Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» Gilvan, trabalho e sono no capitalismo periférico

» Por um imposto global sobre as transnacionais

» As eleições 2020 na encruzilhada brasileira

» Cinema: Os últimos soldados da Guerra Fria

» A eleição mais árdua de Evo Morales

» Reviravolta no Oriente Médio: os curdos podem resistir

» Atualismo: assim percebemos o tempo no século XXI

» Porto ameaça cartão-postal amazônico

» Banco Mundial, parceiro de maldades de Bolsonaro

» Por que os EUA traíram a guerrilha curda

Rede Social


Edição francesa


» Un journalisme de racolage

» Une Europe des citoyens

» Ces dures grèves des ouvriers américains

» 17 octobre 1961 : rendez-vous avec la barbarie

» La gauche dans son ghetto, la droite à la radio

» Les médias américains délaissent le monde

» Fruits et légumes au goût amer

» La Bolivie dans l'étau du néolibéralisme

» La crise suscite de sérieux remous en Irak et relance la guerre froide en Proche-Orient

» Les rivalités entre Washington, Moscou et Pékin


Edição em inglês


» Iraq's demographic time bomb

» October: the longer view

» Socialism resurgent?

» Power to decide who's guilty

» East Germany's loyal returnees

» Ankara realpolitik

» South Africa's lands must be shared

» Turkey's rival Islamists

» Argentina's unlikely presidential duo

» Reversing the polarities


Edição portuguesa


» A crise catalã nasceu em Madrid

» Quantas divisões há entre os curdos?

» Edição de Outubro de 2019

» Estabilidade para quem?

» Washington contra Pequim

» Edição de Setembro de 2019

» Portugal não pode parar?

» Quem elegeu Ursula von der Leyen?

» Edição de Agosto de 2019

» Plural e vinculado à esquerda


MULHERES / PAQUISTÃO

Processo arquivado

Imprimir
enviar por email

Ler Comentários
Compartilhe

Após ter lavado sua honra com o sangue de sua filha, o pai de Samia Sarwar organizou uma campanha contra as advogadas que ousaram defendê-la. Fez questão de processá-las, acusando-as de verdadeiras responsáveis pela morte de sua filha...

Roland-Pierre Paringaux - (01/05/2001)

Casada contra sua vontade com um primo drogado e violento, com o qual teve dois filhos, Samia decidiu divorciar-se e refazer sua vida

Samia Sarwar foi assassinada no dia 6 de abril de 1999. Com 29 anos de idade e descendente de uma família rica, de Peshawar, Samia, que foi casada contra sua vontade com um primo drogado e violento com o qual teve dois filhos, decidiu divorciar-se e refazer sua vida. Seu pai, que é presidente da Câmara de Comércio de Peshawar, e sua mãe, que exerce a profissão de médica, nem querem ouvir falar do assunto. Sem levar isso em conta, ela se dirige a duas advogadas famosas de Lahore, Hina Jilani e Asma Jahangir. Passou a morar em um alojamento com suas crianças. Pouco depois, seus pais pediram para encontrá-la. Temendo morrer, Samia recusa-se. Sua mãe insiste. Finalmente, foi combinado um encontro no escritório de Hina Jilani. Mas somente com a mãe.

Na hora marcada, sua mãe chega apoiada no braço de seu chofer, sem a ajuda do qual, diz ela, já não consegue se locomover. Mal acabaram de entrar, o homem sacou uma arma e matou Samia com duas balas na cabeça. Em seguida, atirou na advogada e errou por pouco. Em sua fuga, o chofer, a mãe e um tio de Samia, que esperava do lado de fora, pegaram uma empregada como refém. O chofer foi morto pela polícia. A mãe e seu irmão juntaram-se ao pai, que esperava no hotel.

Ódio e ameaças

Na hora marcada, sua mãe chegou apoiada no braço do chofer, que sacou de uma arma e matou Samia com duas balas na cabeça. Depois, atirou na advogada

Dois anos depois, o processo foi praticamente arquivado. Os pais jamais se preocuparam. O pai — disse-nos Asma Jahangir — continua dirigindo a Câmara de Comércio de Peshawar e faz parte de várias comissões oficiais. Após ter lavado sua honra com o sangue de sua filha, organizou, com mullahs e chefes tribais, uma campanha virulenta contra as duas advogadas. Ele próprio fez queixa contra elas, acusando-as de verdadeiras responsáveis pela morte de sua filha... A questão suscitou uma moção do Senado condenando o costume do "crime de honra" e solicitando a prisão dos culpados. A maioria dos senadores votou contra...

Em seu escritório de Lahore, protegida por vigilantes armados, Asma Jahangir mostra-nos a correspondência de ódio e com ameaças que continua a receber. O corredor de seu escritório fica cheio de mulheres que os maus tratos e o desespero conduziram para lá. "As ameaças contra mim não são grande coisa se comparadas ao destino dessas mulheres. Elas correm o risco de morrer porque querem mudar de vida, enquanto os verdadeiros criminosos escapam à lei", diz essa mulher de aparência frágil.
(Trad. Wanda Caldeira Brant)




Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos