Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» Aos super ricos, os super genes?

» A Ideologia da Mineração está em xeque

» Orçamento 2020 expõe o Bolsonaro das elites

» A esquecida questão da desigualdade energética

» Crônica de Cuba, em incerta transição

» “Direitos Já”: Uma perigosa contradição

» Cinema: Espelhos deformantes

» As mentiras da ciência a serviço do mercado

» Anatomia da próxima recessão global

» Passo a passo para frear a devastação da Amazônia

Rede Social


Edição francesa


» Les beaux jours de la corruption à la française

» Parler français ou la « langue des maîtres » ?

» Au Portugal, austérité et contestation

» Le piège du 11-Septembre

» Quand la gomme arabique fait tanguer l'Amérique

» Au Kosovo, la « sale guerre » de l'UCK

» L'école publique à l'encan

» Le régime de Khartoum bousculé par la sécession du Sud

» Les apprentis sorciers de la retraite à points

» Hongkong dans l'étau chinois


Edição em inglês


» September: the longer view

» Afghan peace talks: Trump tweets, Taliban fights

» An inexhaustible myth in times of extreme adversity

» What happened to social solidarity?

» Sudan: conflict, violence and repression

» Russia's appointed billionaires

» Another end is possible

» Arms sales: the Swedish model

» Soft power influence in the Arabian Gulf

» Life with bribes and kickbacks


Edição portuguesa


» Edição de Setembro de 2019

» Portugal não pode parar?

» Quem elegeu Ursula von der Leyen?

» Edição de Agosto de 2019

» Plural e vinculado à esquerda

» Os talibãs de São Francisco

» Edição de Julho de 2019

» Inconsistências (ou o sono da razão?)

» Comércio livre ou ecologia!

» Edição de Junho de 2019


LIVROS

Desmontando a "ciência" econômica

Imprimir
Enviar

Ler Comentários
Compartilhe

A leitura destes livros sugere que a economia — com sua ortodoxia, seus gurus, seus adeptos, seus fiéis e seus hereges — está mais próxima do campo religioso que do campo científico autônomo reivindicado por seus praticantes

Ibrahim Warde - (12/09/2000)

Numa época em que a economia continua conquistando espaço, sem resistência, nas ciências social e política, dois livros complementares desmontam a arrogância dessa hegemonia, permitindo recolocar a "rainha das ciências sociais" no seu devido lugar da sociedade e da história.

Partindo dos conceitos e grades de leitura que desenvolveu em seus anteriores trabalhos de sociologia e etnologia, Pierre Bourdieu faz uma reflexão sobre a "construção" do mercado da casa própria na França. A análise dos recursos dos atores — funcionários públicos de alto escalão, poderes locais, construtores, financiadoras e compradores —, de seu "espaço" e da "gênese de suas preferências" permite compreender melhor as relações de força e os estados de espírito subjacentes, assim como explicar o desfecho desses confrontos. Paradoxalmente, a realização do sonho da casa própria tornou-se "o fundamento da miséria pequeno-burguesa", fonte de desilusões e de sofrimento.

Quem são "eles"?

Na realidade, o proprietário fica "acorrentado pelo crédito a uma casa que muitas vezes se torna invendável, ou se vê incapaz de assumir encargos e compromissos — principalmente no que se refere ao modo de vida — tacitamente inscritos na opção inicial e que também muitas vezes lhe ficaram obscuros". A análise engrandece o significado da fórmula de Bertrand Russell colocada em epígrafe, no livro: "A economia explica como as pessoas fazem suas opções; a sociologia explica que as pessoas não têm opções."

O "parêntese que encerra todo o enraizamento social das práticas econômicas" denunciado por Pierre Bourdieu ainda se compreende melhor com a leitura de La Croyance économique, livro em que Frédéric Lebaron tenta desmontar a arrogância dos economistas profissionais e compreender como as oposições sociais e acadêmicas estruturam o "campo econômico". A análise empírica, rigorosamente esquadrinhada, do sistema de produção — e de reprodução — da crença econômica traz respostas claras às seguintes questões: Quem são os economistas?; Qual é a sua formação?; Como é que elaboram suas teorias?; e Como é que essa profissão conseguiu impor os seus esquemas, a sua argumentação e a sua linguagem a outras disciplinas acadêmicas assim como ao mundo político?

Os reflexos corporativistas

As respostas sugerem que a economia — com sua ortodoxia, seus gurus, seus adeptos, seus fiéis e seus hereges — está mais próxima do campo religioso que do campo científico autônomo reivindicado por seus praticantes. O uso abusivo da matemática, assim como a obscuridade do jargão, conferem-lhe uma fachada científica que permite excluir os não-iniciados do debate, dissimulando os esquemas políticos através de uma linguagem de especialista. Trate-se de políticas monetaristas pregadas pelos bancos centrais ou da luta contra a "rigidez" do mercado de trabalho, a neutralidade do discurso é obrigatória.

Por outro lado, os reflexos corporativistas são poderosos. Sobre a profissionalização do economista, diz o autor que "oferece simultaneamente a seus membros prestígio científico, poder institucional e reconhecimento econômico que lhes permitem acumular recursos variados, especialmente valorizados na época da globalização das economias e do triunfo político do discurso liberal nos meios de comunicação".

Pierre Bourdieu, Les Structures sociales de l’économie , ed. Seuil, Paris, 2000.

Frédéric Lebaron, La Croyance économique: Les économistes entre science et politique , ed. Seuil, Paris, 2000.

Traduzido por Jô Amado.




Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos