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Os contornos do Império americano

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Três obras importantes, ricas e atuais, debatem a estratégia norte-americana pós-11 de setembro e o caos, ódio, fanatismo e barbárie das guerras contemporâneas

Paul-Marie de La Gorce - (01/06/2002)

L’Empire américain, título do célebre livro de Claude Julien, transformou-se, no novo livro de Alain Joxe, em L’Empire du Chãos1. Seu tema é sugerido pelo sub-título: “As Repúblicas diante da dominação norte-americana no pós-guerra fria”. O título é ambicioso; o conteúdo, mais ainda. A imensa cultura histórica de Alain Joxe levou-o a buscar o itinerário que conduz ao caos que ele acredita – não sem razão – ver nos dias de hoje. Percorre-o à sua maneira, por um atalho audacioso, mas singularmente estimulante, que passa por Thomas Hobbes, filósofo de Leviatã, teórico do Estado, pensador de uma certa ordem nacional e internacional que se opõe, em sua visão das sociedades, à “desordem caótica”. Segundo Alain Joxe, ele teve uma descendência legítima entre os teóricos da guerra que veio até o século XIX, até Clausewitz.

No centro da disputa, a Ásia Central

A imensa cultura histórica de Alain Joxe levou-o a buscar o itinerário que conduz ao caos que ele acredita – não sem razão – ver nos dias de hoje

Após a ordem internacional precária e duvidosa, ainda que relativamente racional, do tempo da guerra fria, eis-nos diante de um novo sistema que Alain Joxe caracteriza pela potência exclusiva dos Estados Unidos e pelo caos em que mergulhou uma parte considerável do mundo: da América Latina ao Sudoeste Asiático, passando pelos Bálcãs e pelo Oriente Médio e prolongando-se pela África até o Sudeste Asiático... por onde quer que a superpotência norte-americana esteja presente e mantenha ou exerça a violência.

Seu livro é tão rico em análises históricas que é impossível concordar com todas – como, por exemplo, a da crise iugoslava – assim como é impossível resumi-las. No mínimo, apóia-se numa análise notável da estratégia concebida e posta em prática pelos Estados Unidos desde o final da guerra fria e de sua efetivação nas principais regiões do mundo. O autor conclui, provavelmente com razão, que o principal desafio é o domínio das crises na região da Euroásia por meio do controle da Ásia central.

A falsa profecia do declínio do islamismo

Porém, por enquanto, trata-se do “choque das barbáries”, conforme o título, correto e provocador, do novo livro de Gilbert Achcar2. Mostrando uma rara compreensão dos dados da conjuntura internacional que estão sob nossos olhos – mas são muitas vezes dissimulados por conformismos preponderantes – Achcar analisa as fontes e seus prolongamentos. Começa por uma exploração sistemática, abrangendo todo o mundo muçulmano, das forças políticas e sociais de inspiração religiosa, contrapondo-as à estratégia norte-americana de luta contra uma eventual penetração soviética; segue-se a história extraordinária da volta dessas forças que, em parte, se revoltam contra os que as haviam apoiado. De uma forma cruel, mas lúcida, o autor mostra como se enganaram os profetas superficiais do declínio do islamismo, por não terem compreendido suas origens: do fracasso das primeiras experiências nacionalistas, de tendência “socialista” ou “capitalista”, à persistência dramática do conflito entre árabes e israelenses, levando as paixões ao paroxismo. Depois vem o 11 de setembro e a “guerra” que se seguiu. “Ódio, barbáries, assimetria e anomia”: é esse o título de um capítulo fundamental, desde que se aceitem as referências ideológicas e o tom amargo, e polêmico, de algumas passagens, pois trata-se do texto mais chocante e mais rigoroso que já foi escrito sobre essa guerra.

Gilbert Achcar analisa as forças políticas e sociais de inspiração religiosa, abrangendo o mundo muçulmano, contrapondo-as à estratégia norte-americana

É também sobre a situação do mundo atual que Jean-Marie Colombani escreveu o livro com um título interrogativo, Tous Américains?3, numa referência ao célebre editorial, de sua autoria, publicado no dia seguinte ao 11 de setembro com o título: “Somos todos americanos! 4” Entre as diferenças que o separam das análises de Alain Joxe e Gilbert Achcar, a principal deve-se simplesmente ao fato de que os últimos abordam os dados fundamentais da conjuntura internacional de uma perspectiva que consideram um fenômeno imperialista, enquanto Jean-Marie Colombani jamais a menciona.

Focalizado sobre as relações que os franceses – e, de maneira mais geral, os europeus – mantêm ou deveriam manter com os Estados Unidos, a primeira parte do seu livro remete ao tempo da guerra fria, que Jean-Marie Colombani descreve, acertadamente, ter sido “uma mistura confusa em que princípios invocados por um lado e pelo outro (os mesmos: democracia, liberdade, solidariedade para com os oprimidos) se confrontaram num combate cruel, transfigurado por raros momentos de razão, quando algumas grandes personalidades conseguiram superar a ruptura para se inserirem mais além: nem Gandhi, nem Martin Luther King, nem João XXIII, nem Willy Brandt, nem o general De Gaulle conseguiram ser verdadeiramente reconhecidos nessa lógica bipolar”. Algo para se meditar, quando são tão freqüentes as acusações de antiamericanismo sistemático contra os críticos da política dos Estados Unidos.

Um apelo à Europa

Colombani focaliza seu livro sobre as relações que os franceses – e os europeus – mantêm ou deveriam manter com os Estados Unidos

O livro de Jean-Marie Colombani também é tão rico e próximo da atualidade que não escapará às controvérsias – exemplos disso são quando menciona, longamente, a hipótese de uma eventual destruição do Estado de Israel, o que não é plausível, e a reunião de Camp David, em julho de 2000 – quando inexistiam as condições para um acordo que, no entanto, seria concluído em Taba, em janeiro de 2001.

Talvez seja paradoxal o fato de os livros de Alain Joxe e de Jean-Marie Colombani convergirem, em última instância, para um apelo à Europa. Para um deles, sob a forma de uma utopia, no sentido nobre da expressão – em que a “República Européia” seria a resposta às ameaças do “Império do Caos”. Para o outro, como uma espécie de imperativo político.
(Trad.: Jô Amado)

1 - L’Empire du Chãos, de Alain Joxe, ed. La Découverte, Paris, 2002, 144 ps., 17 euros (42,50 reais).
2 - Le Choc des Barbáries, de Gilbert Achcar, ed. Complexe (no prelo), 150 ps., 16,90 euros (42,50 reais).
3 - Tous Américains?, de Jean-Marie Colombani, ed. Fayard, Paris, 2002, 12 euros (30 reais).
4 - Le Monde, 13 de setembro de 2001.




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