Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» A crise do Brexit e o capitalismo impotente

» Pilger: é hora de salvar o jornalismo

» Missão: extinguir o BNDES

» Etiópia: a eterna marcha da humanidade

» O direito ao sagrado dos povos do terreiro

» Como derrotar a “direita Trump-Bolsonaro”

» As pedras da contracultura (ainda) rolam

» Corporações: já vivemos uma distopia…

» Olhai a nova geração de ativistas

» Rússia e China: fim do mundo unipolar?

Rede Social


Edição francesa


» Comment les apprentis sorciers ont aggravé le chaos au Proche-Orient

» Quarante ans de conflits et d'échecs nourris par les interventions occidentales

» Décentraliser l'éducation pour mieux la privatiser

» L'avenir du temps

» Ces Espagnols qui ont libéré Paris

» Les pompiers pyromanes de l'antisémitisme

» Menace iranienne, menace sur l'Iran

» Comme si l'école était une entreprise…

» Voyage au bout de la peur avec les clandestins du Sahel

» Chanter le devenir du monde


Edição em inglês


» Confessions of a map-maker

» The Spaniards who liberated Paris

» Fighting for communication control

» June: the longer view

» Niger, a migration crossroads

» Niger, a migration crossroads

» Whatever happened to Bob Woodward?

» Europe in space

» The Corbyn controversy

» The invisible people


Edição portuguesa


» Edição de Junho de 2019

» As pertenças colectivas e as suas conquistas

» A arte da provocação

» 20 Anos | 20% desconto

» EUROPA: As CaUsas das Esquerdas

» Edição de Maio de 2019

» Os professores no muro europeu

» Chernobil mediático

» Edição de Abril de 2019

» A nossa informação, as vossas escolhas


CINEMA

News time”, filmando a vida na Palestina

Imprimir
Enviar

Ler Comentários
Compartilhe

Depois de uma tentativa infrutífera junto aos vizinhos, cuja história de amor ela filmava e que abandonaram a filmagem fugindo da violência, ela se interessa pela vida de quatro adolescentes, dos quais observa os vaivéns cotidianos sob sua janela

(01/12/2001)

Com os garotos, ela passeia pelas ruas de Ramallah, atendo-se aos signos que marcam uma cultura da morte – posters, fotos de desaparecidos...

“Somos todos viciados em notícias, na Palestina”, responde a diretora palestina Azza El-Hassan, a respeito de seu documentário News Time, apresentado em pré-estréia durante a 12ª edição do Festival Internacional do Documentário de Marselha1. Por sentir que a profusão e a banalização das imagens transmitidas sobre os palestinos lhe estava fazendo “perder a vida: nossa nação foi a mais filmada do mundo. Somos uma fábrica de boas notícias”, ela decidiu rodar um filme “que capte o que constitui minha vida, minha forma de ver o acontecimento”.

Apesar da observação de um de seus colegas – “Este não é o momento de fazer filmes, é o momento de fazer notícias” – ela decidiu fazer um retrato do dia-a-dia de sua vida em Ramallah. Depois de uma tentativa infrutífera junto aos vizinhos, cuja história de amor ela filmava e que abandonaram a filmagem bem no meio, fugindo da cidade tomada pela violência, ela se interessa pela vida de quatro adolescentes, dos quais observa os vaivéns cotidianos sob sua janela.

Quarenta anos enclausurados

Presos no conflito, os garotos se divertem com brincadeiras de guerra. “No começo eu não sabia brincar disso,” diz um deles, com uma atiradeira na mão, acrescentando: “Mas precisamos treinar, para nos proteger.” Com eles, ela passeia pelas ruas de Ramallah, atendo-se aos signos que marcam uma cultura da morte – posters, fotos de desaparecidos...

“Meus filmes tratam, todos, do exílio, da idéia do retorno, obsessiva, quando se passou a infância em uma família de refugiados”, diz Azza El-Hassan

“Diante da banalização da morte”, salienta a diretora, “estas brincadeiras são táticas de sobrevivência para as crianças.” Ao longo da filmagem, os depoimentos da vida dos garotos – entre os quais, alguns filhos de refugiados – evocando suas lembranças, tecem ao longo dos dias uma memória soterrada pelos dramas.O filme logo lhes oferece um lugar onde reconstruir outra realidade. “As crianças estão cercadas de mortes e as notícias nos desumanizam. Eu quis fazer um filme que seja uma celebração de nossa vida”, insiste Azza El-Hassan. Ilustrando a desumanização e o exílio pelo exemplo extremo de uma família de refugiados palestinos em Saïda, os Khalaf, “que se escondem do sol e das pessoas”, ela mostra as imagens espantosas de dois gêmeos, enclausurados há quarenta anos, até que, descobertos pelas autoridades libanesas, aparecem à luz do dia, mal-cuidados e cabeludos, agitando seus membros deslocados... como que cegados pela incursão no real. Os dois irmãos – escondidos pelo pai, que não suportava que os chamassem de “refugiados” – esperavam, reclusos, que se cumprisse a promessa paterna de voltar a Haifa. “Meu pai é natural de Haifa, eu nasci na Jordânia, cresci no Líbano. Vivi na Escócia e na Inglaterra. Meus filmes tratam, todos, do exílio, do estatuto de refugiado e da idéia do retorno, obsessiva, quando se passou a infância em uma família de refugiados.”

Sobre a vida

Assim, ao longo das entrevistas com os garotos, o filme se constrói, substituindo as notícias por uma outra história, humana, íntima – a volta para si mesmo. Foi então que a diretora sentiu a necessidade de parar a filmagem. “O filme nos fazia pensar demais!”, resume. Mas os jovens voltam, dia após dia. “O que eu prefiro, neste momento, é essa possibilidade de contar minha vida”, insiste um deles, para convencê-la a prosseguir. No entanto, ela insiste em sua recusa. E depois, uma manhã, ninguém mais bate à sua porta. E ela sente o vazio. Um dos garotos foi morto... Mais tarde ela irá cruzar com eles num cortejo fúnebre. À pergunta que ela lhes faz: “Vocês aceitariam, mais tarde, que eu os filmasse?”, eles respondem: “Sim. Se ainda estivermos vivos.” “Agora”, conclui Azza El-Hassan, “meus filmes não abordam mais as questões dos territórios. Eles só tratam da vida.”
(Trad.: Maria Elisabete de Almeida)

1 - O festival ocorreu de 27 de junho a 1º de julho de 2001.




Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Leia mais sobre

» Cinema
» Palestina
» Afirmação das Identidades Culturais e Étnicas

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos