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A humanidade ameaçada

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Os novos questionamentos do humanismo não se manifestam, como no passado, por ditadores bárbaros ou déspotas esclarecidos; são articulados pela própria tecnociência, em suas novas condições, como se fossem o preço a pagar ou o risco a correr

Jean-Claude Guillebaud - (01/08/2001)

Estamos diante de um paradoxo espantoso. Este: uma lógica invisível, dia após dia, puxa-nos o tapete. Os valores, os conceitos, os objetivos democráticos que ostensivamente afirmamos, se vêem corroídos em seu significado mais profundo. De certa forma, vivemos e pensamos acima do vazio, mas esse vazio nos espera.

Acreditamos - legitimamente – nos direitos humanos. Estamos convencidos de que seu triunfo progressivo, no limiar de um novo milênio, anuncia menos o fim da história do que o fracasso (pelo menos provisório) das tiranias e das dominações. Adeus ao fascismo, ao comunismo, ao nazismo, adeus às ditaduras medíocres, adeus às reclusões coercitivas!

O humanismo em questão

Enquanto argumentamos e fazemos reflexões sobre a moral, murmuram-se às nossas costas questões essenciais que preferimos, no momento, não escutar

Ao mesmo tempo, partilhamos uma consciência mais aguda do que pode ser um crime contra a humanidade. Aquilo que acrescenta ao homicídio a negação do humano; aquilo que agrava o massacre pela mutilação do sentido. Essas questões ainda estão vivas em nossa memória. A fim de proibir para sempre essas chacinas e essa desolação sub-humana, para esconjurar o perigo, queremos preparar um novo direito internacional, com suas categorias penais e seus tribunais, esperando sua “polícia”. Tal é a doxa indefinidamente repisada.

Ora, às nossas costas, e enquanto argumentamos e fazemos reflexões sobre a moral, murmuram-se questões essenciais que preferimos, no momento, não escutar. O que, exatamente, é um homem? O que significa o conceito de humanidade? Essa idéia não seria passível de revisão ou evolução? Coisa incrível: esses novos questionamentos do humanismo não se manifestam, como no passado, por ditadores bárbaros ou déspotas esclarecidos; são articulados pela própria tecnociência, em suas novas condições. São mesmo correlatos às promessas estrondosas da dita ciência, como se fossem o preço a pagar ou o risco a correr. Questionar o homem para melhor o curar... Da biologia às neurociências, da genética à pesquisa cognitiva, é toda uma parte da inteligência contemporânea que trabalha, assim, para abalar as certezas a que ainda estamos agarrados.

Três revoluções simultâneas

Da biologia às neurociências, da genética à pesquisa cognitiva, uma parte da inteligência trabalha para abalar as certezas a que ainda estamos agarrados

Esse questionamento da humanidade do homem é incentivado pela indigência de nossa reflexão sobre a “oscilação do mundo1 ”. Na realidade, vivemos três revoluções/mutações simultâneas cujos efeitos se somam e se conjugam. A complexidade de seu entrelaçamento impede-nos, quase sempre, de perceber as novas injustiças ou dominações de que são, dramaticamente, portadoras.

Três revoluções? Primeiro, evidentemente, a revolução econômica global. Iniciada no século XIX, ganhou, imediatamente após o desmoronamento do comunismo, um novo impulso. Consiste no desaparecimento vertiginoso das fronteiras, na liberação das forças do grande mercado internacional, num recuo – e até num quase desaparecimento – dos Estados-nações enquanto reguladores do desenvolvimento econômico. Essa globalização faz o gênio (o mercado) sair da garrafa (a democracia) onde, até o presente, estava fechado e domesticado. Portadora de promessas incontestáveis, como era a revolução industrial, essa globalização contém muitas ameaças. A mais evidente é a erosão progressiva do político, isto é, da capacidade de atuar coletivamente sobre o curso das coisas.

O não-lugar dos novos impérios

Vivemos três revoluções /mutações simultâneas cujos efeitos se somam e se conjugam: a da globalização econômica, a da informática e a da genética

A segunda revolução é informática, ou digital. É concomitante à primeira. Seus principais efeitos apenas começam a se fazer sentir. Mas ainda? O termo “informática” foi forjado em 1962 por Philippe Dreyfus, a partir das palavras “informação” e “automática” e designa, também, a ciência em que se baseia essa tecnologia (computer science2 ). Ainda se está dando os primeiros passos de um gigantesco processo que modifica de modo profundo nossa relação com o tempo e com o espaço. Um e outro são, de certa forma, abolidos pouco a pouco, em benefício de uma dimensão espaço-temporal uniforme e desconcertante: o imediatismo virtual. O triunfo do digital, da Internet, do ciberespaço, faz emergir sob nossos olhos um “sexto continente” cuja particularidade consiste em ser não só des-territorializado, como também governado pelo imediatismo. Ora, hoje, é rumo a esse estranho continente que emigram uma após outra – e numa desordem perigosa – todas as atividades humanas: comércio, finanças, cultura, comunicação, economia etc.

O ritmo dessa migração se tornará ainda mais acelerado, ao sabor dos rápidos avanços tecnológicos. Por ora, os Estados-nações e a própria democracia estão extremamente despreparados diante desse novo continente digital, um continente de altos riscos, uma selva. Que peso terão nossas regras internacionais, nossas convenções comerciais, nossos códigos, se eles se dissolvem continuamente em um não-lugar planetário em que os mais fortes já estabelecem seus novos impérios?

“Tolos precavidos” e “idiotas declarados”

A complexidade do entrelaçamento dessas revoluções impede-nos de perceber as novas injustiças ou dominações de que são, dramaticamente, portadoras

A terceira revolução é genética. É amplamente governada pelos lobbies da biotecnologia e – essencialmente – mais submetida às leis do mercado que às da bioética.

Ora, analisemos separadamente essas três revoluções. Avaliamos as promessas e os perigos acarretados por uma ou por outra. Polemizamos a respeito de alternativas específicas, ligadas quer ao genético, quer ao livre comércio, ou a imprevistos digitais. Pode-se dizer que a totalidade do aparelho de reflexão – disciplinas universitárias, fracionamento do saber, especialização dos pesquisadores, dos divulgadores, dos jornalistas – é paralisada por essa fragmentação do pensamento. Os economistas refletem sobre a globalização e sua eventual regulamentação, mas raramente se arriscam, com suas ferramentas conceituais, no terreno das biotecnologias. Os geneticistas e os “eticistas”, por sua vez, nem sempre têm a competência – ou a audácia – requeridas para refletir sobre desregulamentações da economia ou sobre os furacões simbólicos induzidos pela revolução informática. Quanto aos informatas, estão ocupados demais com suas próprias pesquisas para se deterem sobre a perigosa prevalência do mercado ou sobre o aceleramento descontrolado das biotecnologias.

Pode-se constatar a mesma coisa a respeito dos meios de comunicação que regem a opinião pública. A economia, a informática ou a genética continuam sendo tratadas por diferentes editorias e acompanhadas separadamente. Descreve-se de bom grado – com um tiquinho de leviandade – a geografia “fascinante” desses novos territórios, mas sem muito interesse pelos caminhos que os ligam. No que diz respeito ao essencial, cada um permanece em seu feudo. Disso resulta uma dispersão do pensamento, uma compartimentação das idéias cujo efeito é infinitamente perigoso. Desgraçada política! Ao agir assim, para retomar a expressão já utilizada pelo grande teólogo alemão Karl Rahner, aceitamos continuar sendo “tolos precavidos”, “idiotas declarados” e, sem nos darmos conta, somos marcados por uma “douta ignorância3 ”.

A regressão histórica da “modernidade”

A globalização faz o gênio (o mercado) sair da garrafa (a democracia) onde, até os dias atuais, estava fechado e domesticado

Mas por que ? Porque, na verdade, essas três revoluções irmãs já constituem sistema e porque é uma frivolidade considerá-las separadamente. Começa-se apenas a compreender que os problemas principais, os riscos mais imediatos, os verdadeiros motivos de preocupação, não são obrigatoriamente ligados a uma ou outra dessas revoluções, e sim à interação das três, à interferência incontrolável de uma sobre a outra, à aceleração intempestiva de uma sob o efeito mecânico das duas outras. Para dar um exemplo: não são necessariamente as neurociências ou a genética que suscitam problemas, mas o incrível controle dessas duas disciplinas por lógicas financeiras fora de controle. Não é o mercado que é perigoso em si, é sua aplicação devastadora a certos setores – as biotecnologias – que deveriam pertencer exclusivamente à esfera da vontade política e da regulação moral.

Em outras palavras, a premissa econômica torna perigosa a premissa genética que, por sua vez, torna potencialmente temível a premissa informática. As recíprocas são verdadeiras. E assim por diante. Portanto, uma das tarefas mais urgentes que existem é a de unificar os conceitos. A violência das mudanças nos obriga, se quisermos compreendê-las e controlá-las, a uma transdisciplinaridade teimosa. Devemos, pois, aprender a pensar conjuntamente essas três mutações históricas. Sem isso, deixaremos que triunfe não a “modernidade”, mas a regressão histórica que, paradoxalmente, ela esconde.

As falsas fatalidades da regressão

A revolução informática está dando os primeiros passos de um gigantesco processo que modifica de modo profundo nossa relação com o tempo e com o espaço

Os ventos, tão modernos na aparência, acarretam, na realidade, regressões evidentes. Na pós-modernidade, exaltada pela mídia, há mais arcaísmo do que se imagina! A maioria dos mal-entendidos decorre disso. Entrando num novo milênio, atordoados por invenções e por tecnologias, conseguimos, apesar de tudo, reconhecer nelas, fugazmente, alguns aspectos do... século XIX. Não gostamos muito de falar a esse respeito porque, instintivamente, recusamo-nos a acreditar que a história possa regredir. Preferimos louvar a tecnociência triunfante – suas promessas, seus avanços, suas extravagâncias – a considerar a hipótese de uma regressão histórica qualquer que a acompanhe. Estamos equivocados. A história, mesmo a científica, nunca avança com a majestade de um rio. Ela é sinuosa também, e às vezes tropeça. Gagueja ou se recolhe. Tem suas astúcias, dizia Hegel. O fato é que, na desordem das revoluções contemporâneas, alguns remanescentes nos fazem voltar, para valer, ao século XIX.

Deixado por sua conta e aplicado à espécie humana, o projeto tecnocientífico acaba por reconstituir modos de dominação, justificar renúncias democráticas e fundar um anti-humanismo que são o eco direto de um passado reconhecível. Quanto a esse assunto, a estranheza da regressão torna-se propriamente surpreendente. Colonialismo, racismo, escravatura, eugenia, niilismo: eis que nos aparecem novamente – sob o verniz de uma maquiagem new look – configurações morais, projetos ou falsas fatalidades que, de modo evidente, nos fazem regredir.

A nova dependência do Terceiro Mundo

O triunfo do digital, da Internet, do ciberespaço, faz surgir sob nossos olhos um “sexto continente” des-territorializado e governado pelo imediatismo

A hipótese da clonagem humana não reinventa as categorias mentais da escravidão? A genética – com seus quocientes e sua suposta “normalidade” – não corre o risco de engendrar um racismo de terceiro tipo? As biotecnologias já não estão incentivando uma reconquista colonial? Para tomar esse último exemplo, é claro que uma nova prática mundial se organiza e não sem fazer lembrar, mutatis mutandis, a lógica conquistadora de outrora. Na realidade, uma gigantesca corrida aos genes começou em todo o planeta. Ela envolve algumas grandes empresas que procuram apropriar-se, graças ao patenteamento do ser vivo, do gene raro, da bactéria útil, da semente eficaz, da espécie animal preciosa. O que ainda ontem fazia parte da bela gratuidade do mundo (as res nullius do direito romano), ou provinha do esforço acumulado dos homens ao longo de várias gerações de camponeses, torna-se atualmente privatizável. Trata-se de se repartir, o mais rápido possível, esse novo eldorado genético, dispondo-o em quadradinhos delimitados por barreiras jurídicas, por perímetros privativos, por carimbos comerciais etc.

Os países do ex-Terceiro Mundo começam a compreender a nova dependência que os ameaça. Não são mais suas matérias-primas que correm o risco de ser objeto de um novo pacto colonial: é o patrimônio imaterial de seus genes.

Isso é apenas um exemplo. Emblemático da urgência diante da qual nos encontramos: elaborar uma crítica lúcida, racional, combativa dessas três revoluções combinadas que, sem isso, poderiam acabar não só com o processo democrático, mas com a humanidade do homem. (Trad.: Iraci D. Poleti)




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