Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» Para entender o fascismo dos impotentes

» Previdência, o retrato de um país desigual — e cruel

» Quando os cientistas enfrentam o sistema

» Moro tenta escapulir em latim

» Dinheiro: o novo sonho de controle do Facebook

» Mulheres na política: uma nova onda a caminho

» Sertanejo, brasilidade e Nelson Pereira Santos

» A crise do Brexit e o capitalismo impotente

» Pilger: é hora de salvar o jornalismo

» Missão: extinguir o BNDES

Rede Social


Edição francesa


» Pauvre et femme : la double peine

» M. Sarkozy déjà couronné par les oligarques des médias ?

» La Cisjordanie, nouveau « Far Est » du capitalisme israélien

» Protester avec l'électrochoc de la musique

» Canicule, médias et énergies renouvelables

» Autopsie d'une canicule

» Quand la gauche renonçait au nom de l'Europe

» Un « New Deal » pour l'école

» La Chine bouscule l'ordre mondial

» L'affirmation homosexuelle


Edição em inglês


» US against Iran: war by other means

» How US climate deniers are working with far-right racists to hijack Brexit for Big Oil

» Confessions of a map-maker

» The Spaniards who liberated Paris

» Fighting for communication control

» June: the longer view

» Niger, a migration crossroads

» Niger, a migration crossroads

» Whatever happened to Bob Woodward?

» Europe in space


Edição portuguesa


» Edição de Junho de 2019

» As pertenças colectivas e as suas conquistas

» A arte da provocação

» 20 Anos | 20% desconto

» EUROPA: As CaUsas das Esquerdas

» Edição de Maio de 2019

» Os professores no muro europeu

» Chernobil mediático

» Edição de Abril de 2019

» A nossa informação, as vossas escolhas


GLOBALIZAÇÃO

Um contra-poder à espreita?

Imprimir
Enviar

Ler Comentários
Compartilhe

Na França, como nos Estados Unidos, há uma relação quase incestuosa entre os grandes empresários – muitas vezes estelionatários, ou meros escroques – e o governo. E há o papel da imprensa, que primeiro bajula e depois acende a fogueira...

Serge Halimi - (01/08/2002)

O ministro Francis Mer já prometeu que o Estado dará apoio à France Télécom e que novas privatizações virão no outono, “se o mercado for favorável”

“As páginas dos jornais especializados em economia não deveriam lembrar as da imprensa sensacionalista.” Para que seus desejos fossem atendidos, o presidente dos Estados Unidos contaria com bons conselhos. Ao final de uma campanha eleitoral copiosamente financiada pelo mundo dos negócios – em particular, pela Enron – George W. Bush contaria com quatro grandes empresários no seu governo: o vice-presidente, Richard Cheney, o secretário do Tesouro (ministro das Finanças), Paul O’Neill, o secretário (ministro) da Defesa, Donald Rumsfeld, e o secretário (ministro) do Comércio, Donald Evans. Eles lhe ensinariam suas velhas práticas.

Na França, as coisas não poderiam ser muitos diferentes. Francis Mer, o atual ministro da Economia, Finanças e Indústria, dirigiu uma multinacional da siderurgia. Um assessor próximo do presidente da República, Jérôme Monod, teria provocado a queda de Jean-Marie Messier depois de ter dirigido a Lyonnaise des Eaux, concorrente da Vivendi (ex-Générale des Eaux) em várias áreas, inclusive as menos recomendáveis1.

Um “governo de empresa”

Estariam os acionistas suplicando ao poder público que aja para salvá-los da ruína? Francis Mer promete-lhes que o Estado dará apoio à France Télécom e que novas privatizações virão no outono, “se o mercado for favorável”. E, com um toque de humor involuntário, conclui: “A empresa é sempre considerada uma ‘vaca leiteira’...”

Há pouco tempo, o Estado era intimado a inspirar-se no “governo de empresa”, teorizado por Marc Viennot, ex-dono da Société Générale. Se essas reprimendas tivessem sido seguidas, a dívida francesa seria tão leve quanto a da Vivendi (Viennot era o diretor administrativo dessa empresa...), e os aposentados estariam tão tranqüilos quanto os acionistas da Enron, do PNB-Paribas ou do grupo Pinault.

Um contra-poder à espreita

Os jornalistas, que adulavam Messier quando este dirigia uma multinacional pródiga em anúncios, o condenam agora aos tormentos do inferno

Essas duas últimas empresas, aliás, foram deixadas ligeiramente de lado pelos jornalistas que, após terem adulado Messier quando este dirigia uma multinacional pródiga em anúncios publicitários (2,3 bilhões de francos, ou seja, cerca de 1,05 bilhão de reais, em 2000) o condenam agora aos tormentos do inferno2. E, no entanto, com sua “estrutura complexa, endividada, com o acesso ao dinheiro vedado devido à presença de acionistas minoritários3”, a empresa-holding do grupo Pinault poderia muito bem inspirar o “jornalismo investigativo” nestes tempos atuais; um dos representantes do BNP-Paribas também tinha assento no conselho administrativo da Vivendi, onde incentivava os investimentos mais calamitosos. Seria o lugar ocupado pelo conglomerado de Pinault e pelo BNP-Paribas na imprensa o suficiente para explicar um tal mutismo? Deveria se entender o conselho de um jornalista da TF1, no último dia 27 de junho (“De qualquer maneira, uma coisa é certa: quem não vende, não perde”), como uma observação que acidentalmente atende às preferências dos acionistas da emissora que o emprega? Se “uma coisa é certa” é que quem não vendeu há um ano está roendo as unhas.

Dos Estados que garantiam o interesse geral, passamos a um contra-poder que fica à espreita: definitivamente, os atuais escândalos serão os últimos...
(Trad.: Jô Amado)

1 - O semanário norte-americano Business Week estranhou essa mistura de gêneros em seu editorial “What Really Brought Messier Down”, 15 de julho de 2002.
2 - Mas ele, certamente, dará um jeito de sobreviver. Em relação a Messier e à imprensa, veja o dossiê do site: http://homme-moderne.org
3 - Les Echos, 12 de julho de 2002.




Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Leia mais sobre

» Corrupção
» Imprensa e Poder
» Corporações e Fraudes

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos