Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» Etiópia: a eterna marcha da humanidade

» O direito ao sagrado dos povos do terreiro

» Como derrotar a “direita Trump-Bolsonaro”

» As pedras da contracultura (ainda) rolam

» Corporações: já vivemos uma distopia…

» Olhai a nova geração de ativistas

» Rússia e China: fim do mundo unipolar?

» Está aberta a nova temporada de privatizações

» Direito à privacidade e o cinismo de Moro

» Boaventura: o avanço da direita e a causa oculta

Rede Social


Edição francesa


» L'avenir du temps

» Ces Espagnols qui ont libéré Paris

» Les pompiers pyromanes de l'antisémitisme

» Menace iranienne, menace sur l'Iran

» Comme si l'école était une entreprise…

» Voyage au bout de la peur avec les clandestins du Sahel

» Chanter le devenir du monde

» A qui profite Paris ?

» Quand la ville se perd dans une métamorphose planétaire

» M. Jesse Jackson et l'ouverture du Parti démocrate


Edição em inglês


» Confessions of a map-maker

» The Spaniards who liberated Paris

» Fighting for communication control

» June: the longer view

» Niger, a migration crossroads

» Niger, a migration crossroads

» Whatever happened to Bob Woodward?

» Europe in space

» The Corbyn controversy

» The invisible people


Edição portuguesa


» Edição de Junho de 2019

» As pertenças colectivas e as suas conquistas

» A arte da provocação

» 20 Anos | 20% desconto

» EUROPA: As CaUsas das Esquerdas

» Edição de Maio de 2019

» Os professores no muro europeu

» Chernobil mediático

» Edição de Abril de 2019

» A nossa informação, as vossas escolhas


AMORES DA SOMÁLIA

Quando o próprio nome fere

Imprimir
Enviar

Ler Comentários
Compartilhe

Forçado ao exílio em 1974 pela junta militar, Farah só pode rever seu país, destruído, vinte anos mais tarde. O pano de fundo desta bela trilogia é, como diz o autor, a nação órfã. Uma Somália pós-ditadura que não deve nada aos clichés da CNN

Abdurahman A. Waberi - (12/05/2000)

Nuruddin Farah, único romancista de língua inglesa da Somália, é também um dos mais talentosos do mundo anglofônico. Nada impede àqueles que vêm das regiões socialmente desfavorecidas de subir aos mais altos níveis artísticos, a exemplo de um Mahmud Darwish, o poeta palestino que vagou por campos de refugiados e no exílio.

Tendo conseguido a independência em julho de 1960, a Somália nasceu entre sangue e violência. Objeto de disputa do Império britânico com a Etiópia e a Itália fascista do pós-guerra, esteve no centro da rivalidade Leste-Oeste durante a guerra fria. Desde 1991 - com a queda do ubuesco ditador Siyad Barre -, o país é presa da guerra civil.

Um livro tão excitante quanto exigente

Nascido em 1945 em Baidhoda, no Sul do país, Nuruddin Farah cresceu em Ogaden, uma província da Etiópia próxima à sua terra natal, e estudou na Índia e na Inglaterra. Forçado ao exílio em 1974 pela junta militar, só pode rever seu país destruído vinte anos mais tarde. Depois de Territoires e Dons, [1] as duas primeiras partes de uma trilogia tão excitante quanto exigente, surge agora a tradução francesa da terceira parte, Segredos, que fecha a obra, intitulada Blood in the Sun.

O pano de fundo é, como declara o autor, a nação órfã. Uma Somália pós-ditadura que não deve nada aos clichés da CNN ou às imagens retocadas e inofensivas da National Geographic.

"Poderes animais mais fortes"

Em 1991 Mogadiscio está a beira do caos. Kalaman, jovem técnico em informática, protagonista desse grosso e palpitante romance, sempre soube que segredos estranhos envolviam as origens e as circunstâncias de seu nascimento. Na sua vida tudo é obscuro, até o significado de seu nome: "Meu nome, Kalaman, traz à tona as lembranças de uma paixão infantil... Como uma resposta fácil a uma charada aparentemente difícil, meu nome provoca em muitas pessoas reações surpreendentes".

A trama do romance se complica quando Kalaman confessa que está apaixonado por Sholongoo, uma mulher duugan, ou seja, destinada a ser enterrada por ter nascido num dia desgraçado e de "poderes animais mais fortes" que os dela. Nesse ponto se reconhece o talento do autor em pintar personagens femininas sem nenhum traço angelical ou de feminismo militante.

De braços dados com o destino

A obra de Nuruddin Farah mama na história e na cultura da península somali. Seu estilo, trespassado por mitos, lendas, alusões ao Corão e pela poesia da terra, está a serviço de um imaginário barroco e fabuloso que Günter Grass não negaria. Como sempre, na obra de Nuruddin Farah a busca pessoal segue de braços dados com o destino de toda a comunidade, para não dizer continente.

Ele possui segredos que são revelados apenas por um grande escritor a seus leitores. Alguém falou em Segredos?

Nuruddin Farah, Segredos , terceiro volume da trilogia Blood in the Sun, traduzido do inglês por Jaqueline Bardolph, ed. Le Serpent à plumes, Paris, 1999, 450 páginas.

Traduzido por Denise Lotito.



[1] Territoires (ed. Le Serpent à plumes, 1995) e Dons (ed. Le Serpent à plumes, 1998). A primeira trilogia está disponível em francês pela ed. Zoé (Du lait aigre-doux, Sardines et Sésame ferme-toi).


Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos