Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» Quando cientistas sociais assistem a Game of Thrones

» EUA x China: o que pode tirar o sono de Trump

» Como construir uma internet sem violência?

» A independência radical de Luiz Rosemberg Filho

» Uber: assim começam as greves do futuro

» O conto de fadas de Paulo Guedes

» Direita europeia: tudo, menos antissistema

» Como a “mão invisível” — e Paulo Guedes — nos afundam

» Julian Assange desaparecerá para sempre?

» “Austeridade”, Paulo Guedes e o verdadeiro fundo do poço

Rede Social


Edição francesa


» Enjeux et acteurs de la sécurité en Afrique

» Interventions militaires françaises en Afrique

» Fonds européen de développement

» Image de la France en Afrique

» Ressortissants français en Afrique

» Commerce françafricain

» Ainsi Hitler acheta les Allemands

» Armées oubliées de l'Asie britannique

» Leçons d'histoire

» Contre l'ordre impérial, un ordre public démocratique et universel


Edição em inglês


» Election-meddling follies, 1945-2019

» Volt, the party that undermines EU democracy

» Iran and the US, a tale of two presidents

» Terry Gou, Taiwan's billionaire and political wildcard

» Ecuador's crackdown on abortion is putting women in jail

» Traditions of the future

» Boondoggle, Inc.

» Sisi amends Egypt's constitution to prolong his presidency

» May: the longer view

» The languages of Ukraine


Edição portuguesa


» 20 Anos | 20% desconto

» EUROPA: As CaUsas das Esquerdas

» Edição de Maio de 2019

» Os professores no muro europeu

» Chernobil mediático

» Edição de Abril de 2019

» A nossa informação, as vossas escolhas

» O cordão sanitário

» O caso do Novo Banco: nacionalizar ou internacionalizar?

» Edição de Março de 2019


AIDS

O fator guerra

Imprimir
Enviar

Ler Comentários
Compartilhe

As guerras têm um papel fundamental na propagação do vírus da Aids. A complexa interação entre sabotagem econômica, destruição das infra-estruturas e banditismo cria bolsões nos quais as populações marginalizadas são expostas ao risco de infecção

Pilar Estébanez - (20/12/2000)

Os conflitos armados e as fraturas sociais que provocam têm um papel fundamental na propagação do vírus da Aids. É o caso de Moçambique, após muitos anos de guerra civil. A complexa interação entre a sabotagem econômica, a destruição das infra-estruturas e o banditismo cria bolsões nos quais as populações marginalizadas são bastante expostas ao risco de infecção pelo HIV, especialmente devido a contatos sexuais ocasionais. A situação se agrava ainda mais por causa do acesso limitado aos serviços sanitários e à assistência médica.

A precária situação das pessoas refugiadas e deslocadas, reunidas nos campos, contribui para a contaminação. Na verdade, não existem programas de pesquisa (principalmente para os doadores de sangue), enquanto a cirurgia e a medicina são praticadas sem esterilização (por ocasião do parto, por exemplo, o que aumenta a taxa de transmissão materno-infantil). Por outro lado, nessas zonas onde não existe o planejamento familiar, os homens rejeitam o preservativo. [1]

Ausência de prevenção

Ruanda constitui um exemplo significativo do papel da guerra na propagação da Aids. Os estudos [2] realizados antes da guerra demonstram que suas taxas de infecção para o HIV em zonas rurais eram muito inferiores às detectadas nas zonas urbanas: 1% das mulheres grávidas eram soropositivo nas zonas rurais, e 10% nas cidades. Depois do conflito e os deslocamentos de populações que ele provocou, estes índices aumentaram e, principalmente, se alinharam "por cima"(11%). As populações refugiadas tiveram seus índices de infecção multiplicados por seis. Calcula-se que estes tinham aumentado de 1,3% para 8,5% durante o período passado nos campos. Isso é o resultado das aglomerações e da violência sexual, mas também do fato do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (HCR) não ter publicado advertências nem ter realizado programas de prevenção; 3,2% das mulheres pesquisadas depois da guerra tinham sido violadas, metade dentre elas durante o conflito; 17% dessas mulheres eram soropositivo.

Em outros lugares do mundo, o caso dos soldados do Camboja ou de El Salvador são exemplos dos riscos decorrentes dos comportamentos sexuais ligados à guerra ou ao pós-guerra. No Camboja, um estudo realizado em outubro de 1998 pela Onusida revelou que 35% dos soldados tinham tido contatos com prostitutas durante o mês anterior.

Traduzido por Celeste Marcondes.



[1] Talvez numa tentativa ( consciente ou inconsciente) de compensar as perdas humanas provocadas pela guerra

[2] Ler, de Rashid Mkanje, "Report of the seminary on ONG action", African Medical and Research Foundation Health for All in Africa (Amref), Londres, 1996.


Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos