Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» A desigualdade brasileira posta à mesa

» Fagulhas de esperança na longa noite bolsonarista

» 1 de setembro de 2020

» O fim do mundo e o indiscreto racismo das elites

» O milagre da multiplicação de bilhões — para os bancos

» Movimento sindical em tempos de tormenta

» 31 de agosto de 2020

» A crucificação de Julian Assange

» Nuestra America: os cinco séculos de solidão

» Ir além do velho mundo: lições da pandemia

Rede Social


Edição francesa


» Percées et reflux en Europe

» Délire partisan dans les médias américains

» L'Amérique latine a choisi l'escalade révolutionnaire localisée

» Le national-conservatisme s'ancre dans la société hongroise

» Au Venezuela, la tentation du coup de force

» « Tout ce qu'ils nous proposent, c'est de devenir flics ! »

» Les loups solitaires de Boston

» Le Front national sur un plateau

» Karl Kraus, contre l'empire de la bêtise

» Hors-la-loi


Edição em inglês


» Nagorno-Karabakh conflict: its meaning to Armenians

» How will the US counter China?

» October: the longer view

» America, year 2020

» The ministry of American colonies

» America, the panic room

» Independent only in name

» An election result that won't be accepted

» Into the woods, it's nearly midnight

» Canada's cancel culture


Edição portuguesa


» Um resultado que ninguém aceitará

» Edição de Outubro de 2020

» Distâncias à mesa do Orçamento

» Falsas independências

» Trabalho na cultura: estatuto intermitente, precariedade permanente?

» RIVERA

» Edição de Setembro de 2020

» Cuidar dos mais velhos: por uma rede pública e universal

» Restauração em Washington?

» Cabo Delgado: névoa de guerra, tambores de internacionalização


UM MUNDO UNIPOLAR?

Taliban, uma criação do Paquistão

Imprimir
enviar por email

Ler Comentários
Compartilhe

No final da década de 70, em colaboração com os serviços secretos paquistaneses, a CIA e os países do Golfo levantaram bilhões de dólares e recrutaram milhares de voluntários que se juntaram aos mujahidin no Afeganistão

Vicken Cheterian - (01/11/2001)

Está bastante incômoda a posição dos dirigentes sauditas, pois é o dinheiro da península arábica que financia a rede Al-Qaida e a milícia taliban. A partir da II Guerra Mundial, o reino saudita se empenhou em divulgar a sua versão do islamismo para conter a onda – então, quase irresistível – do nacionalismo árabe. É nesse contexto que, no final da década de 70, dinheiro e voluntários sauditas foram enviados em apoio ao jihad (guerra santa) no Afeganistão. Em colaboração com os serviços secretos paquistaneses (Interservices Intelligence Directorate – ISI), a CIA e os países do Golfo levantaram bilhões de dólares e recrutaram milhares de voluntários que se juntaram aos mujahidin1. Esse “sucesso” iria permitir a explosão dos movimentos fundamentalistas islâmicos que, após a guerra do Golfo, se voltariam contra a política saudita.

A esperança que os taliban alimentavam de grandes negócios petrolíferos foram por água abaixo em 1997, quando os EUA intensificaram suas críticas

Os fundos vinham de Washington e do Golfo, mas eram administrados pelo ISI. Através do fornecimento de armas e dinheiro, o regime paquistanês pretendia garantir o controle sobre o Afeganistão – controle que permitiria criar uma barreira estratégica contra a Índia. Por outro lado, abria-se caminho para uma Ásia central transbordando de energia. Era esse o sentido do “grande jogo”, ao mesmo tempo que a Unlocal2 já preparava seus planos de construir oleodutos e gasodutos do Mar Cáspio até o porto de Karachi. E por fim, os campos militares existentes no Afeganistão permitiriam fazer o treinamento dos partidários do Jamaat-e Ulema-i Islami3 e do Harakat ul-Ansar4 que já participavam de operações militares na Caxemira.

O isolamento dos taliban

A partir de sua vitória contra os comunistas, em 1992, os mujahidin racharam. O Paquistão voltou-se então para a milícia taliban, que parecia disposta a restabelecer a ordem no Afeganistão. Os taliban instalaram-se em Cabul em setembro de 1996 e “libertaram” o país, com exceção da região Norte, onde os homens de Ahmed Shah Massoud persistiram na resistência ao novo regime, aproveitando-se do apoio da Rússia, do Irã e da Índia, que lhes davam acesso às bases vizinhas no Tadjiquistão.

A esperança que os taliban alimentavam de fazer grandes negócios petrolíferos foram por água abaixo em 1997, quando o governo norte-americano intensificou as críticas com relação a eles. O regime de Cabul também não conseguiu um lugar nas Nações Unidas, nem um reconhecimento internacional. As raras relações diplomáticas que conseguiram estabelecer – com a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos – foram rompidas a partir de 11 de setembro de 2001. O Paquistão é o único país a mantê-las, argumentando que elas o vinculam a um Estado, e não a um governo. Antes mesmo dos atentados, praticamente reivindicados por Osama bin Laden, a destruição dos budas de Bamyan já provava que os taliban, à frente de um país em ruínas e devastado por guerras permanentes, não esperavam ser aceitos pela comunidade internacional.

A partir de 11 de setembro, o Paquistão luta para continuar mantendo sua influência sobre o Afeganistão pós-guerra e para evitar que a Aliança do Norte venha a dirigir o futuro governo.
(Trad.: Jô Amado)

1 - Existem várias estimativas quanto ao número de árabes afegãos. Segundo a edição de 6 de maio de 1996 do jornal Al-Wasa’, publicado em Londres, 6.170 árabes teriam atravessado a fronteira do Paquistão para o Afeganistão. Já a edição de 12 de outubro de 2001 do International Herald Tribune afirma que o contingente de tropas árabes em Cabul seria entre 4 e 6 mil homens.
2 - Companhia petrolífera norte-americana, sócia da Total, que opera na Ásia.
3 - Partido religioso, fundado na Índia, em 1941, pelo teólogo muçulmano Mawdoudi. Seu objetivo era a conquista do poder político e a criação de um Estado Islâmico.
4 - “Movimento dos guerrilheiros”, partido islâmico paquistanês, adepto do uso da violência, fundado em 1993.




Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Leia mais sobre

» CIA
» Paquistão
» Poder Imperial dos EUA
» Mundo Árabe
» Geopolítica do Golfo Pérsico
» Nacionalismo

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos