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ISLAMISMO

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Três livros ajudam a compreender a ascensão e o declínio do islamismo moderno, a humilhação e o mal-estar dos muçulmanos diante do Ocidente e as chances de renovação de seu projeto

Olivier da Lage - (12/07/2000)

Em 1992, quando publicou L’Échec de l’islam politique, Olivier Roy provocou um ceticismo generalizado. Na época, é bom lembrar, o islamismo político encontrava-se em seu apogeu, radicalizando-se no Egito, na Argélia, na Bósnia etc. Após oito anos, e embora raramente citada na imprensa, a análise de Olivier Roy tornou-se consensual. Prova disso é a recente publicação, simultânea, dos livros Jihad, de Gilles Kepel, e L’Islamisme, une révolution avortée?, de Antoine Basbous. Como ressalta Gilles Kepel na introdução ao seu livro, dispomos hoje do distanciamento necessário para analisar esse fracasso.

Kepel distingue três fases. A gestação da idéia islâmica contemporânea na década de 60. Seus teóricos foram Sayyid Qotb, ideólogo dos Irmãos Muçulmanos egípcios que Nasser mandou enforcar em 1966; Mawdoudi, o paquistanês que exerceu grande influência na região Sul da Ásia, inclusive junto aos Talibans afegãos; e, é claro, o aiatolá Khomeini, único a ver seu projeto triunfar. A revolução islâmica no Irã simboliza o segundo período, na passagem da década de 70 para a de 80. Seu "efeito-sopro" se propaga por todo o mundo muçulmano, bem além das fronteiras xiitas. O combate dos mudjahidin afegãos — apoiados financeira e ideologicamente pelos sauditas — contra a invasão soviética representa o segundo pólo dessa expansão islâmica na década de 80. Seguem-se o apogeu e o declínio, que Kepel situa no início da década de 90 e que seriam a conseqüência, respectivamente, da invasão do Kuait pelo Iraque, da resistência dos poderes estabelecidos (muito mais importante do que avaliaram, na época, observadores e jornalistas) e a ruptura entre os diferentes componentes do movimento islâmico.

Uma aliança insólita

O aspecto mais revigorante do livro de Gilles Kepel é a análise, em perspectiva, dos êxitos e fracassos do islamismo político junto às camadas sociais que o apóiam: a burguesia crente, a juventude urbana pobre e a inteligentsia militante. Somente Khomeini, talvez devido à sua habilidade e a suas ambigüidades, conseguiu unificar esses três grupos, pelo menos pelo tempo de ver vitoriosa a revolução e consolidar o poder. Em todas as outras situações, a aliança entre a juventude urbana pobre e a burguesia crente — quando existiu — rompeu-se, com os primeiros criticando a timidez dos últimos e estes recuando frente a dissidências de cunho terrorista de grupos com referências teológicas duvidosas. Em todos os casos, a astúcia dos poderes estabelecidos — da Argélia ao Egito, passando pela Palestina e Jordânia — consistiu em recuperar a burguesia crente, marginalizando os grupos extremistas egressos da juventude pobre.

Sentimento de mal-estar e humilhação

Ao final desse relato-retrato, para surpresa — e, de certa forma, decepção — do leitor, o autor deduz desse fracasso que aqueles que viram frustrado o projeto islâmico não têm atualmente outra alternativa senão voltarem-se para a democracia ocidental, único vetor possível de uma modernidade a que aspiram. Ou seja: como se o mundo muçulmano também tivesse chegado ao "fim da história". Bastante mais interessantes são as questões em aberto deixadas por Antoine Basbous em seu livro. Após um estudo que passa em revista, país por país, as experiências islâmicas — com a tradução de diversos textos de apoio —, ele observa que os povos muçulmanos continuam sentindo um mal-estar e um sentimento de humilhação com relação ao Ocidente dos quais não conseguem se livrar. Após o fracasso do islamismo violento da década de 90 e diante da negligência dos respectivos regimes, Basbous aposta no surgimento de um novo tipo de islamismo, ainda desconhecido, mas que "tomará, sem qualquer sombra de dúvida, o lugar do vazio agora existente".

Olivier Roy, L’Échec de l’islam politique , ed. Seuil, Paris, 1992.

Gilles Kepel, Jihad, expansion et déclin de l’islamisme , ed. Gallimard, Paris, 2000.

Antoine Basbous, L’Islamisme, une révolution avortée? , ed. Hachette, Paris, 2000.




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