Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» A China tem uma alternativa ao neoliberalismo

» Marielle, Moa, Marley, Mineirinho

» As trapaças do gozo individual

» Vermelho Sol, fotossíntese da violência

» Assim arma-se a próxima crise financeira

» Quantos anos o automóvel rouba de sua vida?

» Guerra comercial: por que Trump vai perder

» Mulheres indígenas, raiz e tronco da luta pelo território

» Por que a educação voltou às ruas?

» O ditador, sua “obra” e o senhor Guedes

Rede Social


Edição francesa


» Ovnis et théorie du complot

» Boulevard de la xénophobie

» Une machine à fabriquer des histoires

» Un ethnologue sur les traces du mur de Berlin

» Le stade de l'écran

» Un ethnologue à Euro Disneyland

» Lénine a emprunté ses règles d'action à des écrivains radicaux du siècle dernier

» Le rêve brisé de Salvador Allende

» Un ethnologue à Center Parcs

» La dilapidation mortelle des ressources


Edição em inglês


» Manufacturing public debate

» August: the longer view

» Trump returns to the old isolationism

» Yellow vests don't do politics

» Kurdish territories in northern Syria

» The changing shape of the Balkans: 1991 / 2019

» Minorities in Kosovo

» Borders 1500-2008

» Man with a mission or deranged drifter

» The Louise revolution


Edição portuguesa


» Edição de Agosto de 2019

» Plural e vinculado à esquerda

» Os talibãs de São Francisco

» Edição de Julho de 2019

» Inconsistências (ou o sono da razão?)

» Comércio livre ou ecologia!

» Edição de Junho de 2019

» As pertenças colectivas e as suas conquistas

» A arte da provocação

» 20 Anos | 20% desconto


LIVROS

O enigma da execução perdida

Imprimir
Enviar

Ler Comentários
Compartilhe

O livro é apresentado como uma pesquisa, a partir de um fato real. O fato refere-se a Rafael Sánchez Mazas, fundador, com José Antonio Primo de Rivera, da Falange (partido fascista espanhol) e pai do grande romancista Rafael Sánchez Ferlosio

Ramón Chao - (01/01/2002)

É um livro muito procurado. Publicado em 2001, na Espanha, já foi reeditado dez vezes e está sendo traduzido em cerca de vinte países. Classificado como “romance” e escrito na primeira pessoa, o texto mistura, com felicidade, diversos gêneros. Seria uma narrativa histórica, como afirma o autor no início do livro? Ou um romance de não-ficção, como o chama Truman Capote? Ou um ensaio? Seria uma reportagem romanceada?

É apresentado como uma pesquisa, meio jornalística, meio policial, a partir de um fato real. O fato refere-se a Rafael Sánchez Mazas, fundador, com José Antonio Primo de Rivera, da Falange (partido fascista espanhol) e pai do grande romancista Rafael Sánchez Ferlosio (autor, inclusive, de El Jarama), um progressista.

Em busca do soldado misterioso

As últimas páginas, magníficas, contam a última entrevista do velho que se recusa a encarnar sozinho a nobreza dos companheiros anônimos e desaparecidos

A história é a seguinte: pedem a um jornalista (o autor do livro) uma matéria sobre a morte, em Collioure, do poeta republicano Antonio Machado, em 1939. Javier Cercas observa que nas mesmas datas, do outro lado da fronteira, aconteceu um fato talvez compensatório: Rafael Sánchez Mazas, um dos responsáveis intelectuais pela guerra civil espanhola – e, por conseqüência, também pela morte do poeta – seria fuzilado, na Catalunha, por tropas republicanas que fugiam para a França. Na frente do pelotão de execução, Sanchez Mazas conseguiu escapar. Um soldado republicano o descobriu, escondido num matagal, e apontou o fuzil para ele. Mas, ao invés de atirar, gritou para seu comandante: “Não tem ninguém aqui!”, sem tirar os olhos do fugitivo, que teria a vida salva...

Reconstituindo os fatos, Javier Cercas percebeu que esse miliciano poderia contribuir com algumas peças para o quebra-cabeça da guerra da Espanha. Saiu em busca do soldado misterioso e, finalmente, o achou num asilo para idosos, em Dijon.

Uma linguagem cativante

As últimas páginas, absolutamente magníficas, relatam a última entrevista desta pesquisa: o velho se recusa a encarnar sozinho a nobreza de todos seus companheiros anônimos e desaparecidos (os verdadeiros heróis já morreram e os atos de bravura não se contam) e relata suas próprias lembranças da guerra, profundamente dolorosas e bem distantes da história oficial. Mas essas últimas palavras são inaudíveis e o enigma não será totalmente desvendado.

Redigido numa linguagem cativante, Soldados de Salamina1 parece estar sendo escrito sob nossos olhos e lê-se com paixão. Termina com uma homenagem pujante dos filhos para os pais, em uma magnífica lição de generosidade.
(Trad.: David Catasiner)

1 - Soldados de Salamina, de Javier Cercas, ed. Tusquets, Barcelona, 2001.




Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Leia mais sobre

» Espanha
» Literatura
» Regimes Autoritários
» Romance

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos