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NOVA INDÚSTRIA, NOVAS LUTAS

Os "operadores" vão à greve

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Jovens trabalhadores de uma empresa ligada à Mercedes Benz mostram, numa região operária esgotada pelo desemprego, que, também nas "novas" fábricas, é possível enfrentar a exploração e vencê-la

Michel Pialoux, Stéphane Béaud - (12/02/2000)

A greve deflagrada em novembro de 1999 dentro das empresas subcontratadas do grupo MCC (Micro Compact Car), ligado à Mercedes e produtor do carro Smart em Hombach, na região de Lorena, França, ilustrou a fragilidade das novas organizações industriais em fluxo contínuo, que funcionam simultaneamente com diferentes tipos de contratos. Fez também surgir com destaque a nova figura de operário, o operador, que se distingue claramente do trabalhador das grandes empresas montadoras e dos antigos fabricantes de autopeças.

Entre 1995 e 1997, nas proximidades da fábrica de Hombach (com 1.200 assalariados), que se encontrava na ocasião em fase de implantação, uma dezena de fabricantes de autopeças se instalaram: dez empresas implantadas no mesmo local de produção da Smart — "sistemas de parcerias", segundo a MCC — para fabricar e montar módulos que são transportados em seguida à unidade de montagem. O desenvolvimento deste conceito de integração permite reduzir para cinco horas o tempo de montagem de um carro, com um ganho de 30 a 40%, aumentando portanto a produtividade.

Vitória expressiva

Em volta da fábrica em forma de cruz, onde a MCC fará a montagem e o acabamento dos veículos, as fábricas dos "sistemas de parcerias" são dispostas em estrela, o que permite uma ampliação futura de suas instalações [1]. Nestas fábricas, trabalham jovens operadores que recebem salário mínimo: a mão-de-obra, cuja média de idade é muito baixa, em torno de 23 anos, não era sindicalizada até as últimas eleições sindicais [2].

Em 15 de novembro de 1999, no momento do início da produção da versão diesel do Smart, que seria lançada em dezembro no mercado alemão — do qual certamente muito depende a sobrevivência da fábrica de Hombach —, inúmeras carretas e algumas dezenas de grevistas bloqueiam as portas da fábrica, impedindo seu abastecimento. A direção deve colocar rapidamente 1.200 trabalhadores, de um total de 1.500, na situação de desemprego técnico. Ao mesmo tempo, pressiona os fabricantes de autopeças a porem um fim ao conflito. Os assalariados da Magna-Châssis, uma das empresas em greve, obtiveram um prêmio anual de 1,2 mil dólares, equivalente a um aumento da ordem de 8% do salário médio mensal. Duas das outras empresas afetadas pelo movimento receberam aumentos de 50 a 90 dólares por mês, bem superiores aos alcançados nos últimos anteriores.

A repercussão da ação é grande neste pólo de emprego, em outras épocas reduto dos operários do ferro, devastados há muito tempo pelo desemprego [3]. Tudo se passa como se, ao retomar uma postura ofensiva, aproveitando-se de uma conjuntura excepcional e explorando uma potencialidade inerente ao sistema, um pequeno grupo de "jovens" tivesse conseguido escapar ao torpor que encobria a região.

Traduzido por Nena Mello



[1] Cf. Les Echos, 18 de setembro de 1996.

[2] Le Monde, 29 de novembro de 1999.

[3] Pierre Rimbert e Rafael Trapet, "Amère normalisation en Lorraine", Le Monde diplomatique, outubro de 1997.


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