Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» Como derrotar a “direita Trump-Bolsonaro”

» As pedras da contracultura (ainda) rolam

» Corporações: já vivemos uma distopia…

» Olhai a nova geração de ativistas

» Rússia e China: fim do mundo unipolar?

» Está aberta a nova temporada de privatizações

» Direito à privacidade e o cinismo de Moro

» Boaventura: o avanço da direita e a causa oculta

» Fiori: Danação da História e disputa pelo futuro

» O sinistro lobby sionista

Rede Social


Edição francesa


» Les pompiers pyromanes de l'antisémitisme

» Menace iranienne, menace sur l'Iran

» Comme si l'école était une entreprise…

» Voyage au bout de la peur avec les clandestins du Sahel

» Chanter le devenir du monde

» A qui profite Paris ?

» Quand la ville se perd dans une métamorphose planétaire

» M. Jesse Jackson et l'ouverture du Parti démocrate

» Les aspirations des citoyens dans une structure étatique taillée sur mesure

» Comment la finance a tué Moulinex


Edição em inglês


» The Spaniards who liberated Paris

» Fighting for communication control

» June: the longer view

» Niger, a migration crossroads

» Niger, a migration crossroads

» Whatever happened to Bob Woodward?

» Europe in space

» The Corbyn controversy

» The invisible people

» Agadez, city of migrants


Edição portuguesa


» Edição de Junho de 2019

» As pertenças colectivas e as suas conquistas

» A arte da provocação

» 20 Anos | 20% desconto

» EUROPA: As CaUsas das Esquerdas

» Edição de Maio de 2019

» Os professores no muro europeu

» Chernobil mediático

» Edição de Abril de 2019

» A nossa informação, as vossas escolhas


LIVROS

Os crimes de guerra de Kissinger

Imprimir
Enviar

Ler Comentários
Compartilhe

Não há mais qualquer dúvida quanto à responsabilidade direta de Kissinger na prorrogação, injustificada, da guerra do Vietnã, nas operações de assassinato e subversão da democracia no Chile, ou quanto à sua cumplicidade no genocídio em Timor Leste

Ibrahim Warde - (01/10/2001)

De passagem por Paris em maio, o ex-secretário de Estado recebeu a visita da brigada criminal, que lhe entregou uma intimação de um juiz francês

Em sua última obra, destinada a ser o breviário dos diplomatas do século XXI, Henry Kissinger deixa de lado seu tom douto e frio quando evoca a recente ingerência do princípio da “jurisdição universal” nas relações internacionais1. O ex-secretário de Estado norte-americano se enfurece quando fala da prisão em Londres, em 1998, de seu protegido, o general chileno Augusto Pinochet, por ordem de um juiz da Espanha (“um país de passado duvidoso”). Afirma que o discurso sobre os direitos humanos (cuja paternidade, aliás, reivindica) deveria “servir, antes de tudo, como arma diplomática fornecida aos cidadãos dos países comunistas para que pudessem combater o regime soviético, e não como arma legal que pode ser utilizada contra dirigentes políticos diante dos tribunais de um terceiro país”. No entanto, em outro parágrafo mais adiante, afirma que é imperativo, hoje, impedir que “os princípios do direito sejam utilizados para fins políticos”.

Se a análise é confusa, e até contraditória, isso se deve, sem dúvida, à inquietação que Kissinger sente desde o caso Pinochet. De fato, quando estava de passagem por Paris, no dia 28 de maio de 2001, o ex-secretário de Estado recebeu a visita da brigada criminal, que lhe entregou uma intimação do juiz Roger Le Loire. Convidado a comparecer ao Palácio da Justiça para testemunhar sobre o caso do desaparecimento de cinco franceses no Chile, Kissinger, que havia criado o Plano Condor - rede de caça aos opositores nas seis ditaduras militares da América Latina (Chile, Bolívia, Brasil, Paraguai, Uruguai, Argentina) –, absteve-se de responder. Deixou a França precipitadamente, no dia seguinte.

Diretamente responsável

O jornalista Christopher Hitchens fez o levantamento das manobras que poderiam constituir crimes de guerra, crimes contra a humanidade etc...

O jornalista britânico Christopher Hitchens fez o levantamento das manobras censuráveis do “mago da diplomacia” que, pelos parâmetros da nova jurisprudência internacional, poderiam constituir crimes de guerra, crimes contra a humanidade ou outros delitos da alçada dos tribunais2. Suas revelações, baseadas essencialmente em documentos oficiais norte-americanos liberados há pouco para consulta, contradizem as versões que o interessado apresenta nos três volumes de memória, tão maciços quanto tendenciosos.

Na realidade, a carreira política do homem que ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1973 foi marcada pelo culto à violência e ao sigilo. Não há mais qualquer dúvida quanto à responsabilidade direta de Kissinger na prorrogação (injustificada, do ponto de vista estratégico) da guerra do Vietnã e sua extensão ao Camboja e ao Laos, nas operações de assassinato e subversão da democracia no Chile, em Chipre, na Grécia e em Bangladesh, ou quanto à sua cumplicidade no genocídio em Timor Leste.

E no entanto, terá o ex-secretário de Estado o mesmo destino dos Pinochet e de outros Milosevic? Com certeza, não. Mas o diplomata mais famoso do mundo é um homem preocupado, senão acuado. A partir de agora, quando percorre o planeta para pontificar, ao preço de 60 mil reais por hora, ele evita qualquer país cuja justiça possa importuná-lo. E se, até o presente, gozava de uma perfeita reverência por parte dos meios de comunicação, agora deve exigir de seus entrevistadores o compromisso, por escrito, de que não lhe farão perguntas que se relacionem, direta ou indiretamente, com o livro de Christopher Hitchens ou com os assuntos por este abordados.
(Trad.: Iraci D. Poleti)

1 - Does America Need a Foreign Policy? Toward a Diplomacy for the 21st Century, de Henry Kissinger, ed. Simon & Schuster, Nova York, 2001.
2 - Les Crimes de Monsieur Kissinger, de Christopher Hitchens, Editions Saint-Simon, Paris, 2001.




Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos