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GUERRA DE 14-18

Um panfleto contra a guerra

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Autor de um texto proibido em 1917, o escritor Lucien Descaves, da Academia Goncourt, só publicou seu panfleto antibelicista, Ronge-Maille vainqueur, em 1920. Como La Fontaine, Descaves utiliza-se de ratos para instruir os homens. Abaixo, alguns aforismos

Lucien Descaves - (01/11/2001)

* O cadáver de um homem, esteja ele do lado da trincheira que estiver, sempre cheira bem.

* Quando se pensa que é o homem que se eleva acima dos animais nocivos! Nocivos, nós? Não mais do que ele.

* Já não basta ao homem destruir-nos: agora, devoram-se entre eles. Não os imitemos: limitemo-nos a devorá-los.

* Eles dizem que nós propagamos a peste, mas são eles que a declaram.

* Até agora, eles não empregavam líquidos inflamáveis senão contra nós... e eis que os estão usando em suas relações internacionais. É como os gases asfixiantes... Há muito tempo que tivemos esse tipo de presente! Eles sopravam sulfato de carbono dentro das nossas galerias e depois tampavam as saídas. E vibravam com a idéia de que nós iríamos sufocar lá dentro, como moscas. Mas nunca se é bárbaro pela metade... As experiências que fizeram conosco só poderiam conduzir a essas aplicações in anima vili.

* Quando cai um obus sobre um abrigo, esmagando-o, nunca são mencionados os ratos enterrados sob os escombros. E, no entanto, também são vítimas, e as mais inocentes.

* Nós somos, ao que dizem, um dos flagelos da agricultura. A guerra certamente é outro, pois toma da terra braços que lhe seriam indispensáveis. Então, de que se queixa o homem? Quem se excita demais, pode durar menos. Portanto, que ele nos deixe tranqüilos: os estragos que fazemos são pouca coisa, comparados aos deles.

* O homem não inventou coisa alguma: nós escavamos galerias subterrâneas bem antes que ele. E agora – quem sabe? – à custa de vivermos juntos, talvez acabemos por confraternizar.

* Essa história de morte-aos-ratos... Vocês ainda verão que eles vão acabar por utilizá-la, um povo contra o outro, após o terem desbatizado.

* Há trincheiras em que não é possível dar uma dentada sem que se quebre ou rache um dente num estilhaço de obus. Mas o autor da fábula tem razão quando diz que sem um pouco de dificuldade não há prazer.

* Um pouco de paciência, homens exigentes! Cada coisa a seu tempo: nós limpamos hoje o campo de vossas chacinas; mais tarde roeremos a História que as recordará. É um trabalho e tanto...

* É verdade que depois da guerra haverá enormes espaços abandonados, estéreis...; mas, por outro lado, a propriedade fundiária alcançará preços exorbitantes. Não estão já dizendo, em alguns lugares onde se travaram furiosas batalhas, que um terreno de 300 metros quadrados vale mil homens?

* E agora, que conseguiram a paz, a que carestia de vida irão nos reduzir, para que tenhamos saudade da guerra de abundância?
(Trad.: Jô Amado)




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