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Israel, a utopia perdida

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Abundante em lembranças e histórias que dão vida à sua memória crítica, obra oferece um raro momento de reflexão sobre os fundamentos da ideologia que envolve o Estado de Israel

Dominique Vidal - (01/03/2002)

O livro de Rosenberg oferece um importante momento de reflexão, teórica e política, sobre os fundamentos da ideologia que envolve o Estado de Israel

Em 1962, aos 14 anos de idade, Göran Rosenberg deixou a Suécia, após o suicídio de seu pai, e emigrou para Israel com sua mãe. Em 1968, voltaria com ela a seu país natal. Depois de 28 anos e várias voltas a sua pátria provisória entre 1980 e 1990, registrou as lições dessa experiência ao escrever L’utopie perdue. Israël, une histoire personnelle, que acaba de ser traduzido para o francês.

Apresentado dessa forma, o livro poderia passar por uma dessas autobiografias nas quais o autor, jovem judeu que se tornou israelense por uns tempos na década de 60, faz a amarga comparação entre o ideal pioneiro dessa época, ao mesmo tempo sionista e socialista, e a realidade de Israel meio século após sua criação. Ora, se o livro de Göran Rosenberg é abundante em lembranças e histórias que dão vida à sua memória crítica, ele oferece principalmente um raro momento de reflexão, teórica e política, sobre os fundamentos da ideologia que envolve o Estado de Israel.

Um mergulho na história

Por meio de uma síntese, o autor demonstra como os fundadores e pensadores do movimento sionista armaram o impasse a respeito da “questão árabe”

Com uma sólida erudição acompanhada de um autêntico senso pedagógico, o autor retoma, alternadamente, as etapas da história do movimento sionista. Inicialmente, propõe uma inteligente síntese de seus fundadores e pensadores, mostrando, principalmente, como – à exceção de Ahad Ha’am e, mais tarde, Judah Magnès – eles armaram o impasse a respeito da “questão árabe”. Foi por ter consciência disso que Zeev Jabotinsky fundou o “sionismo revisionista”, cuja ideologia ultra-nacionalista o autor analisa. Porém, escreve Rosenberg, “a fronteira entre os dois mitos históricos do revisionismo e do sionismo operário fora traçada na areia. Pouco a pouco, o sionismo operário passou a integrar, de fato, elementos (...) importados do reservatório de idéias revisionistas”.

O autor demonstra essa tese – após apresentar uma terceira ramificação, a do sionismo religioso – de maneira convincente, evocando a primeira guerra israelo-árabe, de 1948, a reviravolta de 1967, a devastação da ocupação e, desde os acordos de Oslo (1993), a oposição entre normalização e messianismo. Esse longo mergulho desemboca em uma descrição pertinente das duas faces de Israel que se opõem a partir dessa época, diante da possibilidade do nascimento de um Estado palestino.

Uma revisão da identidade judia

“Talvez só agora possamos compreender”, observa ele, “o quanto o holocausto afetou a comunidade israelense”

A normalização passa, na opinião do autor, pela criação de um Estado palestino ao lado de um Estado de Israel dotado de uma Constituição democrática

Nessas tensões internas do movimento sionista, Rosenberg não ignora evidentemente o peso do genocídio: “Talvez só agora possamos compreender”, observa ele, “o quanto o holocausto afetou a comunidade israelense. (...) Talvez ousemos até afirmar que o holocausto contribuiu para reforçar o lado intolerante do nacionalismo judeu. O entusiasmo ideológico e a ingenuidade traziam um olhar frio e cínico. A moral embaraçosa do conflito com os árabes palestinos foi neutralizada pela moral de Auschwitz.” Quem tenha estudado a guerra de 1948 ficará surpreso ao saber que um terço das forças judias que expulsaram centenas de milhares de palestinos era composto por sobreviventes do genocídio judeu...

A última e apaixonante etapa é a discussão do “problema judeu” meio século após o genocídio, em resposta aos debates particularmente acirrados que opõem intelectuais judeus franceses1. Rosenberg parece reivindicar uma cidadania judia aberta. “O que restaria da identidade judia”, pergunta ele, “quando a lembrança do holocausto se apagasse e os laços com o Estado de Israel perdessem seu drama?” E responde: “Trata-se de saber como o judaísmo conseguirá romper com a polarização contínua entre sua banalização espiritual e as formas extremamente particulares do nacionalismo religioso, do racismo étnico e do messianismo nacional.” Essa normalização passa, na opinião do autor, pela criação de um Estado palestino ao lado de um Estado de Israel finalmente dotado de uma Constituição democrática e, portanto, transformado no “Estado de seus cidadãos”, mas também por uma revisão fundamental da identidade judia, a qual implica uma opção existencial: “Os judeus devem considerar-se portadores coletivos de uma responsabilidade histórica ou portadores individuais de uma idéia moral?” (Trad.: Denise Lotito)

L’utopie perdue. Israël, une histoire personnelle, de Göran Rosenberg, ed. Denoël, Paris, 2001, 26 euros (55 reais). Histoire intellectuelle et politique du sionisme, de Georges Bensoussan, ed. Arthème Fayard, 2002, 47 euros (100 reais). Le Péché originel d’Israël. L’expulsion des Palestiniens revisitée par les “nouveaux historiens” israéliens, de Dominique Vidal (com Joseph Algazy). Uma segunda edição, aumentada e com prefácio de Ignácio Ramonet, foi publicada por Editions de l’Atelier, 2002. Les juifs ont-ils un avenir?, de Jean-Christophe Attias e Esther Benbassa, ed. Jean-Claude Lattès, 2001, 17,98 euros (38 reais).

1 Jean-Christophe Attias et Esther Benbassa, Les juifs ont-ils un avenir?, Jean-Claude Lattès, 2001, 280 págs, 17,98 euros.




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