Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» A desigualdade brasileira posta à mesa

» Fagulhas de esperança na longa noite bolsonarista

» 1 de setembro de 2020

» O fim do mundo e o indiscreto racismo das elites

» O milagre da multiplicação de bilhões — para os bancos

» Movimento sindical em tempos de tormenta

» 31 de agosto de 2020

» A crucificação de Julian Assange

» Nuestra America: os cinco séculos de solidão

» Ir além do velho mundo: lições da pandemia

Rede Social


Edição francesa


» L'énigme de « La Coubre »

» Au Canada, la fin de la résignation pour les peuples autochtones

» Jean Cavaillès, une pensée explosive

» Au Rwanda, la tradition instrumentalisée

» Les municipalités laissent mourir les centres de santé

» Samsung ou l'empire de la peur

» Main basse sur l'eau des villes

» Percées et reflux en Europe

» Délire partisan dans les médias américains

» L'Amérique latine a choisi l'escalade révolutionnaire localisée


Edição em inglês


» South Korea's feminists fight back

» The biosecurity myth

» The Huawei war

» Moscow's Active Citizens

» Greater Moscow's unsure future

» Golden age of coal turns to black dust

» For those in peril on the sea

» China's outlaw fishermen

» The Great Lockdown hits the Third World hard

» A question of borders


Edição portuguesa


» Um resultado que ninguém aceitará

» Edição de Outubro de 2020

» Distâncias à mesa do Orçamento

» Falsas independências

» Trabalho na cultura: estatuto intermitente, precariedade permanente?

» RIVERA

» Edição de Setembro de 2020

» Cuidar dos mais velhos: por uma rede pública e universal

» Restauração em Washington?

» Cabo Delgado: névoa de guerra, tambores de internacionalização


IMPRENSA

Le Monde, a Bolsa e nós

Imprimir
enviar por email

Ler Comentários
Compartilhe

Ignacio Ramonet - (01/12/2001)

Inúmeros leitores comunicaram-nos sua apreensão após o anúncio da entrada na Bolsa de Valores, num futuro próximo, de uma parte do capital do Monde SA. Perguntam-se em que medida essa decisão implica em ameaças à independência do Monde diplomatique.

O capital do Monde diplomatique AS é dividido da seguinte maneira: 24% pertence ao pessoal do jornal, 25% aos leitores (o que, no total, representa 49%, ou seja, mais do que a minoria necessária para vetar uma votação) e 51% ao Monde, que é o acionista majoritário. Sua decisão de entrar no mercado de capitais, portanto, não nos pode deixar indiferentes.

O capital do Monde propriamente dito pertence, em 52%, a acionistas internos (entre eles a Comissão de Redação, principal acionista) e em 48% a acionistas externos. As várias comissões do Monde foram consultadas sobre o projeto e todas elas votaram favoravelmente. Por uma maioria mínima, também a Comissão de Redação se pronunciou nesse sentido, a 22 de outubro. Somente a Comissão de Empresa, cujo voto tem caráter consultivo, emitiu uma opinião desfavorável. Já as seções sindicais da CFDT e do SNJ dos jornalistas do Monde pronunciaram-se contra.

Com o objetivo de respeitar a Lei de Imprensa de 1986, que proíbe a cotação direta em Bolsa de empresas jornalísticas, três novas empresas foram criadas – Le Monde et partenaires associes, Le Monde SA e a Société éditrice du Monde – substituindo a antiga empresa editora Le Monde SA.

Le Monde passa a dispor do prazo de exatos dois anos – até o dia 5 de novembro de 2003 – para introduzir na Bolsa de Valores 25% das ações da nova empresa Le Monde SA, o que lhe permitirá levantar 100 milhões de euros (cerca de 220 milhões de reais).

Independentemente de quaisquer argumentos técnicos em favor desta entrada na Bolsa de Valores, é indiscutível que essa decisão modifica a filosofia em vigor até hoje. Hubert Beuve-Méry, fundador do nosso jornal – e também fundador do Monde –, costumava dizer, ao comentar as perigosas relações que envolvem a imprensa e o dinheiro: “É fundamental que os nossos meios de vida não comprometam as nossas razões de viver.” Essa advertência parece ter sido esquecida. A lógica financeira toma, a partir de agora, o coração da administração da empresa; e exercerá, indiscutivelmente, uma influência determinante. O apelo ao mercado de capitais impõe, nolens volens, a obrigação de resultados financeiros que, às vezes, são pouco compatíveis com a missão da informação rigorosa e crítica de uma imprensa de referência.

Com razão, os sindicatos de jornalistas lembraram o caso do Financial Times, que decidiu demitir 150 jornalistas pela simples razão de que seus lucros serão inferiores este ano aos do ano passado – excepcionais.

Le Monde constitui a primeira linha de defesa da independência do Monde diplomatique e seu eventual colapso representaria um grave perigo para nós, expondo-nos a ambições hostis. Nossos estatutos constituem a segunda linha de defesa, protegendo a nossa independência na medida em que garantem que o diretor do Monde diplomatique só pode ser eleito com o aval do pessoal do jornal.

Ninguém duvida da vontade dos dirigentes do Monde de preservarem a independência da empresa – inúmeros obstáculos foram criados, prevendo essa possibilidade – mas o que acontecerá com essa independência em caso de turbulências na Bolsa, ou de queda do valor das ações, ou de ataques premeditados por parte dos grandes predadores? Para que serve a independência quando deixa de existir a diferença com relação ao resto da imprensa e aos grandes grupos da comunicação?
(Trad.: Jô Amado)




Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos