Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» Paradigma quântico e transformação do mundo

» Paradigma quântico e transformação do mundo

» O cinema no olho do furacão

» Duas táticas da oligarquia financeira no Brasil

» O poço fundo das eleições 2018

» Hegemonismo, doença senil da esquerda

» A indispensável Maria Conceição Tavares

» Quem pode nos livrar de Bolsonaro

» Superexplorados, vigiados e… com direito a Yoga

» Superexplorados, vigiados e… com direito a Yoga

Rede Social


Edição francesa


» Le jour où Wall Street est devenu socialiste

» Etats-Unis, une trajectoire financière insoutenable

» Quand la finance prend le monde en otage

» Ces puissantes officines qui notent les Etats

» La machine sacrée

» Le pouvoir mis à nu par ses crises

» Les ingrédients du choc

» Fatal aveuglement de la famille Al-Assad en Syrie

» De la nation citoyenne à la nation culturelle

» Junte birmane cherche habits civils


Edição em inglês


» From peace to armageddon

» Christophe Jaffrelot on Imran Khan

» Yemen's descent into hell

» The strange, long afterlife of an inhumane colonial law

» After Trump

» September: the longer view

» What will Donald Trump be remembered for?

» A climate tipping point in the Amazon

» Electric vehicles and the raw materials required

» LMD's New York debates


Edição portuguesa


» Edição de Setembro de 2018

» Trabalho e civilização

» Liberais contra populistas, uma clivagem enganadora

» Por quem o sininho dobra no Eurogrupo?

» Uma aliança das civilizações

» Dirigir a ONU, um trabalho estranho

» Liquidação florestal em França

» Que alterglobalismo?

» Atolamento saudita no Iémen

» Escalada


ÁFRICA

O artesão do futuro

Imprimir
Enviar

Ler Comentários
Compartilhe

Alfabetizado em música clássica por padres belgas em sua cidade de Kinshasa, Ray Lema ganhou o mundo: tocou nos Estados Unidos, França, Bulgária, Suécia... E voltou à África, onde, como explica, a música “é a arte de viver”

Chistian de Brie - (01/08/2002)

Nomeado, em 1974, diretor musical do Balé Nacional do Zaire, percorreu o imenso país durante dois anos em busca da música tradicional – disseminada em mais de duzentas etnias

“A minha religião é a música.” Ainda muito novo, Ray Lema recebeu formação musical em canto gregoriano, órgão e piano no seminário belga de Kinshasa, no Zaire. Politeísta praticante, aprendeu a tocar Bach, Mozart, Haendel e Beethoven antes de deixar os padres e passar a freqüentar, com o violão a tiracolo, os bares e as boates da cidade, ouvindo músicos de toda a África. Jimmy Hendrix logo seria sua fonte de inspiração.

Nomeado, em 1974, diretor musical do Balé Nacional do Zaire, percorreu o imenso país durante dois anos em busca da música tradicional – disseminada em mais de duzentas etnias. Tratava-se de um novo olhar sobre a cultura e sua imensa riqueza, uma tentativa de reunir num mesmo espetáculo músicos de horizontes distintos. Sem muito espaço, Ray Lema aceitou um convite dos Estados Unidos, onde ficou por três anos. Descobriu o sintetizador e tocou em workshops com grupos de jazz, em Nova Orleans, Nova York e Washington.

... como um artesão do futuro

Seus temores são os de que o capitalismo triunfante imponha seus valores mercantis, a cultura padronizada, a música rentável e o sistema de estrelato

Na Europa desde 1983 – primeiro, chegou à Bélgica e depois à França, onde vive até hoje – Ray Lema multiplicou as experiências musicais. Enriquecidas por viagens: na Bulgária, com os balés nacionais; na Suécia, onde compôs e tocou “O Sonho da Gazela” com a orquestra de câmara de Sundvall; e na África, onde o encontramos, em Burkina Faso, durante uma tournée com os Tyour Gnaouas, de Essaouira, no Marrocos.

“Na África, a música não é uma arte paralela à vida; é a arte de viver. É de uma importância vital para quem não tem nada, mas não hesita em gastar os poucos trocados que ainda tem – não para comer, mas pela música, alimento principal.” Alto, com o corpo ágil, gestos amplos e olhos sorridentes, ou maliciosos, Ray Lema fala tranqüilamente de seus sonhos e de seus temores. Temores de que o capitalismo triunfante – prepotente e arrogante, considerando os africanos irracionais – imponha seu sistema de valores mercantis, sua cultura padronizada, seus artistas-objetos-de-luxo, sua música rentável e o sistema de estrelato (star system). E os sonhos são os de que um dia o progresso se conjugue mais com o verbo ser do que com o verbo ter: “O verbo ter não tem ritmo.”

Enquanto espera, Ray Lema planeja dedicar-se à imensa diversidade das músicas africanas, tradicionais e vivas – um potencial de riquezas ameaçadas – e tentar fazer uma síntese, avançando pouco a pouco, tateando, como um engenhoso artesão do futuro.
(Trad.: Jô Amado)




Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Leia mais sobre

» Quênia
» África
» Música

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos