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NICARÁGUA

Um desastre total

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Balanço de 10 anos de neoliberalismo: do 60º lugar no índice de desenvolvimento humano da ONU (PNUD) em 1990, a Nicarágua passou, em 1999, para o 116º; o poder aquisitivo dos salários caiu pela metade: a dívida externa duplicou

François Houtart - (01/12/2001)

Nos índices de desenvolvimento humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a Nicarágua passou do sexagésimo lugar, em 1990 (após dez anos de conflito armado), para o centésimo décimo sexto, em 19991. O desemprego chega, oficialmente, a 25%2, mas a sub-utilização da força de trabalho supera os 50%. Entre 1991 e 1999, a redução do poder aquisitivo dos salários foi de 52,08%; 30% das pessoas morrem antes de atingir a idade de começar a trabalhar3. O Banco Mundial avalia que o número de famílias pobres representa 74,8% do total da população. Vítimas de uma verdadeira contra-reforma agrária, a metade das cooperativas rurais (mais de 250) desapareceram e, na região de Masaya, as que restam perderam a metade de suas terras.

A desigualdade social cresce. Entre 1993 e 1998, o 1% dos mais ricos da população, que detinha 13,2% da renda nacional, passou a absorver 15,6%4. A dívida externa, no final de 2000, era de 6,664 bilhões de dólares, quase a metade dela, contraída durante os últimos dez anos5. O valor das importações é três vezes maior que o das exportações – e destinam-se, principalmente, ao consumo das classes privilegiadas.
(Trad.: Celeste Marcondes)

1 - Relatório mundial sobre o Desenvolvimento Humano 2000, PNUD, Nova York, 2000.
2 - Ler, de Nestor Avendaño, Pronósticos económicos en un año electoral, Envío, nº 228, março de 2001.
3 - Ler, de Nestor Avendaño, Pronósticos económicos en un año electoral, Envío, nº 228, março de 2001.
4 - PNUD, El desarrollo humano en Micaragua 2000, Manágua, 2000.
5 - Ler, de Oscar René Vargas, Onze anos despues del ajuste (edição do autor), Manágua, 2001.




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