Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» Paulo Guedes pego na mentira

» Depois do senhor Guedes e de seu capitão

» Amazônia: caminho para o pós-Bolsonaro

» Tarifa Zero, a experiência europeia

» Marielles na Amazônia: apontar, fogo!

» Na África do Sul, a xenofobia não tem cor

» Uma semana contra o Capitalismo de Desastre

» Na Argentina, algo além de Macri começa a cair

» Transportes: a atualidade da Tarifa Zero

» Aos super ricos, os super genes?

Rede Social


Edição francesa


» Richesse et population, un monde à double face

» Machines hostiles

» Refaire le monde à coups de bistouri

» Libye, l'appel du devoir

» La gauche française bute sur l'Europe

» Fédéralisme à l'allemande et évolutions politiques

» « Métro, boulot, tombeau »

» Plus haute sera la prochaine tour

» Le Media Lab aux avant-postes du cybermonde

» Echec à la corruption au Brésil


Edição em inglês


» The logs of war

» Benjamin Netanyahu, best friend of the far right

» September: the longer view

» Afghan peace talks: Trump tweets, Taliban fights

» An inexhaustible myth in times of extreme adversity

» What happened to social solidarity?

» Sudan: conflict, violence and repression

» Russia's appointed billionaires

» Another end is possible

» Arms sales: the Swedish model


Edição portuguesa


» Edição de Setembro de 2019

» Portugal não pode parar?

» Quem elegeu Ursula von der Leyen?

» Edição de Agosto de 2019

» Plural e vinculado à esquerda

» Os talibãs de São Francisco

» Edição de Julho de 2019

» Inconsistências (ou o sono da razão?)

» Comércio livre ou ecologia!

» Edição de Junho de 2019


GUERRA DE 14-18

Horrores da barbárie

Imprimir
Enviar

Ler Comentários
Compartilhe

(01/11/2001)

Carta de Eugène-Emmanuel Lemercier a sua mãe, 22 de fevereiro de 1915

“A senhora não pode imaginar, minha querida mãe, o que o homem pode fazer contra o homem. Há cinco dias que meus sapatos estão engordurados de cérebros humanos, que piso em tórax, que encontro tripas. Os homens comem o pouco que têm, encostados em cadáveres. O regimento foi heróico: não temos mais oficiais.” (Lettres d’un soldat, p. 135, ed. Chapelot, 1916)

Carta de Henri Barbusse a sua mulher, 21 de junho de 1915

“Na própria trincheira, havia cadáveres que não podem ser retirados, nem enterrados (até agora não tivemos tempo de o fazer), e que são pisoteados quando se passa. Um deles, que tem uma máscara de lama e dois buracos nos olhos, deixa cair uma mão, esbagaçada e quase destruída pelos soldados que se precipitam, em fila, ao longo da trincheira. Dá para ver, pois a trincheira fica aberta nesse lugar e nós o iluminamos, por um instante. Você não acha macabro, esses mortos usados pelo destino como pobres coisas?” (Lettres de Henri Barbusse à sa femme, 1914-1917, p. 151, ed. Ernest Flammarion, 1937)

Carta de Maurice Genevoix, 1915

“Esta guerra é ignóbil: fiquei imundo, durante quatro dias, de terra, de sangue e de miolos. Jogaram na minha cara um monte de tripas, e na minha mão uma língua com uma parte da garganta pendurada [...]. Sinto-me enojado, embriagado de horror.” (Citado em Les Eparges (1923) e Ceux de 14 (1949), ed. Flammarion, 1990)

Carta de Fernand Léger a Louis Poughon, 30 de outubro de 1916

“Detritos humanos começam a aparecer assim que se deixa a zona onde ainda existe uma trilha. Vi coisas excessivamente curiosas. Cabeças humanas, quase mumificadas, surgindo da lama. Bem pequenininhas. Poderia pensar-se que eram de crianças. As mãos, principalmente, são extraordinárias. Há mãos de que eu gostaria de ter tirado uma fotografia perfeita. É o que há de mais expressivo. Muitos corpos têm os dedos dentro da boca, os dedos cortados pelos dentes. Já tinha visto isso no dia 13 de julho, em Argonne, um camarada que sofrera demais e havia comido as mãos. Fiquei olhando durante quase uma hora, com a devida atenção, o tempo todo, para não me afogar (se você não sabe disso, muitos feridos acabam morrendo afogados nos buracos abertos pelos 380, que têm três metros de profundidade e ficam cheios de água). [...] Essas coisas têm que ser ditas.” (Fernand Léger, une correspondance de guerre, p. 66, ed. Les Cahiers du Musée national d’art moderne, Hors série/archives, 1997)

Carta de um desconhecido

Palavras pronunciadas por um aluno da Assistência Pública, alguns segundos antes de sua morte, em 22 de maio de 1916:

“Escreva ao sr. Mesureur comunicando que G. morreu em Verdun, que ele se perdeu em meio a uma grande campo de batalha, da mesma maneira que ele um dia foi encontrado na rua.” (La dernière lettre écrite par des soldats français tombés au champ d’honneur, 1914-1918, p. 129, ed. Flammarion, 1921)
(Trad.: Jô Amado)




Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos