Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


Rede Social


Edição francesa


» Raoul Ruiz ou le refus des normes

» Ces soldats américains envoyés combattre les bolcheviks

» Dictature numérique

» Au travail, les enfants

» En Afrique, la démocratie entravée

» Le grand partage du globe

» La France et son espace maritime de souveraineté économique

» Villes et comptoirs hanséatiques

» Le sultanat de Malacca à la fin du XVe siècle

» Les grandes poubelles de plastique


Edição em inglês


» The sea: hidden threats

» Dispatches from colonial North Africa

» The many shades of Latin American racism

» Window on the Russian soul

» The Arab world says #MeToo

» Lebanese central bank falls from grace

» Chips with everything

» Which way for Germany's CDU after Angela Merkel?

» Welcome to western China!

» France's watered-down climate bill


Edição portuguesa


» O direito à alimentação no mundo continua por cumprir

» Filho da Preguiça

» Boca de Cena

» Pandemónio Pandomínio

» Em Cuba, rumo ao fim do mais longo embargo da história

» Edição de Julho de 2021

» «Ajude um caloiro»: requiem por um direito

» Acalmia em França?

» Edição de Junho de 2021

» O jornalismo no novo negócio dos "media"


TURQUIA

O “comunista romântico”

Imprimir
enviar por email

Ler Comentários
Compartilhe

Com Paul Robeson e Pablo Neruda, Nazim Hikmet dividiu, em 1950, o Prêmio Mundial da Paz. ’In absentia’, pois o poeta turco, enfraquecido por uma longa greve de fome e com problemas cardíacos, não pôde se deslocar até Varsóvia

Charlotte Kan - (01/02/2002)

1902-1963

“Nasci em 1902 E nunca voltei ao lugar do meu nascimento Não gosto de me voltar”

E “o gigante de olhos azuis” nunca mais voltou a Salônica...

Em Istambul, vive num ambiente discreto: Nazim, quando criança, foi embalado pela poesia de seu avô paxá, um alto funcionário do governo otomano, e por sua mãe, Djélilé, artista apaixonada pela cultura francesa.

Revoltado com a ocupação de Istambul pelas potências aliadas depois da I Guerra Mundial, exaltado pela luta dos camponeses turcos pela independência e entusiasmado pela revolução de Outubro, tinha apenas vinte anos quando partiu para Moscou, em 1922.

Voltaria à Turquia em 1924, depois da guerra da independência, mas foi perseguido porque, agora, era um “vermelho”. Voltaria a Moscou em 1926 e suas idas e vindas se multiplicariam.

Moscou, nessa época, fervilhava. Ali, encontraria Maiakovski e os futuristas russos, que exerceram forte influência sobre sua poesia, e trabalhou com Meyerhold.

Comunista – porque ama apaixonadamente tudo, a liberdade, seu país, seu povo e suas mulheres – torna-se, no exílio, o gênio da vanguarda turca.

De volta à Turquia, foi condenado, em 1938, a 28 anos de prisão por ter publicado, em 1936, um elogio à revolta, “A Epopéia do Xeque Bedrettin”, ou a luta de um camponês contra as forças do Império Otomano. Foi libertado em 1949, graças à ação de um Comitê Internacional de Apoio, formado em Paris por seus companheiros Jean-Paul Sartre, Pablo Picasso e Paul Robeson.

Foi com esse último e Pablo Neruda que dividiu, em 1950, o Prêmio Mundial da Paz. In absentia, pois Hikmet, enfraquecido por uma longa greve de fome e com problemas cardíacos, não pôde se deslocar até Varsóvia onde ocorreu a cerimônia.

“Uma liberdade bem triste”

Hikmet era constantemente vigiado. Escapou milagrosamente a dois atentados, mas não consegue escapar do serviço militar, que exigem que cumpra, aos 50 anos de idade. Era a época da guerra fria e ele militava contra a proliferação de armas nucleares. O que fazer senão fugir e refugiar-se na União Soviética, deixando mulheres e filhos?

Membro bastante ativo do Conselho Mundial da Paz, o poeta cantava a Internacional, mas não escondia sua rejeição ao stalinismo. O “comunista romântico” celebrava a luta, sinônimo de vida, uma liberdade que corrói, segundo ele, a autoridade.

Cidadão polonês depois da dolorosa perda da nacionalidade turca, viajaria por toda parte para esquecer o exílio. Pela Europa, pela África e pela América do Sul apenas, porque os Estados Unidos lhe recusaram visto de entrada.

“Apesar do peso em meu peito, Meu coração ainda bate com as estrelas, ao longe”

Nazim Hikmet morreu em Moscou, em 1963. Seu coração parou de bater na cadência necessária, mas o vento ainda sopra entre as doces árvores da Anatólia, nos rostos de suas mulheres, que amou tão intensamente quanto amou o mundo.
(Trad.: Celeste Marcondes)




Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Leia mais sobre

» Regimes Autoritários
» Turquia
» Comunistas

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos