra bra loja... Gentil bra bra.
— Que isso... Precisando é só chamar.

Daniel Cariello
2 de junho de 2008

Semeando asas na quebrada paulistana

De como a trupe teatral Pombas Urbanas, criada por um peruano, chegou a mudar o nome do Brasil, trocou os palcos pelas ruas, sofreu a perda trágica de seu criador mas reviveu, animada pela gente forte da periferia — para onde regressou e de onde não pretende se afastar

Eleilson Leite
2 de junho de 2008

Quando escrever deixou de ser uma arte

Hoje, o jornal que passa por debaixo da minha porta, salvo honradas exceções, é ilegível. Já fiz pesquisas em jornais antigos na Biblioteca Nacional e cheguei a sentir os olhos marejados – de raiva – pela comparação com o jornal pelo qual pago hoje

Simone Campos
30 de maio de 2008

Cinco aspectos da imagem na literatura

Creio que a insistência em tentar reconhecer (inutilmente) na literatura contemporânea a semelhança com roteiros de filmes parte apenas primeiramente do leitor, que não consegue mais diferenciar de forma clara as duas (ou mais) artes

Renata Miloni
30 de maio de 2008

Dois poemas de Erín Moure

No terceiro número de nossa seção dedicada à tradução de poesia e prosa em língua inglesa, coordenada pela jornalista e tradutora Marina Della Valle, apresentamos dois poemas de Erín Moure

Virna Teixeira
30 de maio de 2008

A casa no morro – Final

E eu não tinha uma droga de um par de algemas. Puxei o cadarço do meu tênis e o usei para amarrar os pulsos de Joana. Apertei o nó com força. Ela não resistiu. Pareceu-me que estava sorrindo

Olivia Maia
30 de maio de 2008

Roteiro de viagem

— Essa, não.
— Não quer visitar a Torre Eiffel?
— Quero não.
— Mas todo mundo que vai a Paris visita.
— Pois eu vou ser o primeiro a não ir.

Daniel Cariello
26 de maio de 2008

Humildade, dignidade e proceder

Agenda da Periferia completa um ano de publicação. Como diria Sergio Vaz, não praticamos jornalismo — "jogamos futebol de várzea no papel". Fazê-la é exercício de persistência, crença e doação. O maior sinal de êxito é o respeito que o projeto adquriu no movimento cultural das quebradas

Eleilson Leite
24 de maio de 2008

*
Pablo Simpson
24 de maio de 2008

A casa no morro – Parte 4

Iuri talvez se aborrecesse com minha afirmação. Ele preferia chegar pelas bordas. Senti que me lançava um de seus olhares de censura, mas eu estava prestando atenção na reação de Jônatas. O homem não se moveu. Não havia como ficar mais branco. Porque havia desconfiado do que estava por vir

Olivia Maia
24 de maio de 2008

Na rua, outra rua

De manhã, domingo, o tapete cristalino sobre o chão denuncia a madrugada em que a rua, tão desimportante, pertenceu a pessoas que costumam só ter com ela uma relação de passagem ou compromisso. O bar, portas fechadas, recobriu-se de seu aspecto simplório, por trás da bandeira puída

Diego Viana
24 de maio de 2008

Clea

Histórias novas, e algumas reinterpretadas, vêm outra vez salvar o romance do pecado da falta de originalidade, tendo em vista a existência de seus antecessores. Passei por quase todas elas com o desdém de um “connaisseur” enfastiado

Luiz Paulo Faccioli
24 de maio de 2008

Em O ano 01, a força de 1968

Produzido no início dos anos 70, com múltiplas referências à estética HQ, filme de Jacques Doillon imagina uma greve geral contra o capitalismo. Contra-sistema, contracultura, contra-cinema. Deliciosa, absurda e irreverente anarquia, indispensável quando o sistema se pretende avassalador

Bruno Carmelo
19 de maio de 2008

Calendário de inverno

— No fim das contas, o que importa é que o verão está chegando. Quais são seus planos?
— Eu vou pro Brasil.
— Pro Brasil, pro inverno de lá? E vai fazer o quê?
— Como assim? Usar todos esses casacos que comprei, claro.

Daniel Cariello
18 de maio de 2008

A revolução cultural dos motoboys

Um evento em São Paulo, um site inusitado e dois filmes ajudam a revelar a vida e cultura destes personagens de nossas metrópoles. Sempre oprimidos, por vezes violentos, eles vivem quase todos na periferia, são a própria metáfora do caos urbano e estão construindo uma cultura peculiar

Eleilson Leite
17 de maio de 2008

A casa no morro – Parte 3

O cachorro tinha uma mancha de sangue na cabeça e estava próximo a uma porta que devia sair para o lado de fora. O chão me pareceu limpo. Ou sujo o suficiente para que o sangue sequer aparecesse. Inclinei-me por sobre o cachorro e olhei a porta. Dedos na maçaneta

Olivia Maia
16 de maio de 2008

A leitura como exercício da individualidade

Um dos momentos em que mais se pode reconhecer, reconquistar e exercer a individualidade é durante uma lenta leitura. A mim, a literatura vale muito mais, ou melhor, tem seu real valor quando a atenção despretensiosa mas inevitável é o que move a leitura

Renata Miloni
16 de maio de 2008

Joyce Carol Oates e sua ciranda de meninas más

Dona de uma visão extremamente singular do mundo, a autora demonstra maestria ao tecer enredos que, no melhor estilo do suspense norte-americano, muitas vezes dependem do elemento surpresa, do engenho ao manipular os elementos narrativos para causar sensações e sugestões

Marina Della Valle
16 de maio de 2008

Ficção Científica no Brasil: grandes esperanças

A história está longe de terminar para a FC brasileira. Graças às comunidades de Web, novos autores, que não tinham a menor ligação com o CLFC nem com os autores citados anteriormente, foram surgindo e ocupando um lugar fundamental na literatura do gênero e em suas discussões críticas

Fábio Fernandes
16 de maio de 2008

Manos e Minas no horário nobre

Estréia na TV Cultura programa que aborda cena cultural da periferia com criatividade, sem espetacularização e a partir do olhar dos artistas do subúrbio. Iniciativa lembra o histórico Fábrica do Som, mas revela que universo social da juventunde já não é dominado pelos brancos, nem pela classe média

Eleilson Leite
10 de maio de 2008

Realismo na Roma Antiga

É possível imaginar que o sonho de Petrônio seria o de criar uma obra que não fosse uma imitação piorada do modelo, mas uma outra, capaz de expressar essa inadequação; para isso, optou por um gênero ainda pouco prestigiado, o romance, e de um estilo baixo, que não abrisse mão da paródia aos clássicos. O resultado é uma obra de caráter realista

David Oscar Vaz
9 de maio de 2008

A casa no morro – Parte 2

Ao fim do percurso pude ver uma casa pequena – suja como tudo mais naquela região. Com o carro parado, Iuri abriu a porta e foi até um matagal amarelado na direção oposta da casa. Daquele lado o mato seguia até onde eu podia enxergar, mas por todos os outros era tudo uma terra seca e pálida. E a casa velha. Para trás dela era possível enxergar uma parte de um carro vermelho. O Escort

Olivia Maia
9 de maio de 2008

Poemas
Pedro Marques
9 de maio de 2008

Uma fábula de paredes

Enquanto espia o chuvisco sobre a folhagem da rua, não percebe como a memória apagou os sofrimentos e fechou as feridas. Restam só as imagens de terras exóticas que o fascinaram, lugares não raro ausentes dos mapas

Diego Viana
9 de maio de 2008

Eu x Zidane

"Senti o peso e a responsabilidade. 160 milhões de brasileiros e 60 milhões de italianos esperavam ansiosos por alguma ação minha. Respirei fundo e, imitando o meio-campista francês, meti a testa no peito do cara, com mais força do que o previsto"

Daniel Cariello
9 de maio de 2008

Zona do Crime, alienação e fascismo social

Três garotos favelados aproveitam-se de uma pane elétrica para vencer os muros de um condomínio de luxo. Em seu filme de estréia, o mexicano Rodrigo Plá vê a caçada movida contra eles como metáfora de uma sociedade que pratica a brutalidade permanentemente, quase sem enxergar que o faz

Bruno Carmelo
5 de maio de 2008

Se fosse ficção

Talvez a palavra resolva seguir ao lado da literatura, mas também se mantém sozinha, também é seu próprio alicerce. Apenas ela pode se narrar

Renata Miloni
3 de maio de 2008

A casa no morro – Parte 1
Olivia Maia
3 de maio de 2008

O bestiário do Cristo

Sem a desconfiança dos primeiros homens da Igreja, ciosos em preservar o dogma cristão contra aquilo que identificavam como um vestígio das idolatrias pagãs, Charbonneau-Lassay vai buscar não só a interpretação religiosa, mas as numerosas fontes pagãs e o modo como os primeiros cristãos se apropriaram de antigos emblemas locais: a águia, o golfinho, a fênix, o íbis no Egito, o leão em Roma

Pablo Simpson
3 de maio de 2008

Ficção Científica: sobre nós e nossa condição

Lá fora, nos Estados Unidos e na Europa, a ficção científica já saiu da infância há muito tempo. A zona de sombra, a zona do crepúsculo, a Twilight Zone da incerteza aumenta cada vez mais. Os tons de cinza estão cada vez mais ricos. E é nessas frestas entre os tentáculos da besta que a ficção científica atual tem encontrado seu nicho

Fábio Fernandes
3 de maio de 2008

Paris para crianças

— Você sabe o que é escargot?
— Não.
— É um caramujo.
— Eca.
— Os franceses comem.
— É por isso que eles fazem aquele biquinho?

Daniel Cariello
29 de abril de 2008

A periferia na Virada e a virada da periferia

Em São Paulo, a arte vibrante das quebradas dribla o preconceito e aparece com força num dos maiores eventos culturais do país. Roteiro para o hip-hop, rap, DJs, bambas, rodas de samba, rock, punk e festivais independentes. Idéias para que uma iniciativa inovadora perdure e supere limites

Eleilson Leite
26 de abril de 2008

A mulher do tenente francês

John Fowles aproxima-se do modelo do romance vitoriano para negá-lo, ao final. Não sem antes lhe reservar um último golpe: o final em aberto. Não que o romance termine inconcluso; mas possui dois finais possíveis. Na verdade três

Gregório Dantas
25 de abril de 2008

Um conhecido entre os traços

Está claro, mas não nítido, por que o desgraçado é assim tão familiar. As paralelas que deveriam se encontrar no infinito podem sofrer desvios. Podem chocar-se ainda no tempo. Eventualmente, acontece

Diego Viana
25 de abril de 2008

José Watanabe: o guardião do gelo

A presença da cultura japonesa na obra de José Watanabe não se limita a elementos biográficos, mas está arraigada numa série de características que revelam um longo convívio com a tradição literária do haicai

Marco Catalão
25 de abril de 2008

Bala de fogo

(Poema singelo contra a morte)

Teresa Candolo
25 de abril de 2008

Retratos da São Paulo indígena

Em torno de 1.500 guaranis, reunidos em quatro aldeias, habitam a maior cidade do país. A grande maioria dos que defendem os povos indígenas, na metrópole, jamais teve contato com eles. Estão na perferia, que vêem como lugar sagrado.

Eleilson Leite
20 de abril de 2008

Cultura, consciência e transformação

A cada dia fica mais claro que a produção simbólica articula comunidades, produz movimento, desperta rebeldias e inventa futuros. Mas a relação entre cultura e transformação social é muito mais profunda que a vã filosofia dos que se apressam a "politizar as rodas de samba"...

Eleilson Leite
12 de abril de 2008

A faca sutil: pouca emoção

Lorde Asriel arregimenta um exército composto por homens que sofreram a intercisão, portanto não têm medo, nem imaginação, nem vontade própria

Dida Bessana
11 de abril de 2008

O dilema da literatura de gênero brasileira

A literatura policial brasileira contemporânea é quase inexistente, mas o mesmo pode ser dito da ficção científica, ou da literatura romântica, ou do romance histórico. Em outras palavras, o que falta no cenário literário nacional hoje não é apenas literatura policial, é literatura de gênero como um todo

Lucas Murtinho
11 de abril de 2008

Uma revista com rumo firme e novos horizontes

Em 2008, com a publicação de sua 8ª edição, a ser lançada no próximo dia 17 de abril, a Cadernos de Literatura em Tradução introduz duas mudanças editoriais. Uma delas é a periodicidade, que passa de anual a semestral. A segunda é a introdução de edições temáticas, que serão alternadas com volumes de tema livre

John Milton, Marina Della Valle, Telma Franco
11 de abril de 2008

A reinvenção do cinema e os jurássicos

A digitalização e a internet podem transformar todo o processo cinematográfico, democratizando a produção e multiplicando as platéias. Mas, agarrada a seu monopólio, a indústria do audiovisual quer manter as tecnologias superadas e a idéia de que arte é para quem pode pagar

Felipe Macedo
10 de abril de 2008

Banheiro do Papa: engajamento agridoce

Comédia popular de beleza plástica e certos efeitos (como montagens aceleradas e enquadramentos acrobáticos), o filme de Fernandez e Charlone celebra a inventividade, o jeitinho brasileiro-latino, a recusa à melancolia. Falta-lhe a crítica política — aparentemente, sua intenção inicial

Bruno Carmelo
10 de abril de 2008

É tudo nosso!

Quase ausente em É tudo Verdade, audiovisual produzido nas periferias brasileiras reúne obras densas, criativas e inovadoras. Festival alternativo exibe, em São Paulo, parte destes filmes e vídeos, que já começam a ser recolhidos num acervo específico

Eleilson Leite
5 de abril de 2008

Soneto a Satã, de Sylvia Plath

No segundo número de nossa seção dedicada à tradução de poesia e prosa em língua inglesa, coordenada pela jornalista e tradutora Marina Della Valle , apresentamos um poema que se encontra entre os primeiros de Sylvia Plath

Ivan Justen Santana
4 de abril de 2008

Criando fama sem cama

É terrível e fascinante sujeitar-se à objetividade de si mesmo. Há volúpia e desânimo em sair de si e olhar-se como um objeto midiático, um produto, uma possibilidade. Posicionar-se em relação aos outros idiotas cheios de som e fúria

Simone Campos
4 de abril de 2008

Cinco aspectos do conto na era virtual

Na internet, a proximidade do escritor com as opiniões dos leitores é tão instantânea quanto a reação deles ao ler cada linha de suas próprias narrações

Renata Miloni
4 de abril de 2008

Personagens de todos nós

Por que a enorme riqueza cultural do Brasil não fez de nós, até hoje, um país de leitores? Retratos da noite memorável em que Chico Buarque, Caetano Veloso, Mia Couto e outros celebraram a obra de Jorge Amado, inspirando a busca de respostas para uma questão que permanece em aberto

Carolina Gutierrez, Marília Arantes
31 de março de 2008

Lêdo Ivo: sorriso aos 80

O que Lêdo Ivo realiza em versos – e também em alguns de seus ensaios – serve de motivação para a crítica, isto é, deve-se analisar a relação entre modernistas e parnasianos em suas contraposições, mas também em suas convergências.

Pedro Marques
29 de março de 2008

Estranho objeto

De súbito, faltou fôlego. Cessou a confusão do batismo cego. Poderia decidir-se por qualquer daqueles nomes, ou qualquer outro; subsistiria o mais terrível dos atributos, sempre. O que trazia nas mãos, nelas teria de seguir.

Diego Viana
29 de março de 2008

Mapeando a cidade invisível

Se a mitologia penetrante e luminosa da Paris de Hemingway não é mais reproduzível, Vila-Matas acaba por conceber um tipo de mitologia pessoal e específica sobre seu romance de estréia.

Marco Polli
29 de março de 2008

Do que disseram
Pedro Du Bois
29 de março de 2008

Arte de rua, democracia e protesto

São Paulo saúda, a partir de 27/3, o grafite. Surgido nos anos 70, e adotado pela periferia no rastro do movimento hip-hop, ele tornou-se parte da paisagem e da vida cultural da cidade. As celebrações terão colorido, humor e barulho: contra a prefeitura, que resolveu reprimir os grafiteiros

Eleilson Leite
28 de março de 2008

Mein Führer, ousadia e frustração

Lento e forçadamente debochado, o filme mais recente de Dani Levy pretende debater a relação entre Hitler e o poder. Mas, ao criar a imagem de um ditador pobre-coitado, converte-se em obra estéril, que não dialoga nem com a História, nem com a atualidade.

Bruno Carmelo
26 de março de 2008

Nós somos o público

A questão dos direitos do público tornou-se inadiável. As enormes transformações que estão ocorrendo nos meios de comunicação e circulação e intercâmbio da cultura exigem o estabelecimento de normas que nos garantam a condição de sujeitos — muito mais do que consumidores

Felipe Macedo
25 de março de 2008

Alô, Hugo

— É o Hugo, mexicano?
— Não. É o Daniel, brasileiro.
— Mas você fala espanhol? (...) Que estúpida eu sou. Você fala brasileiro, né?
— Também não.

Daniel Cariello
25 de março de 2008

As festas deles e as nossas

Num texto preconceituoso, jornal de São Paulo "denuncia" agito na periferia e revela: para parte da elite, papel dos pobres é trabalhar pesado. Duas festas são, no feriado, opção para quem quer celebrar direito de todos ao ócio, à cultura, à criação e aos prazeres da mente e do corpo

Eleilson Leite
21 de março de 2008

Um ano de volta para casa

Faz um ano: uma passeata, um ato de coragem, uma afirmação de direitos. Milhares de jovens avançam pelas ruas do Rio e retomam o terreno histórico da UNE a Praia do Flamengo. À moda do MST, simplesmente arrombaram o portão metálico e ocuparam a terra. Agora, é preciso ir além

Bruno Cava
18 de março de 2008

Greenaway dialoga com Rembrandt

Em seu mais novo filme, diretor inglês debate as artes plásticas. Mas a abordagem — inovadora, ousada, livre de referências banais — perde-se, em parte, na tentativa de criar suspense policial e apontar, em Ronda Noturna, a imagem de um assassinato

Bruno Carmelo
17 de março de 2008

Arte independente também se produz

Às margens da represa de Guarapiranga, Varal Cultural é grande mostra de arte da metrópole. Organizado todos os meses, revela rapaziada que é crítica, autogestionária, cooperativista e solidária — mas acredita em seu trabalho e não aceita receber migalhas por ele

Eleilson Leite
15 de março de 2008

Tentativa de uma defesa desnecessária

Ninguém em sã consciência decide ser escritor para que um dia lhe roubem suas idéias e façam o que quer que seja com elas.

Renata Miloni
14 de março de 2008

A ira de João Gabiru
Antonio Carlos Olivieri
14 de março de 2008

Copa de Literatura: seriedade e bom humor
Lucas Murtinho
14 de março de 2008

Miguel Hernández — A península ultrajada

Preso no ano de 1939, depois da vitória de Franco, Miguel Hernández escreve no cárcere seus poemas mais intensos, frutos da experiência da injustiça, da morte e da ausência.

Marco Catalão
14 de março de 2008

Nas quebradas, toca Raul

Um bairro da Zona Sul de São Paulo vive a 1ª Mostra Cultural Arte dos Hippies. Na periferia, a pregação do amor e liberdade faz sentido. É lá que Raul Seixas continua bombando em shows imaginários, animando coros regados a vinho barato nas portas do metrô, evocando memórias e tramando futuros

Eleilson Leite
8 de março de 2008

Balthazar

Ao deixar um pouco de lado a trama principal para enveredar por um desses caminhos secundários e quase sempre tortuosos, Durrell revela toda sua competência como ficcionista.

Luiz Paulo Faccioli
7 de março de 2008

O Yeti com maleta executiva

Os grandes mestres compõem um subtexto hitchcockiano, com violinos ao fundo, para o leitor. Eles deixam a dúvida e não a certeza. Em vez de “será que é a pessoa X”, o leitor fica se perguntando “será que essa pessoa existiu ou foi só muito bem-inventada?”.

Simone Campos
7 de março de 2008

Acordados: o caleidoscópio de vidas da metrópole
Marina Della Valle
7 de março de 2008

Filme debate o estado do mundo

Seis diretores aceitam desafio de organização portuguesa e produzem obra coletiva sobre o tempo em que vivemos. Contribuições enxergam crise e necessidade de mudanças, mas o fazem por meio de poesia e metáforas — exceto no caso do curta brasileiro de Vicente Ferraz...

Bruno Carmelo
6 de março de 2008

Procura-se pão francês

— É o pão do dia-a-dia no Brasil.
— E vocês o chamam de pão francês? Olha, acho que ele não existe na França.
— Quer dizer que temos sido enganados esse tempo todo?
— Lamento te revelar isso assim, de sopetão.

Daniel Cariello
4 de março de 2008

Arquitetura e intolerância na Barcelona medieval

A Catalunha está no auge de sua prosperidade, pois domina o Mediterrâneo. Mas esse poderio comercial não esconde as marcas de uma sociedade profundamente estratificada.

Dida Bessana
29 de fevereiro de 2008

A biblioteca e seu inferno

A exposição nos permite questionar os códigos morais ou o que parece se estabelecer como moralmente aceitável, a partir dessa literatura que vai justamente pesquisá-los, como, por exemplo, o Marcel Proust de Sodoma e Gomorra e o drama dos “invertidos”.

Pablo Simpson
29 de fevereiro de 2008

Cardeais em órbita
Carlos Orsi
29 de fevereiro de 2008

Minhas universidades, de Górki

Para Górki, o bravo homem russo é aquele que vive plenamente o real, que coloca a mão na massa, e que o intelectual nada mais faz que concluir o que, em realidade, o homem que vive plenamente o real já concluiu, passando por dissabores e fazendo, ele mesmo, a História.

Isa Fonseca
29 de fevereiro de 2008

Hou Hsiao Hsien celebra a criação

Em Le Voyage du Ballon Rouge, novo filme do diretor chinês, os artistas são trabalhadores comuns, que andam pelas ruas, fazem compras, pagam aluguel. Mas uma série de surpresas estéticas sugere quanto é singular o seu ofício: propor outras formas, ousadas e inventivas, de enxergar o mundo e a vida

Bruno Carmelo
28 de fevereiro de 2008

No mundo da cultura, o centro está em toda parte

Estamos dispostos a discutir a cultura dos subúrbios; indagar se ela, além de afirmação política, está produzindo inovações estéticas. Mas não aceitamos fazê-lo a partir de uma visão hierarquizada de cultura: popular-erudita, alta-baixa. Alguns espetáculos em cartaz ajudam a abrir o bom debate

Eleilson Leite
23 de fevereiro de 2008

Do processo de organização das idéias

Alguns poderiam dizer que saber toda a história antes de escrever tira toda a graça da escrita. Mas literatura policial é um troço assim. É um artesanato com uma técnica.

Olivia Maia
22 de fevereiro de 2008

Moça de vermelho sabe morrer
Manoel Fernandes Neto
22 de fevereiro de 2008

Os muitos dilemas da literatura policial brasileira

Os detetives Espinosa e Mandrake, aquele mais do que este, são conseqüência de uma necessidade de auto-afirmação que ainda permeia a literatura de entretenimento no Brasil.

Paulo Polzonoff Jr.
22 de fevereiro de 2008

As concubinas do sultão

Percebo que não conheço São Paulo. Acredito que ninguém conheça. Pois a cidade não se deixa conhecer. Como se precisasse esconder o rosto, ela abafa a própria voz natural, uma vibração produzida a cada instante pelo flutuar de seus habitantes.

Diego Viana
22 de fevereiro de 2008

Caboclinho, subúrbio e maravilha

Nas ruas e quebradas do Recife, uma dança colorida e sincrética ganha força nova, e multiplica sensações de pertencimento, depois de mais de um século de existência. Visita às ruas por onde ele se esparrama, e aos bairros, casas e becos onde é tramado

Carolina Gutierrez
21 de fevereiro de 2008

A morte é para toda a vida

Coluna revê El espíruto de la colmena (1973), primeiro filme de Victor Erice. Muito mais que homenagem ao cinema, ou debate sobre influência da TV, obra investiga o amadurecimento, em especial o trauma provocado pela noção de que teremos fim

Bruno Carmelo
21 de fevereiro de 2008

Do tambor ao toca-discos

No momento de maior prestígio dos DJs, evento hip-hop comandado por Erry-G resgata o elo entre as pick-ups, a batida Dub da Jamaica e a percussão africana. Apresentação ressalta importância dos discos de vinil e a luta para manter única fábrica brasileira que os produz

Eleilson Leite
16 de fevereiro de 2008

Cinco aspectos da arte de citar

Citar é estar de tal forma na literatura que só a própria criatividade não é suficiente, deve-se buscar ferramentas criadas por diferentes autores, desconstruir pensamentos e identificar até migalhas espalhadas que ainda não haviam sido vistas.

Renata Miloni
15 de fevereiro de 2008

Contos do inconsciente

“Freud e o estranho – contos do inconsciente”, mesmo sendo irregular, não deixa de ser interessante. Em primeiro lugar, pela caprichada apresentação do volume, com notas bastante explicativas acompanhando os contos, além de comentários reunidos ao final do volume.

Gregório Dantas
15 de fevereiro de 2008

Ganhando meu pão, de Máximo Górki

De que matéria, afinal, é feita a ficção — Górki parece perguntar — e por que ela o cativa de maneira tão impressionante e, ainda, por que o que é ficcional pode ser tão belo, apropriado, sublime e, por vezes, inapropriado, já que não se cola ao real?

Isa Fonseca
15 de fevereiro de 2008

Pirapora, onde pulsa o samba paulista

Aqui, romeiros e sambistas, devotos e profanos lançaram sementes para o carnaval de rua, num fenômeno que entusiasmou Mário de Andrade. Aqui, o samba dos mestres (como Osvaldinho da Cuíca) vibra, e animará quatro dias de folia. Aqui, a 45 minutos do centro da metrópole

Eleilson Leite
2 de fevereiro de 2008

Como se não fosse ficção

Abdellatif Kechiche dá ares de documentário a La Graine et le Moulet, seu novo filme — talvez para fundir prosa e poesia e criar obra sutil em que afirma, sem descambar para o panfleto, a igualdade entre franceses e marroquinos, cristãos e muçulmanos

Bruno Carmelo
31 de janeiro de 2008

Justine

A organização caótica da narrativa passou, em dado momento, a dispersar minha atenção. Chega uma hora em que belas figuras de linguagem e descrições primorosas tornam-se insuficientes para cativar um leitor que preza uma condução mais segura da história.

Luiz Paulo Faccioli
26 de janeiro de 2008

Contos de fadas para adultos

Publicado pela primeira vez em 1960, na Inglaterra, “Beijo”, de Roald Dahl, é formado por onze contos em que prevalece o tom sombrio, com detalhes do cotidiano que, aos poucos, constroem um clima de suspense e terror.

Leandro Oliveira
26 de janeiro de 2008

Cassavas, Anselmo e as grandiosidades

Quando encontro uma literatura feita a partir de certo surrealismo fantástico, ela tende a me agradar muito mais. João Paulo Cuenca mergulha nessa classe com maestria.

Renata Miloni
26 de janeiro de 2008

A Infância de Máximo Górki

É interessante notar a maestria do autor em elaborar ficcionalmente e em detalhes as suas memórias daqueles anos, sem deixar de dar-nos um painel, ainda que muito sutilmente, do modo de viver do russo, do “homem comum”, no século 19.

Isa Fonseca
26 de janeiro de 2008

São Paulo, 454: a periferia toma conta

Em vez de voltar ao Mercadão, conheça este ano, na festa da cidade, Espaço Maloca, Biblioteca Suburbano Convicto, Buteco do Timaia. Delicie-se no Panelafro, Saboeiro, Bar do Binho. Ignorada pela mídia, a parte de Sampa onde estão 63% dos habitantes é um mundo cultural rico, diverso e vibrante

Eleilson Leite
24 de janeiro de 2008

XXY aborda um tabu

Diretora argentina encara o desafio de tratar do hermafroditismo, um tema quase ausente do cinema. Mas falta uma pitada de ousadia: opção por narrativa lateral, baseada sempre em metáforas e alusões, produz clima opressivo, que contrasta com humanismo da proposta

Bruno Carmelo
24 de janeiro de 2008

Moldar o homem

Imagine, quanta identificação, quanta empatia, quando o povo soubesse que o presidente é tão normal, "como todo mundo", que foi até traído pela mulher! Mas, estranhamente, houve pouco mais do que alguns comentários chistosos, nos botecos e nos cartuns, sobre o "reizinho corno". E o assunto morreu.

Diego Viana
18 de janeiro de 2008

Guerra sem vencedores

Com mais de cem mil exemplares vendidos na Espanha, traduzido na Alemanha, França, Itália, Holanda, Sérvia, Israel e Romênia, e às vésperas de ser transformado em filme, "Os girassóis cegos" passou despercebido da grande imprensa.

Dida Bessana
18 de janeiro de 2008

O dilema da literatura policial brasileira

Nenhum escritor está disposto a se colocar como um escritor menor, um mero escritor de literatura de entretenimento. Dos poucos escritores brasileiros de literatura policial, a maioria ainda pretende se colocar uma importância que não deveria ter.

Olivia Maia
18 de janeiro de 2008

Dois poemas de John Donne

A partir deste número, damos início a uma seção de tradução de poesia e prosa em língua inglesa, coordenada pela jornalista e tradutora Marina Della Valle marina_dellavalle@yahoo.com.br.

Rafael Rocha Daud
18 de janeiro de 2008

Garage: o mito do homem bom

Filme irlandês premiado em Cannes traça, delicado e flertando com o humor negro, o retrato de um ser solitário, que não tem idéias próprias nem opiniões divergentes. Alguém tão puro que não encontrou seu lugar na sociedade

Bruno Carmelo
17 de janeiro de 2008

As mixtapes conquistam as ruas

A prisão de dois DJs famosos sinaliza o endurecimento da luta das grandes gravadoras norte-americanas contra a produção independente. Mas todas as pessoas do meio sabem que esse circuito alternativo sustenta a vitalidade criativa do rap e constitui uma verdadeira mina de talentos para a própria indústria

Thomas Blondeau
14 de janeiro de 2008

Faça você mesmo!

Por meio da cultura, jovens das periferias brasileiras fazem uma revolução. Um panorama da produção independente nas quebradas das metrópoles: como a arte criada fora da indústria cultural subverte a mercantilização e controle do conhecimento, marca do capitalismo

Eleilson Leite
14 de janeiro de 2008

Huymans ensaísta

O que caracteriza o conjunto de ensaios de J. K. Huysmans é a alternância entre a militância inicial ao lado da pintura impressionista, dos salões dos independentes ou de vários artistas e o caminho religioso que o faria aproximar-se da pintura de Fra Angelico ou de Mathias Grünewald

Pablo Simpson
12 de janeiro de 2008

O ficcionista das ruas

João Antônio alega ter buscado firmar um compromisso com o leitor brasileiro, o qual procurou conhecer a fundo, a fim de desmistificar a sentença de que “não temos leitores”.

Cristina Betioli Ribeiro
12 de janeiro de 2008

Janet Malcolm e a busca elusiva por Gertrude Stein

Os que conhecem a autora americana Janet Malcolm sabem que não encontrarão em ’Two lives – Gertrude and Alice’, seu último livro, uma biografia no sentido estrito da palavra.

Marina Della Valle
12 de janeiro de 2008

Animais distantes

O escritor é o leitor que acompanha detalhadamente cada passo de um texto e cabe a ele decidir os rumos — mesmo que depois os encontre errados — de sua criação.

Renata Miloni
12 de janeiro de 2008

California Dreamin’ e os absurdos do poder

Premiado em Cannes, filme de Cristian Nemescu serve-se da comédia e do absurdo para revelar impasses da autoridade, impotência oculta do militarismo e limites de certas resistências. Mesmo inconclusa, por morte do diretor, obra revela ascensão do novo cinema romeno

Bruno Carmelo
12 de janeiro de 2008

2007: a profecia se fez como previsto

Há uma década, os Racionais lançavam Sobrevivendo no Inferno, seu CD-Manifesto. O rap vale mais que uma metralhadora. Os quatro pretos periféricos demarcaram um território, mostrando que as quebradas são capazes de inverter o jogo, e o ácido da poesia pode corroer o sistema

Eleilson Leite
29 de dezembro de 2007

A revolução do Cine Falcatrua

Um cineclube ligado à universidade desperta a fúria das distribuidoras de audiovisual ao exibir, sem fins de lucro, filmes baixados por internet. Disputa revela como é necessário superar, em defesa do público e dos artistas, os limites estreitos da "propriedade intelectual"

Bruno Cava
29 de dezembro de 2007

Suspiria, arte e sentidos

Avesso às fórmulas e clichês dos filmes de terror, o italiano Dario Argento produz obras marcadas por cenários, tons e música incomuns; tempo e espaço não-lineares; debates psicanalíticos. Texto inaugura nova coluna do Diplô, agora sobre cinema e diversidade

Bruno Carmelo
28 de dezembro de 2007

Um mestre na periferia

Escritor de pedras e livros, inventor de desvairios como os Saraus e a Semana de Arte Moderna da Periferia, Sérgio Vaz fala sobre literatura, talento pessoal, rap&MPB, esquerda. Ele vê as quebradas como "a Palestina brasileira", mas avisa: "Não abrimos mão da dignidade. E nosso palco é merecido"

Danilo Siqueira
24 de dezembro de 2007

O homem na multidão

Sem colocar seu detetive no divã, Garcia-Roza conseguiu, de livro a livro, criar uma figura carismática capaz de comportar questões graves de maneira bastante verossímil.

Gregório Dantas
22 de dezembro de 2007

Sob o sol, sob a lua... Um Balanço...

Cynthia Cruttenden mobiliza sol e lua para construir um mito quase de fecundação. Keiko Maeo encena a descoberta e o crescimento sensorial do homem.

Pedro Marques
22 de dezembro de 2007

O artelho de Aquiles

Há tradutores por aí que, por falta de humildade ou excesso de preguiça, recusam-se a abrir qualquer dicionário. Mesmo os eletrônicos. Eles sabem tudo, e o que não sabem, podem adivinhar. Ou inventar.

Simone Campos
22 de dezembro de 2007

Sobre símbolos e eras

São os orientais, hoje, que não respeitam nada do que já há; pensam no que ainda haverá, e interpretam o presente como mera matéria-prima, tão bruta e maleável como a areia da praia.

Diego Viana
22 de dezembro de 2007

Antonio Porchia — os limites da literatura

A escassez da obra de Porchia é uma decorrência natural, necessária, da sua capacidade de condensação: uma única voz parece requerer uma eternidade de silêncio e meditação.

Marco Catalão
22 de dezembro de 2007

Em nome da harmonia

Assim Assis Brasil se mostrou em seu romance: mantendo um ritmo sensatamente emocionante do começo ao fim, com a honesta prioridade não de impactar, mas de ser fiel ao texto, ao tom de narração escolhido.

Renata Miloni
15 de dezembro de 2007

A noite dos viúvos
David Oscar Vaz
15 de dezembro de 2007

Poemas
Cristina Betioli Ribeiro
15 de dezembro de 2007

A literatura que vem da Ásia

Que o leitor mais exigente não se engane: há, em tais best-sellers, algo que cativa e que aparece justificado num fazer literário que, não sendo fruto da mente de gênios da literatura, ainda assim, tem o seu lugar.

Isa Fonseca
15 de dezembro de 2007

Eu ficava ali, chamando Deus

"As provas da existência do inimigo interior são imensas e as de seu poder esmagadoras. Creio no inimigo porque, todos os dias e todas as noites, eu o encontro em meu caminho. O inimigo é aquele que, do interior, destrói o que vale a pena. É aquele que lhe mostra a decrepitude contida em cada realidade."

Amélie Nothomb, Cosmética do inimigo

Saint-Clair Stockler
7 de dezembro de 2007

Leda e o lugar da literatura

Ao dar o título do seu livro a uma personagem obscura e que pouco aparece na narrativa, o autor sugere uma visão sobre o lugar que a literatura possui nos dias de hoje.

Marco Polli
7 de dezembro de 2007

Ambição total

Para um escritor com ambição total, a busca por todos os leitores possíveis não implica condescendência ou simplificação; ao contrário, ela implica excelência e versatilidade

Lucas Murtinho
7 de dezembro de 2007

Individualidade e história

No romance Uma questão de loucura, Ismail Kadaré empresta ao narrador aguda capacidade de observação e de fantasia, para recuperar, como em outras obras, a história da Albânia

Dida Bessana
7 de dezembro de 2007

Pela Educação, Pedagogia e Cultura

"Não somos imorais nem amorais: somos anti-morais, naquilo que a Moral do Dia impede o florescer de uma Ética da Solidariedade. Moral refere-se ao passado que sobrevive no presente. Ética, ao presente que se projeta no futuro". Mais um grande pensador brasileiro estréia no Diplô Brasil

Augusto Boal
6 de dezembro de 2007

A voz distante

Nos poemas aqui traduzidos, inéditos no Brasil, Yves Bonnefoy fala de um eterno renascer, contra os desígnios da morte e do esquecimento.

Pablo Simpson
30 de novembro de 2007

Wordsworth e o retrato do poeta quando jovem

A edição bilíngüe de "O olho imóvel pela força da harmonia", seleção de poemas de Wordsworth, traz, pela primeira vez em português, trechos do prefácio ao livro Lyrical ballads, volume escrito por Wordsworth e Coleridge, considerado um marco do Romantismo nas letras inglesas

Marina Della Valle
30 de novembro de 2007

Cento e sessenta homens parrudos

Nem o mais aloprado dos econometristas haverá de encontrar traços de eficiência no ato de mandar cento e sessenta policiais (escrevo por extenso para aumentar o impacto) para combater uma pequena, digo mais, minúscula greve de estudantes.

Diego Viana
30 de novembro de 2007

De Drácula a Philip Marlowe

Até que ponto é possível reduzir o gênero policial a um punhado de características?

Olivia Maia
30 de novembro de 2007

No meio de uma gente tão modesta

Milhares de pessoas reúnem-se todas as semanas nas quebradas, em torno das rodas de samba. Filho da dor, mas pai do prazer, o ritmo é o manto simbólico que anima as comunidades a valorizar o que são, multiplica pertencimentos e sugere ser livre como uma pipa nos céus da perifa

Eleilson Leite
30 de novembro de 2007

Palavra 8

Entre o romantismo e a modernidade
Em contraste com a sintaxe e o léxico sonoros e altissonantes das obras de Espronceda e Zorilla, os poemas de Bécquer apresentam uma linguagem depurada e concisa
Aqui

Dois poemas
Aqui

Sabores, cheiros e cores
"O homem tinha (eu achava) cara mesmo de pescador: faces descarnadas, secas de sol, a barba cinzenta e rala encompridando o bigodão. Enfiados nos braços, os cestos de vime: gingando no passo dele, tampas saltando, os peixes querendo fugir, voltar ao Guaíba, ao Taquari – nadar"
Aqui

A essência esquecida
Se o crítico é o maior defensor da literatura, ele tem o dever de saber que o melhor livro já escrito não vai cair em suas mãos nesta vida.
Aqui

Rodrigo Gurgel
23 de novembro de 2007

O ressentimento da tropa

Tropa de Elite erra o alvo ao denunciar a suposta cumplicidade da classe média com o crime. O ataque serve de álibi para subestimar os preconceitos que marcam a ação policial e esquecer que uma nova polícia só seria possível num país transformado

Laurindo Dias Minhoto
23 de novembro de 2007

A dor e a delícia de ser negro

Dia da Consciência Negra desencadeia, em São Paulo, semana completa de manifestações artísticas. Nosso roteiro destaca parte da programação, que se repete em muitas outras cidades e volta a realçar emergência, diversidade e brilho da cultura periférica

Eleilson Leite
19 de novembro de 2007

Três canções
Marco Catalão
17 de novembro de 2007

Onde mora a poesia

Invariavelmente realizados em botecos, os saraus da periferia são despojados de requintes. Mas são muito rigorosos quanto aos rituais de pertencimento e ao acolhimento. Enganam-se aqueles que vêem esses encontros como algo furtivo e desprovido de rigores

Eleilson Leite
13 de novembro de 2007

Palavra 6

O perfeito bibliotecário
Aqui

Sutilezas entre ocultar e dizer
Aqui

Percepção de méritos
Quem julga um texto pela personalidade do escritor é incapaz de construir um argumento para sustentar boas idéias.
Aqui

Clarice Lispector: uma escrita indigesta
Em Clarice, os traços convencionais da narrativa são refundidos numa escrita não raro dura de roer, principalmente para leitores desabituados aos fluxos de consciência, às tramas pouco lineares, a espaços fragmentários, às fusões entre narrador e objetos descritos, à mistura de gêneros.
Aqui

Rodrigo Gurgel
10 de novembro de 2007

Todos os dias da Semana

Programação completa da Semana de Arte Moderna da Periferia

Eleilson Leite
2 de novembro de 2007

O biscoito fino das quebradas

Semana de Arte Moderna da Periferia começa dia 4, em São Paulo. Programa desmente estereótipos que reduzem favela a violência, e revela produção cultural refinada, não-panfletária, capaz questionar a injustiça com a arma aguda da criação

Eleilson Leite
2 de novembro de 2007

Projeto de sufocação

É exatamente isso que também faz do grande escritor um grande leitor. Acredito ser o espírito da profissão: a busca pelo conhecimento infindável da língua, para que a pessoa possa se expressar de todas as formas possíveis e atingir as improváveis.

Renata Miloni
27 de outubro de 2007

A arte rebelde do maestro Lutero

Um músico brasileiro consagrado e de vida aventurosa vê no canto coletivo uma forma de transformar as relações humanas, cria o Fórum Coral Mundial e oferece, em São Paulo, espetáculos incomuns — porém, quase clandestinos...

João Paulo Charleaux
25 de outubro de 2007

Dos reencontros

para a Dri

Ricardo Miyake
19 de outubro de 2007

Literatura de pai para filho

Mais do que uma história de filho doente, O filho eterno é uma bela reflexão sobre a paternidade, sobre ser escritor e sobre o momento político conturbado dos anos 1980

Leandro Oliveira
19 de outubro de 2007

Clarice fala com amigos

São 42 pequenas entrevistas. Profundas, às vezes. Deliciosas, sempre. Fui direto às minhas predileções e curiosidades.

André Resende
19 de outubro de 2007

E Paris mudou de cara

Estrangeiro em tudo e todos. O autor incursiona pelo encanto sombrio da Cidade Luz, onde seus sentimentos mesclam-se de forma sinestésica e paradoxal entre o medo e o fascínio diante da outra face de Paris

Diego Viana
19 de outubro de 2007

Manifesto da Antropofagia Periférica
Sérgio Vaz
17 de outubro de 2007

A arte que liberta não pode vir
da mão que escraviza

Vem aí Semana de Arte Moderna da Periferia. Iniciativa recupera radicalidade de 1922 e da Tropicália, mas afirma, além disso, Brasil que já não se espelha nas elites, nem aceita ser subalterno a elas. Diplô abre coluna quinzenal sobre cultura periférica

Eleilson Leite
17 de outubro de 2007

Uma África truculenta e fantástica

Em “Memórias de Porco-Espinho”, Alain Mabanckou parodia a lenda de que cada Homem tem seu respectivo duplo animal. Um Porco-Espinho protagoniza como uma espécie de alter ego do jovem Kibandi, que concretiza seu prazer mórbido por meio da pungência desse duplo

Claude Wauthier
15 de outubro de 2007

No Haiti, em busca da água da vida

“A experiência é o bastão dos cegos, e aprendi que o que conta é a rebelião, e o conhecimento de que o homem é o padeiro da vida. Ah, a nós, é a vida que nos petrifica. Porque vocês são uma massa resignada, é isso que vocês são”

Karine Alvarez
15 de outubro de 2007

O ensino europeu no compasso do mercado

Os reitores se transformaram em gerentes de empresas, os objetivos humanistas foram substituídos pela competição e o prestígio dos estabelecimentos passou a ser medido pelos salários dos recém-formados

Christophe Charle
15 de outubro de 2007

Sylvia Plath e A Redoma de vidro

Isa Fonseca analisa autora norte-americana que se suicidou em 1962, aos 31 anos, semanas após escrever um dos grandes romances século 20

Isa Fonseca
5 de outubro de 2007

Um brinde no Largo do Arouche

"No rádio, tocou Sampa, justamente quando eu cruzava a esquina da São João. Nenhuma coisa aconteceu no meu coração"

Antonio Carlos Olivieri
5 de outubro de 2007

As mulheres do Irã dão notícias

Comme tous les après-midi [Como a cada tarde] e On s’y fera [A gente se acostuma], adentram num mundo que parece tão oculto: o iraniano. Nesses livros, a autora Zoyâ Pirzâd - talvez uma espécie de Clarice Lispector iraniana - perscruta o universo feminino de maneira despojada

Violaine Ripoll
6 de setembro de 2007

Últimos dias da Argélia francesa

O ano de 1962, quando a Argélia viveu uma carnificina, é retratado ou contado pelo olhar de crianças. Cartouches gauloises, um filme de Mehdi Charef, ultrapassa a esfera local da tragédia. Amplia as reflexões para a tragédia mundial e humana

Tahar Ben Jelloun
6 de setembro de 2007

Documentários de combate

Com baixos orçamentos e cronogramas apertados, a Brave News produz filmes que denunciam a indústria da guerra, a corrupção política e o poder das corporações. E já diversificou sua linha de ação, quebrando o monopólio das grandes distribuidoras

Christian Christensen
6 de setembro de 2007

Kiarostami e Erice

A exposição itinerante ”Correspondências” propõe um diálogo entre as obras cinematográficas de Víctor Erice e Abbas Kiarostami. Por meio da troca de "cartas filmadas", cada qual lança seu olhar sobre a obra do outro

Alain Bergala
6 de setembro de 2007

"As crianças me ensinaram"

Abbas Kiarostami propõe: "Se elas não podem nos compreender, é porque temos um ponto fraco: não conseguimos produzir um pensamento simples. E quando o cinema assume um tom sentencioso, amargo, é porque não consegue se exprimir"

Abbas Kiarostami
6 de setembro de 2007

Que sistema universal?

Com o intuito de representar a noosfera como um cosmo matematicamente organizado e explorável, pesquisadores elaboraram um sistema de endereçamento semântico universal. O "Metalinguagem da Economia da Informação" (IEML) possibilita a integralidade dos universos conceitais de diversas culturas e a reflexibilidade da inteligência coletiva no ciberespaço

Pierre Lévy
14 de agosto de 2007

Contra o “tudo em inglês”

Na França, a falta de domínio dessa língua tornou-se um critério para demissões que obedecem às conveniências da Bolsa. Enquanto isso, quatro pacientes de câncer morreram por excesso de radiação, devido à má compreensão do programa de computador ... em inglês!
(Na internet, a partir de setembro)

Bernard Cassen
14 de agosto de 2007

A batalha das palavras

O que está em jogo é a arquitetura da “rede” como base de uma nova ordem mundial. Mas que controla a rede? Na disputa, o sentido das palavras desempenha papel decisivo. Pois quem domina as palavras domina as construções mentais que induzem as políticas

Armand Mattelart
14 de agosto de 2007

Os intelectuais e rede mundial do saber

Representar a natureza simbólica da mente humana, sob a forma de um cosmo de diversidade qualitativa quase infinita, mas matematicamente organizada no ciberespaço: esta tarefa conjunta poderia fornecer um começo de solução para a fragmentação das ciências humanas

Pierre Lévy
13 de agosto de 2007

Museus, pilhagem colonial e reparações

Prevista pela ONU e cada vez mais reivindicada pelos países do Sul, a restituição do patrimônico histórico roubado pelos colonizadores é um direito. Que fazer para levá-lo à prática?

Bernard Muller
28 de julho de 2007

A revolução do Outro

Nossa contribuição ao 7º Fórum Social Mundial, que começa em 20 de janeiro, desta vez na África: num ensaio inédito, Gilberto Gil debate o papel da diversidade cultural, no esforço para repensar a emancipação social

Antonio Martins
19 de janeiro de 2007

Hegemonia e diversidade cultural

Numa conferência durante o II Fórum Cultural Mundial, Gilberto Gil provoca: o tempo do Iluminismo e da crença no “progresso” passou. Mas a idéia de emancipação está viva: a igualdade social ressurge porque todas as identidades são válidas, e nenhuma é superior às demais

Gilberto Gil
12 de janeiro de 2007

O coral em nossas cabeças

No documentário político La Rabbia, agora disponível em DVD, Pasolini reproduz, por meio das vozes de dois narradores, o efeito do choregus grego: despertar nossas lembranças e expor o presente que nos dilacera, para tentar frear o eticídio e resgatar o direito ao sonho

John Berger
1º de agosto de 2006

Quem tem medo da livre difusão cultural

Um debate na Assembléia Nacional francesa revela: em defesa de seus lucros, as transnacionais do "showbusiness" e do "software" propõem impedir a circulação não-mercantil de obras artísticas pela internet

Philippe Aigrain
1º de fevereiro de 2006

A esquerda e a cultura

Amigo e colaborador do ’Le Monde Diplomatique’, Manuel Vázquez Montalbán, grande escritor e militante que lutou permanentemente contra as injustiças e desigualdades sociais, morreu no dia 18 de outubro do ano passado. Em homenagem a seu talento e seu compromisso político, publicamos este texto inédito, parte de uma Conferência realizada em Alicante, em 2001

Manuel Vázquez Montalbán
1º de janeiro de 2004

O som do país de Lula

Em um país de forte musicalidade, a chegada de Lula ao poder também é acompanhada pela ascensão de uma geração de músicos que faz uma nova mistura de tradição, ritmos rurais e samba com sintetizadores, rock e rap e que procura selos independentes para se fazer ouvir

Jacques Denis
1º de dezembro de 2003

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[1] Este artigo é um fragmento – especialmente preparado pelo autor para esta edição do Palavra – do livro Manuel Bandeira e a música: com três poemas visitados, que Pedro Marques lançou recentemente pela Editora Ateliê, em co-edição com a FAPESP.