Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» A desigualdade brasileira posta à mesa

» Fagulhas de esperança na longa noite bolsonarista

» 1 de setembro de 2020

» O fim do mundo e o indiscreto racismo das elites

» O milagre da multiplicação de bilhões — para os bancos

» Movimento sindical em tempos de tormenta

» 31 de agosto de 2020

» A crucificação de Julian Assange

» Nuestra America: os cinco séculos de solidão

» Ir além do velho mundo: lições da pandemia

Rede Social


Edição francesa


» L'énigme de « La Coubre »

» Au Canada, la fin de la résignation pour les peuples autochtones

» Jean Cavaillès, une pensée explosive

» Au Rwanda, la tradition instrumentalisée

» Les municipalités laissent mourir les centres de santé

» Samsung ou l'empire de la peur

» Main basse sur l'eau des villes

» Percées et reflux en Europe

» Délire partisan dans les médias américains

» L'Amérique latine a choisi l'escalade révolutionnaire localisée


Edição em inglês


» South Korea's feminists fight back

» The biosecurity myth

» The Huawei war

» Moscow's Active Citizens

» Greater Moscow's unsure future

» Golden age of coal turns to black dust

» For those in peril on the sea

» China's outlaw fishermen

» The Great Lockdown hits the Third World hard

» A question of borders


Edição portuguesa


» Um resultado que ninguém aceitará

» Edição de Outubro de 2020

» Distâncias à mesa do Orçamento

» Falsas independências

» Trabalho na cultura: estatuto intermitente, precariedade permanente?

» RIVERA

» Edição de Setembro de 2020

» Cuidar dos mais velhos: por uma rede pública e universal

» Restauração em Washington?

» Cabo Delgado: névoa de guerra, tambores de internacionalização


LIVROS

Revolucionários esquecidos

Imprimir
enviar por email

Ler Comentários
Compartilhe

Os “doze revolucionários sem revolução possível”, ressuscitados por Paco Ignacio Taïbo, levaram uma vida louca, e muitas vezes trágica, não recuando diante da violência em seu desejo místico de mudar o mundo

Ramón Chao - (01/12/2001)

A lista dos santos revolucionários é incompleta e, amiúde, injusta. Figuras essenciais são esquecidas enquanto outras são exaltadas. Pelos cânones da ortodoxia marxista, não se pode dizer que as personagens reunidas por Paco Ignacio Taïbo1 , por caminhos em que se cruzam o desejo de justiça, o absurdo kafkiano e a tragédia dostoievskiana, mereçam um lugar no coro celestial. Esses “doze revolucionários sem revolução possível”, ressuscitados por ele, levaram uma vida louca, e muitas vezes trágica, não recuando diante da violência em seu desejo místico de mudar o mundo. Historiador e romancista, Taïbo descobriu, nos meandros da história, esses doze Justos excluídos dos anais oficiais. E decidiu contar sua vida.

Construindo “algo inimaginável”

Foram anos de pesquisa para descobrir os fatos e proezas desses desconhecidos que só viveram para levar até o fim seu sonho de salvar a humanidade

Foram necessários anos de pesquisa para descobrir os fatos e proezas desses desconhecidos que não viveram senão para levar até o fim seu sonho de salvar a humanidade. Anarquistas e sindicalistas, às vezes amantes selvagens, para quem a militância não exclui o romantismo e a aventura é cercada por uma auréola de nostalgia. Na verdade, Taïbo entrega-se ao elogio da derrota. A derrota de Sebastián San Vicente, apelidado “O anjo negro exterminador”. No País Basco, onde nasceu, luta, armado de um revólver, contra o desemprego e contra os latifundiários. Depois, exilado no México, cria, em 1921, a CGT mexicana e morre, em 1938, na Espanha, combatendo perto de Bilbao como miliciano num batalhão do sindicato anarquista CNT.

Cruza-se com a marxista bolchevique ortodoxa Larissa Reisner, originária de uma família burguesa polonesa do século XIX. Editora de uma revista literária, poetisa, ela entra para o Exército Vermelho para lutar “ao lado desses homens que superam seu medo porque estão em via de construir algo inimaginável”. Que dizer também de Max Hölz, o Robin Hood do comunismo alemão? Com a cabeça posta a prêmio, ele muda o rosto, se disfarça e torna-se “um fantasma diante de centenas de olhos que simulam a cegueira”.

Uma luta compulsiva contra a opressão

Cruza-se com a bolchevique ortodoxa Larissa Reisner, com Max Hölz, Robin Hood do comunismo alemão, e o velho Librado Rivera, anarquista mexicano

Descobrimos também o velho Librado Rivera, anarquista mexicano que volta para sua terra com 60 anos, depois de ter passado duas décadas em prisões norte-americanas, e passa a editar um jornal de propaganda com uma tiragem de 5 mil exemplares. Preso e torturado, jamais se dobraria. Ou então o chinês P’eng P’ai, “o homem que inventou o maoísmo e a revolução proletária nascida no campo”. Descendente de uma família abastada e traidor de sua classe, foi expulso duas vezes da História: primeiro, da história tradicional de sua casta; depois, da história da revolução camponesa na China, atribuída exclusivamente, e de modo injusto, ao Grande Timoneiro.

Chega-se à vida agitada do anarquista espanhol Buenaventura Durruti. Depois de algumas aventuras rocambolescas na América Latina, ele lidera a insurreição de Barcelona contra as tropas de Franco e morre na frente de batalha de Madri, de modo misterioso, talvez assassinado por seus próprios camaradas que queria arrastar para um combate suicida contra o inimigo fascista já vitorioso. Se essas histórias têm o sabor do fracasso, o talento do contador é fascinante. Taïbo teve o cuidado de diversificar o prazer, apresentando cada história de uma maneira diferente. Num estilo simples, direto, as descrições - relatadas ou recriadas - ajustam-se naturalmente ao ritmo dos encontros, das descrições. Às vezes, imita outros escritores, como Norman Mailer. Como bom romancista, utiliza vários tipos de técnica - monólogos, diários íntimos, autobiografias fictícias - para nos apresentar doze homens e mulheres animados por uma necessidade compulsiva de lutar contra a opressão.
(Trad.: Iraci D. Poleti)

1 - Archanges, de Paco Ignacio Taibo II, traduzido do espanhol por Caroline Lepage, ed. Métailié, Paris, 2001, 340 páginas, 127,90 F.




Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Leia mais sobre

» Anarquismo
» Literatura
» Sindicatos
» Teorias do Fim da História e da Impotência Social

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos