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Uma iniciativa


» Lei Rouanet e a cultura em demolição

» Rebelião em Londres: é o clima ou o sistema?

» A “inteligência caolha” da família Bolsonaro

» Opacidade: o direito de escapar à vigilância total

» O crime de Guarapuava e as elites sem freios

» Boaventura: os EUA flertam com o direito názi

» Argentina: ainda bem que há eleições…

» O bispo que não vai para o céu

» Prisões brasileiras: relato de dentro do inferno

» Bernardet: “Tirei o corpo fora”

Rede Social


Edição francesa


» Rwanda, retour sur un aveuglement international

» La riposte des exclus

» La justice, pilier ou béquille de la démocratie ?

» La canicule, révélateur d'une santé malade

» La caution des scientifiques

» Dans l'enfer blanc de l'amiante

» Fiasco à La Haye

» L'immigration au miroir des échecs de la gauche

» « Faxer » ou périr, une culture de l'urgence

» Comment Sciences-Po et l'ENA deviennent des « business schools »


Edição em inglês


» The making and unmaking of Brazilian democracy

» Mica mining, why watchdogs count

» LMD's New York debates

» Decriminalizing the drug war?

» April: the longer view

» Housing, rubbish, walls and failing infrastructure in East Jerusalem

» Mining profits go to foreign investors

» Combatting climate change: veganism or a Green New Deal?

» Berlin's fight for expropriation

» Afghanistan: the fighting continues


Edição portuguesa


» Edição de Abril de 2019

» A nossa informação, as vossas escolhas

» O cordão sanitário

» O caso do Novo Banco: nacionalizar ou internacionalizar?

» Edição de Março de 2019

» Sabe bem informar tão pouco

» O presidente e os pirómanos

» Edição de Fevereiro e 2019

» As propinas reproduzem as desigualdades

» Luta de classes em França


Seção {Palavra}

Testemunha do horror

Vasily Grossman só foi salvo dos “gulags” porque Stalin morreu. Mas seus textos foram tirados de circulação. Censurado, reduzido à penúria e com poucos amigos, faleceu de câncer em 1964

Dida Bessana
6 de fevereiro de 2009

A palavra em compasso de urgência

“Trocando em miúdos”, segundo livro de contos de Luiz Paulo Faccioli, escapa das armadilhas do amor como tema capturando seus momentos mais sôfregos

Marina Della Valle
6 de fevereiro de 2009

São Paulo: heterogenética cidade literária
“Há uma história da literatura que se projeta na cidade de São Paulo; e há uma história da cidade de São Paulo que se projeta na literatura.”
(Antonio Candido)
 [1]
Mauro Rosso
6 de fevereiro de 2009

O erudito

Colocou o papel com a citação à carne de ovelha na boca. Ele a macerou com a língua. Molhou-a. Tentou fazer brotar dela o enigmático sabor do animal estranho. Sentiu a tinta se desprender. Era a única coisa a conferir algum sabor exótico àquele repugnante alimento

Tibor Moricz
6 de fevereiro de 2009

Palavra 55

Testemunha do horror
Vasily Grossman só foi salvo dos “gulags” porque Stalin morreu. Mas seus textos foram tirados de circulação. Censurado, reduzido à penúria e com poucos amigos, faleceu de câncer em 1964
Aqui

A palavra em compasso de urgência
“Trocando em miúdos”, segundo livro de contos de Luiz Paulo Faccioli, escapa das armadilhas do amor como tema capturando seus momentos mais sôfregos
Aqui

São Paulo: heterogenética cidade literária “Há uma história da literatura que se projeta na cidade de São Paulo; e há uma história da cidade de São Paulo que se projeta na literatura.”(Antonio Candido)
Aqui

O erudito
Colocou o papel com a citação à carne de ovelha na boca. Ele a macerou com a língua. Molhou-a. Tentou fazer brotar dela o enigmático sabor do animal estranho. Sentiu a tinta se desprender. Era a única coisa a conferir algum sabor exótico àquele repugnante alimento
Aqui

Rodrigo Gurgel
4 de fevereiro de 2009

Desdizeres de quem escreve
André Resende
24 de janeiro de 2009

Entre o livro-objeto e o livro-experiência

Ainda hoje, apesar de todas as transformações vividas pela sociedade nas últimas décadas, leitores adultos ainda torcem o nariz para livros que fogem ao estereótipo de simplicidade e didatismo comumente associado ao “livro para crianças”

Marco Catalão
24 de janeiro de 2009

A ternura masculina sem pudores

José Luis Sampedro não nos permite tirar a dignidade de seu protagonista: não há como sentir pena dele

Romilda Raeder
24 de janeiro de 2009

O pavimento beijado

A pobre senhora inspirou profundamente, inclinou-se para um lado e se pôs a tatear a superfície encardida da calçada

Diego Viana
24 de janeiro de 2009

A arte de usar o tempo e o espaço a favor da boa literatura

Ao notar o vazio editorial e a tendência de crescimento da literatura fantástica, Fábio Fernandes e Jacques Barcia idealizaram a revista “Terra Incognita”

Fernando S. Trevisan
16 de janeiro de 2009

“Cidadezinha inglesa no domingo”, de Max Jacob

Nascido em 1876, Max Jacob participou das vanguardas poéticas e artísticas européias, ao lado de Jean Cocteau, Georges Braque e Pablo Picasso

Pablo Simpson
16 de janeiro de 2009

Idéias perdidas

No fundo, o único ponto realmente importante na literatura é o exercício da idéia

Renata Miloni
16 de janeiro de 2009

Mas Alice

Ele, minha Alice, minha primeira Barbie, me olhou como quem faz um favor. Em seguida, arrastou as plataformas até o banheiro e sacou o batom da bolsa

Neuza Paranhos
16 de janeiro de 2009

De volta aos rostos

Ao reencontrar as fisionomias, sou tomado pelo alívio. Estão todos ali, onde deveriam estar, indiferentes, na plataforma do metrô. Vejo-as congeladas, num estranho estado de suspensão, enquanto esperam o trem para subir

Diego Viana
9 de janeiro de 2009

Libertado e traído pela revolução

Nos textos de Babel transitam desde retratos avassaladores de guerra e paz até histórias de amor pouco convencionais

Alysson Oliveira
9 de janeiro de 2009

A saga do “casteller”

Em “La bodega”, Noah Gordon constrói um panorama detalhado da cultura catalã

Dida Bessana
9 de janeiro de 2009

Nossa seca

No fundo do meu sentimento, dou a última palavra, juro, até para ser ouvido na minha revolta: “quero água, abençoada água para não morrer; Deus, encha o céu de nuvens de chuva”

Celina Castro
9 de janeiro de 2009

Palavra 52

Libertado e traído pela revolução
Nos textos de Babel transitam desde retratos avassaladores de guerra e paz até histórias de amor pouco convencionais
Aqui

A saga do “casteller”
Em “La bodega”, Noah Gordon constrói um panorama detalhado da cultura catalã
Aqui

De volta aos rostos
Ao reencontrar as fisionomias, sou tomado pelo alívio. Estão todos ali, onde deveriam estar, indiferentes, na plataforma do metrô. Vejo-as congeladas, num estranho estado de suspensão, enquanto esperam o trem para subir
Aqui

Nossa seca
No fundo do meu sentimento, dou a última palavra, juro, até para ser ouvido na minha revolta: “quero água, abençoada água para não morrer; Deus, encha o céu de nuvens de chuva”
Aqui

Rodrigo Gurgel
9 de janeiro de 2009

As lições de “A cartomante”

Machado de Assis, antes de tudo artista, é um grande fazedor de tramas, que embaralha maliciosamente as cartas e o leitor

David Oscar Vaz
19 de dezembro de 2008

Kadaré e sua cidade-pedra fundamental

Publicado pela primeira vez em 1970, “Crônica na Pedra” é fundamental para os que desejam se aprofundar no universo peculiar da criação do escritor albanês

Marina Della Valle
19 de dezembro de 2008

O sonho (e o destino) dos heróis

“O sonho dos heróis” não é apenas a história de um indivíduo em busca de seu destino, mas a de certa Argentina no final dos anos 20

Gregório Dantas
19 de dezembro de 2008

Palavra 51

As lições de “A cartomante”
Machado de Assis, antes de tudo artista, é um grande fazedor de tramas, que embaralha maliciosamente as cartas e o leitor
Aqui

O sonho (e o destino) dos heróis
“O sonho dos heróis” não é apenas a história de um indivíduo em busca de seu destino, mas a de certa Argentina no final dos anos 20
Aqui

Kadaré e sua cidade-pedra fundamental
Publicado pela primeira vez em 1970, “Crônica na Pedra” é fundamental para os que desejam se aprofundar no universo peculiar da criação do escritor albanês
Aqui

Mais que filosofia, ciência e literatura
O mistério é o lugar onde não estamos, nem chegamos, a não ser por acreditar nele como algo a aceitar
Aqui

Rodrigo Gurgel
19 de dezembro de 2008

Palavra 50

Os sertões: contemporâneo da posteridade
“O livro número um do Brasil”– que neste dezembro completa 106 anos de publicação – diz muito de um drama da história nacional, e também de dramas dos tempos atuais
Aqui

Bandeira religioso (e libertino)
A edição cuidadosa da antologia “Poemas religiosos e alguns libertinos”, de Manuel Bandeira, organizada por Edson Nery da Fonseca, nos permite observar alguns dos caminhos da inspiração banderiana pouco percorridos pela crítica
Aqui

Nós ao espelho
Os espelhos de Eduardo Galeano são cristalinos e impiedosos: pequenas visões que ferem apenas os muito vaidosos e os que acreditam que os valores estão na superfície dos corpos, nas imagens ideais e nas verdades inventadas
Aqui

Reconstrução da memória
“Pó de parede”, da gaúcha Carol Bensimon, é formado por três histórias que têm como base a casa (no sentido físico, familiar e metafórico) e a memória
Aqui

Rodrigo Gurgel
12 de dezembro de 2008

Reconstrução da memória

“Pó de parede”, da gaúcha Carol Bensimon, é formado por três histórias que têm como base a casa (no sentido físico, familiar e metafórico) e a memória

Renata Miloni
12 de dezembro de 2008

Bandeira religioso (e libertino)

A edição cuidadosa da antologia “Poemas religiosos e alguns libertinos”, de Manuel Bandeira, organizada por Edson Nery da Fonseca, nos permite observar alguns dos caminhos da inspiração banderiana pouco percorridos pela crítica

Pablo Simpson
12 de dezembro de 2008

Nós ao espelho

Os espelhos de Eduardo Galeano são cristalinos e impiedosos: pequenas visões que ferem apenas os muito vaidosos e os que acreditam que os valores estão na superfície dos corpos, nas imagens ideais e nas verdades inventadas

Romilda Raeder
12 de dezembro de 2008

Os sertões: contemporâneo da posteridade

“O livro número um do Brasil”– que neste dezembro completa 106 anos de publicação – diz muito de um drama da história nacional, e também de dramas dos tempos atuais

Mauro Rosso
12 de dezembro de 2008

Mais poemas de Pound

No quinto número de nossa seção Vice-Verse, coordenada pela jornalista e tradutora Marina Della Valle e dedicada a traduções de poesia e prosa em língua inglesa, apresentamos novos poemas de Ezra Pound, traduzidos do livro "Lustra"

Dirceu Villa
5 de dezembro de 2008

A valsa das borboletas

As narrativas de José Cardoso Pires e Jean-Dominique Bauby funcionam de modo a resgatar a dignidade do homem diante de situações que teriam tudo para reduzi-lo à condição de simples joguete do destino, de “ser” impotente diante de uma condição que lhe escapa à compreensão

Luís Fernando Prado Telles
5 de dezembro de 2008

Os mal-entendidos da escrita

No fundo, “Flores azuis” é a jornada de Marcos em busca da compreensão de si mesmo. As cartas misteriosas são uma espécie de catalisador para a sua transformação pessoal

Alysson Oliveira
5 de dezembro de 2008

Scherzo com física e moleskine

Os objetos da física, os monumentos do quotidiano, os sabores, cores e temperaturas são aquilo que deles sentimos e vemos, imagens de um qualquer coisa bruto que está lá fora e que só aceitamos como mais real do que os sonhos porque temos a consciência e a convicção de estarmos despertos

Diego Viana
5 de dezembro de 2008

Palavra 49

A valsa das borboletas
As narrativas de José Cardoso Pires e Jean-Dominique Bauby funcionam de modo a resgatar a dignidade do homem diante de situações que teriam tudo para reduzi-lo à condição de simples joguete do destino, de “ser” impotente diante de uma condição que lhe escapa à compreensão
Aqui

Mais poemas de Pound
No quinto número de nossa seção Vice-Verse, coordenada pela jornalista e tradutora Marina Della Valle e dedicada a traduções de poesia e prosa em língua inglesa, apresentamos novos poemas de Ezra Pound, traduzidos do livro "Lustra"
Aqui

Os mal-entendidos da escrita
No fundo, “Flores azuis” é a jornada de Marcos em busca da compreensão de si mesmo. As cartas misteriosas são uma espécie de catalisador para a sua transformação pessoal
Aqui

Scherzo com física e moleskine
Os objetos da física, os monumentos do quotidiano, os sabores, cores e temperaturas são aquilo que deles sentimos e vemos, imagens de um qualquer coisa bruto que está lá fora e que só aceitamos como mais real do que os sonhos porque temos a consciência e a convicção de estarmos despertos
Aqui

Rodrigo Gurgel
5 de dezembro de 2008

O passado dói

“O passado”, de Alan Pauls, é uma viagem, uma vertigem cortazariana ao fundo do coração de um homem dilacerado, feito em pedacinhos como os bilhetes e papelotes que consome sem nem mesmo saber ao certo por quê

Fábio Fernandes
1º de dezembro de 2008

Tabuleiro sem limites

A impressão que tenho ao ler e reler qualquer um dos textos de Fernando Sabino é a de que tudo nele era puramente literário

Renata Miloni
1º de dezembro de 2008

Copacabana classic
Régis Bonvicino
1º de dezembro de 2008

Impressionismo em tons de cinza

Assim como “Respiração artificial”, de Ricardo Piglia, “História do pranto” já pode ser considerada uma obra importante sobre o período de exceção latino-americano

Marco Polli
1º de dezembro de 2008

Palavra 48

O passado dói
“O passado”, de Alan Pauls, é uma viagem, uma vertigem cortazariana ao fundo do coração de um homem dilacerado, feito em pedacinhos como os bilhetes e papelotes que consome sem nem mesmo saber ao certo por quê
Aqui

Impressionismo em tons de cinza
Assim como “Respiração artificial”, de Ricardo Piglia, “História do pranto” já pode ser considerada uma obra importante sobre o período de exceção latino-americano
Aqui

Copacabana classic
Poema
Aqui

Tabuleiro sem limites
A impressão que tenho ao ler e reler qualquer um dos textos de Fernando Sabino é a de que tudo nele era puramente literário
Aqui

Rodrigo Gurgel
1º de dezembro de 2008

Três minicontos

Não se dão conta do óbvio: partir de Marianna, por causa da própria natureza da cidade, significa voltar a ela

Cláudio Parreira
23 de novembro de 2008

Um mapa dos corações humanos (de São Paulo e do Brasil)

O começo do livro é engraçado, cheio de brincadeiras do tipo perco-o-leitor-mas-não-perco-a-piada

Fábio Fernandes
23 de novembro de 2008

A aventura intelectual chinesa

Anne Cheng consegue encontrar uma perspectiva equilibrada ou correta para apresentar aos ocidentais uma história do pensamento chinês

Antonio Carlos Olivieri
23 de novembro de 2008

Nuvem carregada

A mim, ninguém oferecia um gole, ao velho que já passou do tempo. Mas eu não sentia. Minha boca, enrijecida, já se acostumara à posição de paralisia, lábios e gengivas endurecidas sem ambição alguma de falar

Diego Viana
23 de novembro de 2008

Palavra 47
Nuvem carregada
A mim, ninguém oferecia um gole, ao velho que já passou do tempo. Mas eu não sentia. Minha boca, enrijecida, já se acostumara à posição de paralisia, lábios e gengivas endurecidas sem ambição alguma de falar
Aqui

A aventura intelectual chinesa
Anne Cheng consegue encontrar uma perspectiva equilibrada ou correta para apresentar aos ocidentais uma história do pensamento chinês
Aqui

Um mapa dos corações humanos (de São Paulo e do Brasil)
O começo do livro é engraçado, cheio de brincadeiras do tipo perco-o-leitor-mas-não-perco-a-piada
Aqui

Três minicontos
Não se dão conta do óbvio: partir de Marianna, por causa da própria natureza da cidade, significa voltar a ela
Aqui

Rodrigo Gurgel
23 de novembro de 2008

Sobre literatura e outros defeitos

Nenhum romance ou conto, nem a soma do que li, me humanizou ou me induziu a ser uma pessoa melhor

André Resende
14 de novembro de 2008

Mestre da bibliofilia

Rubens Borba de Morais pesquisou bibliotecas européias, norte-americanas e brasileiras para escrever sua “Bibliografia brasiliana”, descritiva de livros raros sobre o Brasil de 1504 a 1900, verdadeiro monumento de erudição e pesquisa

Dida Bessana
14 de novembro de 2008

De quando a literatura se despede de suas histórias

Como o escritor brasileiro escolhe escrever seus livros? Geralmente se apegando a somente uma forma de sofrer

Renata Miloni
14 de novembro de 2008

Três poemas
Paulo Chagas de Souza
14 de novembro de 2008

Palavra 46
Mestre da bibliofilia
Rubens Borba de Morais pesquisou bibliotecas européias, norte-americanas e brasileiras para escrever sua “Bibliografia brasiliana”, descritiva de livros raros sobre o Brasil de 1504 a 1900, verdadeiro monumento de erudição e pesquisa
Aqui

De quando a literatura se despede de suas histórias
Como o escritor brasileiro escolhe escrever seus livros? Geralmente se apegando a somente uma forma de sofrer
Aqui

Sobre literatura e outros defeitos
Nenhum romance ou conto, nem a soma do que li, me humanizou ou me induziu a ser uma pessoa melhor
Aqui

Três poemas
Poema
Aqui

Rodrigo Gurgel
14 de novembro de 2008

Viagem a Havana

Impossível deixar de admirar, linha após linha, página após página, o trabalho do artesão tapeceiro, que dedicado a cada detalhe não perde de vista o todo da composição e deita cada ponto no exato e único lugar em que precisa estar

Romilda Raeder
8 de novembro de 2008

Grito provinciano – eco universal

O mundo das Adriennes não mudou tanto assim. É gente que você sabe que nunca escapará a uma sina de pequenez, sovinice, tristeza, exílio, desespero. Porque essa sina é tudo que tem, é sua explicação, seu nexo ontológico

Chico Lopes
8 de novembro de 2008

Machado, seus relicários e raisonnés

Os contos de Machado de Assis carecem não apenas de edições adequadas, mas também e principalmente de estudos condizentes com sua relevância literária, que inclusive forneçam uma visão completa do conjunto

Mauro Rosso
8 de novembro de 2008

Palavra 45
Machado, seus relicários e raisonnés
Os contos de Machado de Assis carecem não apenas de edições adequadas, mas também e principalmente de estudos condizentes com sua relevância literária, que inclusive forneçam uma visão completa do conjunto
Aqui

Viagem a Havana
Impossível deixar de admirar, linha após linha, página após página, o trabalho do artesão tapeceiro, que dedicado a cada detalhe não perde de vista o todo da composição e deita cada ponto no exato e único lugar em que precisa estar
Aqui

Grito provinciano – eco universal
O mundo das Adriennes não mudou tanto assim. É gente que você sabe que nunca escapará a uma sina de pequenez, sovinice, tristeza, exílio, desespero. Porque essa sina é tudo que tem, é sua explicação, seu nexo ontológico
Aqui

Do inútil (ao fútil)
O fútil, porque está tão aquém de nossa melhor dedicação, deixa entrever a existência de algo que é seu oposto absoluto
Aqui

Rodrigo Gurgel
8 de novembro de 2008

Anjos e crianças

Não são poucos os poemas em que Bandeira aborda a infância como região idealizada, cuja simples rememoração pode amenizar o espaço presente da solidão, dor, perda, doenças e aporias que todo adulto precisa lidar [2]

Pedro Marques
12 de setembro de 2008

A heroína do Novo Mundo

“Maria de Sanabria – a lendária expedição das mulheres que atravessaram o Atlântico no século XVI”, do ítalo-uruguaio Diego Bracco, é um romance histórico sobre a aventura dessa nobre sevilhana que, em 1550, chegou ao litoral de Santa Catarina

Dida Bessana
12 de setembro de 2008

O fazedor de humanos

As lições de um velho mestre incluem algo que deveria ser essencial para todos: a literatura

Renata Miloni
12 de setembro de 2008

Quando o labirinto é o mundo

A trama de Saramago é simples mas não é agradável. Seus personagens abandonaram toda a esperança, como se diz no pórtico do inferno dantesco

Fábio Fernandes
12 de setembro de 2008

Palavra 43

Um longo adeus que não termina
Não faltam aos versos de Pedro Salinas a substância palpável e viva da experiência amorosa, que os afasta da mera abstração
Aqui

Uma estranha num país estrangeiro
Em “O encontro”, de Anne Enright, ganhador do Man Booker Prize de 2007, o passado ressurge como um país coberto de neblina
Aqui

Mês de desgraça ou descanso
Não tente viver como um francês em Paris em agosto. Já ao longo do ano essa é uma idéia de turista com complexo de superioridade; no verão, simplesmente não é possível
Aqui

Eclipse
Ela dava a volta por um lado da casa, ele partia correndo na direção oposta, mas era no armário de tia Argentina que acabavam os dois, fundidos naquele silêncio e naquela imobilidade
Aqui

Rodrigo Gurgel
31 de agosto de 2008

Eclipse

Ela dava a volta por um lado da casa, ele partia correndo na direção oposta, mas era no armário de tia Argentina que acabavam os dois, fundidos naquele silêncio e naquela imobilidade

Maria Valéria Rezende
31 de agosto de 2008

Uma estranha num país estrangeiro

Em “O encontro”, de Anne Enright, ganhador do Man Booker Prize de 2007, o passado ressurge como um país coberto de neblina

Alysson Oliveira
31 de agosto de 2008

Mês de desgraça ou descanso

Não tente viver como um francês em Paris em agosto. Já ao longo do ano essa é uma idéia de turista com complexo de superioridade; no verão, simplesmente não é possível

Diego Viana
31 de agosto de 2008

Um longo adeus que não termina

Não faltam aos versos de Pedro Salinas a substância palpável e viva da experiência amorosa, que os afasta da mera abstração

Marco Catalão
31 de agosto de 2008

Perdendo Heitor

Noites que ela guardaria pelo cheiro do cigarro, da terra batida das estradas furtivas, do desodorante impreciso que ele passava, e, por fim, de muito usá-la, aprová-la, repeti-la, ele a tinha declarado única, nunca conhecera carne, cheiro melhor

Chico Lopes
22 de agosto de 2008

Tantas palavras

Quase ri dessa idéia absurda, outra que me cruzava o pensamento sem que eu soubesse de onde nem por que ela vinha. Mas me contive a tempo diante de um par de olhos que pareciam estar levando bem a sério a aventura

Luiz Paulo Faccioli
22 de agosto de 2008

O assassino bossa-nova

Espalham rapidamente as fotografias anteriores na mesa e decidem onde colocar a moça. Ela já está com um vestido longo, azul, semelhante aos usados na virada para os anos sessenta

Marco Polli
22 de agosto de 2008

A traição da pátria e outras suposições literárias

Os escritores estrangeiros são recebidos aqui — e não há diferença se bem ou mal: eles são sempre mais importantes — com um tipo de sorriso bastante comum

Renata Miloni
15 de agosto de 2008

Um portal de papel

Solaris é uma revista-portal que não pode ser encontrada em livrarias ou nas bancas – porque ela é mais uma ação viral que uma publicação

Fábio Fernandes
15 de agosto de 2008

As histórias da história de Biafra

“Meio sol amarelo”, de Chimamanda Ngozi Adichie, põe a história da tragédia de Biafra no mapa da geração Google

Marina Della Valle
15 de agosto de 2008

A Defesa Lujin – ou a precisão do texto

Vladimir Nabokov escrevia um texto como quem tece uma estrutura delicada, respeitando a etimologia do texto como "tessitura", como tecido, algo que é mais tramado e costurado do que criado do nada.

Fábio Fernandes
31 de julho de 2008

Os limites da doença literária

“Jaboc”, de Otto Leopoldo Winck, é um livro em homenagem às palavras, para que elas se guardem até na desgraça por vezes incompreensível que é escrever a qualquer custo.

Renata Miloni
31 de julho de 2008

Portas e vãos

Qual seria a desse cara? Por um instante imaginei que talvez sua preferência sexual fosse outra, e isso me deixou preocupado, ou talvez aquilo ainda fosse parte de algum plano macabro

David Oscar Vaz
31 de julho de 2008

Vice-Verse 4

No quarto número de nossa seção Vice-Verse, coordenada pela jornalista e tradutora Marina Della Valle e dedicada a traduções de poesia e prosa em língua inglesa, apresentamos poemas de Ezra Pound, do livro "Lustra".

Dirceu Villa
31 de julho de 2008

Palavra 39

Vice-Verse 4
No quarto número de nossa seção Vice-Verse, coordenada pela jornalista e tradutora Marina Della Valle e dedicada a traduções de poesia e prosa em língua inglesa, apresentamos poemas de Ezra Pound, do livro Lustra.
Aqui

A Defesa Lujin – ou a precisão literária
Vladimir Nabokov escrevia um texto como quem tece uma estrutura delicada, respeitando a etimologia do texto como tessitura, como tecido, algo que é mais tramado e costurado do que criado do nada.
Aqui

Os limites da doença literária
Jaboc, de Otto Leopoldo Winck, é um livro em homenagem às palavras, para que elas se guardem até na desgraça por vezes incompreensível que é escrever a qualquer custo.
Aqui

Portas e vãos
Qual seria a desse cara? Por um instante imaginei que talvez sua preferência sexual fosse outra, e isso me deixou preocupado, ou talvez aquilo ainda fosse parte de algum plano macabro
Aqui

Rodrigo Gurgel
31 de julho de 2008

Em nome do pai

Para encontrar prazer na leitura de O conto do amor, o leitor precisa suspender suas crenças e se entregar à premissa de Contardo Calligaris – acredite ou não em reencarnação ou vidas passadas

Alysson Oliveira
26 de julho de 2008

A nação e o baile

Como praticamente tudo neste início de século, o nacionalismo sobrevive transferido para a esfera das relações pessoais. Os dialetos, a música, o futebol, os ídolos, a cozinha, as paisagens

Diego Viana
26 de julho de 2008

Quase matei

Aperto a bolsa contra o peito, cerro as pálpebras e encosto-me à pia, esperando que a vertigem se dissipe. Ouço, então, com alguma clareza, meu nome. Chamado, como num lamento, repetidas vezes

Isa Fonseca
26 de julho de 2008

Palavra 38

Quase matei
Aperto a bolsa contra o peito, cerro as pálpebras e encosto-me à pia, esperando que a vertigem se dissipe. Ouço, então, com alguma clareza, meu nome. Chamado, como num lamento, repetidas vezes.
Aqui

Sobre a Flip 2008
Cees Nooteboom e Fernando Vallejo – estávamos diante de duas realidades completamente distintas: a latinidade tosca e furibunda do sul-americano em contraposição à placidez fleumática do norte-europeu puro-sangue.
Aqui

A nação e o baile
Como praticamente tudo neste início de século, o nacionalismo sobrevive transferido para a esfera das relações pessoais. Os dialetos, a música, o futebol, os ídolos, a cozinha, as paisagens.
Aqui

Em nome do pai
Para encontrar prazer na leitura de O conto do amor, o leitor precisa suspender suas crenças e se entregar à premissa de Contardo Calligaris – acredite ou não em reencarnação ou vidas passadas.
Aqui

Rodrigo Gurgel
26 de julho de 2008

Palavra 37

Jorge Gaitán Durán: a poesia no alto de um instante
Uma impressionante fusão entre erotismo e morte, luz e sombra
Aqui

Lídia Jorge, esse amor exigente
O vento assobiando nas gruas, oitavo romance da autora portuguesa, exige tempo e dedicação, mas recompensa com uma obra única, que perdura na mente após o fim da leitura
Aqui

Nada de novo
Poema
Aqui

O vento a areia e o nada
Antônio Xerxenesky conduz o leitor ao inevitável clichê da montanha-russa de sentimentos: numa página, altíssimas gargalhadas; na seguinte, a torcida pelo casal; mais à frente, uma vontade descomunal de duelar. Ou então de saber para onde o vento leva a areia
Aqui

Rodrigo Gurgel
18 de julho de 2008

No Pequod – em busca de Moby Dick

“Moby Dick” conquistou admiradores nos mais diferentes quadrantes do planeta. Albert Camus, um deles, chamou seu autor de o “Homero do Pacífico”

David Oscar Vaz
5 de julho de 2008

Um discurso, quando o desejo é calar

Somos criados para aplaudir a mais dramática das desgraças; estamos acostumados a rir do sofrimento e derreter de comiseração pelas misérias. Mas a reação que temos diante de uma alegria pacata, digamos, de atirar pedrinhas no lago, é bem diferente. Bocejamos, viramos a página, mudamos de canal. A bonomia é coisa muito fastidiosa, sobretudo a dos outros

Diego Viana
5 de julho de 2008

O dia da morte

Quando demoramos a morrer, logo entramos na lista dos que já morreram. É inevitável. Não temos o direito de não morrer

Manoel Fernandes Neto
5 de julho de 2008

Odradek e os personagens

Como lidar com o peso daquilo que é criação e que é inexistente, mas que ainda assim sobrevive ao tempo e nunca se desgasta?

Olivia Maia
5 de julho de 2008

Palavra 36

No Pequod - em busca de Moby Dick
Moby Dick conquistou admiradores nos mais diferentes quadrantes do planeta. Albert Camus, um deles, chamou seu autor de “o Homero do Pacífico”
Aqui

Um discurso quando o desejo é calar
Somos criados para aplaudir a mais dramática das desgraças; estamos acostumados a rir do sofrimento e derreter de comiseração pelas misérias. Mas a reação que temos diante de uma alegria pacata, digamos, de atirar pedrinhas no lago, é bem diferente. Bocejamos, viramos a página, mudamos de canal. A bonomia é coisa muito fastidiosa, sobretudo a dos outros
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Odradek e os personagens
Como lidar com o peso daquilo que é criação e que é inexistente, mas que ainda assim sobrevive ao tempo e nunca se desgasta?
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O dia da morte
Quando demoramos a morrer, logo entramos na lista dos que já morreram. É inevitável. Não temos o direito de não morrer
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Rodrigo Gurgel
5 de julho de 2008

O grande concerto

A mão ensangüentada não segurava mais a gilete, mas ela não devia estar longe. Os dedos semidobrados estavam pretos, e em volta do pulso a branquidão extrema da pele era realçada por uma pulseira de sangue seco

Fábio Fernandes
28 de junho de 2008

Gente como a gente — ou algo parecido

Diferente de muitos de sua geração, Miranda July não é dada a pirotecnias visuais ou malabarismos narrativos. Suas histórias são bem diretas, e os personagens densamente construídos

Alysson Oliveira
28 de junho de 2008

Uma simples pergunta ou um profundo questionamento?

A literatura me atraiu porque nela encontrei histórias distintas, personagens mais humanos do que os reais, mundos que talvez eu nunca alcance

Renata Miloni
28 de junho de 2008

Os contos de Flannery O’Connor

Há quem tenha comparado Flannery O’Connor com Tchekhov, o que pode não dizer muito, já que se popularizou certa idéia, bastante redutora, de que qualquer conto de “atmosfera” seria tchekhoviano. Mas a comparação pode ser procedente, se considerarmos a objetividade da frase de Tchekhov, e a materialidade de suas descrições, muito ao gosto de O’Connor

Gregório Dantas
28 de junho de 2008

Um episódio em parte real

Cheguei a fantasiar que o catalisador de toda a história desapareceria de repente ou revelaria ser um demônio, um duende, qualquer ser sobrenatural. Mas qual, o velho continuou encalacrado, olhos nos joelhos, como se nada se passasse à sua volta

Diego Viana
21 de junho de 2008

Sexo como missão

Em "Pantaleão e as visitadoras", de Vargas Llosa, a sofisticação do risível está justamente nas sutilezas que o cercam e produzem o humor no seu sentido mais elaborado: no lugar que ocupa entre o cômico e o trágico

Cristina Betioli Ribeiro
21 de junho de 2008

E quem os chineses não surpreendem?

Em coletânea de colunas publicadas no jornal inglês "The Guardian", Xinran se esforça para explicar as diferenças entre a China e o Ocidente – e acaba engrossando o coro dos atarantados pela complexidade e velocidade das mudanças naquele gigante asiático

Marina Della Valle
21 de junho de 2008

Pierre Jean Jouve, dois poemas

Murilo Mendes escreveu sobre Pierre Jean Jouve em duas oportunidades, para os "Retratos-relâmpago" e para os "Papiers", textos em francês reunidos na edição cuidadosa de Luciana Stegagno Picchio

Pablo Simpson
21 de junho de 2008

A pequena e valiosa glória dos prêmios literários

No caso de Joanna Kavenna, apesar de ter 34 anos, foi preciso um amadurecimento de sete romances terminados e rejeitados pelas editoras para que finalmente tivesse um reconhecimento

Renata Miloni
13 de junho de 2008

A lira múltipla de Lope de Vega

Lope Félix de Vega Carpio, chamado por Miguel de Cervantes de “monstro da natureza”, é um caso singular de fertilidade criativa

Marco Catalão
13 de junho de 2008

Um presidente negro que a história esqueceu

Se tivesse nascido uns trinta ou quarenta anos antes, Lobato provavelmente teria sido convidado para fazer parte da Fabian Society, que tinha entre seus membros H. G. Wells e Bernard Shaw, pregava o socialismo científico ou utópico e previa o progresso da humanidade por meio da ciência

Fábio Fernandes
13 de junho de 2008

A morte contemporânea

Em “Ruído branco”, tecnologia e consumo são citados em profusão, e não apenas como parte do modo de vida prático, mas como elementos com que os personagens também criam ligações íntimas de pavor ou fascínio

Marco Polli
13 de junho de 2008

Seis

Para boa parte dos seguidores de Pitágoras, o divino Um era a manifestação inteligível do universo, o Dois colocava diante do homem a presença dos opostos, o Três escancarava os portais do múltiplo

Diego Viana
6 de junho de 2008

Pêlo amargo na narina

Ainda não havia feito a barba. Áspera. E, na narina, aquele pêlo. Pirata. Não, não era seu aquilo. Um pêlo que crescia de dentro pra fora, a incomodar-lhe, a roçar-lhe o buço, a lembrar-lhe a existência, minuto a minuto, a roubar-lhe tempo

Teresa Candolo
6 de junho de 2008

Domingo

A voz do homem está mais baixa e rouca, como se ele fosse chorar. Aqui, ó, aqui! Os olhos parecem que vão saltar do rosto e rolar na sarjeta. Agarra a mão e guia para a virilha. Há ali uma coisa cega e sem nome

Neuza Paranhos
6 de junho de 2008

Quando escrever deixou de ser uma arte

Hoje, o jornal que passa por debaixo da minha porta, salvo honradas exceções, é ilegível. Já fiz pesquisas em jornais antigos na Biblioteca Nacional e cheguei a sentir os olhos marejados – de raiva – pela comparação com o jornal pelo qual pago hoje

Simone Campos
30 de maio de 2008

Cinco aspectos da imagem na literatura

Creio que a insistência em tentar reconhecer (inutilmente) na literatura contemporânea a semelhança com roteiros de filmes parte apenas primeiramente do leitor, que não consegue mais diferenciar de forma clara as duas (ou mais) artes

Renata Miloni
30 de maio de 2008

Dois poemas de Erín Moure

No terceiro número de nossa seção dedicada à tradução de poesia e prosa em língua inglesa, coordenada pela jornalista e tradutora Marina Della Valle, apresentamos dois poemas de Erín Moure

Virna Teixeira
30 de maio de 2008

A casa no morro – Final

E eu não tinha uma droga de um par de algemas. Puxei o cadarço do meu tênis e o usei para amarrar os pulsos de Joana. Apertei o nó com força. Ela não resistiu. Pareceu-me que estava sorrindo

Olivia Maia
30 de maio de 2008

*
Pablo Simpson
24 de maio de 2008

A casa no morro – Parte 4

Iuri talvez se aborrecesse com minha afirmação. Ele preferia chegar pelas bordas. Senti que me lançava um de seus olhares de censura, mas eu estava prestando atenção na reação de Jônatas. O homem não se moveu. Não havia como ficar mais branco. Porque havia desconfiado do que estava por vir

Olivia Maia
24 de maio de 2008

Na rua, outra rua

De manhã, domingo, o tapete cristalino sobre o chão denuncia a madrugada em que a rua, tão desimportante, pertenceu a pessoas que costumam só ter com ela uma relação de passagem ou compromisso. O bar, portas fechadas, recobriu-se de seu aspecto simplório, por trás da bandeira puída

Diego Viana
24 de maio de 2008

Clea

Histórias novas, e algumas reinterpretadas, vêm outra vez salvar o romance do pecado da falta de originalidade, tendo em vista a existência de seus antecessores. Passei por quase todas elas com o desdém de um “connaisseur” enfastiado

Luiz Paulo Faccioli
24 de maio de 2008

A casa no morro – Parte 3

O cachorro tinha uma mancha de sangue na cabeça e estava próximo a uma porta que devia sair para o lado de fora. O chão me pareceu limpo. Ou sujo o suficiente para que o sangue sequer aparecesse. Inclinei-me por sobre o cachorro e olhei a porta. Dedos na maçaneta

Olivia Maia
16 de maio de 2008

A leitura como exercício da individualidade

Um dos momentos em que mais se pode reconhecer, reconquistar e exercer a individualidade é durante uma lenta leitura. A mim, a literatura vale muito mais, ou melhor, tem seu real valor quando a atenção despretensiosa mas inevitável é o que move a leitura

Renata Miloni
16 de maio de 2008

Joyce Carol Oates e sua ciranda de meninas más

Dona de uma visão extremamente singular do mundo, a autora demonstra maestria ao tecer enredos que, no melhor estilo do suspense norte-americano, muitas vezes dependem do elemento surpresa, do engenho ao manipular os elementos narrativos para causar sensações e sugestões

Marina Della Valle
16 de maio de 2008

Ficção Científica no Brasil: grandes esperanças

A história está longe de terminar para a FC brasileira. Graças às comunidades de Web, novos autores, que não tinham a menor ligação com o CLFC nem com os autores citados anteriormente, foram surgindo e ocupando um lugar fundamental na literatura do gênero e em suas discussões críticas

Fábio Fernandes
16 de maio de 2008

Realismo na Roma Antiga

É possível imaginar que o sonho de Petrônio seria o de criar uma obra que não fosse uma imitação piorada do modelo, mas uma outra, capaz de expressar essa inadequação; para isso, optou por um gênero ainda pouco prestigiado, o romance, e de um estilo baixo, que não abrisse mão da paródia aos clássicos. O resultado é uma obra de caráter realista

David Oscar Vaz
9 de maio de 2008

A casa no morro – Parte 2

Ao fim do percurso pude ver uma casa pequena – suja como tudo mais naquela região. Com o carro parado, Iuri abriu a porta e foi até um matagal amarelado na direção oposta da casa. Daquele lado o mato seguia até onde eu podia enxergar, mas por todos os outros era tudo uma terra seca e pálida. E a casa velha. Para trás dela era possível enxergar uma parte de um carro vermelho. O Escort

Olivia Maia
9 de maio de 2008

Poemas
Pedro Marques
9 de maio de 2008

Uma fábula de paredes

Enquanto espia o chuvisco sobre a folhagem da rua, não percebe como a memória apagou os sofrimentos e fechou as feridas. Restam só as imagens de terras exóticas que o fascinaram, lugares não raro ausentes dos mapas

Diego Viana
9 de maio de 2008

Se fosse ficção

Talvez a palavra resolva seguir ao lado da literatura, mas também se mantém sozinha, também é seu próprio alicerce. Apenas ela pode se narrar

Renata Miloni
3 de maio de 2008

A casa no morro – Parte 1
Olivia Maia
3 de maio de 2008

O bestiário do Cristo

Sem a desconfiança dos primeiros homens da Igreja, ciosos em preservar o dogma cristão contra aquilo que identificavam como um vestígio das idolatrias pagãs, Charbonneau-Lassay vai buscar não só a interpretação religiosa, mas as numerosas fontes pagãs e o modo como os primeiros cristãos se apropriaram de antigos emblemas locais: a águia, o golfinho, a fênix, o íbis no Egito, o leão em Roma

Pablo Simpson
3 de maio de 2008

Ficção Científica: sobre nós e nossa condição

Lá fora, nos Estados Unidos e na Europa, a ficção científica já saiu da infância há muito tempo. A zona de sombra, a zona do crepúsculo, a Twilight Zone da incerteza aumenta cada vez mais. Os tons de cinza estão cada vez mais ricos. E é nessas frestas entre os tentáculos da besta que a ficção científica atual tem encontrado seu nicho

Fábio Fernandes
3 de maio de 2008

A mulher do tenente francês

John Fowles aproxima-se do modelo do romance vitoriano para negá-lo, ao final. Não sem antes lhe reservar um último golpe: o final em aberto. Não que o romance termine inconcluso; mas possui dois finais possíveis. Na verdade três

Gregório Dantas
25 de abril de 2008

Um conhecido entre os traços

Está claro, mas não nítido, por que o desgraçado é assim tão familiar. As paralelas que deveriam se encontrar no infinito podem sofrer desvios. Podem chocar-se ainda no tempo. Eventualmente, acontece

Diego Viana
25 de abril de 2008

José Watanabe: o guardião do gelo

A presença da cultura japonesa na obra de José Watanabe não se limita a elementos biográficos, mas está arraigada numa série de características que revelam um longo convívio com a tradição literária do haicai

Marco Catalão
25 de abril de 2008

Bala de fogo

(Poema singelo contra a morte)

Teresa Candolo
25 de abril de 2008

Retratos da São Paulo indígena

Em torno de 1.500 guaranis, reunidos em quatro aldeias, habitam a maior cidade do país. A grande maioria dos que defendem os povos indígenas, na metrópole, jamais teve contato com eles. Estão na perferia, que vêem como lugar sagrado.

Eleilson Leite
20 de abril de 2008

Para apreender um significado

"Carta a D." não é um livro que somente conta a história de um amor, é o registro de um significado. Um querer teorizar para si mesmo, ver de forma intelectualizada algo que o próprio autor percebeu que não poderia ser transformado em teoria

Renata Miloni
18 de abril de 2008

Um final entediante

Ao extrair do inimigo sua força e sapiência, Pullman diminuiu o valor deste e, por conseqüência, o desfecho nada mais é do que uma vitória de Pirro, que não convence a ninguém

Dida Bessana
18 de abril de 2008

Mountolive

O que mais impressiona na engenhosa construção de “O Quarteto...” é a perícia com que Durrell, a partir de uma trama obscura, repleta de ambigüidades, racionaliza e vai contrapondo novos elementos para criar um universo perfeito que o leitor depois irá desvendar — e que irá surpreendê-lo

Luiz Paulo Faccioli
18 de abril de 2008

Não sou anjo nenhum
Samara Leonel
18 de abril de 2008

A faca sutil: pouca emoção

Lorde Asriel arregimenta um exército composto por homens que sofreram a intercisão, portanto não têm medo, nem imaginação, nem vontade própria

Dida Bessana
11 de abril de 2008

O dilema da literatura de gênero brasileira

A literatura policial brasileira contemporânea é quase inexistente, mas o mesmo pode ser dito da ficção científica, ou da literatura romântica, ou do romance histórico. Em outras palavras, o que falta no cenário literário nacional hoje não é apenas literatura policial, é literatura de gênero como um todo

Lucas Murtinho
11 de abril de 2008

Uma revista com rumo firme e novos horizontes

Em 2008, com a publicação de sua 8ª edição, a ser lançada no próximo dia 17 de abril, a Cadernos de Literatura em Tradução introduz duas mudanças editoriais. Uma delas é a periodicidade, que passa de anual a semestral. A segunda é a introdução de edições temáticas, que serão alternadas com volumes de tema livre

John Milton, Marina Della Valle, Telma Franco
11 de abril de 2008

April in Paris

Em Paris, a beleza brota como uma resposta à opressão do inverno, uma vitória daqueles que sobreviveram, uma ressurreição mitológica revivida a cada ano. A mística em torno do equinócio é profunda, ancestral, dionisíaca. O movimento é patente

Diego Viana
11 de abril de 2008

Soneto a Satã, de Sylvia Plath

No segundo número de nossa seção dedicada à tradução de poesia e prosa em língua inglesa, coordenada pela jornalista e tradutora Marina Della Valle , apresentamos um poema que se encontra entre os primeiros de Sylvia Plath

Ivan Justen Santana
4 de abril de 2008

Criando fama sem cama

É terrível e fascinante sujeitar-se à objetividade de si mesmo. Há volúpia e desânimo em sair de si e olhar-se como um objeto midiático, um produto, uma possibilidade. Posicionar-se em relação aos outros idiotas cheios de som e fúria

Simone Campos
4 de abril de 2008

Cinco aspectos do conto na era virtual

Na internet, a proximidade do escritor com as opiniões dos leitores é tão instantânea quanto a reação deles ao ler cada linha de suas próprias narrações

Renata Miloni
4 de abril de 2008

Lêdo Ivo: sorriso aos 80

O que Lêdo Ivo realiza em versos – e também em alguns de seus ensaios – serve de motivação para a crítica, isto é, deve-se analisar a relação entre modernistas e parnasianos em suas contraposições, mas também em suas convergências.

Pedro Marques
29 de março de 2008

Estranho objeto

De súbito, faltou fôlego. Cessou a confusão do batismo cego. Poderia decidir-se por qualquer daqueles nomes, ou qualquer outro; subsistiria o mais terrível dos atributos, sempre. O que trazia nas mãos, nelas teria de seguir.

Diego Viana
29 de março de 2008

Mapeando a cidade invisível

Se a mitologia penetrante e luminosa da Paris de Hemingway não é mais reproduzível, Vila-Matas acaba por conceber um tipo de mitologia pessoal e específica sobre seu romance de estréia.

Marco Polli
29 de março de 2008

Do que disseram
Pedro Du Bois
29 de março de 2008

Tentativa de uma defesa desnecessária

Ninguém em sã consciência decide ser escritor para que um dia lhe roubem suas idéias e façam o que quer que seja com elas.

Renata Miloni
14 de março de 2008

A ira de João Gabiru
Antonio Carlos Olivieri
14 de março de 2008

Copa de Literatura: seriedade e bom humor
Lucas Murtinho
14 de março de 2008

Miguel Hernández — A península ultrajada

Preso no ano de 1939, depois da vitória de Franco, Miguel Hernández escreve no cárcere seus poemas mais intensos, frutos da experiência da injustiça, da morte e da ausência.

Marco Catalão
14 de março de 2008

Balthazar

Ao deixar um pouco de lado a trama principal para enveredar por um desses caminhos secundários e quase sempre tortuosos, Durrell revela toda sua competência como ficcionista.

Luiz Paulo Faccioli
7 de março de 2008

O Yeti com maleta executiva

Os grandes mestres compõem um subtexto hitchcockiano, com violinos ao fundo, para o leitor. Eles deixam a dúvida e não a certeza. Em vez de “será que é a pessoa X”, o leitor fica se perguntando “será que essa pessoa existiu ou foi só muito bem-inventada?”.

Simone Campos
7 de março de 2008

Acordados: o caleidoscópio de vidas da metrópole
Marina Della Valle
7 de março de 2008

Rosa de fevereiro

Se os antigos, em pastorais de telas e sinfonias, exultavam de retratar o alívio explosivo das cores a brotar, os modernos têm a ousadia insolente de desmerecer as rosas, reduzidas a atavio.

Diego Viana
7 de março de 2008

Arquitetura e intolerância na Barcelona medieval

A Catalunha está no auge de sua prosperidade, pois domina o Mediterrâneo. Mas esse poderio comercial não esconde as marcas de uma sociedade profundamente estratificada.

Dida Bessana
29 de fevereiro de 2008

A biblioteca e seu inferno

A exposição nos permite questionar os códigos morais ou o que parece se estabelecer como moralmente aceitável, a partir dessa literatura que vai justamente pesquisá-los, como, por exemplo, o Marcel Proust de Sodoma e Gomorra e o drama dos “invertidos”.

Pablo Simpson
29 de fevereiro de 2008

Cardeais em órbita
Carlos Orsi
29 de fevereiro de 2008

Minhas universidades, de Górki

Para Górki, o bravo homem russo é aquele que vive plenamente o real, que coloca a mão na massa, e que o intelectual nada mais faz que concluir o que, em realidade, o homem que vive plenamente o real já concluiu, passando por dissabores e fazendo, ele mesmo, a História.

Isa Fonseca
29 de fevereiro de 2008

Do processo de organização das idéias

Alguns poderiam dizer que saber toda a história antes de escrever tira toda a graça da escrita. Mas literatura policial é um troço assim. É um artesanato com uma técnica.

Olivia Maia
22 de fevereiro de 2008

Moça de vermelho sabe morrer
Manoel Fernandes Neto
22 de fevereiro de 2008

Os muitos dilemas da literatura policial brasileira

Os detetives Espinosa e Mandrake, aquele mais do que este, são conseqüência de uma necessidade de auto-afirmação que ainda permeia a literatura de entretenimento no Brasil.

Paulo Polzonoff Jr.
22 de fevereiro de 2008

As concubinas do sultão

Percebo que não conheço São Paulo. Acredito que ninguém conheça. Pois a cidade não se deixa conhecer. Como se precisasse esconder o rosto, ela abafa a própria voz natural, uma vibração produzida a cada instante pelo flutuar de seus habitantes.

Diego Viana
22 de fevereiro de 2008

Cinco aspectos da arte de citar

Citar é estar de tal forma na literatura que só a própria criatividade não é suficiente, deve-se buscar ferramentas criadas por diferentes autores, desconstruir pensamentos e identificar até migalhas espalhadas que ainda não haviam sido vistas.

Renata Miloni
15 de fevereiro de 2008

Contos do inconsciente

“Freud e o estranho – contos do inconsciente”, mesmo sendo irregular, não deixa de ser interessante. Em primeiro lugar, pela caprichada apresentação do volume, com notas bastante explicativas acompanhando os contos, além de comentários reunidos ao final do volume.

Gregório Dantas
15 de fevereiro de 2008

Ganhando meu pão, de Máximo Górki

De que matéria, afinal, é feita a ficção — Górki parece perguntar — e por que ela o cativa de maneira tão impressionante e, ainda, por que o que é ficcional pode ser tão belo, apropriado, sublime e, por vezes, inapropriado, já que não se cola ao real?

Isa Fonseca
15 de fevereiro de 2008

Palavra 16

Um país de não-leitores
Em 2002, um quarto da população brasileira com mais de 10 anos de idade tinha menos de quatro anos de estudos completos: 32 milhões de analfabetos funcionais. Estatisticamente, o brasileiro não estuda, e quem não estuda não lê
Aqui

A fantástica fábrica de salsichas
O curso de P. E. também realiza visitas guiadas a editoras. Essa, sim, foi a parte mais empolgante do meu treinamento de agente secreta (com licença, sofro de imaginação galopante): me infiltrar no terreno inimigo e desvendar seu modus operandi
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Sob a luz de Matisse
“O autêntico criador não é apenas um ser dotado, é um homem que soube ordenar em vista de seus fins todo um feixe de atividades, cujo resultado é a obra de arte.” – Henri Matisse
Aqui

Os cheiros da terra
Que a terra na França exale um perfume rústico e irresistível quando chove sobre ela, admito com prazer. Mas empenho minha palavra como não é igual ao que inspirei nesta manhã em Guarulhos e experimentei tantas vezes, em inúmeros recantos do país
Aqui

Rodrigo Gurgel
2 de fevereiro de 2008

Os cheiros da terra

Que a terra na França exale um perfume rústico e irresistível quando chove sobre ela, admito com prazer. Mas empenho minha palavra como não é igual ao que inspirei nesta manhã em Guarulhos e experimentei tantas vezes, em inúmeros recantos do país.

Diego Viana
2 de fevereiro de 2008

Um país de não-leitores

Em 2002, um quarto da população brasileira com mais de 10 anos de idade tinha menos de quatro anos de estudos completos: 32 milhões de analfabetos funcionais. Estatisticamente, o brasileiro não estuda, e quem não estuda não lê

Lucas Murtinho
2 de fevereiro de 2008

Justine

A organização caótica da narrativa passou, em dado momento, a dispersar minha atenção. Chega uma hora em que belas figuras de linguagem e descrições primorosas tornam-se insuficientes para cativar um leitor que preza uma condução mais segura da história.

Luiz Paulo Faccioli
26 de janeiro de 2008

Contos de fadas para adultos

Publicado pela primeira vez em 1960, na Inglaterra, “Beijo”, de Roald Dahl, é formado por onze contos em que prevalece o tom sombrio, com detalhes do cotidiano que, aos poucos, constroem um clima de suspense e terror.

Leandro Oliveira
26 de janeiro de 2008

Cassavas, Anselmo e as grandiosidades

Quando encontro uma literatura feita a partir de certo surrealismo fantástico, ela tende a me agradar muito mais. João Paulo Cuenca mergulha nessa classe com maestria.

Renata Miloni
26 de janeiro de 2008

A Infância de Máximo Górki

É interessante notar a maestria do autor em elaborar ficcionalmente e em detalhes as suas memórias daqueles anos, sem deixar de dar-nos um painel, ainda que muito sutilmente, do modo de viver do russo, do “homem comum”, no século 19.

Isa Fonseca
26 de janeiro de 2008

Moldar o homem

Imagine, quanta identificação, quanta empatia, quando o povo soubesse que o presidente é tão normal, "como todo mundo", que foi até traído pela mulher! Mas, estranhamente, houve pouco mais do que alguns comentários chistosos, nos botecos e nos cartuns, sobre o "reizinho corno". E o assunto morreu.

Diego Viana
18 de janeiro de 2008

Guerra sem vencedores

Com mais de cem mil exemplares vendidos na Espanha, traduzido na Alemanha, França, Itália, Holanda, Sérvia, Israel e Romênia, e às vésperas de ser transformado em filme, "Os girassóis cegos" passou despercebido da grande imprensa.

Dida Bessana
18 de janeiro de 2008

O dilema da literatura policial brasileira

Nenhum escritor está disposto a se colocar como um escritor menor, um mero escritor de literatura de entretenimento. Dos poucos escritores brasileiros de literatura policial, a maioria ainda pretende se colocar uma importância que não deveria ter.

Olivia Maia
18 de janeiro de 2008

Dois poemas de John Donne

A partir deste número, damos início a uma seção de tradução de poesia e prosa em língua inglesa, coordenada pela jornalista e tradutora Marina Della Valle marina_dellavalle@yahoo.com.br.

Rafael Rocha Daud
18 de janeiro de 2008

Huymans ensaísta

O que caracteriza o conjunto de ensaios de J. K. Huysmans é a alternância entre a militância inicial ao lado da pintura impressionista, dos salões dos independentes ou de vários artistas e o caminho religioso que o faria aproximar-se da pintura de Fra Angelico ou de Mathias Grünewald

Pablo Simpson
12 de janeiro de 2008

O ficcionista das ruas

João Antônio alega ter buscado firmar um compromisso com o leitor brasileiro, o qual procurou conhecer a fundo, a fim de desmistificar a sentença de que “não temos leitores”.

Cristina Betioli Ribeiro
12 de janeiro de 2008

Janet Malcolm e a busca elusiva por Gertrude Stein

Os que conhecem a autora americana Janet Malcolm sabem que não encontrarão em ’Two lives – Gertrude and Alice’, seu último livro, uma biografia no sentido estrito da palavra.

Marina Della Valle
12 de janeiro de 2008

Animais distantes

O escritor é o leitor que acompanha detalhadamente cada passo de um texto e cabe a ele decidir os rumos — mesmo que depois os encontre errados — de sua criação.

Renata Miloni
12 de janeiro de 2008

O homem na multidão

Sem colocar seu detetive no divã, Garcia-Roza conseguiu, de livro a livro, criar uma figura carismática capaz de comportar questões graves de maneira bastante verossímil.

Gregório Dantas
22 de dezembro de 2007

Sob o sol, sob a lua... Um Balanço...

Cynthia Cruttenden mobiliza sol e lua para construir um mito quase de fecundação. Keiko Maeo encena a descoberta e o crescimento sensorial do homem.

Pedro Marques
22 de dezembro de 2007

O artelho de Aquiles

Há tradutores por aí que, por falta de humildade ou excesso de preguiça, recusam-se a abrir qualquer dicionário. Mesmo os eletrônicos. Eles sabem tudo, e o que não sabem, podem adivinhar. Ou inventar.

Simone Campos
22 de dezembro de 2007

Sobre símbolos e eras

São os orientais, hoje, que não respeitam nada do que já há; pensam no que ainda haverá, e interpretam o presente como mera matéria-prima, tão bruta e maleável como a areia da praia.

Diego Viana
22 de dezembro de 2007

Antonio Porchia — os limites da literatura

A escassez da obra de Porchia é uma decorrência natural, necessária, da sua capacidade de condensação: uma única voz parece requerer uma eternidade de silêncio e meditação.

Marco Catalão
22 de dezembro de 2007

Em nome da harmonia

Assim Assis Brasil se mostrou em seu romance: mantendo um ritmo sensatamente emocionante do começo ao fim, com a honesta prioridade não de impactar, mas de ser fiel ao texto, ao tom de narração escolhido.

Renata Miloni
15 de dezembro de 2007

A noite dos viúvos
David Oscar Vaz
15 de dezembro de 2007

Poemas
Cristina Betioli Ribeiro
15 de dezembro de 2007

A literatura que vem da Ásia

Que o leitor mais exigente não se engane: há, em tais best-sellers, algo que cativa e que aparece justificado num fazer literário que, não sendo fruto da mente de gênios da literatura, ainda assim, tem o seu lugar.

Isa Fonseca
15 de dezembro de 2007

Eu ficava ali, chamando Deus

"As provas da existência do inimigo interior são imensas e as de seu poder esmagadoras. Creio no inimigo porque, todos os dias e todas as noites, eu o encontro em meu caminho. O inimigo é aquele que, do interior, destrói o que vale a pena. É aquele que lhe mostra a decrepitude contida em cada realidade."

Amélie Nothomb, Cosmética do inimigo

Saint-Clair Stockler
7 de dezembro de 2007

Leda e o lugar da literatura

Ao dar o título do seu livro a uma personagem obscura e que pouco aparece na narrativa, o autor sugere uma visão sobre o lugar que a literatura possui nos dias de hoje.

Marco Polli
7 de dezembro de 2007

Ambição total

Para um escritor com ambição total, a busca por todos os leitores possíveis não implica condescendência ou simplificação; ao contrário, ela implica excelência e versatilidade

Lucas Murtinho
7 de dezembro de 2007

Individualidade e história

No romance Uma questão de loucura, Ismail Kadaré empresta ao narrador aguda capacidade de observação e de fantasia, para recuperar, como em outras obras, a história da Albânia

Dida Bessana
7 de dezembro de 2007

A voz distante

Nos poemas aqui traduzidos, inéditos no Brasil, Yves Bonnefoy fala de um eterno renascer, contra os desígnios da morte e do esquecimento.

Pablo Simpson
30 de novembro de 2007

Wordsworth e o retrato do poeta quando jovem

A edição bilíngüe de "O olho imóvel pela força da harmonia", seleção de poemas de Wordsworth, traz, pela primeira vez em português, trechos do prefácio ao livro Lyrical ballads, volume escrito por Wordsworth e Coleridge, considerado um marco do Romantismo nas letras inglesas

Marina Della Valle
30 de novembro de 2007

Cento e sessenta homens parrudos

Nem o mais aloprado dos econometristas haverá de encontrar traços de eficiência no ato de mandar cento e sessenta policiais (escrevo por extenso para aumentar o impacto) para combater uma pequena, digo mais, minúscula greve de estudantes.

Diego Viana
30 de novembro de 2007

De Drácula a Philip Marlowe

Até que ponto é possível reduzir o gênero policial a um punhado de características?

Olivia Maia
30 de novembro de 2007

Palavra 8

Entre o romantismo e a modernidade
Em contraste com a sintaxe e o léxico sonoros e altissonantes das obras de Espronceda e Zorilla, os poemas de Bécquer apresentam uma linguagem depurada e concisa
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Dois poemas
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Sabores, cheiros e cores
"O homem tinha (eu achava) cara mesmo de pescador: faces descarnadas, secas de sol, a barba cinzenta e rala encompridando o bigodão. Enfiados nos braços, os cestos de vime: gingando no passo dele, tampas saltando, os peixes querendo fugir, voltar ao Guaíba, ao Taquari – nadar"
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A essência esquecida
Se o crítico é o maior defensor da literatura, ele tem o dever de saber que o melhor livro já escrito não vai cair em suas mãos nesta vida.
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Rodrigo Gurgel
23 de novembro de 2007

A morte sólida e terrível

Em A estrada não há gratidão ou reconhecimento, mas apenas o impacto causado pelo encontro entre seres de uma raça que se aproxima da extinção, num pessimismo similar ao de Samuel Beckett.

Leandro Oliveira
17 de novembro de 2007

O caso dos pensadores mortos

"O corpo de um matemático de renome, professor de cursos disputados, pesquisador das equações mais abstrusas, foi encontrado sentado em seu gabinete, a cabeça sobre uma pilha de papéis, os olhos arregalados, fixos, a boca escancarada, os dedos ainda apertando a caneta"

Diego Viana
17 de novembro de 2007

Os buracos da máscara

As histórias de Karen Blixen – em Sete narrativas góticas – negam as obviedades da tradição que evocam no título. Antes, sugerem novas sombras, disfarces e duplos. A começar por aquele que é o grande tema do livro, a identidade. [3]

Gregório Dantas
17 de novembro de 2007

Palavra 6

O perfeito bibliotecário
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Sutilezas entre ocultar e dizer
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Percepção de méritos
Quem julga um texto pela personalidade do escritor é incapaz de construir um argumento para sustentar boas idéias.
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Clarice Lispector: uma escrita indigesta
Em Clarice, os traços convencionais da narrativa são refundidos numa escrita não raro dura de roer, principalmente para leitores desabituados aos fluxos de consciência, às tramas pouco lineares, a espaços fragmentários, às fusões entre narrador e objetos descritos, à mistura de gêneros.
Aqui

Rodrigo Gurgel
10 de novembro de 2007

Sutilezas entre ocultar e dizer
Lucas Murtinho
10 de novembro de 2007

O perfeito bibliotecário
Maria Valéria Rezende
10 de novembro de 2007

Percepção de méritos

Quem julga um texto pela personalidade do escritor é incapaz de construir um argumento para sustentar boas idéias

Renata Miloni
10 de novembro de 2007

Clarice Lispector: uma escrita indigesta

Em Clarice, os traços convencionais da narrativa são refundidos numa escrita não raro dura de roer, principalmente para leitores desabituados aos fluxos de consciência, às tramas pouco lineares, a espaços fragmentários, às fusões entre narrador e objetos descritos, à mistura de gêneros.

Pedro Marques
10 de novembro de 2007

Dos livros para o cinema

A ficção literária ainda coloca grandes desafios para os cineastas e, assim, guarda potencial para inspirar boas surpresas, direta ou indiretamente.

Marco Polli
3 de novembro de 2007

Como saber-se adaptado

Ainda temos pela frente o Natal, o Ano-bom, o Carnaval; mas meu sonho é com o mês de abril, das cerejeiras em flor, das tulipas maiores do que meu punho, da reabertura dos jardins, que acolherão os piqueniques e os violões.

Diego Viana
3 de novembro de 2007

Enfim, a voz de Ted Hughes

Após anos de silêncio, as cartas do poeta Ted Hughes são uma rara chance de conhecer seu lado da história que terminou com o suicídio de Sylvia Plath.

Marina Della Valle
3 de novembro de 2007

Quatro poemas
Pedro Marques
3 de novembro de 2007

Projeto de sufocação

É exatamente isso que também faz do grande escritor um grande leitor. Acredito ser o espírito da profissão: a busca pelo conhecimento infindável da língua, para que a pessoa possa se expressar de todas as formas possíveis e atingir as improváveis.

Renata Miloni
27 de outubro de 2007

E na janela há um gato

Espiei a janela. Voltei-me para o editor de texto e pousei as mãos sobre o teclado. Ouvia as batidas do meu coração. Delírio!

Olivia Maia
27 de outubro de 2007

Na praia

Lançado Na praia, novo romance de Ian McEwan. Com uma narrativa inicialmente fluente e interessante, o texto escorrega para o tédio quando o autor faz uso, num primeiro momento, do recurso da digressão.

Isa Fonseca
27 de outubro de 2007

Sopa_de_ossos@Neruda.com
Régis Bonvicino
27 de outubro de 2007

Dos reencontros

para a Dri

Ricardo Miyake
19 de outubro de 2007

Clarice fala com amigos

São 42 pequenas entrevistas. Profundas, às vezes. Deliciosas, sempre. Fui direto às minhas predileções e curiosidades.

André Resende
19 de outubro de 2007

E Paris mudou de cara

Estrangeiro em tudo e todos. O autor incursiona pelo encanto sombrio da Cidade Luz, onde seus sentimentos mesclam-se de forma sinestésica e paradoxal entre o medo e o fascínio diante da outra face de Paris

Diego Viana
19 de outubro de 2007

Condições urgentes

O que penso ser preciso para escrever (e ler) é que jamais se deve abandonar as próprias marcas em nome de um conforto que, na verdade, não existe fora delas

Renata Miloni
15 de outubro de 2007

Primeira vez

O editor da seção anuncia: “a cada semana, uma nova edição, para reverenciar a literatura – ou, antes dela, a Palavra”

Rodrigo Gurgel
6 de outubro de 2007

Sylvia Plath e A Redoma de vidro

Isa Fonseca analisa autora norte-americana que se suicidou em 1962, aos 31 anos, semanas após escrever um dos grandes romances século 20

Isa Fonseca
5 de outubro de 2007

Poema não tão simples
Ricardo Miyake
5 de outubro de 2007

Um brinde no Largo do Arouche

"No rádio, tocou Sampa, justamente quando eu cruzava a esquina da São João. Nenhuma coisa aconteceu no meu coração"

Antonio Carlos Olivieri
5 de outubro de 2007

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[1] O texto do título foi extraído do livro São Paulo, a cidade literária, do próprio Mauro Rosso, publicado em 2004 e próximo de ser reeditado.

[2] Este artigo é um fragmento – especialmente preparado pelo autor para esta edição do Palavra – do livro Manuel Bandeira e a música: com três poemas visitados, que Pedro Marques lançou recentemente pela Editora Ateliê, em co-edição com a FAPESP.

[3] O título dessa resenha é uma referência ao conto de Jean Lorrain, chamado precisamente de “Os buracos da máscara” e que pode ser lido em Contos fantásticos do século XIX, escolhidos por Ítalo Calvino. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.