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HISTÓRIA / MARCUSE

O que é o nacional-socialismo?

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O regime nazista não alterou o processo de produção, cuja matriz continuou nas mãos dos grupos que controlavam os meios de produção. Seu objetivo era abolir a distinção entre Estado e sociedade, transferindo as funções políticas aos que detinham o poder

Herbert Marcuse - (12/10/2000)

Hoje em dia, não é mais necessário rebater a falsa idéia de que o nacional-socialismo teria constituído uma revolução. Sabe-se hoje que esse movimento não transformou a organização fundamental do processo de produção, cuja matriz permaneceu nas mãos de grupos sociais específicos que controlam os meios de produção sem se preocuparem com as necessidades e interesses da sociedade em seu conjunto. [1] A atividade econômica do III Reich apóia-se nos grandes conglomerados industriais que, antes mesmo da ascensão de Hitler ao poder e aproveitando-se grandemente do apoio governamental, tinham reforçado sua posição. Conservaram esse papel-chave numa economia da guerra e de conquista. Após 1933, seus dirigentes se misturaram à nova elite recrutada ao mais alto nível do Partido Nacional-Socialista, mas não abandonaram suas importantes funções sociais e econômicas. [2]

O nacional-socialismo também não é uma restauração social e política, ainda que tenha, em grande medida, reinstalado no poder forças e grupos de interesse que a República de Weimar tinha ameaçado ou contido: o exército tornou-se um Estado dentro do Estado, a autoridade do chefe de empresa foi submetida a diversas restrições e a classe operária passou por uma subordinação verdadeiramente totalitária. No entanto, estes fatores não significaram a restauração de velhas formas de dominação e de hierarquização.

Os novos métodos de governo

O Estado nacional-socialista, tal como se apresenta, tem poucos pontos em comum com a organização política do antigo Reich. O exército, tradicional terreno do feudalismo e do predomínio prussiano, foi reorganizado segundo princípios de recrutamento mais abertos, à medida que um conjunto de medidas pseudo-democráticas passa a reger as relações sociais. Patrões e empregados, reunidos no interior da Frente Alemã do Trabalho, participam lado a lado dos mesmos desfiles e manifestações e observam as mesmas regras de comportamento. Inúmeros privilégios e títulos honoríficos, vestígios da ordem feudal, foram abolidos. Além disso, e mais importante, a antiga burocracia e as mais altas instâncias da indústria e das finanças reconheceram o novo mestre e os novos métodos de governo. (...)

Desenvolveremos aqui a idéia segundo a qual o Estado nacional-socialista se afastou de características essenciais do Estado moderno. Este regime tende a abolir qualquer distinção entre Estado e sociedade, transferindo as funções políticas aos grupos sociais que detêm efetivamente o poder. (...)

O Estado como máquina

O Estado moderno — e este é o ponto que nos interessa aqui — foi construído e organizado fora do campo das relações interpessoais, domínio considerado como não-político, segundo leis e modelos próprios. A vida privada, a família, a Igreja e grandes setores da vida econômica e cultural faziam parte deste domínio. (...) O Estado reconhecia que certos direitos sociais específicos preexistiam a ele, e sua intervenção só se justificava para preservá-los, promovê-los ou restaurá-los. (...) O nacional-socialismo aboliu essa distinção entre Estado e sociedade. (...)

O Estado como uma máquina. Essa concepção materialista reflete bem melhor a realidade nacional-socialista do que as teorias sobre a comunidade racial ou sobre o Estado-guia. Essa máquina, que controla todas as dimensões da vida dos indivíduos, é a mais terrível de todas, uma vez que — reconhecidamente eficaz e precisa — permanece totalmente imprevisível e caprichosa. Ninguém sabe, exceto talvez uns poucos "iniciados", quando e onde ela surgirá. Ela parece operar somente em virtude de leis que lhe são próprias e se adapta com suavidade e diligência à mais leve mudança na composição dos grupos dirigentes. Todas as atividades humanas são submetidas aos objetivos imperiosos de controle e de expansão.

A "criança mimada" do nazismo

Embora o nacional-socialismo tenha pretendido apresentar o Estado como uma estrutura dirigida pessoalmente por determinados indivíduos todo-poderosos, estes também são submetidos à mecânica do aparelho de Estado. Na realidade, não são Himmler, nem Göring, nem Ley [3] que atacam e comandam efetivamente, e sim a Gestapo, a Luftwaffe e a Frente de Trabalho. As diversas máquinas administrativas formam um aparelho burocrático que tanto serve aos interesses da indústria, quanto aos do exército e do partido. Não é demais repetir que o poder supremo não se concentra num certo industrial, general ou líder político, mas é exercido através dos grandes conglomerados industriais, do aparelho militar e da função política. O Estado nacional-socialista é, portanto, o governo de três hipóstases que são os poderes econômico, social e político.

Estes elementos concorrentes se encontram em torno de um objetivo comum preciso: a expansão imperialista em escala intercontinental. Para atingir esse objetivo, o regime exige a máxima exploração da força de trabalho, a existência de uma vasta reserva de mão-de-obra e a formação intelectual e física necessária à exploração de quaisquer novos recursos humanos e naturais conquistados. É então — quando o bom funcionamento do aparelho se apóia em fatores essencialmente subjetivos — que a opressão terrorista encontra seus limites. Um sistema social em plena expansão, fundado na maior eficiência tecnológica e industrial possível, só pode liberar, em nível individual, as competências e pulsões que a tornam possível. O ser humano, a mais preciosa fonte de energia e de poder, torna-se a criança mimada do regime nacional-socialista. (...)

O autoritarismo nacional-socialista

Tudo isso sem falar da filosofia individualista da grande época do liberalismo. Aliás, pela importância conferida ao indivíduo enquanto fonte primeira da força de trabalho, o nacional-socialismo tornou concretas certas tendências fundamentais da sociedade individualista. Segundo o princípio de base dessa sociedade, cada um recebe segundo o seu papel na divisão social do trabalho e todos os atos devem ser motivados pela busca do interesse pessoal. No entanto, o fato deste princípio ter feito crescer as desigualdades econômicas levou o governo liberal a disciplinar o livre jogo das forças econômicas.

Deve-se insistir no fato de que a organização nacional-socialista da vida pública e econômica é fundamentalmente diferente daquela que conhecemos ou preconizamos nos países democráticos. Enquanto nesses países a intervenção governamental tem por objetivo atenuar os efeitos negativos da concentração de poder econômico, a disciplina nacional-socialista tende a suprimir ou corrigir os mecanismos que poderiam impedi-la. [4] O autoritarismo nacional-socialista aboliu, em grande medida, inúmeros vestígios do passado liberal, que tinham por função impedir o exercício impiedoso do poder econômico. Ele se apóia no mercado, instituição através da qual, de modo cego e anárquico, a sociedade se dirige como um todo contra os interesses particulares. Ele critica o desperdício e o atraso provocados por uma competitividade descontrolada e a ineficiência de fábricas e oficinas tecnicamente inadaptadas. Ele subordina a rentabilidade da empresa individual à utilização máxima do aparelho industrial, que deve gerar sempre mais lucros para os que o controlam.

Individualismo competitivo

No contexto desta convergência de visões em torno do projeto de expansão imperialista, uma tal subordinação poderia passar por um triunfo do interesse geral sobre os particulares. No entanto, essa sociedade, cujo bem-estar social é um desafio, é uma sociedade fundada na continuação da pobreza e da opressão. Poderíamos comparar este sistema a um gigantesco complexo monopolista que, conseguindo controlar a competição econômica interna e dominando as massas trabalhadoras, prepara-se para conquistar o mercado mundial. O advento do III Reich é o do mais eficiente e impiedoso dos concorrentes.

O Estado nacional-socialista não é o contrário do individualismo competitivo, e sim o seu clímax. Libera as pulsões brutas de interesse pessoal que as democracias tentaram controlar e adaptar à exigência da liberdade.

Indivíduo e Estado de massas

Como qualquer sociedade individualista, a sociedade nacional-socialista funda-se na propriedade privada dos meios de produção e organiza-se, conseqüentemente, em torno de dois pólos que formam, por um lado, o pequeno grupo dos que controlam o processo de produção, e por outro, a grande maioria da população que, direta ou indiretamente, depende dele. Com o nacional-socialismo, é o estatuto do indivíduo enquanto maioria da população que sofre as transformações mais profundas. No entanto, mesmo aí, essa evolução concretiza — mas não contradiz — certas tendências da sociedade individualista.

Na base da pirâmide social, o indivíduo foi consideravelmente reduzido ao nível de simples elemento da "multidão". O III Reich é evidentemente um "Estado de massas", no qual as forças e interesses particulares fundem-se numa massa humana irracional habilmente manipulada pelo regime. [5] Mas essa massa não é unificada por uma consciência ou um interesse comum. Os seres que a compõem não buscam, individualmente, nada além de seus interesses pessoais mais elementares, e seu agrupamento só se torna possível na medida em que esse interesse se confunde com o instinto bruto da conservação, idêntico entre todos. A aglomeração dos indivíduos numa multidão exacerba sua singularidade e seu isolamento, ao invés de os abolir, e seu nivelamento não faz senão reproduzir o roteiro segundo o qual sua individualidade foi anteriormente modelada. (...)

A "gestão científica" do trabalho

O mesmo princípio de eficiência — que, no setor de negócios, conduziu a atividade industrial, proporcionando grandes lucros aos conglomerados mais poderosos — leva também à mobilização geral de todas as forças de trabalho (...). Na realidade, o exercício da força de trabalho é a única liberdade concedida ao indivíduo situado na base da pirâmide social. O bem mais precioso do povo é a sua "força de trabalho, do qual dependem a grandeza e o poder da nação. Preservá-la e fazê-la crescer é o primeiro dever do movimento nacional-socialista e a tarefa mais urgente das empresas alemãs, cuja sobrevivência e eficiência se apóiam ao mesmo tempo no número e no nível de qualificação dos trabalhadores". [6]

O nacional-socialismo elaborou um sistema complexo de educação moral, intelectual e física cujo objetivo é aumentar o rendimento do trabalho através dos métodos e técnicas científicos mais elaborados. O salário depende do rendimento pessoal do trabalhador. [7] Criam-se institutos de psicologia e de tecnologia para estudar os métodos mais apropriados à individualização do trabalho em oposição aos efeitos nefastos da mecanização. Fábricas, escolas, campos de treinamento, estádios, instituições culturais e de lazer transformam-se em laboratórios de "gestão científica" do trabalho.

Segurança, em lugar de liberdade

A mobilização total derruba a última muralha que o protegia da sociedade e do Estado: ela viola o domínio privado do seu lazer. Durante o período liberal, o indivíduo se diferenciava da sociedade pela distinção estabelecida entre seu trabalho e seu lazer. Sob o nacional-socialismo, esta separação — como aquela que existia entre a sociedade e o Estado — é abolida. (...) Arregimentando também o lazer, o nacional-socialismo atinge a última muralha protetora dos aspectos progressistas do individualismo. (...)

A mobilização geral da força de trabalho da força de trabalho não teria sido possível sem que o indivíduo recebesse uma compensação pela perda de sua independência. O nacional-socialismo oferece duas: uma nova segurança econômica e um novo privilégio. O fato de que a economia imperialista do III Reich tenha garantido o pleno emprego, oferecendo ao mesmo tempo uma segurança econômica elementar a seus cidadãos, é de uma importância crucial. A liberdade da qual gozava o indivíduo ao longo do período pré-fascista era, para a maioria dos alemães, contrabalançada por uma insegurança permanente. Desde 1923, a vontade consciente de instaurar uma sociedade realmente democrática tinha dado lugar a uma atmosfera penetrante de resignação e desespero. Não é de espantar, pois, que a liberdade tenha pesado tão pouco diante de um sistema que oferecia plena segurança a cada membro da família alemã. O nacional-socialismo transforma o sujeito livre em sujeito economicamente estável; a realidade da segurança econômica eclipsa o perigoso ideal da liberdade.

O dever do sacrifício

Essa segurança, porém, aprisiona o indivíduo ao aparelho mais opressivo que a sociedade moderna já conheceu. É claro que o terror aberto só atinge os inimigos, os "estrangeiros" e os que não podem ou não querem cooperar. Mas o terror surdo da vigilância e da mobilização geral, da guerra e da penúria, atinge todo o mundo. O regime não pode garantir uma segurança econômica que se possa tornar o fermento da liberdade. Não pode melhorar o nível de vida a ponto do indivíduo encontrar, por si próprio, as vias de manifestação de suas faculdades e satisfação de seus desejos. Uma tal emancipação seria incompatível com a dominação social exigida pela economia imperialista.

A retórica nacional-socialista em torno do dever do sacrifício ultrapassa a simples ideologia. Não se trata de um mero princípio propagandista, e sim de um princípio econômico. A segurança nacional-socialista está associada à penúria e à opressão. A segurança econômica, se é que se pode considerá-la uma compensação, deve ser acompanhada por uma forma qualquer de liberdade que o nacional-socialismo procura fornecer levantando alguns tabus sociais fundamentais. (...)

Diversões na prisão

O regime nacional-socialista revelou sua frustração aos que o sustentam (...). Eles foram sacudidos, traídos e frustrados em seus desejos e aptidões, mas são hoje os senhores e podem fazer o que seus antigos senhores raramente ousaram fazer. Ernest R. Pope cita uma passagem esclarecedora do programa oficial da famosa "Noite das Amazonas": "O que era anteriormente estritamente reservado e apresentado, longe dos olhares, a alguns iniciados cuidadosamente escolhidos, se oferece a todos neste grande dia na magia noturna do Parque de Nymphenburg, (...), nos adornos minimalistas das Musas, na liberdade nua de corpos maravilhosos. (...) Os que exultam, levados pelo entusiasmo alegre de um espetáculo de que participam e contemplam, são os jovens alemães de 1939...". [8]

Esse é o espetáculo que se oferece a quem for autorizado a divertir-se em sua prisão, a se liberar nos jardins de seus antigos reis, a participar e contemplar maravilhas antes proibidas. O charme, a beleza e a licenciosidade dos faustos nacional-socialistas carregam, em si próprios, os traços da submissão e da opressão. As belas jovens nuas e as paisagens coloridas por artistas nazistas respondem perfeitamente ao classicismo dos espaços de reunião, das fábricas, das máquinas e dos uniformes. Tudo se junta para mudar as pulsões de protesto e de revolta em desejo de unidade. Tudo contribui para compor a imagem de um regime que não só subjugou as zonas mais insubmissas e melhor protegidas da sociedade individualista, mas também persuadiu o indivíduo a apreciar e perpetuar um mundo no interior do qual ele não passa de um instrumento de opressão.

Traduzido por Marco Aurélio Weissheimer.



[1] Os argumentos que autorizam esta interpretação encontram-se na obra de Franz Neumann Behemoth. The Origin and Structure of National Socialism, ed. Oxford University Press; New York, 1942.

[2] Para a partilha do poder entre o aparelho político e o mundo dos negócios, ler, de Arkadji Gurland, Technological Trends under National Socialism, em Studies in Philosophy and Social Science, 1941, New York, nº 2, p. 245 e seguintes, e, na mesma revista, de Otto Kirchheimer, Changes in the Structure of Political Compromise, p. 275 e seguintes.

[3] Heinrich Himmler, chefe da SS e da polícia, tornou-se ministro do Interior; o marechal Hermann Göring foi, sucessivamente, primeiro-ministro da Prússia, comandante da força aérea e responsável pelo plano; Robert Ley dirigiu a Frente Alemã de Trabalho, antes de assumir a organização do partido nazista.

[4] Ler, de Arkadji Gurland, op. cit. , p. 247 e seguintes.

[5] Ler, de Emil Lederer, State of the Masses, New York, ed. Howard Fertig, 1940, p. 30 e seguintes.

[6] Ler, de Robert Ley, Anordnung über des Leistungskampf der deutschen Betriebe , em Deutsche Sozialpolitik, Bericht der Deutschen Arbeitfront, Zentralbureau, Sozialamt, Berlin, 1937, p. 14.

[7] Ibid. , p. 21.

[8] Munich Playground, New York, 1941, p. 40.


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