Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» Dinheiro: o novo sonho de controle do Facebook

» Mulheres na política: uma nova onda a caminho

» Sertanejo, brasilidade e Nelson Pereira Santos

» A crise do Brexit e o capitalismo impotente

» Pilger: é hora de salvar o jornalismo

» Missão: extinguir o BNDES

» Etiópia: a eterna marcha da humanidade

» O direito ao sagrado dos povos do terreiro

» Como derrotar a “direita Trump-Bolsonaro”

» As pedras da contracultura (ainda) rolam

Rede Social


Edição francesa


» Quand la gauche renonçait au nom de l'Europe

» Un « New Deal » pour l'école

» La Chine bouscule l'ordre mondial

» L'affirmation homosexuelle

» Faut-il larguer la république ?

» Comment les apprentis sorciers ont aggravé le chaos au Proche-Orient

» Quarante ans de conflits et d'échecs nourris par les interventions occidentales

» Décentraliser l'éducation pour mieux la privatiser

» L'avenir du temps

» Ces Espagnols qui ont libéré Paris


Edição em inglês


» How US climate deniers are working with far-right racists to hijack Brexit for Big Oil

» Confessions of a map-maker

» The Spaniards who liberated Paris

» Fighting for communication control

» June: the longer view

» Niger, a migration crossroads

» Niger, a migration crossroads

» Whatever happened to Bob Woodward?

» Europe in space

» The Corbyn controversy


Edição portuguesa


» Edição de Junho de 2019

» As pertenças colectivas e as suas conquistas

» A arte da provocação

» 20 Anos | 20% desconto

» EUROPA: As CaUsas das Esquerdas

» Edição de Maio de 2019

» Os professores no muro europeu

» Chernobil mediático

» Edição de Abril de 2019

» A nossa informação, as vossas escolhas


ÁFRICA

O artesão do futuro

Imprimir
Enviar

Ler Comentários
Compartilhe

Alfabetizado em música clássica por padres belgas em sua cidade de Kinshasa, Ray Lema ganhou o mundo: tocou nos Estados Unidos, França, Bulgária, Suécia... E voltou à África, onde, como explica, a música “é a arte de viver”

Chistian de Brie - (01/08/2002)

Nomeado, em 1974, diretor musical do Balé Nacional do Zaire, percorreu o imenso país durante dois anos em busca da música tradicional – disseminada em mais de duzentas etnias

“A minha religião é a música.” Ainda muito novo, Ray Lema recebeu formação musical em canto gregoriano, órgão e piano no seminário belga de Kinshasa, no Zaire. Politeísta praticante, aprendeu a tocar Bach, Mozart, Haendel e Beethoven antes de deixar os padres e passar a freqüentar, com o violão a tiracolo, os bares e as boates da cidade, ouvindo músicos de toda a África. Jimmy Hendrix logo seria sua fonte de inspiração.

Nomeado, em 1974, diretor musical do Balé Nacional do Zaire, percorreu o imenso país durante dois anos em busca da música tradicional – disseminada em mais de duzentas etnias. Tratava-se de um novo olhar sobre a cultura e sua imensa riqueza, uma tentativa de reunir num mesmo espetáculo músicos de horizontes distintos. Sem muito espaço, Ray Lema aceitou um convite dos Estados Unidos, onde ficou por três anos. Descobriu o sintetizador e tocou em workshops com grupos de jazz, em Nova Orleans, Nova York e Washington.

... como um artesão do futuro

Seus temores são os de que o capitalismo triunfante imponha seus valores mercantis, a cultura padronizada, a música rentável e o sistema de estrelato

Na Europa desde 1983 – primeiro, chegou à Bélgica e depois à França, onde vive até hoje – Ray Lema multiplicou as experiências musicais. Enriquecidas por viagens: na Bulgária, com os balés nacionais; na Suécia, onde compôs e tocou “O Sonho da Gazela” com a orquestra de câmara de Sundvall; e na África, onde o encontramos, em Burkina Faso, durante uma tournée com os Tyour Gnaouas, de Essaouira, no Marrocos.

“Na África, a música não é uma arte paralela à vida; é a arte de viver. É de uma importância vital para quem não tem nada, mas não hesita em gastar os poucos trocados que ainda tem – não para comer, mas pela música, alimento principal.” Alto, com o corpo ágil, gestos amplos e olhos sorridentes, ou maliciosos, Ray Lema fala tranqüilamente de seus sonhos e de seus temores. Temores de que o capitalismo triunfante – prepotente e arrogante, considerando os africanos irracionais – imponha seu sistema de valores mercantis, sua cultura padronizada, seus artistas-objetos-de-luxo, sua música rentável e o sistema de estrelato (star system). E os sonhos são os de que um dia o progresso se conjugue mais com o verbo ser do que com o verbo ter: “O verbo ter não tem ritmo.”

Enquanto espera, Ray Lema planeja dedicar-se à imensa diversidade das músicas africanas, tradicionais e vivas – um potencial de riquezas ameaçadas – e tentar fazer uma síntese, avançando pouco a pouco, tateando, como um engenhoso artesão do futuro.
(Trad.: Jô Amado)




Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Leia mais sobre

» Quênia
» África
» Música

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos