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GUERRA DA ARGÉLIA

Contra os imperialismos

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Frantz Fanon chegou à Argélia como médico psiquiatra. Colocando-se de imediato no centro dos problemas anticoloniais, e do que ele denomina a "alienação colonial", não se pouparia do engajamento nem da análise crítica

Marina da Silva - (12/10/2000)

Morto por leucemia em dezembro de 1961, exatamente há trinta e seis anos, Frantz Fanon não pôde comemorar a independência da Argélia (julho de 1962), pela qual teria dado sua própria vida. Originário da Martinica, este militante da descolonização é hoje praticamente ignorado pelo público francês. Permanece, contudo — como destaca Alice Cherki em seu Portrait (retrato) bem sutil e analítico — uma referência em toda parte no mundo. Pelo fato de ter-se engajado radicalmente, desde a primeira hora, ao lado dos argelinos, teria Fanon tocado numa ferida que incomodava a esquerda e os intelectuais franceses?

Lembremos que foi necessário esperar por 1960, pelo processo Jeanson e pelo manifesto dos 121, [1] para que surgisse realmente na França um movimento anti-guerra. É verdade que a militância anticolonialista na metrópole tinha que enfrentar uma forte repressão por parte do Estado, que não hesitara em institucionalizar a tortura na Argélia, embora a guerra tivesse começado em 1954; uma reação que tardou a chegar. Nas obras Les damnés de la terrre (Os condenados da terra) e Pour la révolution africaine (Pela revolução africana), Fanon dá uma explicação: Para os franceses, mesmo os melhores, a Argélia é a França. Além de que se tratava de uma luta armada total, com ações ofensivas e defensivas pouco portadoras de utopias, que incomodavam a boa consciência ocidental. Intelectuais e militantes políticos favoráveis à independência da Argélia desejariam uma guerra nobre. É num retorno à época e à realidade que se dedica metodicamente Alice Cherki.

Fanon chegou à Argélia como médico psiquiatra. No hospital os doentes eram divididos entre homens e mulheres metropolitanos, homens e mulheres nativos. A violência e a segregação da instituição contra os doentes são para Fanon a metáfora da realidade argelina. Colocando-se de imediato no centro dos problemas anticoloniais e do que ele denomina a "alienação colonial" — a classe operária ocidental, que não é isenta de racismo, é indiferente ao destino das colônias — Fanon não se pouparia do engajamento nem da análise crítica. Denunciaria "a boa consciência do universalismo ocidental", ao mesmo tempo que advertia para as incertezas do pós-independência, o confisco do poder, o atentado às liberdades, as rivalidades étnicas e religiosas (L’an V ou Mésaventures de la conscience nationale) (O ano V ou Percalços da consciência nacional).

Revolução, poesia e espiritualidade

Falecido em maio de 1999, Eqbal Ahmad — que se encontrou com Frantz Fanon em seu caminho — é ainda menos conhecido do público francês. Pouca coisa deste intelectual indo-paquistanês, também ligado a todas as lutas do século, foi traduzida para o francês. Em uma série de entrevistas realizadas por David Barsamian e com prefácios de Edward Saïd, para quem ele é "sem dúvida, o mais perspicaz e o mais inovador dos anti-imperialistas da Ásia e da África", o leque de conhecimentos de Eqbal Ahmad não passa despercebido.

Índia-Paquistão, Oriente Médio, América Latina, África, Bálcãs... Eqbal Ahmad refletiu sobre a situação mundial não só de um ponto de vista político mas também sociológico, cultural e em suas relações com a poesia e a espiritualidade. Ativista, ele esteve lado a lado com Malcom X, estava na linha de frente durante a guerra do Vietnã, ao lado dos argelinos em sua luta pela independência e na dos palestinos até hoje. As influências e os ensinamentos dialéticos entre as lutas de uns e de outros estão aqui, senão aprofundados, dada a forma limitadora da entrevista, em todo caso colocados em perspectiva.

Alice Cherki, Frantz Fanon, Portrait , ed. Seuil, Paris, 2000.

Eqbal Ahmad, Confronting Empire , ed. Pluto Press, Londres, 2000.

Traduzido por Gilvando Rios.

A "boa consciência" ocidental



[1] Ler, de Dominique Vidal, "Os ’traidores’ que salvaram a honra", Le Monde Diplomatique, setembro de 2000.


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