Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


Rede Social


Edição francesa


» L'Ukraine livrée aux maladies infectieuses

» Raoul Ruiz ou le refus des normes

» Ces soldats américains envoyés combattre les bolcheviks

» Dictature numérique

» Au travail, les enfants

» En Afrique, la démocratie entravée

» Le grand partage du globe

» La France et son espace maritime de souveraineté économique

» Villes et comptoirs hanséatiques

» Le sultanat de Malacca à la fin du XVe siècle


Edição em inglês


» The sea: hidden threats

» Dispatches from colonial North Africa

» The many shades of Latin American racism

» Window on the Russian soul

» The Arab world says #MeToo

» Lebanese central bank falls from grace

» Chips with everything

» Which way for Germany's CDU after Angela Merkel?

» Welcome to western China!

» France's watered-down climate bill


Edição portuguesa


» O direito à alimentação no mundo continua por cumprir

» Filho da Preguiça

» Boca de Cena

» Pandemónio Pandomínio

» Em Cuba, rumo ao fim do mais longo embargo da história

» Edição de Julho de 2021

» «Ajude um caloiro»: requiem por um direito

» Acalmia em França?

» Edição de Junho de 2021

» O jornalismo no novo negócio dos "media"


GUERRA DE 14-18

Um panfleto contra a guerra

Imprimir
enviar por email

Ler Comentários
Compartilhe

Autor de um texto proibido em 1917, o escritor Lucien Descaves, da Academia Goncourt, só publicou seu panfleto antibelicista, Ronge-Maille vainqueur, em 1920. Como La Fontaine, Descaves utiliza-se de ratos para instruir os homens. Abaixo, alguns aforismos

Lucien Descaves - (01/11/2001)

* O cadáver de um homem, esteja ele do lado da trincheira que estiver, sempre cheira bem.

* Quando se pensa que é o homem que se eleva acima dos animais nocivos! Nocivos, nós? Não mais do que ele.

* Já não basta ao homem destruir-nos: agora, devoram-se entre eles. Não os imitemos: limitemo-nos a devorá-los.

* Eles dizem que nós propagamos a peste, mas são eles que a declaram.

* Até agora, eles não empregavam líquidos inflamáveis senão contra nós... e eis que os estão usando em suas relações internacionais. É como os gases asfixiantes... Há muito tempo que tivemos esse tipo de presente! Eles sopravam sulfato de carbono dentro das nossas galerias e depois tampavam as saídas. E vibravam com a idéia de que nós iríamos sufocar lá dentro, como moscas. Mas nunca se é bárbaro pela metade... As experiências que fizeram conosco só poderiam conduzir a essas aplicações in anima vili.

* Quando cai um obus sobre um abrigo, esmagando-o, nunca são mencionados os ratos enterrados sob os escombros. E, no entanto, também são vítimas, e as mais inocentes.

* Nós somos, ao que dizem, um dos flagelos da agricultura. A guerra certamente é outro, pois toma da terra braços que lhe seriam indispensáveis. Então, de que se queixa o homem? Quem se excita demais, pode durar menos. Portanto, que ele nos deixe tranqüilos: os estragos que fazemos são pouca coisa, comparados aos deles.

* O homem não inventou coisa alguma: nós escavamos galerias subterrâneas bem antes que ele. E agora – quem sabe? – à custa de vivermos juntos, talvez acabemos por confraternizar.

* Essa história de morte-aos-ratos... Vocês ainda verão que eles vão acabar por utilizá-la, um povo contra o outro, após o terem desbatizado.

* Há trincheiras em que não é possível dar uma dentada sem que se quebre ou rache um dente num estilhaço de obus. Mas o autor da fábula tem razão quando diz que sem um pouco de dificuldade não há prazer.

* Um pouco de paciência, homens exigentes! Cada coisa a seu tempo: nós limpamos hoje o campo de vossas chacinas; mais tarde roeremos a História que as recordará. É um trabalho e tanto...

* É verdade que depois da guerra haverá enormes espaços abandonados, estéreis...; mas, por outro lado, a propriedade fundiária alcançará preços exorbitantes. Não estão já dizendo, em alguns lugares onde se travaram furiosas batalhas, que um terreno de 300 metros quadrados vale mil homens?

* E agora, que conseguiram a paz, a que carestia de vida irão nos reduzir, para que tenhamos saudade da guerra de abundância?
(Trad.: Jô Amado)




Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos