Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» Uber: assim começam as greves do futuro

» O conto de fadas de Paulo Guedes

» Direita europeia: tudo, menos antissistema

» Como a “mão invisível” — e Paulo Guedes — nos afundam

» Julian Assange desaparecerá para sempre?

» “Austeridade”, Paulo Guedes e o verdadeiro fundo do poço

» O que aprender com Cristina Kirchner

» Previdência: três verdades que o governo esconde

» A Tecnologia da Adaptação — e como vencê-la

» O Irã e os idiotas úteis… a Washington

Rede Social


Edição francesa


» Fonds européen de développement

» Image de la France en Afrique

» Ressortissants français en Afrique

» Commerce françafricain

» Ainsi Hitler acheta les Allemands

» Armées oubliées de l'Asie britannique

» Leçons d'histoire

» Contre l'ordre impérial, un ordre public démocratique et universel

» DSK : flamme bourgeoise, cendre prolétarienne

» Naissance de l'Europe SA


Edição em inglês


» Election-meddling follies, 1945-2019

» Volt, the party that undermines EU democracy

» Iran and the US, a tale of two presidents

» Terry Gou, Taiwan's billionaire and political wildcard

» Ecuador's crackdown on abortion is putting women in jail

» Traditions of the future

» Boondoggle, Inc.

» Sisi amends Egypt's constitution to prolong his presidency

» May: the longer view

» The languages of Ukraine


Edição portuguesa


» 20 Anos | 20% desconto

» EUROPA: As CaUsas das Esquerdas

» Edição de Maio de 2019

» Os professores no muro europeu

» Chernobil mediático

» Edição de Abril de 2019

» A nossa informação, as vossas escolhas

» O cordão sanitário

» O caso do Novo Banco: nacionalizar ou internacionalizar?

» Edição de Março de 2019


DOSSIÊ RIQUEZA

A febre e o termômetro

Imprimir
Enviar

Ler Comentários
Compartilhe

Longe de ser fruto do acaso ou da negligência administrativa, o empobrecimento estatístico comprova, na realidade, uma profunda transformação da demanda social para conhecer os números da desigualdade

Thomas Piketty - (01/09/2001)

No que se refere a altas rendas e grandes patrimônios, os dados relativos ao final do século XIX e início do século XX disponíveis no departamento público responsável pelas estatísticas na França são mais pobres do que os que abrangem o período entre-guerras e as décadas de 1950-1960. E talvez até mais pobres do que os referentes aos primeiros anos do século XX. Atualmente, a administração francesa já não produz uma estatística constante sobre heranças (embora o fizesse de 1902 a 1964, publicando os resultados de exames extremamente minuciosos das declarações, principalmente em relação às maiores heranças) e as estatísticas anuais elaboradas a partir das declarações de renda desde 1915 já não permitem acompanhar com a mesma precisão a evolução dos altos rendimentos (essas estatísticas, além disso, deixaram de ser publicadas). Os impostos sobre a fortuna, criados e aplicados nas décadas de 1980-1990 (IGF, e depois ISF) não mudaram em nada esse estado de coisas. Atualmente, é impossível para o cidadão comum saber como evoluem o nível e a distribuição dos patrimônios que pagam impostos. (...)

Flexibilização na cobrança

A figura do capitalista, ou de quem vive de rendas, tão presente na sociedade do início do século, cedeu lugar, desde 1945, à do executivo

Este empobrecimento estatístico, longe de ser fruto do acaso ou da negligência administrativa, comprova, na realidade, uma profunda transformação da demanda social para conhecer os números da desigualdade: de uma visão centrada nas desigualdades patrimoniais e na existência de grandes fortunas1, passou-se a uma visão baseada nas categorias sócio-profissionais, que atribui apenas um lugar simbólico às altas rendas e aos detentores de grandes patrimônios. A figura do capitalista, ou de quem vive de rendas, tão presente na sociedade do início do século e no período entre-guerras, cedeu lugar, desde 1945, à do executivo. Essa evolução resulta da tomada de consciência coletiva do colapso sofrido pelos grandes patrimônios (leia, nesta edição, o artigo “As desigualdades de renda”, de Thomas Piketty): nitidamente menos numerosas, as pessoas que vivem às custas desses grandes patrimônios (...) saíram, em grande parte, do cenário social. Mas essa evolução de representações, embora tenha certos fundamentos objetivos incontestáveis, não deixa de ser excessiva: os grandes detentores de patrimônio nunca desapareceram por completo e, principalmente com os novos métodos estatísticos, tornou-se extremamente difícil avaliar um eventual retorno às realidades do passado.

As mudanças na legislação fiscal agravam essas dificuldades: a multiplicação de regimes de imposição contrária, em favor dos rendimentos do capital, torna cada vez mais difícil levar em consideração todos os rendimentos das pessoas em questão (alguns dos quais nem precisam mais ser declarados). Num primeiro momento (...), a flexibilidade das condições de cobrança de impostos sobre os rendimentos do capital torna-se admissível, e mesmo desejável, pois não se trataria de conceder liberalidades às grandes fortunas, aniquiladas pelas crises, e sim de favorecer a constituição de novas classes de poupadores e acelerar a reconstrução. Mas essa evolução continuou nas décadas de 1980-1990 e nada indica que tenha terminado (pensamos, por exemplo, na flexibilidade da fiscalização dos stock-options, decidida pelo governo Jospin no começo do ano 2000). Essa segunda fase não tem qualquer justificativa econômica e decorre principalmente da concorrência fiscal a que se entregam os vários países desenvolvidos.
(Trad.: Celeste Marcondes)




Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos