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» A Ideologia da Mineração está em xeque

» Orçamento 2020 expõe o Bolsonaro das elites

» A esquecida questão da desigualdade energética

» Crônica de Cuba, em incerta transição

» “Direitos Já”: Uma perigosa contradição

» Cinema: Espelhos deformantes

» As mentiras da ciência a serviço do mercado

» Anatomia da próxima recessão global

» Passo a passo para frear a devastação da Amazônia

Rede Social


Edição francesa


» Le Media Lab aux avant-postes du cybermonde

» Echec à la corruption au Brésil

» Les beaux jours de la corruption à la française

» Parler français ou la « langue des maîtres » ?

» Au Portugal, austérité et contestation

» Le piège du 11-Septembre

» Quand la gomme arabique fait tanguer l'Amérique

» Au Kosovo, la « sale guerre » de l'UCK

» L'école publique à l'encan

» Le régime de Khartoum bousculé par la sécession du Sud


Edição em inglês


» September: the longer view

» Afghan peace talks: Trump tweets, Taliban fights

» An inexhaustible myth in times of extreme adversity

» What happened to social solidarity?

» Sudan: conflict, violence and repression

» Russia's appointed billionaires

» Another end is possible

» Arms sales: the Swedish model

» Soft power influence in the Arabian Gulf

» Life with bribes and kickbacks


Edição portuguesa


» Edição de Setembro de 2019

» Portugal não pode parar?

» Quem elegeu Ursula von der Leyen?

» Edição de Agosto de 2019

» Plural e vinculado à esquerda

» Os talibãs de São Francisco

» Edição de Julho de 2019

» Inconsistências (ou o sono da razão?)

» Comércio livre ou ecologia!

» Edição de Junho de 2019


A palavra em compasso de urgência

“Trocando em miúdos”, segundo livro de contos de Luiz Paulo Faccioli, escapa das armadilhas do amor como tema capturando seus momentos mais sôfregos

Marina Della Valle

São Paulo: heterogenética cidade literária

“Há uma história da literatura que se projeta na cidade de São Paulo; e há uma história da cidade de São Paulo que se projeta na literatura.”
(Antonio Candido)
 [1]
Mauro Rosso

O erudito

Colocou o papel com a citação à carne de ovelha na boca. Ele a macerou com a língua. Molhou-a. Tentou fazer brotar dela o enigmático sabor do animal estranho. Sentiu a tinta se desprender. Era a única coisa a conferir algum sabor exótico àquele repugnante alimento

Tibor Moricz

Desdizeres de quem escreve

André Resende

Entre o livro-objeto e o livro-experiência

Ainda hoje, apesar de todas as transformações vividas pela sociedade nas últimas décadas, leitores adultos ainda torcem o nariz para livros que fogem ao estereótipo de simplicidade e didatismo comumente associado ao “livro para crianças”

Marco Catalão

A ternura masculina sem pudores

José Luis Sampedro não nos permite tirar a dignidade de seu protagonista: não há como sentir pena dele

Romilda Raeder

O pavimento beijado

A pobre senhora inspirou profundamente, inclinou-se para um lado e se pôs a tatear a superfície encardida da calçada

Diego Viana

A arte de usar o tempo e o espaço a favor da boa literatura

Ao notar o vazio editorial e a tendência de crescimento da literatura fantástica, Fábio Fernandes e Jacques Barcia idealizaram a revista “Terra Incognita”

Fernando S. Trevisan

“Cidadezinha inglesa no domingo”, de Max Jacob

Nascido em 1876, Max Jacob participou das vanguardas poéticas e artísticas européias, ao lado de Jean Cocteau, Georges Braque e Pablo Picasso

Pablo Simpson

Idéias perdidas

No fundo, o único ponto realmente importante na literatura é o exercício da idéia

Renata Miloni

Mas Alice

Ele, minha Alice, minha primeira Barbie, me olhou como quem faz um favor. Em seguida, arrastou as plataformas até o banheiro e sacou o batom da bolsa

Neuza Paranhos

De volta aos rostos

Ao reencontrar as fisionomias, sou tomado pelo alívio. Estão todos ali, onde deveriam estar, indiferentes, na plataforma do metrô. Vejo-as congeladas, num estranho estado de suspensão, enquanto esperam o trem para subir

Diego Viana

Libertado e traído pela revolução

Nos textos de Babel transitam desde retratos avassaladores de guerra e paz até histórias de amor pouco convencionais

Alysson Oliveira

A saga do “casteller”

Em “La bodega”, Noah Gordon constrói um panorama detalhado da cultura catalã

Dida Bessana

Nossa seca

No fundo do meu sentimento, dou a última palavra, juro, até para ser ouvido na minha revolta: “quero água, abençoada água para não morrer; Deus, encha o céu de nuvens de chuva”

Celina Castro

As lições de “A cartomante”

Machado de Assis, antes de tudo artista, é um grande fazedor de tramas, que embaralha maliciosamente as cartas e o leitor

David Oscar Vaz

Kadaré e sua cidade-pedra fundamental

Publicado pela primeira vez em 1970, “Crônica na Pedra” é fundamental para os que desejam se aprofundar no universo peculiar da criação do escritor albanês

Marina Della Valle

Mais que filosofia, ciência e literatura

O mistério é o lugar onde não estamos, nem chegamos, a não ser por acreditar nele como algo a aceitar

André Resende

O sonho (e o destino) dos heróis

“O sonho dos heróis” não é apenas a história de um indivíduo em busca de seu destino, mas a de certa Argentina no final dos anos 20

Gregório Dantas

Reconstrução da memória

“Pó de parede”, da gaúcha Carol Bensimon, é formado por três histórias que têm como base a casa (no sentido físico, familiar e metafórico) e a memória

Renata Miloni

Bandeira religioso (e libertino)

A edição cuidadosa da antologia “Poemas religiosos e alguns libertinos”, de Manuel Bandeira, organizada por Edson Nery da Fonseca, nos permite observar alguns dos caminhos da inspiração banderiana pouco percorridos pela crítica

Pablo Simpson

Nós ao espelho

Os espelhos de Eduardo Galeano são cristalinos e impiedosos: pequenas visões que ferem apenas os muito vaidosos e os que acreditam que os valores estão na superfície dos corpos, nas imagens ideais e nas verdades inventadas

Romilda Raeder

Os sertões: contemporâneo da posteridade

“O livro número um do Brasil”– que neste dezembro completa 106 anos de publicação – diz muito de um drama da história nacional, e também de dramas dos tempos atuais

Mauro Rosso

Mais poemas de Pound

No quinto número de nossa seção Vice-Verse, coordenada pela jornalista e tradutora Marina Della Valle e dedicada a traduções de poesia e prosa em língua inglesa, apresentamos novos poemas de Ezra Pound, traduzidos do livro "Lustra"

Dirceu Villa

A valsa das borboletas

As narrativas de José Cardoso Pires e Jean-Dominique Bauby funcionam de modo a resgatar a dignidade do homem diante de situações que teriam tudo para reduzi-lo à condição de simples joguete do destino, de “ser” impotente diante de uma condição que lhe escapa à compreensão

Luís Fernando Prado Telles

Os mal-entendidos da escrita

No fundo, “Flores azuis” é a jornada de Marcos em busca da compreensão de si mesmo. As cartas misteriosas são uma espécie de catalisador para a sua transformação pessoal

Alysson Oliveira

Scherzo com física e moleskine

Os objetos da física, os monumentos do quotidiano, os sabores, cores e temperaturas são aquilo que deles sentimos e vemos, imagens de um qualquer coisa bruto que está lá fora e que só aceitamos como mais real do que os sonhos porque temos a consciência e a convicção de estarmos despertos

Diego Viana

O passado dói

“O passado”, de Alan Pauls, é uma viagem, uma vertigem cortazariana ao fundo do coração de um homem dilacerado, feito em pedacinhos como os bilhetes e papelotes que consome sem nem mesmo saber ao certo por quê

Fábio Fernandes

Tabuleiro sem limites

A impressão que tenho ao ler e reler qualquer um dos textos de Fernando Sabino é a de que tudo nele era puramente literário

Renata Miloni

Copacabana classic

Régis Bonvicino

Impressionismo em tons de cinza

Assim como “Respiração artificial”, de Ricardo Piglia, “História do pranto” já pode ser considerada uma obra importante sobre o período de exceção latino-americano

Marco Polli

Três minicontos

Não se dão conta do óbvio: partir de Marianna, por causa da própria natureza da cidade, significa voltar a ela

Cláudio Parreira

Um mapa dos corações humanos (de São Paulo e do Brasil)

O começo do livro é engraçado, cheio de brincadeiras do tipo perco-o-leitor-mas-não-perco-a-piada

Fábio Fernandes

A aventura intelectual chinesa

Anne Cheng consegue encontrar uma perspectiva equilibrada ou correta para apresentar aos ocidentais uma história do pensamento chinês

Antonio Carlos Olivieri

Nuvem carregada

A mim, ninguém oferecia um gole, ao velho que já passou do tempo. Mas eu não sentia. Minha boca, enrijecida, já se acostumara à posição de paralisia, lábios e gengivas endurecidas sem ambição alguma de falar

Diego Viana

Sobre literatura e outros defeitos

Nenhum romance ou conto, nem a soma do que li, me humanizou ou me induziu a ser uma pessoa melhor

André Resende

Mestre da bibliofilia

Rubens Borba de Morais pesquisou bibliotecas européias, norte-americanas e brasileiras para escrever sua “Bibliografia brasiliana”, descritiva de livros raros sobre o Brasil de 1504 a 1900, verdadeiro monumento de erudição e pesquisa

Dida Bessana

De quando a literatura se despede de suas histórias

Como o escritor brasileiro escolhe escrever seus livros? Geralmente se apegando a somente uma forma de sofrer

Renata Miloni

Três poemas

Paulo Chagas de Souza

Viagem a Havana

Impossível deixar de admirar, linha após linha, página após página, o trabalho do artesão tapeceiro, que dedicado a cada detalhe não perde de vista o todo da composição e deita cada ponto no exato e único lugar em que precisa estar

Romilda Raeder

Do inútil (ao fútil)

O fútil, porque está tão aquém de nossa melhor dedicação, deixa entrever a existência de algo que é seu oposto absoluto

Diego Viana

Grito provinciano – eco universal

O mundo das Adriennes não mudou tanto assim. É gente que você sabe que nunca escapará a uma sina de pequenez, sovinice, tristeza, exílio, desespero. Porque essa sina é tudo que tem, é sua explicação, seu nexo ontológico

Chico Lopes

Machado, seus relicários e raisonnés

Os contos de Machado de Assis carecem não apenas de edições adequadas, mas também e principalmente de estudos condizentes com sua relevância literária, que inclusive forneçam uma visão completa do conjunto

Mauro Rosso

Anjos e crianças

Não são poucos os poemas em que Bandeira aborda a infância como região idealizada, cuja simples rememoração pode amenizar o espaço presente da solidão, dor, perda, doenças e aporias que todo adulto precisa lidar [2]

Pedro Marques

A heroína do Novo Mundo

“Maria de Sanabria – a lendária expedição das mulheres que atravessaram o Atlântico no século XVI”, do ítalo-uruguaio Diego Bracco, é um romance histórico sobre a aventura dessa nobre sevilhana que, em 1550, chegou ao litoral de Santa Catarina

Dida Bessana

O fazedor de humanos

As lições de um velho mestre incluem algo que deveria ser essencial para todos: a literatura

Renata Miloni

Quando o labirinto é o mundo

A trama de Saramago é simples mas não é agradável. Seus personagens abandonaram toda a esperança, como se diz no pórtico do inferno dantesco

Fábio Fernandes

Eclipse

Ela dava a volta por um lado da casa, ele partia correndo na direção oposta, mas era no armário de tia Argentina que acabavam os dois, fundidos naquele silêncio e naquela imobilidade

Maria Valéria Rezende

Uma estranha num país estrangeiro

Em “O encontro”, de Anne Enright, ganhador do Man Booker Prize de 2007, o passado ressurge como um país coberto de neblina

Alysson Oliveira

Mês de desgraça ou descanso

Não tente viver como um francês em Paris em agosto. Já ao longo do ano essa é uma idéia de turista com complexo de superioridade; no verão, simplesmente não é possível

Diego Viana

Um longo adeus que não termina

Não faltam aos versos de Pedro Salinas a substância palpável e viva da experiência amorosa, que os afasta da mera abstração

Marco Catalão

Perdendo Heitor

Noites que ela guardaria pelo cheiro do cigarro, da terra batida das estradas furtivas, do desodorante impreciso que ele passava, e, por fim, de muito usá-la, aprová-la, repeti-la, ele a tinha declarado única, nunca conhecera carne, cheiro melhor

Chico Lopes

Tantas palavras

Quase ri dessa idéia absurda, outra que me cruzava o pensamento sem que eu soubesse de onde nem por que ela vinha. Mas me contive a tempo diante de um par de olhos que pareciam estar levando bem a sério a aventura

Luiz Paulo Faccioli

O assassino bossa-nova

Espalham rapidamente as fotografias anteriores na mesa e decidem onde colocar a moça. Ela já está com um vestido longo, azul, semelhante aos usados na virada para os anos sessenta

Marco Polli

Hóspedes do vento

Ergueu-se, abriu os braços, não sabendo como saudá-los senão assim, camisa aberta, arreganhado, ele Neno, ele total, a mangueira repleta

Chico Lopes

A traição da pátria e outras suposições literárias

Os escritores estrangeiros são recebidos aqui — e não há diferença se bem ou mal: eles são sempre mais importantes — com um tipo de sorriso bastante comum

Renata Miloni

Um portal de papel

Solaris é uma revista-portal que não pode ser encontrada em livrarias ou nas bancas – porque ela é mais uma ação viral que uma publicação

Fábio Fernandes

Notas sobre contos machadianos

Nem tudo da farta produção de Machado de Assis, quase uma centena e meia de narrativas breves, merece ser lido

David Oscar Vaz

As histórias da história de Biafra

“Meio sol amarelo”, de Chimamanda Ngozi Adichie, põe a história da tragédia de Biafra no mapa da geração Google

Marina Della Valle

Jornada antiépica

Na saga de Serapião Filogônio encontramos ecos de aventureiros arquetípicos, como Odisseu e Enéas

Antonio Carlos Olivieri

Jean Grosjean, dois poemas

Enquanto a paisagem se reduz ao essencial, estes poemas nos falam dos movimentos interiores do “eu”, de suas hesitações

Pablo Simpson

Aquém do enigma

Pela terceira vez, teria de construir uma existência nova a partir de uma que já era inteira. Não que rejeitasse o desígnio. A esse ponto, já fervilhava o desejo de demolir noção atrás de noção, invadir uma a uma as camadas da outra vida, superar as definições reduzidas em nome da interminável descoberta

Diego Viana

Ficção e ensaio

Em Philip Roth, como em J. M. Coetzee, a arte não redime nem consola

Gregório Dantas

A Defesa Lujin – ou a precisão do texto

Vladimir Nabokov escrevia um texto como quem tece uma estrutura delicada, respeitando a etimologia do texto como "tessitura", como tecido, algo que é mais tramado e costurado do que criado do nada.

Fábio Fernandes

Os limites da doença literária

“Jaboc”, de Otto Leopoldo Winck, é um livro em homenagem às palavras, para que elas se guardem até na desgraça por vezes incompreensível que é escrever a qualquer custo.

Renata Miloni

Portas e vãos

Qual seria a desse cara? Por um instante imaginei que talvez sua preferência sexual fosse outra, e isso me deixou preocupado, ou talvez aquilo ainda fosse parte de algum plano macabro

David Oscar Vaz

Vice-Verse 4

No quarto número de nossa seção Vice-Verse, coordenada pela jornalista e tradutora Marina Della Valle e dedicada a traduções de poesia e prosa em língua inglesa, apresentamos poemas de Ezra Pound, do livro "Lustra".

Dirceu Villa

Em nome do pai

Para encontrar prazer na leitura de O conto do amor, o leitor precisa suspender suas crenças e se entregar à premissa de Contardo Calligaris – acredite ou não em reencarnação ou vidas passadas

Alysson Oliveira

A nação e o baile

Como praticamente tudo neste início de século, o nacionalismo sobrevive transferido para a esfera das relações pessoais. Os dialetos, a música, o futebol, os ídolos, a cozinha, as paisagens

Diego Viana

Sobre a Flip 2008

Cees Nooteboom e Fernando Vallejo – estávamos diante de duas realidades completamente distintas: a latinidade tosca e furibunda do sul-americano em contraposição à placidez fleumática do norte-europeu puro-sangue

Luiz Paulo Faccioli

Quase matei

Aperto a bolsa contra o peito, cerro as pálpebras e encosto-me à pia, esperando que a vertigem se dissipe. Ouço, então, com alguma clareza, meu nome. Chamado, como num lamento, repetidas vezes

Isa Fonseca

Nada de novo

Ricardo Miyake

Lídia Jorge, esse amor exigente

O vento assobiando nas gruas, oitavo romance da autora portuguesa, exige tempo e dedicação, mas recompensa com uma obra única, que perdura na mente após o fim da leitura

Marina Della Valle

O vento, a areia e o nada

Antônio Xerxenesky conduz o leitor ao inevitável clichê da montanha-russa de sentimentos: numa página, altíssimas gargalhadas; na seguinte, a torcida pelo casal; mais à frente, uma vontade descomunal de duelar. Ou então de saber para onde o vento leva a areia.

Renata Miloni

Jorge Gaitán Durán: a poesia no alto de um instante

Uma impressionante fusão entre erotismo e morte, luz e sombra

Marco Catalão

No Pequod – em busca de Moby Dick

“Moby Dick” conquistou admiradores nos mais diferentes quadrantes do planeta. Albert Camus, um deles, chamou seu autor de o “Homero do Pacífico”

David Oscar Vaz

Um discurso, quando o desejo é calar

Somos criados para aplaudir a mais dramática das desgraças; estamos acostumados a rir do sofrimento e derreter de comiseração pelas misérias. Mas a reação que temos diante de uma alegria pacata, digamos, de atirar pedrinhas no lago, é bem diferente. Bocejamos, viramos a página, mudamos de canal. A bonomia é coisa muito fastidiosa, sobretudo a dos outros

Diego Viana

O dia da morte

Quando demoramos a morrer, logo entramos na lista dos que já morreram. É inevitável. Não temos o direito de não morrer

Manoel Fernandes Neto

Odradek e os personagens

Como lidar com o peso daquilo que é criação e que é inexistente, mas que ainda assim sobrevive ao tempo e nunca se desgasta?

Olivia Maia

O grande concerto

A mão ensangüentada não segurava mais a gilete, mas ela não devia estar longe. Os dedos semidobrados estavam pretos, e em volta do pulso a branquidão extrema da pele era realçada por uma pulseira de sangue seco

Fábio Fernandes

Gente como a gente — ou algo parecido

Diferente de muitos de sua geração, Miranda July não é dada a pirotecnias visuais ou malabarismos narrativos. Suas histórias são bem diretas, e os personagens densamente construídos

Alysson Oliveira

Uma simples pergunta ou um profundo questionamento?

A literatura me atraiu porque nela encontrei histórias distintas, personagens mais humanos do que os reais, mundos que talvez eu nunca alcance

Renata Miloni

Os contos de Flannery O’Connor

Há quem tenha comparado Flannery O’Connor com Tchekhov, o que pode não dizer muito, já que se popularizou certa idéia, bastante redutora, de que qualquer conto de “atmosfera” seria tchekhoviano. Mas a comparação pode ser procedente, se considerarmos a objetividade da frase de Tchekhov, e a materialidade de suas descrições, muito ao gosto de O’Connor

Gregório Dantas

Um episódio em parte real

Cheguei a fantasiar que o catalisador de toda a história desapareceria de repente ou revelaria ser um demônio, um duende, qualquer ser sobrenatural. Mas qual, o velho continuou encalacrado, olhos nos joelhos, como se nada se passasse à sua volta

Diego Viana

Sexo como missão

Em "Pantaleão e as visitadoras", de Vargas Llosa, a sofisticação do risível está justamente nas sutilezas que o cercam e produzem o humor no seu sentido mais elaborado: no lugar que ocupa entre o cômico e o trágico

Cristina Betioli Ribeiro

E quem os chineses não surpreendem?

Em coletânea de colunas publicadas no jornal inglês "The Guardian", Xinran se esforça para explicar as diferenças entre a China e o Ocidente – e acaba engrossando o coro dos atarantados pela complexidade e velocidade das mudanças naquele gigante asiático

Marina Della Valle

Pierre Jean Jouve, dois poemas

Murilo Mendes escreveu sobre Pierre Jean Jouve em duas oportunidades, para os "Retratos-relâmpago" e para os "Papiers", textos em francês reunidos na edição cuidadosa de Luciana Stegagno Picchio

Pablo Simpson

A pequena e valiosa glória dos prêmios literários

No caso de Joanna Kavenna, apesar de ter 34 anos, foi preciso um amadurecimento de sete romances terminados e rejeitados pelas editoras para que finalmente tivesse um reconhecimento

Renata Miloni

A lira múltipla de Lope de Vega

Lope Félix de Vega Carpio, chamado por Miguel de Cervantes de “monstro da natureza”, é um caso singular de fertilidade criativa

Marco Catalão

Um presidente negro que a história esqueceu

Se tivesse nascido uns trinta ou quarenta anos antes, Lobato provavelmente teria sido convidado para fazer parte da Fabian Society, que tinha entre seus membros H. G. Wells e Bernard Shaw, pregava o socialismo científico ou utópico e previa o progresso da humanidade por meio da ciência

Fábio Fernandes

A morte contemporânea

Em “Ruído branco”, tecnologia e consumo são citados em profusão, e não apenas como parte do modo de vida prático, mas como elementos com que os personagens também criam ligações íntimas de pavor ou fascínio

Marco Polli

Seis

Para boa parte dos seguidores de Pitágoras, o divino Um era a manifestação inteligível do universo, o Dois colocava diante do homem a presença dos opostos, o Três escancarava os portais do múltiplo

Diego Viana

Pêlo amargo na narina

Ainda não havia feito a barba. Áspera. E, na narina, aquele pêlo. Pirata. Não, não era seu aquilo. Um pêlo que crescia de dentro pra fora, a incomodar-lhe, a roçar-lhe o buço, a lembrar-lhe a existência, minuto a minuto, a roubar-lhe tempo

Teresa Candolo

Triste sina

Quem o visse, se o visse, de relance, nesse instante após a metamorfose, não sabia o que via, o que tinha visto, um vulto fugaz, um tiro veloz, um vasto susto, um engano da vista

Antonio Carlos Olivieri

Domingo

A voz do homem está mais baixa e rouca, como se ele fosse chorar. Aqui, ó, aqui! Os olhos parecem que vão saltar do rosto e rolar na sarjeta. Agarra a mão e guia para a virilha. Há ali uma coisa cega e sem nome

Neuza Paranhos

Quando escrever deixou de ser uma arte

Hoje, o jornal que passa por debaixo da minha porta, salvo honradas exceções, é ilegível. Já fiz pesquisas em jornais antigos na Biblioteca Nacional e cheguei a sentir os olhos marejados – de raiva – pela comparação com o jornal pelo qual pago hoje

Simone Campos

Cinco aspectos da imagem na literatura

Creio que a insistência em tentar reconhecer (inutilmente) na literatura contemporânea a semelhança com roteiros de filmes parte apenas primeiramente do leitor, que não consegue mais diferenciar de forma clara as duas (ou mais) artes

Renata Miloni

Dois poemas de Erín Moure

No terceiro número de nossa seção dedicada à tradução de poesia e prosa em língua inglesa, coordenada pela jornalista e tradutora Marina Della Valle, apresentamos dois poemas de Erín Moure

Virna Teixeira

A casa no morro – Final

E eu não tinha uma droga de um par de algemas. Puxei o cadarço do meu tênis e o usei para amarrar os pulsos de Joana. Apertei o nó com força. Ela não resistiu. Pareceu-me que estava sorrindo

Olivia Maia

*

Pablo Simpson

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