Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


Rede Social


Edição francesa


» Le devoir de paresse

» Ainsi nos jours sont comptés

» Au Brésil, des collectionneurs d'art très courtisés

» Fantômes russes dans l'isoloir ukrainien

» Bernard Madoff, à la barbe des régulateurs de la finance

» Les famines coloniales, génocide oublié

» LTCM, un fonds au-dessus de tout soupçon

» Récalcitrante Ukraine

» Europe de l'Est : un bilan positif sur le plan social mais négatif dans le domaine des droits politiques

» La crise russo-ukrainienne accouchera-t-elle d'un nouvel ordre européen ?


Edição em inglês


» Rojava's suspended future

» Biden's Middle East challenges

» April: the longer view

» Africa's oil-rich national parks

» Montenegro's path to independence

» Japan's bureaucrats feel the pain

» Who's who in North Africa

» Being Kabyle in France

» Who wins in Chile's new constitution?

» Senegal's five days of anger


Edição portuguesa


» "Catarina e a beleza de matar fascistas": o teatro a pensar a política

» Edição de Abril de 2021

» A liberdade a sério está para lá do liberalismo

» Viva o «risco sistémico!»

» Pandemia, sociedade e SNS: superar o pesadelo, preparar o amanhecer

» A maior mentira do fim do século XX

» Como combater a promoção da irracionalidade?

» A Comuna de Paris nas paredes

» Como Donald Trump e os "media" arruinaram a vida pública

» Edição de Março de 2021


FRANÇA

Um problema de “isolamento”...

Imprimir
enviar por email

Ler Comentários
Compartilhe

Tempos atrás, o atual primeiro-ministro francês, Jean-Pierre Raffarin, deu uma lição de “socialismo” no social-democrata Lionel Jospin, que ocupava então o cargo: sua política social elitista estaria isolando seu governo das camadas populares...

Serge Halimi - (01/07/2002)

Há quase três anos, Jean-Pierre Raffarin, um ilustre representante da região de Poitou-Charente e também vice-presidente de um pequeno partido ultra-liberal presidido por Alain Madelin, saiu de seu silêncio senatorial para atacar o governo de Lionel Jospin. Iria ele argumentar contra o excesso de impostos? O excesso de despesas sociais? O excesso de socialismo? Nada disso!

Precisamente o contrário: o que Raffarin pretendia infligir à esquerda – da qual é hoje o sucessor como primeiro-ministro – era uma autêntica lição de progresso: “Lionel Jospin isolou-se do povo. Para as camadas populares, os socialistas exercem o poder de forma muito gananciosa. (...) Os que se encontram hoje numa situação de pobreza não vêem qualquer esperança no discurso do governo. Os três milhões de pessoas que não pagam impostos e que vivem das migalhas sociais não se sentem representadas nas discussões fiscais. A fragilidade do governo decorre da inexistência de uma verdadeira política social. (...) Lionel Jospin tenta aproximar-se das classes médias distribuindo entre elas as sobras da arrecadação com que contavam os mais pobres1.”

Complexidades da economia...

As primeiras medidas de Raffarin consistem em aumentar o preço das consultas médicas e diminuir as alíquotas de contribuição do Imposto de Renda

E que prioridades anuncia, agora, a nova maioria para adotar essa “verdadeira política social”, para dar esperança aos “mais pobres” e parar de privilegiar as “classes médias”? A resposta é auto-explicativa: aumenta o preço das consultas médicas; o Imposto de Renda terá uma queda de 30% em cinco anos (mais de dois terços dessa redução irão beneficiar os 10% de contribuintes mais ricos), 5% dos quais entrarão em vigor a partir de setembro. As medidas se justificariam no sentido de evitar que algum craque do futebol francês, ou outros de nossos “talentos” criadores de empregos, fossem para o exterior, esmagados pela pressão fiscal.

Quanto às migalhas sociais, são atualmente consideradas excessivamente altas em relação ao salário mínimo: estariam incentivando os pobres a não procurarem trabalho. Seria, então, o caso de esperar por um aumento significativo do poder aquisitivo do salário-mínimo como forma de garantir que o trabalho compense? Isso seria muito simples; na verdade é o contrário. Salários muito altos incentivariam os empresários a não criar empregos...

E como a ciência econômica é definitivamente bastante complexa, Jean-Pierre Raffarin terá que se conformar em não atender às reivindicações das “camadas populares”.
(Trad.: Jô Amado)

1 - Libération, 3 de setembro de 1999.




Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Leia mais sobre

» França
» Declínio da Social-Democracia
» Impasses da Esquerda Institucional

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos