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Ao contrário do que alegam os neoliberais, a causa das dificuldades japonesas não é o suposto “excesso de regulamentação”. O país está em crise porque continua submetido ao sistema político imposto pelos EUA no pós-guerra – e porque adotou, nos anos 80, as decisões políticas que interessavam... a Washington!

Chalmers Johnson - (01/03/2002)

Os EUA, em grande parte, modelaram o sistema, construindo, depois da II Guerra, uma relação inteiramente destinada a servir seus interesses

“O grau de frustração dos japoneses com relação às exigências dos Estados Unidos é tal que todas as iniciativas políticas [de Washington], mesmo as que são do interesse do país, encontrarão uma resistência. Os Estados Unidos não sabem disso, sem dúvida, mas estão esmagando a identidade do povo japonês e este, a longo prazo, não o aceitará1”. Bastante incomum, essa franqueza de Makato Utsumi, ex-alto funcionário do governo japonês, põe o dedo na ferida em um dos aspectos negligenciados, mas fundamentais, da interminável crise japonesa: a supremacia norte-americana sobre uma sociedade que se tornou incapaz de definir objetivos nacionais e de se atribuir um papel político à altura de seu peso econômico.

A corrupção, o imenso desperdício de recursos em grandes projetos inúteis e a incompetência aflitiva da casta dirigente saída do Partido Liberal Democrata (PLD) não são, é claro, diretamente imputáveis a essa dependência externa. Mas os Estados Unidos, em grande parte, modelaram o sistema, construindo, depois da II Guerra Mundial, uma relação inteiramente destinada a servir seus interesses.

“Mediocridade vergonhosa”

Seria possível aplicar a fórmula de Raymond Aron, que qualificava de “mediocridades vergonhosas” os satélites soviéticos na Europa central e oriental

Sob o impulso de John Foster Dulles, esse obcecado pelo anticomunismo, transformaram o ex-inimigo japonês em aliado, em satélite e em agente dos Estados Unidos no confronto com a União Soviética e a República Popular da China. Em nome da guerra fria e em reação à vitória do Partido Comunista Chinês em 1949, abandonaram seu projeto inicial de democratização do Japão e estimularam a emergência de uma casta de elite que monopolizou o poder durante perto de 60 anos, incentivando a conivência, o clientelismo e a corrupção, em vez do interesse geral. Eles dominaram a economia política do país e limitaram sua autonomia.

Diante de tal imposição, o Estado e o sistema político permaneceram imaturos. Daí, a incompetência da maioria dos governos nipônicos posteriores à ocupação norte-americana, principalmente no período recente. A ponto de ser possível aplicar-lhes a fórmula de Raymond Aron, que qualificava de “mediocridades vergonhosas” os satélites soviéticos na Europa central e oriental.

Desenvolvimento econômico fulgurante

Os Estados Unidos presumiam que as economias empobrecidas da Ásia Oriental jamais estariam à altura de competir com os Estados Unidos

A política norte-americana assemelhava-se, de certa forma, à da União Soviética na Europa Central e Oriental. Entretanto, contrariamente à URSS, os Estados Unidos firmaram, na Ásia Oriental, um pacto informal que foi economicamente benéfico para seus aliados dependentes. Em troca da garantia de uma presença militar indefinidamente aceita, deram ao Japão e à Coréia do Sul um acesso comercial preferencial ao mercado interno norte-americano e toleraram, contrariamente ao que fizeram com a América Latina, por exemplo, a continuação de políticas econômicas protecionistas e mercantilistas.

Esta política baseava-se em dois postulados. O primeiro presumia que as economias empobrecidas da Ásia Oriental jamais estariam à altura de competir com os Estados Unidos. O segundo considerava que o crescimento econômico permitiria afastar os povos asiáticos do socialismo, do neutralismo e do comunismo. Como se sabe, o desenvolvimento econômico nipônico foi fulgurante, projetando o Japão ao segundo lugar mundial no final da década de 70.

Na década seguinte, a concorrência manufatureira japonesa foi danosa ao tecido industrial norte-americano, conseqüência inesperada do pacto do pós-guerra. Os custos foram astronômicos para a economia norte-americana, como atestam os déficits comerciais crescentes das décadas de 80 e 90 (81 bilhões de dólares em 2000) 2. Decorreram daí os azedos conflitos comerciais dessas décadas e os arranjos bilaterais monetários freqüentemente contrários aos interesses japoneses.

A chave do sistema financeiro

Em vez de se concentrar nas exportações e na relação comercial com os EUA, teria sido melhor, na década de 80, reorientar a economia e estimular a demanda externa

Em meados da década de 80, o Japão tornava-se o principal credor mundial, enquanto os Estados Unidos transformavam-se em principal devedor. Essa inversão de papéis deveria ter feito evoluir o quadro bilateral. Não aconteceu nada disso. Ao contrário, os dois países aumentaram sua dependência mútua. Depois do crack de 1987 em Wall Street, o Japão precipitou-se para socorrer a bolsa norte-americana, comprando títulos norte-americanos em grandes quantidades e evitando, dessa forma, um pânico de grandes dimensões. Além disso, os importantes fluxos financeiros japoneses em direção aos Estados Unidos permitiram a estes encontrar um paliativo para a pequena taxa de poupança interna; financiar déficits crescentes, que teriam normalmente exigido dolorosos custos de ajuste; e manter um sistema financeiro exuberante.

Na realidade, o Japão detém a chave da saúde do sistema financeiro norte-americano: se por acaso os fundos nipônicos investidos nos bônus do Tesouro norte-americano fossem repatriados, os Estados Unidos seriam obrigados a financiar sua dívida recorrendo à poupança interna. Como esta é insignificante (negativa, em 2000), o impacto deflacionário de um tal refluxo de capitais seria devastador para a economia norte-americana.

Investindo na exportação

Para tentar evitar a queda das exportações, 3,6 trilhões foram transferidos aos maiores grupos econômicos

Em vez de se concentrar sobre as exportações e a relação comercial com os Estados Unidos, teria sido melhor para o Japão, na década de 80, reorientar sua economia, estimular a demanda interna e construir com seus parceiros relações comerciais mutuamente vantajosas. Na década de 60, o primeiro-ministro Hayato Ikeda conseguiu projetar o país para uma era de crescimento rápido graças a seu bem-sucedido programa de “duplicação de renda” (shotoku baizo).

O Japão podia empreender uma política análoga na década de 80, pois tinha os meios de aumentar fortemente a demanda interna respondendo a necessidades não-satisfeitas em habitação, hospitais, desenvolvimento urbano e transporte, por exemplo. Eram, e ainda são, jazidas de crescimento potencial importantes. Mas não foi esse o caminho escolhido.

Ao invés de adotar um programa de desenvolvimento econômico auto-centrado, o governo aprofundou seus laços securitários de guerra fria com os Estados Unidos e tentou preservar as vantagens comerciais comparativas, investindo no crescimento das capacidades produtivas exportadoras. Entre 1986 e 1991, por exemplo, o Japão investiu 3.600 bilhões de dólares em novas instalações e equipamentos industriais3. A idéia consistia em reduzir de 40 a 50% os custos manufatureiros, para compensar a alta do iene que se seguiu aos chamados acordos do Plaza, de 19854.

Críticas ao papel do Estado

Resultaram enormes supercapacidades produtivas, que os mercados doméstico e internacional não podiam absorver

Mas daí resultaram enormes supercapacidades manufatureiras que os mercados doméstico e internacional não podiam absorver. A crise bancária, a bolha financeira e a estagnação econômica prolongada que atualmente assolam o arquipélago encontram aí sua causa profunda. A causa imediata foi a liberalização financeira e a onda de especulação financeira e imobiliária do final da década de 80.

Como de hábito, o governo tentou salvar-se privilegiando o setor exportador e exigindo dos bancos mais fortes que socorressem os mais fracos. Não utilizou a imensa poupança do país para liquidar os empréstimos de retorno duvidoso, nem consolidou o sistema financeiro. Ora, segundo os cálculos do Banco do Japão, sem estes dois últimos tipos de intervenção, o pagamento da dívida acumulada deveria exigir 84 anos de atividade no setor imobiliário, 32 na grande e pequena distribuição e 19 na construção. Além do mais, o governo se lançou entre 1998 e 2000 em grandes projetos duvidosos, que custaram o equivalente ao Produto Interno Bruto francês, ou seja, perto de 1,4 trilhões de dólares. Em 1991, a dívida pública nipônica representava 50% do PIB, contra 151% hoje.

Ao longo da década de crescimento brando (1990-2000), os Estados Unidos não pararam de criticar a gestão econômica japonesa, em particular o papel preponderante desempenhado pelo Estado na economia. Segundo eles, era isso que estava na origem dos problemas. No entanto, os fatos demonstram o contrário.

O modelo-padrão norte-americano

A economia não era super-regulamentada, mas sub-regulamentada. A capacidade de intervenção do Estado fora enfraquecidas pela liberalização dos mercados financeiros

A economia japonesa não era super-regulamentada, mas sub-regulamentada. As capacidades de intervenção do Estado tinham sido enfraquecidas pela opção política de liberalizar os mercados financeiros. Na realidade, os problemas econômicos do país remontam ao final da década de 80, quando o Ministério das Finanças abdicou de suas responsabilidades de regulador, relaxando seu controle sobre os bancos, enquanto que estes se empenhavam em práticas especulativas irresponsáveis.

A incapacidade, por parte do país, de conduzir com sucesso reformas na década seguinte não resultou de uma intervenção excessivamente forte da burocracia na gestão econômica. Pelo contrário, deveu-se ao fato de que interesses privados tornaram-se autônomos, e de modo correlato, à fraqueza da intervenção pública na implementação da política econômica do país. Como salientou Joseph Stiglitz, ex-economista chefe do Banco Mundial e prêmio Nobel de Economia, “a regulamentação tornou-se o bode expiatório enquanto que a verdadeira culpada foi a falta de controle5”.

As críticas ao modelo nipônico procuravam desacreditar qualquer via diferente do “modelo norte-americano” e criar fundamentos ideológicos sólidos para a continuação da ordem liberal dominante, centrada nos Estados Unidos. Visavam atingir, em particular, ao “Estado desenvolvimentista” capitalista da Ásia oriental6. Os ideólogos norte-americanos ignoram solenemente os fundamentos culturais do dirigismo econômico em numerosos países da Ásia oriental: elas orientam a economia para o longo prazo, enquanto que as finalidades do “capitalismo de acionistas” norte-americano se resumem na acumulação a curto prazo.

Indiferença ao sofrimento

Como salientou Joseph Stiglitz, “a regulamentação tornou-se o bode expiatório, enquanto a verdadeira culpada foi a falta de controle”

Além disso, esses ideólogos levam à caricatura os supostos benefícios do sistema norte-americano. Como destaca o autor inglês John Gray, “uma característica da civilização norte-americana é conceber os Estados Unidos como um modelo universal (...), mas esta idéia não é aceita por qualquer outro país. Nenhuma cultura européia ou asiática pode tolerar o dilaceramento social – cujos sintomas são a criminalidade, o encarceramento, os conflitos raciais e étnicos e o desmoronamento das estruturas familiares e comunitárias –, que é o outro lado da moeda do sucesso econômico norte-americano7.”

No fundo, o problema do Japão não é de natureza econômica, mas política. O Partido Liberal Democrata (PLD), no poder desde 1949, é corrupto e incompetente. Seu antigo papel de muralha anticomunista já não faz sentido. Mas os norte-americanos adoram o PLD, único partido político do país suficientemente indiferente ao sofrimento e à humilhação dos habitantes de Okinawa (ou de outras populações que vivem nas proximidades das 91 bases militares norte-americanas), para servir de agente dos Estados Unidos. Ao longo das últimas décadas, gastaram enormes somas de dinheiro para apoiar seus agentes do PLD e dividir o campo progressista e socialista.

Um futuro ainda longínquo

Atualmente, o Japão necessita uma refundação de seu sistema político para levar ao poder dirigentes dignos desse nome e devolver à política industrial que criou, e soube aperfeiçoar, o lugar que merece. Houve quem acreditasse que a eleição do original e carismático Junichiro Koizumi, em abril de 2001, renovaria o ar de um sistema emperrado. Apesar de sua longa filiação a uma das correntes mais implacáveis e corrompidas do PLD, ele posava de reformista. Nomeou cinco mulheres para o governo, entre as quais a muito popular Kakuei Tanaka, para as Relações Exteriores. Mas, na verdade, tratava-se de uma mudança de estilo, e não de substância. Kakuei Tanaka foi demitida em janeiro, sem dúvida em razão de sua política mais autônoma com relação aos Estados Unidos8.

O Japão precisa muito mais que uma simples renovação de fachada. O arquipélago não se tornará uma nação maior sem criar um governo legítimo, que porá os interesses do país à frente dos interesses estratégicos militares norte-americanos. Somente então poderá aproveitar as evoluções regionais, a abertura da China e as perspectivas coreanas. Um tal governo poderia ajudar no desenvolvimento regional e tomar seu lugar na Ásia. Infelizmente, este governo ainda não se delineia no horizonte. (Trad.: Maria Elisabete de Almeida)

1 Declaração, em 18 de maio de 2001, no Woodrow Wilson Center for International Scholars, em Washington, DC. 2 Ler, de Richard McCormack, o artigo “Japan To Displace U.S. As World’s Largest Economy”, New Technology Week, 6 (20), 18 de maio de 1992. 3Asian Wall Street Journal, 1º de março de 2000. 4Assinados em Nova York, em setembro de 1985, por EUA, Alemanha, França, Reino Unido e Japão, os acordos de Plaza provocaram forte revalorização do iene. 5 Ler, de Joseph Stiglitz, “How To Fix The Asian Economies”, New York Times, 31 de outubro de 1997. 6Ler The Developmental State, org. Meredith Woo-Cummings, ed. Cornell University Press, Ithaca, Nova York, 1999. 7Ler, de John Gray, False Dawn: The Delusions of Global Capitalism ,ed. New Press, Nova York, 1998, p. 227. 8Kakuei Tanaka havia esboçado uma política mais aberta em relação à China e mais crítica com relação a Washington.




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