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GLOBALIZAÇÃO

Para a crise do mercado, remédios de mercado

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Mais do que uma explosão de alegria nas favelas brasileiras, o anúncio do empréstimo de 30 bilhões de dólares pelo FMI provocou uma euforia frenética na Bolsa por parte dos bancos ABN Amro, HSBC, Santander, Goldman Sachs, FleetBoston e Citigroup

Serge Halimi - (01/09/2002)

Cada crise e cada sobressalto do sistema apenas resulta num prolongamento de sua existência, às vezes endurecendo suas características

A analogia com os “barões ladrões” do início do século XX (leia, nesta edição, o artigo de Howard Zinn) faz grande sucesso nos Estados Unidos. Os senhores de fortunas construídas às custas de manobras sórdidas, da exploração desalmada, de rebeliões reprimidas de forma sangrenta, também se vangloriavam da arte, da filantropia, da preocupação com o bem comum. E quando iam à falência, apelavam para que o Estado os socorresse.

Imaginemos duas colunas – a dos fatos e a dos remédios. Da primeira, constariam as recentes descobertas de jornalistas e governantes, manchadas pelas conseqüências da aplicação dos dogmas neoliberais que eles próprios celebravam alguns meses antes: fraudes monumentais nos Estados Unidos, miséria maciça na Argentina, falência dos grandes grupos mundiais de telecomunicações, ruína dos grandes empresários – inflados de orgulho – que se envaideciam de saber tudo sobre tudo (Michel Bon, presidente da France Télécom, continua, entretanto, no cargo, talvez por suas amizades nos meios políticos e de comunicações pesarem mais do que sua gestão calamitosa1).

A crítica ao “mundo sem regras”

O que ocorre hoje em Wall Street, Buenos Aires e Montevidéu lembra nitidamente uma situação de 1998. Só que os “barões ladrões” da época eram russos

A segunda coluna mostraria a lista de remédios econômicos elaborada pelos dirigentes políticos e difundida por seus tambores: novo arrocho imposto a uma América Latina exaurida; “empréstimos” do Fundo Monetário Internacional (FMI) destinados a salvar os grandes bancos ocidentais que operam em países “de risco” – não pelo gosto da aventura, mas por amor aos dividendos “de risco”; enésima redução do imposto dos ricos para que sejam mais competitivos (e menos fraudulentos) e cortes dos benefícios sociais destinados aos desempregados (Espanha, Alemanha).

Mais do que esquizofrenia, as duas colunas sugerem amnésia ou irracionalidade. De fato, como a oposição à globalização capitalista continua sem perspectivas e sem alternativas e a esquerda institucional foi cooptada e se acomodou ao sistema vigente, cada sobressalto deste último apenas resulta num prolongamento de sua existência, às vezes endurecendo suas características. Enquanto o poder de determinar as soluções continuar nas mãos de quem contribui para criar o problema, a solução acaba ficando, muitas vezes, na repetição daquilo que não deu certo. O FMI tornou-se especialista nisso.

Poucos meses atrás, Francis Mer, que ainda era dono da Usinor, revelava a seus acionistas: “Ninguém controla as evoluções do mundo. É provável que as coisas não terminem bem. A organização de um mundo sem regras não durará muito.” Hoje ministro da Economia, das Finanças e da Indústria, que tipo de remédio imaginaria Francis Mer para a ausência de regras resultante de um capitalismo desregulamentado? Talvez uma nova rajada de privatizações, permitindo, por exemplo, que a Air France cuide de sua preocupante boa saúde, adotando o estatuto jurídico das empresas aéreas que vão a pique (Swissair, Air Liberté, United Airlines). Os médicos de Molière só conheciam a sangria. Eles continuavam médicos; os pacientes morriam.

Sai o milagre asiático, viva o “milagre Internet”

Michel Camdessus pontificava: “A equipe de economistas do FMI é a melhor do mundo. Nossas recomendações eram boas, mas foram mal aplicadas”

O que ocorre hoje em Wall Street, Buenos Aires e Montevidéu lembra, nitidamente, uma situação de quatro anos atrás2. Só que os “barões ladrões” da época eram russos e a zona da tormenta, asiática. A América Latina ocupava as primeiras páginas; ainda ocupa. Falava-se de “revisão dolorosa”, de contágio da deflação, de bolhas que estouram, de “uma das maiores destruições de riquezas já conhecidas”. “Rússia: quando os mercados fracassam”, anunciava a capa da revista Business Week. Os editoriais do Financial Times beiravam a histeria: “Ameaça contra a globalização”, “Contagem regressiva rumo ao colapso”... “Repensar o capitalismo”, chegou a propor o Washington Post.

Imperturbável, o diretor-geral do FMI, Michel Camdessus, pontificava: “A equipe de economistas do FMI é, sem dúvida, a melhor do mundo, mas é natural que o mundo passe por isso. [...] Nossas recomendações eram boas, mas foram mal aplicadas.” Mencionando o destino das economias latino-americanas, um dirigente do Banco Mundial, ex-assessor do presidente Clinton, também se mostrava confiante: “Elas dispõem de uma excelente base. Não há qualquer dúvida quanto a seu futuro fulgurante.” Pelo menos, Joseph Stiglitz (pois é dele que se trata) acabou aprendendo...

Mas como tinham medo, todos anunciaram que era hora de agir. E, sem mais delongas, nada fizeram. O Japão entrara na deflação (da qual ainda não saiu); “socorrida” pelo FMI, a Indonésia perdeu 15% de seu Produto Nacional Bruto (que nunca recuperou). Morreu o “milagre asiático”? Então, viva o “milagre Internet”!

O “bem-estar que se esperava”

Um dia ainda será escrito um livro sobre o engodo da “nova economia” e a história dos – mídia e patrões – que o alimentaram e dele auferiram os lucros

Um dia ainda será escrito um livro sobre esse engodo e a história daqueles – mídia e patrões – que o alimentaram para dele auferirem os lucros3. Também essa bolha acabou estourando. A ela, se seguirá outra e, depois, outra. Enquanto se espera, escuta-se um cortejo de lamúrias disfarçado numa revoada de lucidez. Ex-homem forte de Jean-Marie Messier, o diretor de L’Express (grupo Vivendi Universal) lança o alerta – “O capitalismo está ameaçado de ruir” – e descobre um “círculo vicioso de dinheiro rápido” que “desafia o bom senso”, “compromete o desenvolvimento” e “fabrica bolhas especulativas”. Nada lhe passa despercebido. Ex-maoísta e atualmente assessor do grande empresariado francês, François Ewald investe, por sua vez, contra “um capitalismo estupefato, desconcertado, um capitalismo que já não sabe para onde vai, um capitalismo que ninguém parece conseguir controlar, um capitalismo à deriva, incapaz de encontrar o porto de chegada”. Um jornalista de Le Monde fecharia o círculo com chave de ouro e um louvável senso de eufemismo: “A onda de reformas neoliberais empreendidas na década de 90 sob os auspícios do Fundo Monetário Internacional – privatizações e abertura da economia – não resultou no bem-estar que se esperava4.”

Mas os novos críticos são rigorosos demais. Ou não o bastante. Pois algumas dezenas de milhões de pessoas originárias das classes médias prósperas do Ocidente conseguiram esse “bem-estar que se esperava” – e continuam usufruindo dele. A ciranda dos aproveitadores superou amplamente aquele pequeno núcleo de barões da comunicação, da mídia, da indústria, dos “peritos” do FMI e dos dirigentes corruptos dos governos; basta tosar algumas “ovelhas negras” para recomeçar tudo de novo, com um Fourtou no lugar de um Messier, ou um socialista de mercado cedendo o lugar a um liberal em contato com as realidades locais.

A catástrofe argentina

A ciranda dos aproveitadores superou amplamente o pequeno núcleo de barões da comunicação, da indústria, dos “peritos” do FMI e de políticos corruptos

Na realidade, milhões de investidores venderam suas ações sem esperar pelo degelo das cotações, embolsando – inclusive na forma de poupança-aposentadoria – lucros não apenas prodigiosos como indevidos. Foi então que seus fundos de pensão impuseram um “retorno sobre o investimento” de, no mínimo 10%, aos administradores de empresas. Estes não se fizeram de rogados para o arrancar de seus empregados e de seus fornecedores. Dezenas de milhões de corretores da Bolsa preferiram não saber de que fonte, ou de que sofrimento, seriam construídos seus lucros. Preferiram persuadir-se de que sua orgia duraria para sempre, de que sua existência seria garantida pelo dinheiro ganho enquanto dormiam. Teriam remorsos? Outros remorsos, mais imperativos que os seus, apelam para a nossa compaixão.

É o caso da América Latina, por exemplo. Ali, aparentemente não há nada de novo. Há três anos (1º de fevereiro de 1999), a revista Business Week escrevia: “A barragem de 42 bilhões de dólares construída pelo FMI para proteger o Brasil acaba de ceder. [...] As políticas de austeridade impostas pelo FMI transformam os problemas de endividamento em catástrofe econômica5.” O mesmo tipo de análise se aplicaria hoje à Argentina (leia, nesta edição, os artigos de Clara Augé e Jorge Beinstein), que foi um aluno exemplar do curso neoliberal e cuja renda per capita caiu dois terços em três anos. Uma catástrofe dessas – cujas dimensões superam a da crise norte-americana da década de 30 – teria sido, sem dúvida, bastante mais comentada se a Argentina tivesse aplicado políticas de esquerda...

O voto comprometido dos brasileiros

Na Argentina, aluna exemplar do modelo neoliberal, a renda per capita caiu dois terços em três anos. Imagine se as políticas fossem de esquerda...

“Lançar o dinheiro dos contribuintes norte-americanos ao vento das incertezas políticas não me parece brilhante”, explicou, no mês de junho, Paul O’Neill, secretário do Tesouro, para justificar não ter atendido a uma (nova) solicitação de ajuda brasileira junto ao FMI. Depois mudou de opinião. Afinal de contas, com esse “empréstimo” (de 30 bilhões de dólares), tratava-se de socorrer os investidores ocidentais (entre os quais, a Alcoa, multinacional que O’Neill presidiu). Aliás, mais do que uma explosão de alegria nas favelas do Rio, o anúncio da decisão do FMI provocou uma euforia na Bolsa por parte dos bancos ABN Amro (Holanda), HSBC (Grã-Bretanha) e Santander (Espanha), sem esquecer os norte-americanos Goldman Sachs, FleetBoston e Citigroup. Este, com presença mais destacada no Brasil (9,7 bilhões de dólares de crédito), viu a cotação de suas ações subir 6% no último dia 7 de agosto. Robert Rubin, atual diretor do Citigroup, é o secretário do Tesouro do governo Clinton que, em 1998, depois de ter sido presidente da Goldman Sachs, esboçou os precedentes “planos de salvação” do FMI. De volta à vida civil, Rubin interveio em favor da Enron...

De qualquer maneira, não há por que O’Neill temer “incertezas políticas”: 80% dos créditos concedidos ao Brasil apenas serão repassados após a eleição presidencial. Com a candura que faz seu charme, o Wall Street Journal explicou: “O empréstimo do FMI foi estruturado de maneira a que os candidatos de esquerda que lideram as pesquisas, Luiz Inácio Lula da Silva e Ciro Gomes, tenham que continuar as políticas econômicas conservadoras do presidente que sai, Fernando Henrique Cardoso6.” Como se isso não bastasse, a cada nova pesquisa decepcionante para o campo conservador, sobem as taxas de juros no Brasil, que já estão próximas de 25% (são de 1,75% nos Estados Unidos e de 0,15% no Japão...), o que aumenta o fardo da dívida do país – e o valor do crédito devido ao Citigroup, Goldman Sachs etc.7 O sistema age com um pé no futuro e o eleitor brasileiro já está prevenido: não só seu voto de outubro já está comprometido, como seus humores de contestação lhe serão cobrados no próximo mandato. Delfim Netto, ex-ministro da Fazenda, resume a coisa: “As duas grandes instituições deste início de século são o mercado e a urna. Se uma exagera, a outra se encarrega de corrigir8.” E, já há algum tempo, a “correção” vem sendo feita mais pelo mercado do que pela urna.

Público e privado se misturam

Uma distinção bastante tênue, entre governo e mercado, foi para o espaço com as constantes trocas entre ministros da Fazenda e presidentes de multinacionais

Ciro Gomes teima: não se “curvará às vontades do capital, dos bancos e da mídia”. Sua promessa tem a virtude de salientar que o partido da imprensa e o do dinheiro são um só. Porque, entre as fábricas da mentira na Venezuela9 e as máquinas de vender da Europa e dos Estados Unidos, a diferença é mínima. Isso pode ser constatado com essa bolha Internet, inflada com o hélio das reportagens sedutoras sobre a “nova economia”. Sedutoras, mas também interessadas: a desregulamentação das telecomunicações pelo Estado proporcionou o frenesi nas Bolsas do setor das comunicações, o qual multiplicou por dez os investimentos em publicidade, o valor de suas instalações – e as stock options de alguns jornalistas...

Uma outra distinção, bastante tênue, entre governo e mercado, foi para o espaço com as constantes andanças dos Francis Mer, Paul O’Neill e Robert Rubin entre ministérios da Fazenda e a presidência de multinacionais. Armínio Fraga, antes de ser presidente do Banco Central do Brasil, era administrador dos fundos da empresa de George Soros. Silvio Berlusconi, primeiro-ministro italiano e ministro das Relações Exteriores, é o homem mais rico do país e possui três dos sete canais de televisão nacionais. Dois anos atrás, o socialista Laurent Fabius pensava renunciar à presidência da Assembléia Nacional para se tornar diretor-geral do FMI. E por aí vamos... Correndo o risco de compreender que os remédios para a atual crise já foram encontrados. “Se o mercado acabasse admirando a honestidade, a transparência e um bom governo de união (corporate governance)”, explicou The Economist, “os empresários se precipitariam para ganhar essas características10.” Podemos dormir tranqüilos.

(Trad.: Jô Amado)

1 - O mesmo não ocorreu com Jean-Marie Messier (Vivendi Universal), Ron Sommer (Deutsche Telekom), Robert Pittman (AOL) e Thomas Middelhoff (Bertelsmann), que foram todos sumariamente demitidos entre os dias 3 e 29 de julho de 2002. Confiante, Bon diz esperar o dia em que “o mercado abra os olhos”.
2 - Ler, de Serge Halimi, “Le naufrage des dogmes libéraux”, Le Monde diplomatique, outubro de 1998. Caso não haja indicação em contrário, as citações que se seguem referem-se àquele artigo.
3 - Ler a advertência feita por Tom Frank sobre os discursos norte-americanos mais disparatados em “Talking Bull”, The Guardian Weekly, 17 de agosto de 2002, e saborear, retrospectivamente, um dos apogeus desse engodo na França: o dossiê, do Nouvel Observateur, “La gener@tion.net prend le pouvoir”, 8 de junho de 2000.
4 - Respectivamente L’Express, de 1º de agosto de 2002, Les Echos, de 6 de agosto de 2002, e Le Monde, de 6 de agosto de 2002.
5 - Um precedente desses deixa pensativo quem leia, nos jornais, títulos como “O FMI voa para socorrer o Brasil” (Le Figaro, 9 de agosto de 2002), “Brasil volta à tona com ajuda excepcional do FMI” (Le Monde, 10 de agosto de 2002, e até... “O FMI vem em socorro... outra vez”, Time, 19 de agosto de 2002.
6 - The Wall Street Journal Europe, 14 de agosto de 2002.
7 - Para garantir o pagamento, o FMI – que condicionou o empréstimo ao Brasil a um “excedente orçamentário primário” de 3,75% do PNB – excluiu, por meio desse mecanismo (ou seja, “isolou”) a parte das despesas brasileiras correspondente ao pagamento da dívida.
8 - La Tribune, 9 de agosto de 2002.
9 - Ler, de Maurice Lemoine, “Os laboratórios da mentira” e “Golpes Sem Fronteiras”, Le Monde diplomatique, agosto de 2002.
10 - The Economist, 17 de agosto de 2002.




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