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ORIENTE MÉDIO

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O Oriente Médio vive uma escalada de violência que faz parecer distante a construção de uma saída diplomática. Para os fundadores da Coalizão israelense-palestina pela paz, no entanto, a solução existe: trata-se do acordo feito por ocasião das negociações de Taba, em janeiro de 2001

Yasser Abed , Yossi Beilin - (01/04/2002)

À esperança destes últimos anos, de solução do conflito israelense-palestino, sucedeu-se um sentimento de frustração, de decepção, de pessimismo – e uma escalada da violência

O conflito israelense-palestino que, há apenas um ano e meio, parecia prestes a ser resolvido, está num impasse. Cada dia vemos se afastar um pouco mais qualquer perspectiva de solução. As duas partes estão mergulhadas num ciclo de violência. À esperança destes últimos anos sucedeu-se um sentimento de frustração, de decepção, de pessimismo. Dos dois lados, aqueles que pertencem ao campo da paz estão irritados e preferem esperar o momento propício para se manifestar, quando será possível voltar à mesa da negociação.

Do lado israelense, não se compreende que a Intifada tenha estourado justo no momento em que a paz parecia próxima. Do lado palestino, não se entende por que Israel tem usado meios desproporcionais frente ao levante palestino, utilizando aviões e blindados contra uma população já sujeita, em larga medida, ao controle securitário israelense. Cada uma das duas partes encontra argumentos convincentes para justificar a escalada; cada uma explica ao seu povo e ao mundo: “não podemos deixar tal incidente sem resposta”, e utiliza em seguida métodos que não haviam sido empregados até então. Os adversários são como dois lutadores, que envolvem-se num abraço mortal e que continuam se magoando sem que nem um nem outro extraiam da luta qualquer benefício. Se, dentro de alguns anos, fosse mostrado aos dois protagonistas o filme desses fatos, ninguém daria crédito a um cenário tão estúpido. É preciso pôr fim a esta dança da morte, e já.

O impasse e a saída trágica

Dos dois lados, muitas pessoas se recusam a aceitar essa degradação progressiva, que leva diretamente a uma saída trágica

A esperança de retomar as negociações por vias informais parece a cada vez mais afastada. Os israelenses não têm mais o direito de entrar nas áreas sob controle palestino, exceto com um salvo-conduto especial, que o Ministério da Defesa se nega quase sistematicamente a emitir. Os palestinos não podem mais entrar em Israel e seus parlamentares não dispõem mais do privilégio da livre circulação, concedido anteriormente. As reuniões só podem ocorrer nos “pontos de controle” (checkpoints) ou no exterior, no momento em que se torna a cada vez mais difícil obter de Israel a autorização de deixar o território.

De cada lado, muitas pessoas se recusam a aceitar essa degradação progressiva, que leva diretamente a uma saída trágica. Enquanto outros canais de comunicação estão cortados, pensamos que é preciso abrir uma nova via informal, capaz de assegurar um contato permanente, mesmo nos mais difíceis momentos, e que permitirá responder permanentemente às questões em pauta, restabelecer a confiança mútua, provar a cada uma das duas partes que existe um interlocutor e um denominador comum suficientemente importante para permitir a assinatura de um acordo de paz.

O resgate dos acordos

Logo após a eleição do Sr. Ariel Sharon, em fevereiro de 2001, uma coalizão para a paz foi criada em Israel para se contrapor ao governo de união nacional

Logo após a eleição do Sr. Ariel Sharon, em fevereiro de 2001, uma coalizão para a paz foi criada em Israel para se contrapor ao governo de união nacional. Ela se apóia essencialmente em três forças políticas: o partido Meretz ; os parlamentares trabalhistas que se opõem à adesão de seu partido ao governo de união nacional; e uma fração dos novos imigrantes da antiga URSS. Além disso, inclui várias personalidades conhecidas e movimentos pacifistas não parlamentares.

Em julho do mesmo ano, aconteceu uma reunião entre os representantes dessa coalizão para a paz e um grupo semelhante do lado palestino, incluindo ministros em exercício, membros do Conselho Legislativo e intelectuais. Uma declaração comum foi adotada, que reconhece os sofrimentos do outro. Destaca também a necessidade de uma interrupção imediata das violências e da volta à mesa de negociações. E menciona as linhas gerais de um acordo sobre o estatuto final da Palestina, nos termos do encontro de Camp David (julho de 2000), do plano Clinton (dezembro de 2000) e dos encontros de Taba (janeiro de 2001).

As principais personalidades dos dois lados são antigos dirigentes, que tinham se encontrado em várias ocasiões em torno de uma mesa de negociações, sem sucesso. São pessoas que acreditam que, em vez de acusar-se mutuamente pelo agravamento da situação, é preferível – e plenamente realista – retomar as conversações. Acreditam na possibilidade de chegar a um acordo que resolverá os últimos problemas deixados em suspenso durante as negociações anteriores. Será possível, então, ganhar o apoio das populações israelense e palestina, exaustos por esta guerra sem fim.

Ações pela paz

Para satisfazer plenamente os interesses de cada lado, é preciso reforçar a parte adversa e não enfraquecê-la, como tendemos a pensar

Nestes últimos meses, matérias assinadas conjuntamente pelos dirigentes do movimento dos dois lados foram publicadas na imprensa internacional; delegações mistas foram despachadas a várias capitais do mundo, onde explicamos as nossas posições aos responsáveis políticos, aos parlamentares e a mídia; e publicamos apelos a favor de uma volta à mesa de negociação.

Um dos momentos marcantes das nossas ações conjuntas foi o encontro na África do Sul, em janeiro de 2002, sob a coordenação do presidente Thabo Mbeki. Nas circunstâncias atuais, no momento em que está tão difícil fazer encontros no território palestino ou israelense, pudemos aproveitar a experiência da reconciliação sul-africana para encaminhar um diálogo aberto e contínuo, e para entrar em acordo sobre as próximas ações em comum. O presidente sul-africano e os dez membros de seu governo dedicaram tempo integral a esta reunião de três dias, e desempenharam um papel central para nos ajudar a compreender os eventos sul-africanos e aplicá-los à situação do Oriente Médio. Assim, nossos interlocutores sul-africanos explicaram que, para satisfazer plenamente os interesses de cada lado, era preciso reforçar a parte adversa e não enfraquecê-la, como tendemos a pensar.

Um apelo à intervenção

O nosso primeiro encontro fez um apelo à intervenção, principalmente dos EUA e da Europa, para ajudar israelenses e palestinos a regressar à mesa de negociação

Em 14 de janeiro, pouco tempo após a nossa volta da África do Sul, tomamos a decisão de criar a Coalizão israelense-palestina para a paz. De agora em diante, a nossa intenção é reforçar as relações entre as duas partes, responder à mídia com declarações comuns, encontrar personalidades políticas que vêm à região e que, até então, só puderam ter encontros separados com israelenses ou palestinos. Pela primeira vez desde a supressão, em 1988, da lei que proibia israelenses de encontrar representantes da OLP, a cooperação espontânea vai ser transformada em uma coordenação permanente. Membros da Coalizão trabalharão em tempo integral, submetendo propostas de ação aos dirigentes políticos. Essa mudança de modus operandi deverá permitir levar em conta o ponto de vista dos dois campos.

O nosso primeiro encontro fez um apelo à intervenção de terceiras partes para ajudar israelenses e palestinos a regressar à mesa de negociação. Esse apelo foi endereçado principalmente aos Estados Unidos e à Europa, mas não só a eles; pensávamos também na vinda de observadores, de mediadores, de “facilitadores”, mesmo que isso parecesse cada vez menos viável. Mantemos a nossa demanda, porém sentimos a necessidade de criar, nós mesmos, um tipo de “terceira parte”: é o sentido da Coalizão para a paz, fundada no princípio do “faça você mesmo”. Pois se o resto do mundo está disposto a sentar no banco de reserva – adotando a atitude “deixe-os sofrer” –, para nós isso é impossível.

Um fim à violência

A Coalizão precisa de um amplo reconhecimento, de uma legitimação internacional e da ajuda de todos aqueles que, no mundo inteiro, acreditam na paz

Chamamos a atenção dos nossos dirigentes para que eles cessem essa luta mortal, que voltem para a mesa de negociações, que afastem qualquer recurso à violência, que abandonem qualquer condição prévia para a retomada das negociações e que aproveitem os acordos existentes para um cessar-fogo (documento Tenet), sobre a restauração da confiança mútua (relatório Mitchell) e sobre o estatuto final (plano Clinton e as conversações que o antecederam e o seguiram).

A Coalizão israelense-palestina não é fácil de manter. Se de um lado dispomos de um apoio importante, sofremos também ataques intensivos. Aqueles que se dispuseram a se encontrar e a dialogar, no momento em que a violência persiste e que inocentes continuam morrendo dos dois lados, sempre serão acusados de fazer o jogo do adversário. É justamente por esse motivo que precisamos de um amplo reconhecimento, de uma legitimação internacional, e da ajuda de todos aqueles que, no mundo inteiro, acreditam na paz. (Trad.: David Catasiner)




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