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Salvemos os elefantes

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Após uma aparente tomada de consciência há cerca de dez anos, o comércio do marfim – e a matança de elefantes – voltaram a prosperar. Agindo de acordo com os interesses locais, algumas entidades tentam pôr um freio a esses desmandos

Hubert Reeves - (01/08/2002)

Com o mercantilismo que a globalização traz, é crucial encontrar soluções que assegurem a proteção aos elefantes e aos interesses das populações locais

Uma manada de elefantes representa uma das mais fabulosas maravilhas da natureza animal e um valor autêntico da África: as crianças do mundo inteiro muitas vezes conhecem melhor esse animal selvagem do que os do seu próprio país... No fim da década de 80, quando foram mais intensos os massacres das populações de elefantes – provocados por uma grande demanda asiática por marfim e facilitados pelos conflitos e guerras civis que assolavam o continente africano – a França foi o mais determinado dos países ocidentais a denunciar o dramático tráfico internacional de marfim e suas conseqüências na região.

Essa iniciativa teve uma dupla conseqüência feliz: a proibição do comércio de marfim e a classificação do elefante da África no anexo I da Convenção de Washington sobre Espécies Ameaçadas. O resultado obtido, com o apoio de diversos países africanos de língua francesa – o Burkina Faso, o Níger e o Chade – foi saudado como um grande sucesso internacional. As decisões irritaram os estados da África austral e o Japão, mas foram tomadas num entusiasmo compreensível na época, no momento em que se desenhava e se aperfeiçoava o conceito de “desenvolvimento sustentável”.

Harmonizando posições

Incentivada por aquelas conquistas, a França não se acautelou em relação às manobras dos senhores da antiga ordem, ignorando, entre outras coisas, que havia muitos anos que a África mudara e que a Ásia e os Estados Unidos se interessavam pelo continente enquanto os soviéticos desapareciam da cena política africana. A França perdeu parte de sua influência.

Diante do mercantilismo que a globalização traz, e apesar de todos os avanços de sinal, a França pode voltar a ser o país que será ouvido, se fizer propostas suscetíveis de fazer o debate evoluir, de manter o diálogo, de encontrar soluções que assegurem ao mesmo tempo proteção aos elefantes e aos interesses das populações locais. Não agindo isoladamente, mas tentando harmonizar suas posições com aquelas de nossos parceiros europeus e africanos para manter acesa a chama – que prometia tanta felicidade em 1989 – que é preciso agora reavivar.

Um Fundo para a Natureza

A sobrevivência de uma espécie tão emblemática e tão ameaçada como o elefante é um desafio a vencer e será uma alavanca formidável para assegurar a permanência da vida selvagem

Para os dirigentes africanos, o marfim significa um recurso natural que é possível valorizar. O Japão, grande vencedor da retomada do comércio em 1997, reconstitui seus estoques, ameaçados de erosão, atendendo à demanda de seu poderoso lobby pró-marfim, para fazer funcionar sua indústria e seu artesanato. Quais são os efeitos concretos para a África? Não haveria um campo de negociações a explorar, uma reflexão mais aprofundada a empreender? Não se poderia privilegiar uma solução que priorize um trabalho local em marfim dos elefantes que morrem ou são mortos nas caçadas legais – um trabalho criador de empregos —, com transferência de tecnologia que permita obter excedentes, que seriam depositados em um Fundo para a Natureza, administrado em paridade com as instituições que pudessem dar garantias e que seguiria o conjunto deste filão comercial? Numerosos países africanos seriam favoráveis. A verificação da origem tornou-se uma exigência para a exportação.

A idéia desse fundo voltou a ser discutida na Conferência de Haia, em abril de 2002. Por que não chamar as organizações internacionais e os países consumidores – asiáticos em particular – às suas responsabilidades? Aos que consideram tal medida irrealista, deve-se lembrar que na ocasião da proibição do comércio do marfim, os japoneses (eles de novo), assustados pelo espectro da penúria, negociaram com os russos a compra de marfim de mamute: o acordo, depois de negociações árduas, fez-se com base em uma redução do preço de venda, compensada pelo aporte de capitais japoneses, visando transferir o trabalho desse marfim para artesãos locais.

Compromissos planetários

A sobrevivência de uma espécie tão emblemática e tão ameaçada como o elefante é um desafio a vencer e será uma alavanca formidável para assegurar a permanência da vida selvagem, incluindo as espécies mais “espacívoras”. A manutenção dessa vida selvagem seria um excelente meio de fornecer à África recursos de que tem necessidade vital.

Existem na África organizações de proteção à natureza. Elas comprometeram-se “com os elefantes” e gostaram de encontrar nossa Aliança1 a seu lado e à sua escuta no Gabão, no Níger e em outros países de língua francesa. Ajudam-nos a enxergar a justa medida da realidade africana e a conceber soluções correspondentes à realidade do lugar: os valores ambientais são priorizados, desde que integrem com realismo a questão do estado das economias locais (leia, nesta edição, o artigo de Gérard Sournia). Compete aos dirigentes políticos da França e da União Européia adotar ao mesmo tempo proposições inovadoras e corajosas, e assumir os compromissos planetários dos quais somos todos devedores e credores.
(Trad.: Maria Elisabete de Almeida

1 - A Aliança “Pelos elefantes” é constituída pela fundação Liga Francesa dos Direitos do Animal (LFDA), pela Fundação Trinta Milhões de Amigos (FTMA) e do ROC, Liga pela Preservação da Fauna Selvagem.




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