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DOSSIÊ RIQUEZA

A família Seillière

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A amizade prolonga-se por alianças matrimoniais. Irmãs Demachy casaram-se com irmãos Seillière. De um dos casamentos, nasceu Jean Seillière, que se casou com Renée de Wendel. As grandes famílias são um pequeno mundo onde a teia de alianças é rigorosa

Michel Pinçon , Monique Pinçon-Charlot - (01/09/2001)

Os Seilllière, os Wendel, os Schneider e os Demachy são aliados, pois o sistema de parentesco redobra e acomoda a rede de seus vínculos econômicos

Ernest-Antoine Seillière vem de uma longa linhagem e detém interesses industriais e financeiros em comum com os Wendel, os Schneider e os Demachy, dos quais a família Seillière é uma aliada. Isso porque o sistema de parentesco redobra e acomoda a rede de seus vínculos econômicos.

A história moderna da família começa com Florentin Seillière, um dos patrocinadores da construção da usina metalúrgica real de Creusot – cidade fundada, em 1782, por François-Ignace Wendel, neto de Jean Martin, que era dono das fundições de Hayange desde 1704. Em seguida, um Schneider – Adolfo – entra, com 19 anos, para o banco Seillière, fundado em 1807 e que, na década de 1870, se funde com o banco Demachy. A nova instituição financeira encontra-se, portanto, em posição de intermediar com relação à empresa Wendel et Cie., na qual os Wendel e os Schneider têm participação por igual. Com o tempo, os Wendel passaram a explorar o território da Lorena, enquanto os Schneider desenvolviam a usina de Creusot.

Um pequeno mundo de grandes alianças

Em 1911, um golpe teatral: os Seillière retiram-se do Banco Demachy, resultado de uma fusão na década de 1870, que fica sob influência dos Schneider

Em 1911, um golpe teatral: os Seillière retiram-se do Banco Demachy, que fica sob influência dos Schneider. No entanto, como escreveu o próprio Ernest-Antoine, “as relações de amizade com os Schneider continuariam tão fortes quanto antes, com ambas as famílias fazendo freqüentes recepções uma à outra e os Seillière participando constantemente das luxuosas recepções e caçadas organizadas pela sra. Henri Schneider em sua propriedade na Rivaulde,1.

Como é de praxe, relações de amizade prolongam-se por alianças matrimoniais. Duas irmãs Demachy casaram-se com dois irmãos Seillière. De um desses casamentos, nasceu o barão Jean Seillière, que se casou com Renée de Wendel. Desse casamento nasceria Ernest-Antoine. Por seu lado, Jean Schneider, ao casar com Françoise de Curel, descendente dos Wendel, acabaria por reunir as famílias já associadas no mundo dos negócios2. Esse sistema de alianças ainda se ampliaria mais, envolvendo as famílias dos duques de Cossé-Brissac e Lévis-Mirepoix, os Ganay, os Faucigny-Lucinge, os Breteuil, os Brantes, os Montalembert, os La Panouse, os Noailles, os Montrémy... Para citar apenas alguns nomes conhecidos, e muitas vezes da nobreza. As grandes famílias constituem um pequeno mundo onde a teia de alianças é muito rigorosa.

Uma elite consciente de si própria

Ernest-Antoine Seillière ocupa uma posição estratégica. Preside as empresas holding que constituem a fortuna dos 450 herdeiros da família Wendel

No centro dessa engrenagem, Ernest-Antoine Seillière ocupa atualmente uma posição estratégica. Preside aos destinos das empresas holding (Marine-Wendel et CGIP, Compagnie générale d’industrie et de participation) que constituem a fortuna dos cerca de 450 herdeiros da família Wendel. Ou seja, um patrimônio de 4.795 milhões de francos (cerca de 1,7 bilhão de reais), o que significa, em média, mais de 10 milhões de francos (3,5 milhões de reais) por herdeiro3. Um modo de gestão coletivo, com base numa definição bastante ampliada da família, bem à imagem do meio social que garante o seu poder também sobre a densidade e solidez das redes que controla. Essas redes não são o equivalente hobbies, e sim a afirmação de uma nobreza do dinheiro. Aliás, a atribuição de títulos de nobreza, que eram possíveis até o Segundo Império (com os Wendel tornando-se de Wendel e os Seillière, barões), evidencia o lento e gradual processo de cooptação que permite a esse meio uma revivificação constante.

Embora, atualmente, o caráter formal do título de nobreza tenha desaparecido, a cooptação que envolve os novos ricos – após passarem por seus exames junto a nobres já experientes – continua existindo. A perenidade da classe pressupõe essa renovação, sem a qual seu poder se enfraqueceria. A nobreza representa uma elite consciente de si própria e preocupada em associar-se a forças vivas, necessárias à sua reprodução.
(Trad.: Jô Amado)




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