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No poder durante quase todo o pós-guerra, autoproclamada criadora do Estado alemão moderno e condutora do processo de reunificação, a CDU sobreviverá ao escândalo que envolveu Helmut Kohl. Para isso, porém, foi obrigada a sacrificar o antigo chanceler e a adotar a "lei do silêncio" dos mafiosos

Christian Semler - (12/04/2000)

Ao escolher seu presidente, durante o Congresso realizado este mês em Essen, a União Democrática Cristã (CDU) da Alemanha não teve muita escolha. A única candidata possível era Angela Merkel, física e protestante, ex-cidadã ativa da Alemanha Oriental e protegida de Helmut Kohl, que costumava chamá-la de "a mocinha". Ela ocupa atualmente a função de secretária-geral do partido. Esta nova "cabeça" dos democrata-cristãos, que não esconde nenhuma conta bancária e não hesitou em atacar, em dezembro de 99, a obra do ex-chanceler, encarna agora a credibilidade em forma de mulher, o que a torna a única aparentemente capaz de tirar o partido do atoleiro.

A pressão da crise pela qual passa há mais de três meses a CDU tem provocado um despertar de democracia interna totalmente imprevisto, do qual a senhora Merkel parece ser a única benificiária. Até agora, a CDU nunca foi um partido onde simples filiados questionassem as decisões da direção — muito menos sob o reinado do "Gigante Negro", que proporcionava vitória após vitória nas eleições, garantindo assim a prosperidade dos dirigentes em todos os níveis.

Mas os tempos mudaram, e mudaram muito. Suspeito de ter recibido uma das doações ilegais, Wolfgang Schäuble, o sucessor do ex-chanceler, viu-se obrigado a renunciar à presidência do partido, o que obrigou seus líderes a "escutar a base" e a demonstrar mais prudência na hora de abordar a questão da presidência, esperando assim fazer diminuir a pressão exercida durante as conferências regionais. Ora, para a feroz secretária-geral, pouco a pouco estas reuniões transformaram-se em percurso triunfal. "Angie, Angie!" clamava-se por todos os lados. A tal ponto que os outros candidatos retiraram-se resmungando, a começar pelo ex-ministro da Defesa, Volker Rühe, que, com seu jeito machista, ganhou o apelido de Volker Rüpel — cafajeste, em alemão. "Enxergar na crise uma saída feliz" é o slogan do dia, dentro de uma retórica de "novo começo" dirigida aos militantes.

O desejo inscrito no lema de Merkel — ver as doações e as contas sujas "esclarecidas, sem nehuma reserva", despertou pouco entusiasmo no seu próprio partido. Em compensação, teve enorme apoio da opinião pública. Foi por insistência dela que a CDU cedeu. No entanto, por mais "brutal" que possa parecer sua autocrítica, nem tudo que diz respeito a este escândalo foi colocado às claras. Para analisar este caso de "compadres" como um romance policial bem construído, é preciso distinguir as aparências dos fatos reais.

Quem são os doadores

Aparentemente, o escândalo foi duplo. De um lado, diz respeito a milhões de marcos recebidos secretamente pela CDU e redistribuídos pelo presidente a organizações e dirigentes à sua escolha. Trata-se aqui não somente de uma violação criminosa da lei sobre os partidos políticos, mas também de uma traição das estruturas estatutárias, que foram privadas destas quantias. De outro lado, a CDU buscou recursos no exterior e os transferiu para contas bancárias alemãs. As operações foram camufladas como "empréstimos" e até como "heranças para compatriotas judeus", como no caso da Federação de Hesse. Isto é, dinheiro sujo. Inúmeros casos foram revelados e suspeita-se de muitos outros.

Nos bastidores, tudo gira em torno de uma pergunta: quem são os doadores? No que diz respeito às doações que ele próprio recebeu, o chanceler Kohl considera-se comprometido com a promessa de não revelar as identidades. Os milhões destinados a financiar sua campanha eleitoral e oferecidos por François Mitterrand, via Elf Aquitaine, não são mais questionados publicamente, embora a CDU nunca tivesse se queixado da TV, que revelou este fato. Quanto ao dinheiro trazido do exterior, presume-se que pode ter entrado através de mecanismos utilizados no passado pelo partido para lavar o dinheiro das doações de empresas — particularmente o da Staatsbürgerliche Vereinigung, dissolvida logo depois do grande escândalo de financiamentos ilícitos da CDU, nos anos 80. Obviamente, a origem destes fundos continua misteriosa.

Mas, ainda nos bastidores, surgiu uma pergunta ainda mais interessante: em troca destas doações teria o governo Kohl demonstrado alguma complacência na divisão das fábricas da Alemanha Oriental? Ou na entrega de armas às regiões em crise? Ou teria ainda favorecido a reaquisição de empresas alemãs por grupos ocidentais? Teria sido o anonimato uma condição necessária para conseguir estas doações?

Sobram desconfianças inquietantes

Vem daí uma inquitante desconfiança: o "sistema Khol" — ou seja, este amálgama de lealdades pessoais e de dependências ao redor do presidente da CDU — seria alimentado por um grupo de empresários interessados em criar uma zona de influência livre de controle? A verdade poderia revelar-se ainda mais esquemática e mais primitiva do que sugere a teoria do "capitalismo monopolista de Estado". O jornalismo de investigação, que felizmente envolveu-se muito no caso, deixou, no entanto, este ponto nebuloso. Ficou óbvio que até os meios de comunicação mais críticos fizeram o máximo para evitar uma pequena palavra: corrupção.

Nada mais útil aos bons costumes que um escândalo político, ecreveu recentemente o cientista político Karl-Otto Hondrich. Mas é preciso passar por três fases: a descoberta, a indignação moral pública e, por fim, a condenação dos responsáveis. O escândalo das doações feitas à CDU já ameaça abortar na primeira etapa. Os líderes democrata-cristãos conseguiram, de maneira magistral, transformar o chanceler Kohl em principal culpado, junto com um punhado de dirigentes de província e de funcionários da administração financeira do partido. Quiseram eliminar a questão da culpa sacrificando o ex-presidente e o seu successor Schaüble.

Na verdade, a opinião pública demonstrou um interesse exagerado pelas aparências — malas cheias de dinheiro e contas clandestinas — enquanto ficavam à sombra tanto os doadores quanto as suas intenções. Ora, o interesse dos alemães pelo assunto está se desgastando pouco a pouco, apesar de uma série de detalhes apimentados, como o do contrabandista que transferia milhões da Alemanha para Lichtenstein e vice-versa, disfarçado sob a máscara de campeão da lei e da ordem, o ex-ministro do Interior Manfred Kanter. Estamos muito longe da confissão de todos os culpados exigida por Karl-Otto Hondrich. Todos aqueles que transgrediram a lei na CDU vêem agora seu delito como um pequeno erro, uma bobagem perdoável. Em conseqüência disso, o escândalo não terá nehum efeito purificador. Adeus à catarse...

A CDU quer uma legitimidade inquestionável

O fato de tanto a direção quanto os militantes "olharem para a frente" e se dedicarem a "temas de fundo" para reconquistar o poder não responde a esta pergunta lancinante: teria o escândalo das doações desestabilizado a CDU de maneira definitiva, ameaçando assim a própria essência da qual esta agremiação se alimentou durante meio século? Desde a fundação da República Federal Alemã (RFA), em 1949, os democrata-cristãos aspiram a um alto grau de legitimidade. Sempre se consideraram os verdadeiros demiurgos deste Estado. Esta condição excepcional repete-se nas "teses de Essen", submetidas ao último Congresso. Elas afirmam a tríade "economia social de mercado", "vinculação ao Ocidente" e "integração européia" e frisam que a CDU teve de batalhar firme contra a social-democracia até transformar estas idéias em bem comum dos alemães.

Enquanto a democracia-cristã italiana considerava, apesar do monopólio de poder que pretendia, seus adversários comunistas como parte integrante do arco constituzionale, [1] a CDU ficou amarrada — mesmo quando relegada à oposição (1969-1982) — à imagem que tinha de si mesma: a do verdadeiro partido-Estado. Desta atitude, resulta uma concepção estranha da Constituição, segundo a qual, apesar do direito formal e da lei, o partido seria o verdadeiro fiador da RFA. Com base nesta tese, se as doações ilegais se devem a uma simples falha de direito formal é porque elas estão servindo a um fim legítimo: o de salvaguardar as próprias bases da politíca alemã. Os filiados à CDU estão profundamente convencidos de que apenas ela poderá salvar a Alemanha da degradação total, da ruína final e da decadência. Mas este soberbo monumento ideológico sofre, bem como os outros, os assaltos do tempo, agora transformado em temporal. Sobretudo porque o cimento que unia as pedras dissolveu-se quando o medo do todo-poderoso vizinho soviético desapareceu, com o desabamento da hegemonia da URSS. Pois os fantasmas de substitução — a social-democracia, vista como partido que aceitou uma aliança desastrosa, ou os verdes, na condição de inimigos do desenvolvimento industrial — assustam muito menos. Afinal, estes partidos não fizeram da preservação do dinheiro do Estado e da produção alemã o credo das suas políticas governamentais?

O centro, agora, é coalizão "vermelha-verde"

Por outro lado, os temores populares, no que se refere à segurança e à "invasão estrangeira" provocada pela imigração da miséria, esmaeceram pouco pouco, graças à política do governo. O centro, que era antigamente o espaço privilegiado da CDU, o seu alicerce e a consciência que tinha de si mesma, está agora ocupado pela coalizão vermelha-verde do chanceler Gerhard Schröder. [2]

Entretanto, seria errado deduzir daí que a pretensão dos democratas-cristãos a uma supra-legitimidade os possa conduzir a um rápido declínio e, a fortiori, a uma decomposição do partido. A CDU realizou, no pós-guerra, um incansável trabalho de integração. Unificou os meios sócio-católicos, nacional-protestantes e os liberais do Sudoeste, bem como outros grupos que, ao longo da história da Alemanha, nunca tiveram nada em comum. Ao mesmo tempo, é evidente que, durante os longos anos de partido quase único cristão-liberal-conservador, as contradições doutrinárias, bem como os regionalismos e os conflitos de classe foram ficando mais explícitos.

Como nada dá mais certo que o sucesso, a CDU conseguiu, por muito tempo, minimizar as fraturas, praticando uma política governamental baseada, ao mesmo tempo, em valores conservadores tradicionais — como a família, o lar, e a pátria — e em valores modernos, como a supranacionalidade, a liberalização ou a concorrência internacional, que, obviamente, estão em total contradição com os primeiros. Foi portanto com razão que este equílbrio foi caracterizado como "semi-moderno", já que se tratava de uma política enaltecendo ao mesmo tempo o status quo e uma dinâmica destruidora deste último.

Esta contradição interna acentuou-se no último período. Pois acabaram-se a unidade étnica do "corpo popular alemão", a coesão da família tradicional e a dominação política dos clubes masculinos — que perduram desde sempre, como a CDU. A sobrevivência, no século 21, desta fórmula unitária democrata-cristã nada tem a ver, entretanto, com uma causa desesperada. E a melhor prova disto é o entusiasmo suscitado pela senhora Mekel.

Para acabar com a CDU, vai ser preciso bem mais

Entretanto, este ato de salvaguarda implica no sacrifício dos componentes do pensamento conservador cuja presença já começa a sumir da consciência coletiva, à medida em que formas modernas de "defesa" e de "preservação" do meio-ambiente — assim como a ecologia da natureza — continuam a florescer como "conservação de valores". Que ninguém duvide da força de inércia que desenvolvem as formas de organização política antes praticadas com sucesso na Alemanha. Para acabar com a CDU serão necessárias catástrofes bem maiores que os recentes casos de doações e de dinheiro sujo. Prova disso são os resultados das recentes eleições no land de Schleswig-Holstein. No dia 27 de fevereiro deste ano, quando uma tempestade política e mediática desabava sobre si, a CDU obteve 35,2% dos votos, recuando assim apenas dois pontos em relação às eleições de 1996...

Mas será que isto vale também para a ala direita do partido, onde têm se refugiado os perdedores da modernização, onde um dos principais assuntos continua sendo o medo da concorrência estrangeira em matéria de emprego, onde a percepção já instável da "identidade alemã" está degenerando em ultranacionalismo e em euroceticismo? Recentemente, o historiador Michaël Stürmer advertiu sobre as incertezas do trabalho de integração, que tem que ser reiniciado por cada geração política.

Este esforço para atrair a direita foi executado principalmente pela União Cristã-Social (CSU), a irmãzinha bavária da CDU — através de concessões programátícas à direita populista e, por outro lado, de uma luta contra organizações de extrema-direita. O problema colocado por esse tipo de tática consiste na dificuldade de se apropriar da cor do adversário, limitando, ao mesmo tempo a sua influência. Não é por acaso que Jörg Haider considera a CSU como a sua agremiação preferida.

A direita não tem uma liderança aceitável

Para Michaël Stürmer, falta à direita radical o essencial: um programa, mas sobretudo, uma liderança aceitável. As imagens do velho nazista com pescoço de touro, o fedor das cervejarias e o folclore repelente das bandeiras e dos apelos, ainda lhe grudam na pele. A direita não pode, nem quer, afastar-se dos pequenos grupos de terroristas nazistas que ela utiliza, na realidade, como reserva de quadros. Mas tudo isto pode mudar. Um grupo intelectual de toda esta movimentação começa a formar-se. A direita radical poderia — não agora, mas talvez daqui a cinco anos — dispor de um potencial de quadros qualificados para se unirem à ala nacionalista de direita da CDU. E essa seria a única forma de divisão capaz de ser prevista e temida de forma realista.

De momento, a hora é de alegria para os democrata-cristãos: a senhora Merkel, o "novo anjo" do partido — como ela é chamada até pelos adversários da CDU — está sendo glorificada.

Traduzido por Any Colin.



[1] O "arco constitucional" reune os partidos egressos da Resistência que aprovaram a Constituição de 1945.

[2] Ler, de Robert Kurz e Ernst Lohoff, "La gauche allemande paie ses hésitations"; de Christian Semler, "L’Allemagne sur fond d’immobilisme"; e de Matthias Greffrath, "Parenthèse électorale pour la crise allemande", Le Monde Diplomatique, respectivamente de março de 1999, setembro de 1998 e junho de 1998.


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