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O novo xadrez no Oriente Médio

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Uma visão reveladora da corrente política e social que se denomina “islamita”, e de que o Hamas é a expressão palestina, é a de que o que pode mobilizar o mundo árabe e muçulmano é a religião, e não as “revoluções”

Paul-Marie de La Gorce - (01/09/2001)

A segunda Intifada levará à guerra? Todos os dirigentes políticos do Oriente Médio temem uma explosão regional. Esse risco, que é o pesadelo de muitos, é também a esperança daqueles que supõem que o vigor e a combatividade da resistência palestina vão sacudir o mundo árabe e muçulmano, a ponto de provocar o surgimento de um novo contexto político e estratégico mais desfavorável a Israel.

Enquanto a engrenagem da Intifada e da repressão israelense paralisou todos os esforços que visavam a um cessar-fogo real, avalia-se na Palestina a determinação dos que querem continuar buscando, durante todo o tempo que for necessário, uma prova de força que obrigue Israel a retomar a negociação política, e a angústia dos que querem evitar a ruína da Autoridade Palestina e o naufrágio de tudo o que foi conseguido desde os acordos de Oslo.

Um cessar-fogo imprevisível

Um dirigente do Hamas diz que “o objetivo é provocar um choque muito forte no mundo árabe e muçulmano para que, finalmente, se mobilizem em nosso favor”

Um dos principais dirigentes do Hamas afirma, sem rodeios: “Uma vez que o impasse total do ‘processo de paz’ mostrou que era preciso retomar a luta armada, esta não deve mais ser abandonada; ela não triunfará, naturalmente, se for restrita ao território palestino, mas nosso objetivo é provocar um choque muito forte em todo o mundo árabe e muçulmano para que, finalmente, ele se mobilize em nosso favor”. Se é feita uma objeção, alegando que nenhum país da região parece disposto a entrar, mesmo que de maneira indireta, em um conflito com Israel, imediatamente vem a resposta: as opiniões públicas, as populações, as massas, é que vão obrigar os governantes a saírem de sua indiferença e vão encontrar seus próprios meios de ação, para socorrer a resistência palestina ou para ameaçar diretamente o Estado de Israel. E se é feita outra objeção, alegando-se que a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), no final da década de 60 e início da década de 70, esperava que ocorressem “revoluções” em função de seu apelo e de seu exemplo, e que essa espera foi em vão, a resposta é, desta vez, reveladora da corrente política e social que se denomina “islamita” e de que o Hamas é simplesmente a expressão palestina: o que pode mobilizar o mundo árabe e muçulmano é a religião, e não as “revoluções”.

A esse discurso corresponde, em primeiro lugar, o dos dirigentes do Fatah e é também mantido tanto por um dos principais dirigentes da atual Intifada, Marwan Bargouthi, quanto pelos responsáveis pela segurança da faixa de Gaza, Mohamed Dahlan, e da Cisjordânia, Jibril Rajoub: após quase um ano de Intifada, dirigida pelo Fatah, mas de que outras organizações palestinas participaram, está fora de questão admitir que centenas de palestinos foram mortos e milhares de outros foram feridos por nada. Nenhum cessar-fogo pode, então, ocorrer sem uma contrapartida política clara e objetiva. Já não são admissíveis as prisões preventivas de várias centenas de dirigentes e de militantes do Hamas e do Jihad islâmico, ainda que seus métodos sejam formalmente rejeitados pelo Fatah. Se esses mesmos responsáveis pela segurança já realizaram tal tipo de prisões, foi porque havia, na época, a esperança de construir um Estado palestino viável; hoje não há outro horizonte senão um combate impiedoso à repressão israelense.

Operação “neutralizar e destruir”

Para os dirigentes da atual Intifada, está fora de questão admitir que centenas de palestinos foram mortos e milhares de outros foram feridos por nada

Quanto ao discurso da equipe que rodeia Yasser Arafat e, em particular, dos encarregados das negociações, desde os acordos de Oslo até as reuniões de Taba, em janeiro de 2001 (leia, nesta edição, a íntegra do “Documento de Taba”), pode ser resumido da seguinte forma: tudo deve ser tentado para salvar as conquistas dos últimos anos e, sobretudo, a existência local, no próprio centro do território palestino, de um governo, mesmo que não tenha esse nome, que se impôs à comunidade internacional como único interlocutor real e que, livre das submissões do exílio, ainda dispõe de um apoio popular. Foi isso que levou Yasser Arafat e seus conselheiros a continuarem infatigavelmente o diálogo com seus interlocutores norte-americanos e, secundariamente, israelenses. No dia 15 de junho de 2000, essas conversações pareciam prestes a resultar em uma série de “seqüências” – de um cessar-fogo concreto, com medidas de “resfriamento” e, em seguida, de confiança, até, a partir de outubro, em uma retomada das negociações políticas que, teoricamente, poderia levar a um acordo, no mais tardar, no mês de junho de 2001. Todos essas iniciativas desmoronaram-se sob o choque de enfrentamentos sangrentos.

A guerra reiniciada na Palestina pode, a qualquer instante, ampliar-se. Esse recrudescimento poderia ser brusco e radical: uma operação israelense de grande envergadura já foi programada pelo comandante do exército. A Autoridade Palestina seria neutralizada e destruída, e somente subsistiria a autonomia parcial da aglomeração de Gaza e de alguns cantões na Cisjordânia, para os quais o governo israelense, apesar de todos os fracassos anteriores, acredita poder encontrar, in loco, novos interlocutores. Todavia, levando em consideração objeções norte-americanas, o governo israelense optou por proceder gradativamente à destruição do aparelho político e militar da resistência palestina, visando quase diariamente alvos definidos. Mas, quer seja ela sustada aí, quer se retome uma opção mais radical, essa guerra já comporta riscos de se ampliar.

Irritação norte-americana

Uma operação israelense de grande envergadura já foi programada pelo comandante do exército: a Autoridade Palestina seria neutralizada e destruída

Os Estados Unidos preocupam-se com isso e procuram evitar, a qualquer preço, novas explosões que recoloquem em questão a ordem política, estratégica, econômica, estabelecida na região desde a guerra do Golfo e que, fundamentalmente, obedece aos seus interesses. O objetivo não mudou, mas o novo governo do presidente George W. Bush deve levar em conta certas conseqüências do fracasso final do governo Clinton em seus esforços para que houvesse um acordo israelense-sírio, assim como para que as negociações entre israelenses e palestinos tivessem êxito. Mais ninguém, nesse governo, contesta que os Estados Unidos devam imperativamente tratar a questão israelense-palestina, pois seria dramática a extensão do conflito a toda a região.

Vários dos dirigentes norte-americanos encarregados da questão não escondem a irritação que lhes causa o comportamento do primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon. A ofensiva que ele dirige cotidianamente para infernizar a Autoridade Palestina e a própria pessoa de Yasser Arafat vai diretamente contra o que a diplomacia norte-americana se esforça em fazer. Aliás, o diretor da CIA, George Tenet, durante seu primeiro encontro com Yasser Arafat, em meados de junho, insistiu em lhe garantir, desde o primeiro contato, que os Estados Unidos sempre o consideraram seu único interlocutor... Também os porta-vozes do Departamento de Estado, em Washington, mediante solicitação do secretário de Estado, Colin Powell, condenaram veementemente a continuação da implantação de novas colônias nos territórios palestinos e a entrada espalhafatosa das forças israelenses nas zonas autônomas.

Ofensivas diplomáticas

Vários dos dirigentes norte-americanos encarregados da questão não escondem a irritação que lhes causa o comportamento do primeiro-ministro israelense

Foram exercidas pressões muito fortes, por exemplo, para que fosse adiada a operação prevista com o objetivo de neutralizar e acabar com a Autoridade Palestina. Todavia, não se deve deduzir daí que os Estados Unidos estejam dispostos a utilizar todos os meios de que dispõem para modificar o curso da política israelense: como todos os seus antecessores, o presidente George W. Bush deve levar em conta muitos outros fatores na gestão da crise do Oriente Médio. Se não bastasse o seu fraco desempenho na eleição de novembro de 2000, o estado de espírito que prevalece no Congresso não lhe é favorável.

Desde já, a política externa norte-americana vê seus objetivos comprometidos pelo desenvolvimento da crise israelense-palestina. É o caso da questão iraquiana. O novo governo havia previsto um remanejamento profundo do sistema de sanções: o regime de importações seria amplamente flexibilizado e, em troca, o controle do comércio exterior do Iraque seria também reforçado, inicialmente por meio da tentativa de boicote dos fluxos financeiros, mas também por meio da vigilância direta das trocas comerciais nas fronteiras do país. A diplomacia norte-americana parecia prestes a obter ganho de causa. No Conselho de Segurança, a França aderiu a seus projetos – em troca do que perdeu imediatamente a posição privilegiada que detinha em suas relações econômicas com Bagdá – assim como a China, determinada a resolver, o mais rápido possível, as longas negociações sobre sua entrada na Organização Mundial do Comércio. Mas a Rússia opôs o seu veto, principalmente devido à recusa bastante clara por parte dos vizinhos do Iraque, de se prestarem ao sistema proposto por Washington: nem a Síria, nem sequer as monarquias da península arábica, podiam correr o risco da acusação de se prestarem ao jogo da política norte-americana num momento em que o conflito israelense-palestino atinge um nível como o atual.

O recrudescimento do “terrorismo”

A política externa norte-americana vê seus objetivos comprometidos pelo desenvolvimento da crise israelense-palestina. É o caso da questão iraquiana

A partir de agora, o governo norte-americano deverá enfrentar um fluxo contínuo de queixas e de críticas, proveniente de seus interlocutores árabes, até recentemente seus melhores aliados. O adiamento da visita, a Washington, do príncipe Abdallah Ben Abdel Aziz, herdeiro do trono da Arábia Saudita, é simplesmente o sinal mais visível disso. Os regimes árabes “conservadores”, precisamente porque sempre se apoiaram em suas tradições religiosas, devem levar em consideração, acima de qualquer outra coisa, o destino de Jerusalém.

Junte-se a isso um dos problemas aos quais o governo norte-americano dedica mais atenção e esforços, bem mais do que se acredita, geralmente, na Europa: o do terrorismo de origem árabe e muçulmana e das ações que este realiza contra os interesses dos Estados Unidos. As advertências feitas a norte-americanos que residem ou passam pela região, o fechamento provisório da embaixada norte-americana no Iêmen, os fracassos de todas as tentativas conduzidas para neutralizar ou capturar Oussama Ben Laden1, são apenas alguns indícios de uma preocupação que atualmente é primordial: enfrentar o recrudescimento provável de um “terrorismo” dirigido especificamente contra interesses norte-americanos e que receberia grande estímulo de um agravamento brutal do conflito israelense-palestino.

Uma “bela realização do sionismo”

No dia 10 de julho, durante uma visita às colinas do Golan, Ariel Sharon declarou que era preciso tornar “irreversível” que elas pertenciam a Israel

Nenhum dos governos da região quer ser arrastado para a guerra, mas como escapar dela? Em Damasco, nas reuniões de cúpula retomam-se constantemente as razões do fracasso do encontro dos presidentes Clinton e Hafez El-Assad no dia 26 de março de 2000, em Genebra. O ministro das Relações Exteriores, Farouk El Charah, não se cansa de lembrar as doze chamadas telefônicas sucessivas do presidente Clinton ao presidente sírio, com o objetivo de convencê-lo a encontrá-lo, quando não havia sido preparada seriamente uma reunião que deveria ser decisiva. E ele continua a se interrogar sobre os motivos que teriam levado o presidente norte-americano a endossar uma proposta israelense – atribuindo ao Estado de Israel a soberania sobre uma pequena faixa de terra ao longo das margens do lago Tiberíade, embora a Síria tivesse reiterado que as negociações não se deveriam completar sem retomar o que havia sido conquistado em negociações anteriores, particularmente o compromisso do primeiro-ministro Itzhak Rabin, com uma desocupação total dos territórios ocupados em junho de 1967.

Atualmente, em Damasco, há a convicção de que não há a menor razão para esperar um acordo dentro de um prazo previsível. As declarações do primeiro-ministro Ariel Sharon, no dia 10 de julho de 2001, durante uma visita às colinas do Golan, confirmam isso. Ele declarou que era preciso tornar “irreversível” que elas pertenciam a Israel e, particularmente, que era preciso “desenvolver o Golan, sua população judia, suas colônias, de modo a que isso se torne uma realidade irreversível”, chegando até a designar essa colonização como “uma das mais belas realizações e êxitos da história do sionismo”.2

As iniciativas da Síria

É nesse contexto que é preciso entender a alteração da política do presidente Bachar El Assad sobre a questão libanesa. Quando foi encarregado disso, por seu pai, procurou fazer um acordo direto com o presidente libanês, Emile Lahoud. Esperava que este último exercesse plenamente sua autoridade, apoiando-se ao mesmo tempo na comunidade maronita, da qual é originário, nos instrumentos que lhe valem suas ex-funções de chefe do Estado-Maior do exército, e na influência que a própria Síria poderia exercer junto a outras comunidades. Mas uma coalizão de todas as outras forças políticas tradicionais deu-lhes a vitória nas últimas eleições legislativas, e as conseqüências disso, em Damasco, foram graves. Por sua vez, o primeiro-ministro libanês, Rafik Hariri, de volta ao poder, continuou convencido de que, se conseguisse o relaxamento da influência demasiado direta da Síria sobre os assuntos internos de seu país, não seria o caso de entrar em um confronto. O vice-presidente sírio, Abdelhalim Khaddam, novamente encarregado da questão libanesa, preparou o acordo que redefiniu as relações entre os dois Estados, reduzindo fortemente o dispositivo militar sírio em território libanês.

O presidente Bachar El Assad aproveitou a oportunidade de uma reunião em Amã para estabelecer boas relações pessoais com Yasser Arafat

Simultaneamente, o presidente Bachar El Assad aproveitou a oportunidade de uma reunião de cúpula árabe, em Amã, para estabelecer boas relações pessoais com o presidente palestino, Yasser Arafat, sem, no entanto, associar suas políticas, importantes para ele e para seu pai, de não expor a Síria às conseqüências imprevisíveis e múltiplas do conflito israelense-palestino. Finalmente, o presidente sírio manteve e até desenvolveu as disposições tomadas para facilitar as trocas de todas as naturezas com o Iraque, através da fronteira entre os dois países, inclusive por meio da utilização, cuidadosamente dosada, do oleoduto que atravessa o território sírio e permite o escoamento de uma parte das exportações iraquianas de petróleo. Dessa maneira, a Síria impediu os projetos norte-americanos de um novo sistema de sanções contra o Iraque. Mas se absteve de qualquer acordo político com Bagdá e de qualquer apoio à própria pessoa do presidente Saddam Hussein.

O isolamento do Egito

Este último não acredita mais, há muito tempo, que seja possível obter a suspensão pura e simples do bloqueio imposto pelos Estados Unidos e seus aliados. Portanto, seu objetivo é “contorná-lo” e, dessa maneira, fazer com que ele perca parte de seu efeito nocivo sem, é verdade, atenuar os sofrimentos do povo, mas também sem aceitar um controle físico e permanente por parte da comunidade internacional – ou seja, dos Estados Unidos – sobre o território. Para o conseguir, Saddam Hussein jogou, com êxito, com o interesse dos países vizinhos. Ao favorecer o desenvolvimento das trocas com o Iraque, a Jordânia obteve um lucro avaliado em 600 milhões de dólares, a Síria, de mais de 800 milhões de dólares, a Turquia, de um bilhão de dólares. Esta, sempre vigilante em relação às zonas curdas do norte do Iraque, quis também conservar sua liberdade de ação para destruir as bases de sustentação do Partido Comunista Curdo (PKK) ali existentes, sem comprometer suas relações atuais, principalmente econômicas, com o regime de Bagdá. O Irã, por sua vez, não quis se prestar ao jogo desejado pelos Estados Unidos, apesar de suas relações com o Iraque também continuarem ruins.

Nesse novo contexto regional, o Egito dá a impressão de estar em uma situação econômica desesperadora. Tendo estado sempre à frente, na busca de um acordo, utilizando incansavelmente suas relações pessoais com Yasser Arafat, o presidente Mubarak vê seus esforços arruinados. No plano interno, os resultados limitados do desenvolvimento econômico e a atrofia de todas as forças políticas deixam o campo livre para a oposição islamita mais rigorosa. Somente um sucesso espetacular no exterior – ou seja, na prática, um acordo de paz israelense-palestino – poderia mudar esse rumo inquietante. A imprensa egípcia, cedendo à irritação que parece ganhar o poder, lança-se mais do que nunca, em campanhas anti-semitas, que revelam, sobretudo, a impotência para agir. O próprio presidente egípcio chegou a admitir seu desespero, ao declarar no dia 18 de julho último: “Com Sharon, não há solução, é um homem que só conhece assassinatos, violência e guerra.2
(Trad.: Wanda Caldeira Brant)




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