Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» Portugal, o novo alvo da extrema-direita

» Portugal, o novo alvo da extrema-direita

» E quando nos levantaremos contra os rentistas?

» “Quem tá na rua nunca tá perdido”

» Eles querem organizar a população de rua

» Municipalismo, alternativa à crise da representação?

» A China tem uma alternativa ao neoliberalismo

» Marielle, Moa, Marley, Mineirinho

» As trapaças do gozo individual

» Vermelho Sol, fotossíntese da violência

Rede Social


Edição francesa


» Population, subsistance et révolution

» Une nouvelle classe de petits potentats domine les villages

» Vers une « révolution agricole »

» En dehors de la « Petite Europe » d'autres débouchés s'offriront aux produits tropicaux

» Dans le domaine agraire il serait dangereux de vouloir brûler toutes les étapes

» L'expérience de M. Fidel Castro pourrait être mise en péril par une socialisation trop rapide de l'industrie cubaine

» Au Japon, le ministre de la défense s'inquiète

» Les soucoupes volantes sont-elles un sous-produit de la guerre froide ?

» Ovnis et théorie du complot

» Boulevard de la xénophobie


Edição em inglês


» Manufacturing public debate

» August: the longer view

» Trump returns to the old isolationism

» Yellow vests don't do politics

» Kurdish territories in northern Syria

» The changing shape of the Balkans: 1991 / 2019

» Minorities in Kosovo

» Borders 1500-2008

» Man with a mission or deranged drifter

» The Louise revolution


Edição portuguesa


» Edição de Agosto de 2019

» Plural e vinculado à esquerda

» Os talibãs de São Francisco

» Edição de Julho de 2019

» Inconsistências (ou o sono da razão?)

» Comércio livre ou ecologia!

» Edição de Junho de 2019

» As pertenças colectivas e as suas conquistas

» A arte da provocação

» 20 Anos | 20% desconto


DOSSIÊ MÍDIA & NEGÓCIOS

Se você não tem nada a oferecer...

Imprimir
Enviar

Ler Comentários
Compartilhe

O retrospecto da multinacional francesa na África revela que há, por trás de belas palavras, uma política predatória

Philippe Leymarie - (01/05/2002)

A Vivendi-Water, filial constituída com o grupo norte-americano US-Filter, é a principal captadora de recursos do Banco Mundial no continente africano. Vem administrando há vinte anos a Sociedade de Energia e Água do Gabão e, há trinta anos, a Sociedade de Eletricidade e Água do Chade. Também detém o controle do serviço de água no Níger, a gestão dos usuários do Departamento Nacional de Água e Saneamento de Burkina Faso e a do Departamento Comercial do Serviço de Água de Nairobi, capital do Quênia (2 milhões de habitantes), assim como o mercado de uma segunda operadora de telefonia celular que cobre todo o país.

A Vivendi-Water também abocanhou duas licitações para a distribuição de água e eletricidade, assim como a administração da reciclagem de água nas cidades de Tanger e Tetuan, no Marrocos, país em que a Vivendi-Universal – principal investidor estrangeiro – já adquiriu 35% do capital da Marrocos-Telecom (por um pouco mais de 5 bilhões de reais). A recente saída da Electricidade de Portugal da parceria que tinha com a estatal marroquina deverá permitir-lhe aumentar o seu império. Espera fazer o mesmo na Mauritânia e no Congo-Brazzaville.

Cidadãos expulsam multinacional

No Quênia, a empresa administra o Serviço de Água de Nairobi, assim como o mercado de uma segunda operadora de telefonia celular que cobre todo o país

Cada uma dessas operações de aquisição – que se inscrevem no âmbito das privatizações realizadas em conseqüência da pressão do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial – se faz acompanhar por créditos de várias dezenas (e mesmo centenas) de milhões de dólares, a título de reabilitação das redes, das centrais e dos sistemas de tabelamento das tarifas.

Também era esse o caso das Ilhas Comoras, no Oceano Índico, onde a Vivendi-Water, no entanto, abandonou sem maiores explicações seus usuários da empresa Comorienne d’Eau et d’Electricité. Cansados com os freqüentes cortes de energia, com os apagões e os aumentos das tarifas, os usuários reivindicaram a volta aos “bons tempos” da empresa estatal, realizando algumas manifestações, por sinal reprimidas com brutalidade. Não conseguindo do Estado comoriano o empenho para acabar com “gatos”, nem o pagamento de uma dívida anterior, nem um desconto no preço do óleo diesel, o grupo recambiou de volta à França seus funcionários na véspera do Natal do ano passado.

O poço sem fundo do Senegal

Nas Ilhas Comoras, a empresa abandonou os usuários que, cansados com os apagões e aumentos das tarifas, reivindicavam a volta da empresa estatal

A mesma decepção ocorreu no Senegal, que recebera uma promessa de 230 milhões de euros (cerca de 490 milhões de reais) para a recuperação do equipamento de produção de eletricidade. Em parceria com o Departamento Nacional de Eletricidade do Marrocos, a Vivendi-Water ganhou a licitação para a privatização da Sociedade Nacional de Eletricidade. Mas o Estado senegalês preferiu romper as negociações, pois a Vivendi-Environnement recusava-se a pagar de uma só vez o preço combinado pela aquisição da empresa. O diretor da empresa para a África deu duas explicações: os empréstimos bancários estão agora mais caros, depois dos atentados de 11 de setembro, e a falência da Enron acabou com a credibilidade do setor de energia junto às instituições financeiras.

Porém, a Vivendi-Water parece, principalmente, ter percebido durante esse período que o empreendimento senegalês seria um poço sem fundo, do ponto de vista financeiro. Em termos imediatos, os inúmeros cortes de energia que perturbam a vida dos senegaleses irão continuar. O grupo que é o líder mundial da água – criticado, em Porto Alegre, pelos métodos que utiliza para se apropriar do setor público – não pára, entretanto, de oferecer os seus conhecimentos para levar água aos menos favorecidos. E Jean-Marie Messier, o patrão do grupo, adora declarar-se “consciente de [sua] grande responsabilidade” na proteção do ambiente, impondo a si mesmo uma “qualidade do produto e do serviço” e o “esforço de presevação” da água, “recurso vital, porém raro”, das paisagens, “que é necessário defender”, do ar, “cuja pureza é necessário preservar”. Tantas lições de bem viver, às quais se pede a adesão de usuários em todo o mundo. “Se você não tem nada a oferecer”, aconselha um ditado do Mali, “cuide ao menos de distribuir belas palavras”...
(Trad.: Jô Amado)




Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Leia mais sobre

» França
» Privatizações
» Transnacionais

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos