Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» SUS, 30 anos: Outras Palavras lança Outra Saúde

» O último post

» A intervenção no Rio e sua face (muito) lucrativa

» Uma aventura temerária

» Colômbia, paz ameaçada

» Hora de virar a mesa dos banqueiros

» #Ocupapolítica , entre esquerdistas e pragmáticos

» Crônica da Rússia, à beira da revolução

» Chuva no sertão. cobiça sobre as águas

» As raízes filosóficas da destruição do mundo

Rede Social


Edição francesa


» Travail, chômage, le temps du mépris

» Jean-Luc Godard, l'insurgé

» Nouvelle responsabilité des intellectuels

» Dans l'étau des privatisations

» Au miroir du mouvement social de décembre 1995, la part de l'utopie

» « Réformes », « modernité », « globalisation »… vers l'explosion des mots piégés

» La poudre aux yeux de l'évaluation des OGM

» Hommes en quête d'identité

» L'odyssée de John Perry Barlow

» Les indépendants du cinéma direct


Edição em inglês


» Maxime Robin on the new drugs ‘100 times stronger than heroin'

» The light at the end of the corner

» Chinese New Year, but where's the money?

» Donald Trump offers a helping hand to China and Russia

» How we got Donald Trump

» How we got Donald Trump

» Iran's far-reaching Shia networks

» Iran's far-reaching Shia networks

» Japan's bluefin tuna

» Japan's bluefin tuna


Edição portuguesa


» Edição de Fevereiro de 2018

» «Idiotas úteis» do Pentágono

» O papel da Concertação Social

» Edição de Janeiro de 2018

» Recuperar os CTT

» O alvo iraniano

» O eixo Washington-Riade-Telavive

» Edição de Dezembro de 2017

» O Orçamento, o presente e o futuro

» Guerras de religião


ÁFRICA

O artesão do futuro

Imprimir
Enviar

Ler Comentários
Compartilhe

Alfabetizado em música clássica por padres belgas em sua cidade de Kinshasa, Ray Lema ganhou o mundo: tocou nos Estados Unidos, França, Bulgária, Suécia... E voltou à África, onde, como explica, a música “é a arte de viver”

Chistian de Brie - (01/08/2002)

Nomeado, em 1974, diretor musical do Balé Nacional do Zaire, percorreu o imenso país durante dois anos em busca da música tradicional – disseminada em mais de duzentas etnias

“A minha religião é a música.” Ainda muito novo, Ray Lema recebeu formação musical em canto gregoriano, órgão e piano no seminário belga de Kinshasa, no Zaire. Politeísta praticante, aprendeu a tocar Bach, Mozart, Haendel e Beethoven antes de deixar os padres e passar a freqüentar, com o violão a tiracolo, os bares e as boates da cidade, ouvindo músicos de toda a África. Jimmy Hendrix logo seria sua fonte de inspiração.

Nomeado, em 1974, diretor musical do Balé Nacional do Zaire, percorreu o imenso país durante dois anos em busca da música tradicional – disseminada em mais de duzentas etnias. Tratava-se de um novo olhar sobre a cultura e sua imensa riqueza, uma tentativa de reunir num mesmo espetáculo músicos de horizontes distintos. Sem muito espaço, Ray Lema aceitou um convite dos Estados Unidos, onde ficou por três anos. Descobriu o sintetizador e tocou em workshops com grupos de jazz, em Nova Orleans, Nova York e Washington.

... como um artesão do futuro

Seus temores são os de que o capitalismo triunfante imponha seus valores mercantis, a cultura padronizada, a música rentável e o sistema de estrelato

Na Europa desde 1983 – primeiro, chegou à Bélgica e depois à França, onde vive até hoje – Ray Lema multiplicou as experiências musicais. Enriquecidas por viagens: na Bulgária, com os balés nacionais; na Suécia, onde compôs e tocou “O Sonho da Gazela” com a orquestra de câmara de Sundvall; e na África, onde o encontramos, em Burkina Faso, durante uma tournée com os Tyour Gnaouas, de Essaouira, no Marrocos.

“Na África, a música não é uma arte paralela à vida; é a arte de viver. É de uma importância vital para quem não tem nada, mas não hesita em gastar os poucos trocados que ainda tem – não para comer, mas pela música, alimento principal.” Alto, com o corpo ágil, gestos amplos e olhos sorridentes, ou maliciosos, Ray Lema fala tranqüilamente de seus sonhos e de seus temores. Temores de que o capitalismo triunfante – prepotente e arrogante, considerando os africanos irracionais – imponha seu sistema de valores mercantis, sua cultura padronizada, seus artistas-objetos-de-luxo, sua música rentável e o sistema de estrelato (star system). E os sonhos são os de que um dia o progresso se conjugue mais com o verbo ser do que com o verbo ter: “O verbo ter não tem ritmo.”

Enquanto espera, Ray Lema planeja dedicar-se à imensa diversidade das músicas africanas, tradicionais e vivas – um potencial de riquezas ameaçadas – e tentar fazer uma síntese, avançando pouco a pouco, tateando, como um engenhoso artesão do futuro.
(Trad.: Jô Amado)




Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Leia mais sobre

» Quênia
» África
» Música

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos