Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» Morte e gozo sobre rodas

» Tecnologia, Ignorância e Violência

» Universidades: a “nova” estratégia do governo

» Pós-capitalismo na era do algoritmo (2)

» Por uma Reforma Tributária Solidária

» Mudar o mundo sem desprezar o poder

» Seria a Medicina moderna uma ilusão?

» Pós-capitalismo na era do algoritmo (1)

» Uma “potência acorrentada”

» Sobre jeans, trabalho insano e folia

Rede Social


Edição francesa


» Quand les intellectuels s'enflammaient pour une cause…

» La France favorable à un système international de gérance

» Les savants, le public et la sonde Rosetta

» Les mondes perdus de l'anticipation française

» L'ordre mondial selon John Maynard Keynes

» L'offensive des intellectuels en Iran

» Les charniers de Franco

» Sabra et Chatila, retour sur un massacre

» La résistance de George Orwell

» Mémoires et malmémoires


Edição em inglês


» July: the longer view

» An interview with Franco ‘Bifo' Berardi

» Learning the lessons of the Arab Spring

» May 2019 parliamentary election

» A religious map of India

» Universal access to care

» Benin's fight against tuberculosis

» Towards an equal and healthy Africa

» Ivorians mobilise against AIDS

» Health for all, a global challenge


Edição portuguesa


» Edição de Julho de 2019

» Inconsistências (ou o sono da razão?)

» Comércio livre ou ecologia!

» Edição de Junho de 2019

» As pertenças colectivas e as suas conquistas

» A arte da provocação

» 20 Anos | 20% desconto

» EUROPA: As CaUsas das Esquerdas

» Edição de Maio de 2019

» Os professores no muro europeu


RUANDA 94

A reinvenção do teatro político

Imprimir
Enviar

Ler Comentários
Compartilhe

Um violino, uma mulher sentada numa cadeira, silêncio. Yolanda Mukagasana depõe sobre o martírio de seu povo: "Contarei, todo o dia, o que eu vi. Quem não quiser escutar, será cúmplice."

Sylviane Bernard - (12/05/2000)

Poderia o teatro confrontar o real? O Groupov, um grupo de teatro instalado na Bélgica, levanta o desafio confrontando-se com o genocídio cometido em Ruanda, em 1994. [1] Tudo começou por um sentimento de revolta e náusea de Jacques Delcuvellerie e Marie-France Collard com relação à indiferença com que esses acontecimentos foram recebidos na Europa. Em seguida foram cinco anos de trabalho, de pesquisa de documentos, de encontros com os sobreviventes do massacre, de viagens a Ruanda. O produto é o espetáculo "Ruanda-94".Uma criação coletiva, cinco autores, três dezenas de artistas, um trabalho musical excepcional, enormes marionetes e máscaras, dança e comédia musical. Maneiras de abordagem múltiplas para sugerir algumas reflexões.

Notas soltas de um violino, uma mulher sentada numa cadeira, silêncio. Yolanda Mukagasana depõe sobre o martírio de seu povo. Dominando a emoção, ela narra cada instante dos dias em que conheceu o inferno, em que viu serem mutilados e massacrados seu irmão, seu marido e seus três filhos. E conclui: "Contarei, todo o dia, o que eu vi. Quem não quiser escutar, será cúmplice. " Nenhuma lamentação patética, o sentimento íntimo da realidade dos mortos e o desejo de compreender. Para conduzir a entrevista, a senhora Bee-Bee-Bee, jornalista de televisão. A peça se constrói, então, a partir de um trabalho sobre imagens de vídeo, reflexão sobre a televisão, seus limites e suas manipulações.

Preocupação política e artística

Jacques Delcuvellerie, o diretor, reinventa o teatro político e questiona as responsabilidades. Nada a ver, entretanto, e apesar da força da denúncia, com o teatro de "agit-prop". [2] A música tradicional reinventada em cena pelo compositor ruandês Jean-Marie Muyango, a contínua criatividade do compositor Garret List, a cenografia muito despojada - tudo fala aos sentidos, tanto quanto ao intelecto, e coloca no coração do espetáculo a cultura ruandesa e suas mais profundas raízes.

Um espetáculo que possibilita ao espectador europeu apropriar-se do conteúdo humano de uma história humana e oferece ao povo ruandês um pouco de restauração simbólica. Apresentado em Liége e Avignon desde 1999, sob a forma de ensaio, o espetáculo foi recebido com entusiasmo no Teatro Nacional de Bruxelas. Em breve será apresentado em Villeneuve d’Ascq e na Alemanha, e depois em Marselha, durante o 18º Congresso do Instituto Internacional do Teatro - enquanto aguarda sua ida para Paris.

Traduzido por Rosana Fernandes.



[1] Ruanda 94, de Marie-France Collard, Jacques Delcuvellerie, Yolande Mukagasana, Jean-Marie Piemme, Mathias Simons; dirigido por Jacques Delcuvellerie.

[2] Teatro de agitação e propaganda política, de natureza marxista [Nota do tradutor].


Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos