Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» 15 de outubro de 2021

» É possível ser flaneur em meio aos escombros?

» O tempo livre e o novo feitiço do capital

» Da guerra no Afeganistão à guerra feminista

» Viagem ao coração das trevas do capitalismo

» As lições da China para erradicar a pobreza

» 14 de outubro de 2021

» A esperança da paz e a permanência das guerras

» Amazônia: a defesa covarde da “soberania”

» Aborto: quando os EUA têm um quê de Talibã

Rede Social


Edição francesa


» Ces « traîtres » qui sauvèrent l'honneur de la France

» A la recherche d'un destin commun en Nouvelle-Calédonie

» L'école algérienne face au piège identitaire

» Envoyés spéciaux de la guerre d'Espagne

» La ballade des prétendus

» Le théorème de la mélancolie

» Sécurité nucléaire, les risques de la dérégulation

» Éloge de la fermière

» Bientôt des robots au chevet des patients japonais

» En Afghanistan, double piège pour les femmes


Edição em inglês


» Taiwan at the heart of the US-China conflict

» October: the longer view

» What do we produce, and why?

» Hunger in France's land of plenty

» In search of a good food deal

» Georgia's love-hate affair with Russia

» Latin America faces tough choices

» Recognising the PRC

» Behind bars: resisting the Turkish state

» Taiwan strengthens ties with the US


Edição portuguesa


» Edição de Outubro de 2021

» Um império que não desarma

» Convergir para fazer que escolhas?

» O mundo em mutação e o Estado - em crise?

» Edição de Setembro de 2021

» Transformação e resiliência

» O caminho de Cabul

» Edição de Agosto de 2021

» Ditadura digital

» Desigualdades digitais


LITERATURA

Um romancista excepcional

Imprimir
enviar por email

Ler Comentários
Compartilhe

Em Mario Vargas Llosa coabitam o panfletário neoliberal, presunçoso e medíocre, e um romancista com a veia de Flaubert e de Faulkner, que se lembra de ter sido, por muito tempo, marxista – e até castrista – e que fascina os seus leitores

Ignacio Ramonet - (01/05/2002)

Em suas colunas semanais, cumprimenta os poderosos, elogia a empresa, exalta os patrões e adula, incansavelmente, os Estados Unidos

Polemista ultraliberal, defensor convicto das “terapias de choque” à la Thatcher, incansável glorificador do mercado, da Bolsa e do setor privado, Mario Vargas Llosa nem por isso deixa de ser um escritor notável, sem dúvida um dos melhores romancistas contemporâneos.

Na realidade, nesse escritor esquizofrênico coabitam dois personagens: um panfletário neoliberal, presunçoso e medíocre, que se esparrama semanalmente nas colunas dos “jornais bajuladores” para cumprimentar os poderosos, elogiar a empresa, exaltar os patrões, adular incansavelmente os Estados Unidos, agradar, acariciar e bajular a globalização liberal.

Simultaneamente, como um Janus de duas cabeças, vive um romancista excepcional, com a veia de Flaubert e de Faulkner, que se lembra de ter sido, por muito tempo, marxista – e até castrista –, capaz de construir arquiteturas narrativas implacáveis, com um senso de narração que cativa e fascina os leitores, conduzidos por uma intriga em que as forças sociais se confrontam, os destinos agem e a história se faz.

A atenção para com os humildes

A Festa do Bode, um de seus livros mais bem-sucedidos, narra o último dia da vida de um ditador nada fictício, o dominicano Rafael Leonidas Trujillo

A Festa do Bode é um de seus livros mais bem-sucedidos. Ele narra, em uma construção romanesca suntuosa, o último dia de um ditador nada fictício. Tratado pelos meios de comunicação oficiais como “o Benfeitor”, Rafael Leonidas Trujillo (1891-1961), ex-coronel de polícia, tomou o poder na República Dominicana através de um golpe de Estado, em 1930. Durante trinta anos, impôs um terror delirante, de que gerações de dominicanos ainda se recordam, e fez do país sua propriedade privada. Morreu assassinado.

Mais uma vez, nesse livro, o Mario Vargas Llosa romancista mostra-se atento aos humildes da América Latina – às pessoas simples do povo, discriminadas, marginalizadas e humilhadas – e a suas revoltas incansáveis contra a injustiça, a desigualdade e a tirania.
(Trad.: Teresa Van Acker)




Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Leia mais sobre

» Literatura
» Romance
» Peru
» Jornalismo de Mercado
» América Latina

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos