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LIVROS / PROGRESSO

Um grande desencanto

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A utopia política do "mundo melhor" apagou-se em silêncio depois de massacres, deportações e campos de concentração. Vanguardas revolucionárias caíram no descrédito e o homem "regenerado", "purificado", não viu o dia senão em detestáveis caricaturas

Henri Madelin - (12/08/2000)

"Não há mais depois", diz a canção. Esse também é o fio condutor que guia o pertinente trabalho de Pierre-André Taguieff em sua nova obra, O apagamento do futuro, que ao final de análises bastante documentadas, torce o beato pescoço dos modernistas. Baudelaire já se insurgia contra o progresso, "esse farol obscuro".

O imperativo modernitário parece ter vingado pelo desmedimento. Não sustentava mais as promessas radicais que enunciava em suas origens, principalmente a da emancipação integral. O autor nota que a utopia política do "mundo melhor" apagou-se em silêncio depois de massacres, deportações e campos de concentração. Vanguardas revolucionárias caíram no descrédito e o homem "regenerado", "purificado", não viu o dia senão em detestáveis caricaturas.

Fracasso no social e no ético

Num excelente capítulo intitulado "O progresso ou a convicção do pior", Taguieff volta à crítica especulativa da idéia de progresso. Esta foi exposta há mais de cento e cinqüenta anos por Cournot, quando se via o futuro com imenso otimismo. Condorcet, antes dele, distinguia valores ligados ao domínio científico da natureza dos valores adequados para conduzir o homem em direção a si mesmo e seus semelhantes. De um lado, a ciência e a indústria, e de outro, a moral ou a ética, eram convidadas a entrar em acordo.

O progresso era o elemento unificador. Hoje aparece dissociado. Ocupou seu lugar no primeiro domínio relevante de um mecanismo cumulativo. Mas iria fracassar, segundo Pierre-André Taguieff, no social e no ético. A julgar pelas experiências do século XX, acrescenta o autor, a era da perfeição moral do homem é cada vez menos esperada. Nem mesmo a idéia de que algo melhor está sempre à frente permanece. Surge um novo gênero de fatalização do tempo: o culto do movimento. A extrema individualização dos sujeitos modernos os leva ao isolamento. O que predomina é a fuga antecipada e o medo dos dias seguintes.

Um "desencanto" acelerado

Nenhum projeto coletivo parece se erguer no horizonte, constata Taguieff. E observa que a tempestade "turbo-capitalista" demanda às elites uma adaptação sempre mais rápida ao passo que, às suas margens, derrama indivíduos e grupos cada vez mais excluídos. A abstenção generalizada parece tomar o lugar do projeto político, sem o entusiasmo de outrora. As contra-utopias substituíram as utopias pós-revolucionárias.

Talvez tenhamos, daqui em diante, que aprender a passar da confiança inocente no futuro a uma responsabilidade compartilhada em relação a ele. Responder por si mesmo e pelos outros para entrar em ação, e talvez encontrar uma forma de felicidade bem dissipada num universo que Pierre-André Taguieff percebe como presa de um "desencanto" acelerado.

Pierre-André Taguieff, L’Effacement de l’avenir , ed. Galilée, Paris, 2000.

Traduzido por Denise Lotito.




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