Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» Rebelião em Londres: é o clima ou o sistema?

» A “inteligência caolha” da família Bolsonaro

» O crime de Guarapuava e as elites sem freios

» Boaventura: os EUA flertam com o direito názi

» Argentina: ainda bem que há eleições…

» O bispo que não vai para o céu

» Prisões brasileiras: relato de dentro do inferno

» Bernardet: “Tirei o corpo fora”

» Bernardet: “Tirei o corpo fora”

» Em Los Silencios, fuga para o não-lugar

Rede Social


Edição francesa


» La justice, pilier ou béquille de la démocratie ?

» La canicule, révélateur d'une santé malade

» La caution des scientifiques

» Dans l'enfer blanc de l'amiante

» Fiasco à La Haye

» L'immigration au miroir des échecs de la gauche

» « Faxer » ou périr, une culture de l'urgence

» Comment Sciences-Po et l'ENA deviennent des « business schools »

» Assimilation forcée dans le Xinjiang chinois

» Les riches entre philanthropie et repentance


Edição em inglês


» Mica mining, why watchdogs count

» LMD's New York debates

» Decriminalizing the drug war?

» April: the longer view

» Housing, rubbish, walls and failing infrastructure in East Jerusalem

» Mining profits go to foreign investors

» Combatting climate change: veganism or a Green New Deal?

» Berlin's fight for expropriation

» Afghanistan: the fighting continues

» The private world of swiping on screens


Edição portuguesa


» Edição de Abril de 2019

» A nossa informação, as vossas escolhas

» O cordão sanitário

» O caso do Novo Banco: nacionalizar ou internacionalizar?

» Edição de Março de 2019

» Sabe bem informar tão pouco

» O presidente e os pirómanos

» Edição de Fevereiro e 2019

» As propinas reproduzem as desigualdades

» Luta de classes em França


UM MUNDO UNIPOLAR?

Taliban, uma criação do Paquistão

Imprimir
Enviar

Ler Comentários
Compartilhe

No final da década de 70, em colaboração com os serviços secretos paquistaneses, a CIA e os países do Golfo levantaram bilhões de dólares e recrutaram milhares de voluntários que se juntaram aos mujahidin no Afeganistão

Vicken Cheterian - (01/11/2001)

Está bastante incômoda a posição dos dirigentes sauditas, pois é o dinheiro da península arábica que financia a rede Al-Qaida e a milícia taliban. A partir da II Guerra Mundial, o reino saudita se empenhou em divulgar a sua versão do islamismo para conter a onda – então, quase irresistível – do nacionalismo árabe. É nesse contexto que, no final da década de 70, dinheiro e voluntários sauditas foram enviados em apoio ao jihad (guerra santa) no Afeganistão. Em colaboração com os serviços secretos paquistaneses (Interservices Intelligence Directorate – ISI), a CIA e os países do Golfo levantaram bilhões de dólares e recrutaram milhares de voluntários que se juntaram aos mujahidin1. Esse “sucesso” iria permitir a explosão dos movimentos fundamentalistas islâmicos que, após a guerra do Golfo, se voltariam contra a política saudita.

A esperança que os taliban alimentavam de grandes negócios petrolíferos foram por água abaixo em 1997, quando os EUA intensificaram suas críticas

Os fundos vinham de Washington e do Golfo, mas eram administrados pelo ISI. Através do fornecimento de armas e dinheiro, o regime paquistanês pretendia garantir o controle sobre o Afeganistão – controle que permitiria criar uma barreira estratégica contra a Índia. Por outro lado, abria-se caminho para uma Ásia central transbordando de energia. Era esse o sentido do “grande jogo”, ao mesmo tempo que a Unlocal2 já preparava seus planos de construir oleodutos e gasodutos do Mar Cáspio até o porto de Karachi. E por fim, os campos militares existentes no Afeganistão permitiriam fazer o treinamento dos partidários do Jamaat-e Ulema-i Islami3 e do Harakat ul-Ansar4 que já participavam de operações militares na Caxemira.

O isolamento dos taliban

A partir de sua vitória contra os comunistas, em 1992, os mujahidin racharam. O Paquistão voltou-se então para a milícia taliban, que parecia disposta a restabelecer a ordem no Afeganistão. Os taliban instalaram-se em Cabul em setembro de 1996 e “libertaram” o país, com exceção da região Norte, onde os homens de Ahmed Shah Massoud persistiram na resistência ao novo regime, aproveitando-se do apoio da Rússia, do Irã e da Índia, que lhes davam acesso às bases vizinhas no Tadjiquistão.

A esperança que os taliban alimentavam de fazer grandes negócios petrolíferos foram por água abaixo em 1997, quando o governo norte-americano intensificou as críticas com relação a eles. O regime de Cabul também não conseguiu um lugar nas Nações Unidas, nem um reconhecimento internacional. As raras relações diplomáticas que conseguiram estabelecer – com a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos – foram rompidas a partir de 11 de setembro de 2001. O Paquistão é o único país a mantê-las, argumentando que elas o vinculam a um Estado, e não a um governo. Antes mesmo dos atentados, praticamente reivindicados por Osama bin Laden, a destruição dos budas de Bamyan já provava que os taliban, à frente de um país em ruínas e devastado por guerras permanentes, não esperavam ser aceitos pela comunidade internacional.

A partir de 11 de setembro, o Paquistão luta para continuar mantendo sua influência sobre o Afeganistão pós-guerra e para evitar que a Aliança do Norte venha a dirigir o futuro governo.
(Trad.: Jô Amado)

1 - Existem várias estimativas quanto ao número de árabes afegãos. Segundo a edição de 6 de maio de 1996 do jornal Al-Wasa’, publicado em Londres, 6.170 árabes teriam atravessado a fronteira do Paquistão para o Afeganistão. Já a edição de 12 de outubro de 2001 do International Herald Tribune afirma que o contingente de tropas árabes em Cabul seria entre 4 e 6 mil homens.
2 - Companhia petrolífera norte-americana, sócia da Total, que opera na Ásia.
3 - Partido religioso, fundado na Índia, em 1941, pelo teólogo muçulmano Mawdoudi. Seu objetivo era a conquista do poder político e a criação de um Estado Islâmico.
4 - “Movimento dos guerrilheiros”, partido islâmico paquistanês, adepto do uso da violência, fundado em 1993.




Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Leia mais sobre

» CIA
» Paquistão
» Poder Imperial dos EUA
» Mundo Árabe
» Geopolítica do Golfo Pérsico
» Nacionalismo

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos