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MEMÓRIA DE HENRI CURIEL

A atualidade do internacionalismo

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Isabelle Avran - (12/03/2000)

Quase vinte dois anos depois do assassinato em Paris do militante internacionalista Henri Curiel, acusado por seus inimigos de terrorismo, os relatórios a seu respeito continuam fechados e inacessíveis, e nenhuma investigação permitiu evitar a impunidade de seus assassinos e mandantes. Seus antigos amigos quiseram homenageá-lo, respeitando seu bom senso: interrogar a história da mesma forma que o presente para vislumbrar o futuro com clareza e eficiência. Daí surgiu a idéia de um colóquio dedicado à crise da solidariedade internacional e à solidariedade na crise, "Das brigadas internacionais aos sem-documentos". As atas desse colóquio agora estão disponíveis.

Desejando fazer justiça a um ativismo pela paz, à solidariedade sem fronteiras, seus companheiros de ontem não escapam à tentação do elogio: "Ele recomeçará", garantem eles, apoiando Gilles Perrault, autor da primeira biografia de Henri Curiel. [1] Uma certa nostalgia de uma militância muitas vezes baseada em um pragmatismo discreto porém salutar de um cotidiano aleatório, por vezes perigoso mas sempre solidário, aflora na proposta. Mas ela não altera o debate.

As novas formas de luta

Sobre a História temos inicialmente: os retratos de Che Guevara e Mehdi Bem Barka, retorno à guerra do Rif, as Brigadas Internacionais, o engajamento antifacista, a oposição às guerras coloniais, a criação do movimento comunista egípcio, a ajuda aos movimentos de libertação, o diálogo entre Israel e Palestina, cujo resultado Henri Curiel não conheceu. Em seguida, fala-se sobre a atualidade do internacionalismo. Para além de uma análise internacional detalhada dos movimentos de libertação nacional, econômica, pela democracia, o livro convida a um questionamento sobre as perspectivas do internacionalismo e as novas formas de luta que se desenham.

Ilan Halévi recupera o papel dos cidadãos e daquilo que hoje se chama sociedade civil, papel que surge, nota ele, no vazio de cinismos estatais ou razões de Estado. Barbara Masakela, comentando a transição pós-apartheid na África do Sul, questiona o papel dos movimentos de libertação deixados ao poder do Estado. Outros artigos retomam a importância das ingerências, não somente humanitárias, como também políticas, acima dos conflitos. Sylvie Roy e François Houtart colocam em evidência, além da solidariedade, a nova consciência das convergências de interesses e lutas, embora mantendo cada uma sua especificidade, frente às conseqüências desastrosas sociais e culturais, e, podemos acrescentar, ecológicas ... de uma globalização construída sobre o primado do lucro de alguns. As manifestações de Seattle e o fracasso da cúpula da Organização Mundial do Comércio estão aí para lhe dar razão.

Des brigades internationales aux sens-papiers. Crise et avenir de la solidarité internationale . Rencontres internationales Henri Curiel. Le temps des cerises, Paris, 1999.

Traduzido por Denise Lotito.



[1] Gilles Perrault, Un homme à part, Barrault, Paris, 1984.


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