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PALESTINA

Os preconceitos da Casa Branca

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Quando 75 mil homens eram enviados para território palestino e quando as maiores cidades da Cisjordânia se haviam transformado em ruínas, George W. Bush pronunciou a seguinte declaração: “Creio firmemente que Ariel Sharon é um homem de paz”.

Geoffrey Aronson - (01/05/2002)

A estrela do general Sharon nunca brilhou tanto quanto na Washington de Bush. Sharon é um entusiástico soldado da guerra contra o “eixo do Mal”

Por muito tempo, após sua renúncia forçada do cargo de ministro da Defesa – devido à sua implicação nos massacres de Sabra e Chatila, em setembro de 1982 –, Ariel Sharon foi persona non grata em Washington. Sua reabilitação começou com a nomeação para o cargo de ministro das Relações Exteriores de Benjamin Netaniahu. Em novembro de 1997, o general visitou a Casa Branca para se encontrar com Sandy Berger, assessor para a segurança nacional do presidente William Clinton. Com mapas na mão, como sempre, Sharon chegou admitindo o caráter inevitável do Estado Palestino e procurou ganhar o apoio do governo Clinton para a sua versão dos contornos que aquele deveria ter: uma entidade composta pela metade da Cisjordânia e pela quase totalidade da Faixa de Gaza. Segundo o jornal israelense Haaretz de 28 de novembro de 1997, “um funcionário do alto escalão do governo Clinton” teria declarado que Berger tinha ficado “impressionado com a reunião. Sharon parecia pragmático e moderado”.

Mas a estrela de Sharon nunca brilhou tanto quanto na primavera de 2002, na Washington de George W. Bush. Assim como o primeiro-ministro britânico, Anthony Blair, Sharon é um dos mais entusiásticos soldados da guerra contra o “eixo do Mal”. Dessa forma, apagou-se da memória dos donos das decisões e de seus assessores a lembrança dos problemas que Sharon criara para Washington durante anos a fio. E, no momento em que mais de três divisões do exército israelense – ou seja, cerca de 75 mil homens – eram enviadas para a Cisjordânia; no momento em que as maiores cidades da Cisjordânia se haviam transformado em ruínas; no momento em que israelenses e palestinos choravam a morte de centenas de inocentes, o senhor George W. Bush pronunciou, no dia 18 de abril, esta declaração inacreditável: “Creio firmemente que Ariel Sharon é um homem de paz”.

Os “pecados” de Yasser Arafat

Quanto a Yasser Arafat, ele já teria gasto o pouco de boa vontade por parte de Washington. Foi o que declarou o presidente Bush no dia 6 de abril: “Arafat nunca gozou da minha confiança, pois não provou suas intenções”. Mas não é só devido à sua incapacidade que o líder palestino não satisfaz os desejos do governo norte-americano. Em Washington, ele é ridicularizado como um pária político. Ninguém teme e ninguém respeita esse prêmio Nobel da Paz. As discussões se dão em torno de sua eliminação política, merecida, quando esta não resulta das urnas – ele nunca teve tanta popularidade –, mas do sinal verde dado por Washington a Ariel Sharon.

Arafat, que visitava com freqüência a Casa Branca durante a presidência de Clinton, é vinculado ao que é visto como um desperdício de poderes: a ilusória paz israelo-palestina

Arafat paga por seu engajamento no “processo de paz” de Oslo, ao qual se opõem, há muito tempo, os principais ideólogos estratégicos da defesa nacional do governo Bush, por se oporem à retirada de Israel dos territórios ocupados. Arafat, que visitava com freqüência a Casa Branca durante a presidência de Clinton, é vinculado àquilo que, nos círculos íntimos de Bush, é criticado como um desperdício de poderes por parte do ex-ocupante da presidência: a ilusória busca da paz israelense-palestina. Após desacreditarem o processo de Oslo – por ser contraditório aos interesses de Israel – os partidários do atual presidente vêem na recusa da “oferta generosa” de Ehud Barak pelo líder palestino um sinal do impasse diplomático a que está fadada qualquer tentativa de negociação com Arafat.

Uma “última chance” unilateral

Além do mais, na perspectiva estratégica mais ampla que representam a “guerra contra o terrorismo” e uma futura ofensiva contra Saddam Hussein, os palestinos e o mundo árabe limitam-se a um papel secundário. Ninguém, no governo Bush, consideraria Arafat e os seus como “parceiros” do mesmo nível de seus inimigos israelenses. Na melhor das hipóteses, o líder da Autoridade Palestina deveria ser neutralizado enquanto fator de instabilidade. Na pior, Washington poderia concluir, como o primeiro-ministro israelense, que Arafat e as instituições que ele representa teriam ido além do que deveriam, e, a partir de agora, não teriam qualquer outra utilidade.

Na perspectiva estratégica da “guerra contra o terrorismo” e da futura ofensiva contra o Iraque, os palestinos e o mundo árabe têm um papel secundário

Aliás, o governo Bush quase tomou essa decisão em janeiro de 2002, após a interceptação por Israel de um navio cheio de armas destinado aos palestinos e originário do Irã. Foi por isso que a visita do secretário de Estado, Colin Powell, à região no início de abril, foi considerada por Henry Kissinger – mas também pelo grupo de jovens assessores do presidente palestino – como “uma tentativa norte-americana de dar uma última chance a Arafat” para que ele desse ouvidos ao desejo de Bush “de agir de forma coerente à sua condenação do terrorismo”. E Kissinger acrescentou: “Considerando a forma pela qual o presidente reage a essas coisas, não teremos qualquer processo de paz se os participantes não se opuserem ao terrorismo1 ”.

A chantagem de Rumsfeld

Bush adotou o “tom presidencial” com o tema emocional, pós-guerra fria, da “guerra contra o terrorismo”. Na seqüência dos atentados da Al Qaida contra os Estados Unidos, ele se satisfaz com a claridade virtuosa de sua cruzada. A resposta norte-americana aos ataques de 11 de setembro justificou a sua razão de ser política. Demonstrou sua capacidade de mobilizar a opinião pública em favor de um objetivo diplomático, militar e estratégico que já existia antes da tragédia e cuja mola-mestra é o desenvolvimento de novas gerações de armas e de sistemas nucleares encarregados de se contrapor a um eventual ataque aéreo. O presidente Bush conjuga, dessa forma, o credo moral da guerra contra o terrorismo e preocupações muito mais prosaicas, como o escudo anti-mísseis e a proliferação de armas não-convencionais.

No dia 31 de janeiro de 2002, Donald Rumsfeld, secretário da Defesa, declarou: “Atualmente, a verdadeira preocupação é o vínculo existente entre as redes terroristas e os Estados terroristas que possuem armas de destruição maciça. Isto deve levar a população do mundo inteiro a compreender o que temos pela nossa frente: algo de inteiramente diferente do que existiu em outros tempos, que não representa uma ameaça a milhares de vidas, mas a centenas de milhares de vidas. Imaginem vocês como essas armas são potentes e letais!”

“Terminando o serviço” no Iraque

Após o fracasso das negociações de paz, a Casa Branca já não considera um acordo entre israelenses a árabes a maneira mais eficaz de enfrentar o Iraque ou o Irã

Principal aliado e admirador de Bush, Israel também é um de seus mais fervorosos apoios nesse esforço de guerra. Garante ter o único sistema de escudo anti-mísseis balísticos em funcionamento no mundo. Os Estados Unidos vêm incentivando Israel a exportá-lo para a Turquia e a Índia. A aliança estratégica entre Jerusalém e Washington apóia-se, portanto, numa colaboração de tecnologia de ponta e estratégia anti-mísseis. Com relação a isso, os desentendimentos entre israelenses e palestinos, e até entre israelenses e sírios, parecem, do ponto de vista de Washington, bem menos importantes.

Há mais de vinte anos que os dirigentes israelenses procuram fazer com que Washington partilhe de sua visão sobre as ameaças não-convencionais representadas pelo Irã, o Iraque e, em menores proporções, pela Síria. Sharon e seus aliados do Pentágono jamais aceitaram um dos postulados das negociações de Madri (1991), patrocinadas pelos Estados Unidos após a guerra do Golfo: o de que uma coalizão formada por Israel e alguns países árabes poderia ser acionada contra os regimes radicais de Bagdá e Teerã.

Após o fracasso das negociações de paz, o governo Bush já não considera um acordo entre israelenses e árabes a maneira mais eficaz de enfrentar o Iraque ou o Irã. O secretário Rumsfeld, assim como o vice-presidente Richard Cheney, considera prioritário “terminar o serviço” começado por Bush pai, e depor Saddam Hussein. Em sua opinião, qual seria a vantagem de ter que pagar politicamente por uma cooperação árabe que não é essencial, e que Washington tem certeza de conseguir, tão logo esteja assegurada a vitória norte-americana? A viagem feita por Cheney ao Oriente Médio, no mês de março, apenas reforçou essa opinião.

As ponderações de Colin Powell

Atualmente, quando os estrategistas norte-americanos estudam um mapa do Oriente Médio, seu olhar se fixa no Golfo. E só quando obrigados é que tratam da questão da Palestina e de suas guerras intermináveis. Seu único verdadeiro medo é que a violência transponha a fronteira oriental de Israel, na direção do Iraque e da Jordânia, e até arrastando a Síria e o Líbano. Na opinião do governo norte-americano, o conflito entre israelenses e palestinos é um buraco negro cheio de esperanças frustradas, que deve ser evitado custe o que custar. Trata-se de um espetáculo secundário que antecede um acontecimento muito mais sério, que irá determinar o futuro da região: a queda do poder iraquiano. Seria um alívio livrar-se dessas complicações, que tomam tempo e são cansativas, sem trazer qualquer vantagem.

Bush conjuga o credo moral da guerra ao terrorismo e preocupações mais prosaicas, como o escudo anti-mísseis e a proliferação de armas não-convencionais

Já Colin Powell parece compreender o que está em jogo na ofensiva lançada por Israel contra os palestinos. “Estou voltando”, explicou pouco antes de deixar Jerusalém, no dia 17 de abril, “mas deixo para trás questões fundamentais para os povos e para os líderes da região, assim como para a comunidade internacional. Para o povo e para os dirigentes de Israel, a questão é saber se é este o momento para o seu país, um Estado forte e apaixonado, olhar além das conseqüências destruidoras das colônias e da ocupação, que devem acabar, umas como a outra, em conformidade com as posições claras tomadas pelo presidente Bush em seu discurso de 4 de abril. Os israelenses devem olhar em frente, rumo à promessa de uma paz global e duradoura, não só para a região como para o mundo inteiro. Para o povo e os líderes da Autoridade Palestina, a questão é saber se será possível renunciar para sempre à violência e ao terrorismo e concentrar-se numa paz obtida estritamente através da negociação. Os terroristas e os que fomentam a violência não devem tomar como refém o sonho palestino da independência, impedindo a emergência de um Estado palestino.”

Gestão ineficaz da crise

O secretário de Estado força o governo Bush a reconhecer as vantagens de uma independência palestina, e isso dez anos depois que o primeiro governo Bush se comprometeu, numa “carta de garantia” ao governo de Izhak Shamir, a se opor à criação desse Estado2 . Mas Powell sofre um duplo bloqueio: pela consideração de que goza o primeiro-ministro israelense em Washington e também por um quadro diplomático que não tem qualquer relação com as mudanças que Sharon vem adotando militarmente. Aliás, essa dissonância reflete claramente a concepção israelense segundo a qual a parceria que assinou com Arafat os acordos de Oslo está chegando ao fim.

A atitude indulgente de Bush para com o governo de Sharon foi extraordinária, mesmo à luz da colaboração e amizade históricas entre os dois países

Por ocasião de sua posse, a intenção do governo Bush era a de não desempenhar qualquer papel importante nessa questão. Mas a persistência da Intifada e os ataques militares israelenses nas zonas autônomas palestinas impuseram-se aos principais dirigentes em Washington. Esse envolvimento, no entanto, resultou numa gestão cada vez mais ineficaz da crise, sem uma verdadeira estratégia política. As únicas dimensões claras na atual atitude dos Estados Unidos são os apelos contínuos à Autoridade Palestina para que ponha fim à rebelião, seja esta promovida por forças dependentes ou opostas ao governo palestino; e também a exigência de que o primeiro-ministro israelense coordene, como prometido, suas iniciativas militares com a Casa Branca.

A eliminação da segurança palestina

A atitude indulgente de Bush para com o governo de Sharon foi extraordinária, mesmo à luz da colaboração próxima e amizade históricas entre os Estados Unidos e Israel. Em 2001, Washington assistiu, impassível, à destruição por Israel das bases dos acordos de Oslo – que foram assinados pelos Estados Unidos. No início de dezembro de 2001, por ocasião de um encontro de Bush com Sharon em Washington, o primeiro limitou-se a perguntar se Arafat não tinha sido morto. Nas semanas que se seguiram, o governo israelense negou qualquer legitimidade à Autoridade Palestina, definindo-a como uma “entidade que apóia o terrorismo” e ao próprio Arafat como “fora de propósito” (irrelevante).

Quando aumentou o número de suas incursões militares, em março e abril de 2002, Israel deu o golpe de misericórdia nos serviços de segurança palestinos que operavam na Cisjordânia. Estes, no entanto, constituíam um dos fatores essenciais de um acordo, assinado há dez anos entre Israel e a Organização de Libertação da Palestina (OLP), que tornou possíveis as negociações de Oslo. E, embora a CIA tenha apoiado e ajudado política e tecnicamente esses serviços, os Estados Unidos não opuseram qualquer reação quando Sharon os mutilou, limitando-se a intervir, durante a ofensiva de abril, apenas para modificar algumas das condições de sua capitulação.

Apelos à paz... durante a ofensiva militar

Na opinião do governo norte-americano, o conflito é um buraco nego cheio de esperanças frustradas, que deve ser evitado custe o que custar

Entretanto, a preocupação que levou Colin Powell a fazer sua inesperada viagem em abril foi, principalmente, a ameaça de deterioração da situação regional devido à ofensiva militar israelense (leia, nesta edição, os artigos de Amnon Kapeliouk, Wissam Saade e Christian Salmon). “Dois ou três dias após o início da ofensiva [israelense]”, explicou Powell no dia 9 de abril, “as embaixadas [norte-americanas] começaram a nos relatar suas conseqüências nas ruas e para os líderes regionais. Vimos coisas que jamais pensamos que veríamos: carros incendiados em Bahrein, uma manifestação de meio milhão de pessoas no Marrocos, protestos no Egito. A situação nos preocupa, e a preocupação é que não se trata unicamente de um conflito entre duas partes nos territórios ocupados, mas de algo em ebulição que começa a extravasar da panela, atingindo não somente os interesses norte-americanos, mas também os de Israel, e de maneira duradoura, a longo prazo.”

O itinerário escolhido pelo secretário de Estado revelou a vontade de evitar um eventual contágio para além de Israel e Palestina. Por ocasião de suas visitas, previstas, ao Marrocos, ao Egito e à Espanha, Colin Powell concordou com uma declaração conjunta das Nações Unidas, da União Européia e da Rússia – mais agressiva que todos os discursos da Casa Branca – que foi rapidamente esquecida por Washington e pelos meios de comunicação norte-americanos. Durante as reuniões que teve em Beirute e Damasco, Powell enfatizou que desejava uma trégua com o Hezbollah no que se refere à situação junto à fronteira norte de Israel. O próprio presidente Bush apelou à Síria e ao Irã para que não se envolvessem nessa questão. Mas ainda que essas declarações tentassem provar a natureza dos principais objetivos norte-americanos na região, elas se deram enquanto Israel continuava suas ofensivas militares.

Incentivando Ariel Sharon

A preocupação que levou Colin Powell a fazer sua viagem em abril foi a ameaça de deterioração da situação regional devido à ofensiva militar israelense

A política dos Estados Unidos para com a Palestina e o Iraque dá bastantes dores de cabeça a seus inúmeros aliados árabes, como o Egito, a Jordânia e a Arábia Saudita. Esta última tentou preencher o vazio diplomático criado pelas eleições de Bush e Sharon articulando uma coalizão árabe para um plano que visava a oferecer o reconhecimento e a paz com Israel. Após apresentar essa “oferta” em surdina, Bush a compreendeu – equivocadamente – como uma tentativa de tomar a “questão palestina” das mãos de Arafat e da OLP, passando-a para os países árabes, que trataram do mesmo assunto entre 1948 e 1974. O fato de o primeiro-ministro israelense ter conseguido impedir que o presidente palestino comparecesse à reunião de cúpula árabe de Beirute demonstrou que, apesar dos discursos, a Casa Branca acreditava, como Sharon, poder livrar-se de Arafat.

“Desde o dia 11 de setembro”, disse Bush em seu discurso de 4 de abril, “venho me esforçando para passar este recado: todo mundo deve escolher se está do lado do mundo civilizado ou do lado dos terroristas. Todo mundo, no Oriente Médio, deve optar e agir de uma maneira decisiva, em palavras e em ações, contra o terrorismo. O presidente da Autoridade Palestina não se opôs de forma constante aos terroristas, não os enfrentou. Em grande parte, ele [Arafat] é o responsável pela situação em que se encontra hoje. Não soube aproveitar as oportunidades que lhe foram oferecidas e, portanto, traiu as esperanças do povo que supostamente dirige. Tendo em vista o seu fracasso, o governo israelense viu-se na obrigação de atacar as redes terroristas que matam os seus cidadãos... E quando Israel recua, os dirigentes palestinos e os vizinhos árabes de Israel devem dar um passo em frente e mostrar ao mundo que estão, realmente, do lado da paz. Tanto a opção, quanto o peso da responsabilidade, lhes pertencem.”

No dia 17 de abril, quando partiu do Oriente Médio, o secretário de Estado norte-americano deixou a região numa situação ainda mais grave do que estava à sua chegada. O primeiro-ministro israelense só se pode sentir incentivado pela indulgência com que o governo Bush o deixa pôr em prática o seu programa político e militar. Arafat só pode estar estupefato diante da falta de interesse em sua reabilitação por parte de Washington. E, de ambos os lados, inocentes preparam-se para morrer em futuros combates.
(Trad.: Jô Amado)

ntem

1 - Entrevista de Henry Kissinger à CNN, 10 de abril de 2002.
2 - Ler, de Paul-Marie de La Gorce, “Controvérsias em Washington”, Le Monde diplomatique, novembro de 2001




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