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De crise em crise

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As origens das crises da dívida e os momentos em que surgem estão intimamente ligados à economia mundial. As fases que precedem a explosão correspondem, sempre, ao fim de um longo ciclo de expansão nos países mais industrializados

Eric Toussaint - (01/02/2002)

Em dois séculos, as economias da América Latina foram abaladas por quatro crises da dívida. A primeira estourou em 1826, prolongando-se até meados do século XIX. A segunda começou em 1876, terminando nos primeiros anos do século XX. A terceira durou de 1931 ao final da década de 40. A quarta, a que assistimos, explodiu em 1982.

Normalmente, a eclosão da crise da dívida é provocada por uma recessão, ou um crack, onde as economias são mais industrializadas

As origens das crises e os momentos em que surgem estão intimamente ligados ao ritmo da economia mundial e, principalmente, dos países industrializados. As fases preparatórias que precedem a explosão – durante as quais se verifica um aumento considerável da dívida – correspondem, sempre, ao fim de um longo ciclo de expansão dos países mais industrializados. Normalmente, essa eclosão é provocada por uma recessão, ou um crack, onde as economias são mais industrializadas.

Histórico das crises

A primeira crise, de 1826, foi decorrente do crack financeiro da Bolsa de Londres, em dezembro de 1825. A segunda, que explodiu em 1873, se deu após um crack da Bolsa de Viena, seguido de um outro em Nova York. A crise de 1931 situa-se na onda de choque do colapso de Wall Street, em 1929. O quarto terremoto, em 1982, foi decorrente do efeito combinado da segunda recessão econômica mundial do pós-guerra (1980-1982) e da alta das taxas de juros decidida pelo Banco Central (Federal Reserve) norte-americano em 1979. Cada uma dessas quatro crises durou de 15 a 30 anos. Elas envolveram todos os países da América Latina e do Caribe, praticamente sem exceção.

As dificuldades que atravessa atualmente a Argentina – e que terão conseqüências em escala continental, e talvez além – são uma manifestação evidente da continuação da quarta crise da dívida latino-americana, que eclodiu em 1982.

Perda da soberania nacional

As dificuldades que atravessa a Argentina são uma manifestação evidente da continuação da quarta crise da dívida latino-americana, que eclodiu em 1982

É claro que essa desordem tem características próprias, mas as conclusões de uma análise histórica e econômica rigorosa destacam semelhanças óbvias com as três precedentes. Em cada um dos casos, as turbulências foram precedidas por um frenesi de empréstimos concedidos a países latino-americanos pelos mercados financeiros do Norte, sob a forma de títulos e/ou empréstimos bancários.

De uma maneira geral, as crises traduziram-se pela transferência maciça de capitais dos países endividados para os credores dos países industrializados. Normalmente, fazem-se acompanhar por uma perda dos elementos da soberania nacional: para garantir o pagamento, os credores deram-se o direito de tomar adiantada a quantia referente a taxas de importação ou impostos (caso do Haiti, Peru e República Dominicana, na década de 30); reter os principais recursos de exportação (caso do México, entre 1995 e 1997: as rendas referentes ao petróleo passavam por uma conta bancária em Nova York, controlada pelo Federal Reserve dos Estados Unidos); impor sua jurisdição nacional para tratar de casos de litígio e, em alguns casos, intervir militarmente para recuperar suas dívidas (o porto de Caracas foi bloqueado, em 1902, por navios de guerra de várias potências industriais). Vários setores de economias endividadas passaram, por inteiro, para as mãos dos credores.
(Trad.: Jô Amado)




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