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EUA / ELEIÇÕES

Um "investimento" de US$ 4 bi

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Bill Gates, cujos "investimentos" políticos explodiram, teve o cuidado financeiro para que a Microsoft tenha, em qualquer das hipóteses, um amigo na Casa Branca — e a Casa Branca, um amigo na Microsoft

Loïc Wacquant, Serge Halimi - (24/12/2000)

Em material de financiamento eleitoral, não há, nos Estados Unidos, senão três regras que se devem conhecer: a inflação é galopante; a contribuição tem origem nas empresas; e não é desinteressada.

Como inflação galopante? A cada eleição, o recorde da eleição precedente é pulverizado: um bilhão de dólares em 1992, mais de dois bilhões em 1996, entre três e quatro bilhões em 2000. Apenas as duas convenções político-televisivas do verão passado — a republicana, na Filadélfia, e a democrata, em Los Angeles — custaram o dobro do orçamento anual do Mali (11 milhões de habitantes).

Bateu, levou...

O partido de Clinton e Gore esforça-se por se fazer passar por um partido de trabalhadores, mas foram as grandes empresas, e não os sindicatos, que entraram com 75,2% das contribuições arrecadadas pelo Comitê Nacional Democrata este ano. Gore foi particularmente mimado pela Occidental Petroleum, pela Bell South, pelos estúdios de Hollywood e pelo lobby dos advogados. Já Bush, é a menina dos olhos das empresas militares e das companhias de seguros. As multinacionais muitas vezes equilibram as suas aplicações, incapazes de optar pelo programa do partido que lhes será mais favorável: Bill Gates, cujos "investimentos" políticos explodiram, teve o cuidado financeiro para que a Microsoft tenha, em qualquer das hipóteses, um amigo na Casa Branca — e a Casa Branca, um amigo na Microsoft. Na Wall Street, Paine Webber prefere os republicanos, Goldman Sachs, os democratas, e o coração do grupo City balançou de tal forma que o banco ofereceu 567 mil dólares aos republicanos e 552 mil aos democratas. [1]

Generosidade desinteressada? A principal revista do grupo AOL-Time Warner concluiu suas pesquisas com a seguinte frase: "Washington nunca deixou de dar seu apoio aos que pagam, em detrimento dos que não pagam." [2] Os norte-americanos que garantem o essencial do financiamento eleitoral não representam senão 0,1% da população, mas com isso têm assegurado o acesso a quem decide — no governo, como no Congresso. As empresas de comunicação, que pretendem fazer investimentos da ordem de 200 bilhões de dólares nos próximos quatro anos, contribuíram com 27 milhões para os dois candidatos (60% dessa quantia para os democratas). Desejo de preparar o futuro? Presente por serviços prestados? Os cientistas políticos ainda não se decidiram.

A "liberdade de expressão"

Nos últimos dois anos, a riqueza média dos 400 norte-americanos mais ricos aumentou em 940 milhões de dólares por pessoa. Com isso, alguns deles encontraram na política uma boa maneira de se distraírem. Jon Corzine, ex-dono da corretora Goldman Sachs, e que antes dizia estar ocupado demais para votar, acaba de se oferecer uma cadeira de senador pelo Estado da Nova Jérsei. Custo: 60 milhões de dólares de sua fortuna pessoal. Trata-se de um recorde histórico — e que praticamente equivale ao que gastaram todos os candidatos franceses nas últimas eleições legislativas. Jon Corzine é democrata.

E esse dinheiro não é gasto à toa: 92% dos representantes (deputados) e 88% dos senadores eleitos são os que mais gastaram. Sua vantagem financeira muitas vezes se deve ao fato de serem candidatos à reeleição — reeleitos em 95% dos casos — e já terem prestado alguns serviços na área de tarifas. Graças a esse fluxo de dinheiro, este ano os norte-americanos puderam consumir um bilhão de dólares em informes publicitários suplementares. Hoje em dia, as eleições representam a terceira maior receita publicitária dos canais de televisão. Seria o acaso? Os meios de comunicação acham a política norte-americana muito democrática. Já a Corte Suprema, ela entende que uma legislação mais rigorosa dos gastos políticos poderia pôr em risco a liberdade de expressão.



[1] Ler o artigo de Randall Smith "Many on Wall Street Back Al Gore", The Wall Street Journal Europe, 26 de setembro de 2000.

[2] Time, 7 de fevereiro de 2000.


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