Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» 26 de outubro de 2021

» Hora de retomar a luta pelo transporte público

» A patética missão de Paulo Guedes

» Boaventura: Portugal num momento de perigo

» Dinheiro, economistas vulgares e luta de classes

» Andrea Loparic

» 25 de outubro de 2021

» Clima: por que é possível vencer o fatalismo

» Sobre meninas, violência e o direito ao aborto

» Pochmann: É necessária nova abolição

Rede Social


Edição francesa


» La Cour des comptes, cerbère de l'austérité

» Salaires : « Il est parti où, cet argent ? »

» Trompeuses métaphores du cancer

» Etes-vous heureux, ravi ou enchanté de travailler dans un institut de sondage ?

» « Le Monde diplomatique » en Algérie

» « Le Monde diplomatique » en Algérie

» Infernal manège des sondages

» Droit du travail : vers des « jugements automatiques »

» Mes vacances en Terre sainte

» Les bonnes recettes de la télé-réalité


Edição em inglês


» ‘Le Monde diplomatique' in Algeria

» Millennial Schmäh

» UK: what happened to the right to food?

» Taiwan at the heart of the US-China conflict

» October: the longer view

» What do we produce, and why?

» Hunger in France's land of plenty

» In search of a good food deal

» Georgia's love-hate affair with Russia

» Latin America faces tough choices


Edição portuguesa


» Edição de Outubro de 2021

» Um império que não desarma

» Convergir para fazer que escolhas?

» O mundo em mutação e o Estado - em crise?

» Edição de Setembro de 2021

» Transformação e resiliência

» O caminho de Cabul

» Edição de Agosto de 2021

» Ditadura digital

» Desigualdades digitais


TURQUIA

O “comunista romântico”

Imprimir
enviar por email

Ler Comentários
Compartilhe

Com Paul Robeson e Pablo Neruda, Nazim Hikmet dividiu, em 1950, o Prêmio Mundial da Paz. ’In absentia’, pois o poeta turco, enfraquecido por uma longa greve de fome e com problemas cardíacos, não pôde se deslocar até Varsóvia

Charlotte Kan - (01/02/2002)

1902-1963

“Nasci em 1902 E nunca voltei ao lugar do meu nascimento Não gosto de me voltar”

E “o gigante de olhos azuis” nunca mais voltou a Salônica...

Em Istambul, vive num ambiente discreto: Nazim, quando criança, foi embalado pela poesia de seu avô paxá, um alto funcionário do governo otomano, e por sua mãe, Djélilé, artista apaixonada pela cultura francesa.

Revoltado com a ocupação de Istambul pelas potências aliadas depois da I Guerra Mundial, exaltado pela luta dos camponeses turcos pela independência e entusiasmado pela revolução de Outubro, tinha apenas vinte anos quando partiu para Moscou, em 1922.

Voltaria à Turquia em 1924, depois da guerra da independência, mas foi perseguido porque, agora, era um “vermelho”. Voltaria a Moscou em 1926 e suas idas e vindas se multiplicariam.

Moscou, nessa época, fervilhava. Ali, encontraria Maiakovski e os futuristas russos, que exerceram forte influência sobre sua poesia, e trabalhou com Meyerhold.

Comunista – porque ama apaixonadamente tudo, a liberdade, seu país, seu povo e suas mulheres – torna-se, no exílio, o gênio da vanguarda turca.

De volta à Turquia, foi condenado, em 1938, a 28 anos de prisão por ter publicado, em 1936, um elogio à revolta, “A Epopéia do Xeque Bedrettin”, ou a luta de um camponês contra as forças do Império Otomano. Foi libertado em 1949, graças à ação de um Comitê Internacional de Apoio, formado em Paris por seus companheiros Jean-Paul Sartre, Pablo Picasso e Paul Robeson.

Foi com esse último e Pablo Neruda que dividiu, em 1950, o Prêmio Mundial da Paz. In absentia, pois Hikmet, enfraquecido por uma longa greve de fome e com problemas cardíacos, não pôde se deslocar até Varsóvia onde ocorreu a cerimônia.

“Uma liberdade bem triste”

Hikmet era constantemente vigiado. Escapou milagrosamente a dois atentados, mas não consegue escapar do serviço militar, que exigem que cumpra, aos 50 anos de idade. Era a época da guerra fria e ele militava contra a proliferação de armas nucleares. O que fazer senão fugir e refugiar-se na União Soviética, deixando mulheres e filhos?

Membro bastante ativo do Conselho Mundial da Paz, o poeta cantava a Internacional, mas não escondia sua rejeição ao stalinismo. O “comunista romântico” celebrava a luta, sinônimo de vida, uma liberdade que corrói, segundo ele, a autoridade.

Cidadão polonês depois da dolorosa perda da nacionalidade turca, viajaria por toda parte para esquecer o exílio. Pela Europa, pela África e pela América do Sul apenas, porque os Estados Unidos lhe recusaram visto de entrada.

“Apesar do peso em meu peito, Meu coração ainda bate com as estrelas, ao longe”

Nazim Hikmet morreu em Moscou, em 1963. Seu coração parou de bater na cadência necessária, mas o vento ainda sopra entre as doces árvores da Anatólia, nos rostos de suas mulheres, que amou tão intensamente quanto amou o mundo.
(Trad.: Celeste Marcondes)




Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Leia mais sobre

» Regimes Autoritários
» Turquia
» Comunistas

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos