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Le Monde, a Bolsa e nós

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Ignacio Ramonet - (01/12/2001)

Inúmeros leitores comunicaram-nos sua apreensão após o anúncio da entrada na Bolsa de Valores, num futuro próximo, de uma parte do capital do Monde SA. Perguntam-se em que medida essa decisão implica em ameaças à independência do Monde diplomatique.

O capital do Monde diplomatique AS é dividido da seguinte maneira: 24% pertence ao pessoal do jornal, 25% aos leitores (o que, no total, representa 49%, ou seja, mais do que a minoria necessária para vetar uma votação) e 51% ao Monde, que é o acionista majoritário. Sua decisão de entrar no mercado de capitais, portanto, não nos pode deixar indiferentes.

O capital do Monde propriamente dito pertence, em 52%, a acionistas internos (entre eles a Comissão de Redação, principal acionista) e em 48% a acionistas externos. As várias comissões do Monde foram consultadas sobre o projeto e todas elas votaram favoravelmente. Por uma maioria mínima, também a Comissão de Redação se pronunciou nesse sentido, a 22 de outubro. Somente a Comissão de Empresa, cujo voto tem caráter consultivo, emitiu uma opinião desfavorável. Já as seções sindicais da CFDT e do SNJ dos jornalistas do Monde pronunciaram-se contra.

Com o objetivo de respeitar a Lei de Imprensa de 1986, que proíbe a cotação direta em Bolsa de empresas jornalísticas, três novas empresas foram criadas – Le Monde et partenaires associes, Le Monde SA e a Société éditrice du Monde – substituindo a antiga empresa editora Le Monde SA.

Le Monde passa a dispor do prazo de exatos dois anos – até o dia 5 de novembro de 2003 – para introduzir na Bolsa de Valores 25% das ações da nova empresa Le Monde SA, o que lhe permitirá levantar 100 milhões de euros (cerca de 220 milhões de reais).

Independentemente de quaisquer argumentos técnicos em favor desta entrada na Bolsa de Valores, é indiscutível que essa decisão modifica a filosofia em vigor até hoje. Hubert Beuve-Méry, fundador do nosso jornal – e também fundador do Monde –, costumava dizer, ao comentar as perigosas relações que envolvem a imprensa e o dinheiro: “É fundamental que os nossos meios de vida não comprometam as nossas razões de viver.” Essa advertência parece ter sido esquecida. A lógica financeira toma, a partir de agora, o coração da administração da empresa; e exercerá, indiscutivelmente, uma influência determinante. O apelo ao mercado de capitais impõe, nolens volens, a obrigação de resultados financeiros que, às vezes, são pouco compatíveis com a missão da informação rigorosa e crítica de uma imprensa de referência.

Com razão, os sindicatos de jornalistas lembraram o caso do Financial Times, que decidiu demitir 150 jornalistas pela simples razão de que seus lucros serão inferiores este ano aos do ano passado – excepcionais.

Le Monde constitui a primeira linha de defesa da independência do Monde diplomatique e seu eventual colapso representaria um grave perigo para nós, expondo-nos a ambições hostis. Nossos estatutos constituem a segunda linha de defesa, protegendo a nossa independência na medida em que garantem que o diretor do Monde diplomatique só pode ser eleito com o aval do pessoal do jornal.

Ninguém duvida da vontade dos dirigentes do Monde de preservarem a independência da empresa – inúmeros obstáculos foram criados, prevendo essa possibilidade – mas o que acontecerá com essa independência em caso de turbulências na Bolsa, ou de queda do valor das ações, ou de ataques premeditados por parte dos grandes predadores? Para que serve a independência quando deixa de existir a diferença com relação ao resto da imprensa e aos grandes grupos da comunicação?
(Trad.: Jô Amado)




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