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“Substituir o patrão, no início, é mais trabalho. Mas pelo menos é trabalho!”: com este pensamento, muito operários europeus estão assumindo a direção de companhias quebradas, corrigindo os erros de gestão, saneando os rombos financeiros, retomando e modernizando a produção e conquistando mercados
Em seu romance ’Travail’, Emile Zola expõe, numa narrativa sobre o movimento operário do final do século XIX, sua genialidade e suas contradições, oscilando entre uma admiração reverente por Fourier e o determinismo brutal do capitalismo incipiente
A mídia explorou, no debate eleitoral francês, a suposta despolitização de parte dos assalariados. Mas as transformações por que passou o mundo do trabalho são tão profundas que já é o caso de perguntar se ele pode contribuir para a coesão da sociedade
Filhos de imigrantes vindos do Magrebe e da África negra, os jovens que integram a nova geração de trabalhadores rejeitam a herança do mundo operário e sonham com o sucesso individual
Na década de 90, ocorreu uma redefinição das relações entre empresas e empregados. O que antes era chamado de “exploração” foi rebatizado de “criação”. Sem que tivesse havido aumento de salários, foi dado aos funcionários o título de gerente
Como as indústrias "modernas" desqualificam os operários, bloqueiam a transmissão de saber e memória entre eles, sabotam os sindicatos e tentam esvaziar o sonho de transformação do mundo
Jovens trabalhadores de uma empresa ligada à Mercedes Benz mostram, numa região operária esgotada pelo desemprego, que, também nas "novas" fábricas, é possível enfrentar a exploração e vencê-la