Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» A Tecnologia da Adaptação — e como vencê-la

» O Irã e os idiotas úteis… a Washington

» “Atire na cabeça!”

» Um reino de farsas e encenações necessárias

» Jogue no Google, senhor ministro

» Religião, violência e loucura

» O consenso pela Educação acabou

» O dia em que o governo perdeu as ruas

» Galeria: Brasil nas ruas

» Um governo tóxico

Rede Social


Edição francesa


» Mais pourquoi cette haine des marchés ?

» Les militants français confrontés à la logique de l'entreprise

» Une machine infernale

» Pour sauver la société !

» Des réformes qui ne sont pas allées assez loin

» Controverses et débats en Allemagne

» Un nouveau maître à penser : l'entreprise

» Le problème de l'épuisement des matières premières peut, aujourd'hui, être envidagé avec un optimisme relatif

» Incontrôlable avant l'an 2000, l'explosion démographique accroit le risque d'une double catastrophe mondiale

» L'esprit humain est capable de s'adapter assez facilement à des conditions de vie de plus en plus complexes


Edição em inglês


» Iran and the US, a tale of two presidents

» Terry Gou, Taiwan's billionaire and political wildcard

» Ecuador's crackdown on abortion is putting women in jail

» Traditions of the future

» Boondoggle, Inc.

» Sisi amends Egypt's constitution to prolong his presidency

» May: the longer view

» The languages of Ukraine

» Chile's day of women

» Notre Dame is my neighbour


Edição portuguesa


» 20 Anos | 20% desconto

» EUROPA: As CaUsas das Esquerdas

» Edição de Maio de 2019

» Os professores no muro europeu

» Chernobil mediático

» Edição de Abril de 2019

» A nossa informação, as vossas escolhas

» O cordão sanitário

» O caso do Novo Banco: nacionalizar ou internacionalizar?

» Edição de Março de 2019


VIETNÃ — PARTIDO & PODER

A vanguarda da classe trabalhadora

Imprimir
Enviar

Ler Comentários
Compartilhe

No Vietnã, como na China, liberalização econômica e autoritarismo político caminham juntos

Michel Herland - (12/02/2000)

Tanto quanto o "socialismo de mercado" de Deng Xiaoping tinha por objetivo reformar a economia sem atingir o monopólio do poder do Partido Comunista Chinês (PCC), também a política de liberalização decidida no Vietnã pela maioria do birô político, em 1986, tinha por função evitar uma crise do regime. O objetivo era de fato a conservação do poder, mesmo ao preço das mais flagrantes negações ideológicas, embora inconfessáveis. Na ausência de tradição democrática, o povo espera hoje de seus governantes a prosperidade, como esperava, depois da Segunda Guerra Mundial, a independência. No Vietnã, tal como na China, liberalização econômica e autoritarismo político caminham juntos.

Nesta "República Socialista" que o Vietnã ainda é, o Partido Comunista (PCV) desempenha hoje um papel determinante (ver acima o artigo de Philippe Papin). Segundo o artigo 4º da Constituição de 1992, "o Partido Comunista do Vietnã, vanguarda da classe trabalhadora, fiel representante da classe operária, do povo trabalhador e da nação inteira, iluminado pela doutrina marxista-leninista e pelo pensamento de Ho Chi Minh, é a força diretriz do Estado e da sociedade".

Entre o partido e o povo interpõe-se uma organização de massas, a Frente da Pátria, que reúne, além do PCV, outras organizações, como a União das Mulheres, os sindicatos e grupos de caráter confessional. A Frente da Pátria desempenha um papel importante nas eleições para a Assembléia Nacional, pois deve aprovar os nomes dos candidatos — sabendo, todavia, que um certo número deles já é designado no nível central (partido, governo). Nas últimas eleições de julho de 1997, havia assim 147 candidatos designados "centralmente" e 525 localmente.

Uma abertura limitada

Em 1997, uma certa liberdade de escolha foi introduzida de duas maneiras: primeiramente selecionando candidatos em maior número (666) que as vagas a preencher (450); em segundo lugar, aceitando entre os selecionados um pequeno número de candidatos "auto-designados", isto é, que submeteram suas candidaturas à Frente da Pátria sem ser apresentados por alguma organização (três candidatos entre onze foram eleitos). Enfim, mesmo vivendo o Vietnã sob um regime de partido único, o fato é que nem todos os candidatos "oficiais" à Assembléia Nacional são necessariamente membros desse partido. Por ocasião das últimas eleições, 106 candidatos encontravam-se nessa situação.

O PCV controla todos os postos-chaves nas instâncias políticas, na administração e no setor produtivo público, mas não reúne mais do que dois milhões de membros, num total de quase 80 milhões de habitantes. Aliás, sua implantação no sul do país continua muito fraca: é de 1% da população, enquanto no norte é de 9%.

Por fim, o exército continua sendo uma força com a qual é preciso contar. Reúne ainda perto de meio milhão de homens (em 1987, tinha um milhão), 420 mil no exército, 42 mil na marinha e 30 mil na aeronáutica. A maior parte de seu equipamento, de origem soviética, data dos anos 80. A nomeação, em setembro de 1998, do tenente general Le Van Dung como chefe do Estado Maior confirma a preocupação do partido em não perder o controle do aparelho militar. O general Dung foi, na verdade, durante muito tempo, o auxiliar do general Le Kha Phieu no serviço político do exército. O Partido Comunista Vietnamita havia realizado seu 8º Congresso em 1996 e no ano seguinte, por ocasião da reunião plenária do Comitê Central, promoveu-se a substituição do secretário geral Do Muoi, demissionário havia vários meses, por Le Kha Phieu.

A dominação do partido sobre a vida política é incomensurável, como prova a sorte reservada aos raros opositores. A despeito de tímidos progressos no plano das liberdades individuais, a liberdade de expressão está longe de ser atingida. Os artigos 69 e 70 da Constituição estabelecem uma distinção entre a liberdade de credo e de religião, apresentada como absoluta, e as liberdades de expressão, de informação, de associação e manifestação, enquadradas pela lei.

O poder continua com uma suscetibilidade extrema e reprime sem vacilações qualquer pessoa cujos escritos ou declarações pareçam-lhe indesejáveis. São lembradas as desventuras da escritora Duong Thu Huong, autora de Au delà-des illusions [1], excluída do Partido Comunista em 1990 e impedida de se exprimir durante vários anos; a condenação, em agosto de 1993, de quatorze opositores acusados de querer derrubar o governo; a prisão do venerável budista Thich Quang Do, em 1994, libertado apenas em 1998...

Traduzido por Betty Almeida



[1] Editions Philippe Picquier, Arles, 1998.


Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos