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ANTI-TERRORISMO

Um não à guerra

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Em entrevistas a vários jornais, militares, intelectuais, políticos e artistas do mundo inteiro manifestam sua indignação, seu repúdio, sua resistência à insanidade de uma nova guerra, liderada pelos Estados Unidos

(01/11/2002)

O “Não” dos generais

“Acho que a guerra deve ser o último recurso, e não uma solução”, declarou, no dia 10 de outubro, o general Anthony Zinni, que dirigiu, de 1999 a 2001, o Comando Militar central. Segundo o general, um ataque contra Bagdá não deveria ocupar senão a sexta ou sétima prioridade dos Estados Unidos – bem atrás, por exemplo, do conflito entre israelenses e palestinos, de um incentivo às reformas no Irã e do restabelecimento da estabilidade no Afeganistão.

O ex-comandante dos fuzileiros navais advertiu contra as conseqüências – obviamente imprevisíveis – de uma guerra, principalmente se Israel for envolvido no conflito. Em sua opinião, Washington subestima a reação da opinião pública árabe a uma ação violenta norte-americana, o que poderia “reforçar os radicais, os pais do extremismo, os aiatolás” e desestabilizar os regimes aliados da região.

Outros generais reformados norte-americanos, como Norman Schwarzkopf, que dirigiu a operação “Tempestade do Deserto” contra o Iraque, em 1991, e Wesley Clark, ex-comandante em chefe das forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que participou da guerra do Kosovo, em 1999, pronunciaram-se contra a deflagração de uma intervenção unilateral norte-americana no Iraque. Agência France Presse (AFP), 10 de outubro de 2002-10-24

Não em nosso nome

Os meios de comunicação mundiais deram uma repercussão apática à resistência interna que vêm suscitando os planos de guerra do governo Bush. No entanto, a contestação cresce, dentro dos Estados Unidos. Le Monde diplomatique transcreve aqui trechos da convocação feita pela organização Not In Our Name (Não em nosso nome) que, no dia 6 de outubro, realizou várias manifestações que reuniram dezenas de milhares de pessoas. Pago pelos organizadores, o anúncio da convocação foi publicado em jornais como o New York Times e, até meados de outubro, já tinha coletado mais de 30 mil assinaturas.

“Os signatários deste texto apelam ao povo dos Estados Unidos para que resista às políticas adotadas após o 11 de setembro, que ameaçam gravemente os povos do mundo inteiro. Acreditamos que os povos e as nações têm o direito de escolher livremente seus próprios destinos, sem serem submetidos à coação pelas grandes potências (...). Em nome do povo norte-americano, o governo Bush, com o apoio quase unânime do Congresso (...), arrogou-se o direito de empregar sua força militar onde quiser e quando quiser (...). Em nosso nome, o governo criou duas classes de pessoas: os que gozam dos direitos fundamentais e os que não têm direito algum (...). Em nosso nome, o governo envolveu a sociedade num manto repressivo (...) e deu à polícia os mais amplos poderes (...). Em nosso nome, o executivo vem usurpando os papéis e as funções dos outros setores do governo... Proclamamos: NÃO EM NOSSO NOME. Recusamos ser cúmplices (...). Nós, signatários deste texto, apelamos a todos os norte-americanos para que se reúnam e enfrentem o desafio (...). Inspiramo-nos nos reservistas israelenses que, desafiando riscos e perigos, se recusaram a participar da invasão dos territórios ocupados (...). Apelamos, também para os exemplos de resistência e consciência que já ocorreram nos Estados Unidos, como os dos que lutaram contra a escravidão e dos que resistiram contra a guerra do Vietnã (...). Que o mundo inteiro ouça nossa voz: resistiremos à guerra e à repressão...” (Entre os signatários, figuram os nomes de James Abourezk, Noam Chomsky, Eve Ensler, Leon Golub, Martin Luther King III, Abdeen Jabara, Frederic Jameson, Chalmers Johnson, rabino Michael Lerner, Irving Petlin, Michael Ratner, Edward Saïd, Susan Sarandon, Saskia Sassen, Carolee Schneeman, Gloria Steinem, Nancy Spero, Oliver Stone, Gore Vidal, Kurt Vonnegut, Immanuel Wallerstein e Howard Zinn.)

“Devíamos ter vergonha”

“O governo Bush errou o tempo todo. Por causa dele, não temos mais aliados no mundo. O sentimento antiamericano cresceu, inclusive, um pouco por toda parte. Estamos completamente isolados e corremos o risco de pagar bem caro, futuramente. Este governo também arruinou o sistema de seguridade social, as reservas de água, o meio ambiente... Passamos de uma calamidade à outra. Um ano após a eleição de Bush, o que sabemos é que, se alguém for poluente, tem uma boa chance de fazer parte do governo! É um governo de que todos nós devíamos ter vergonha.” Arthur Miller (nascido em Nova York, em 1915) é o autor, entre outros livros, de Morte de um caixeiro viajante (1949) e As bruxas de Salem (1952). L’Express, 12 de setembro de 2002

Jessica Lange vs. George W. Bush

“O que George W. Bush quer fazer ao Iraque é inconstitucional, imoral e ilegal. Odeio Bush, desprezo-o, a ele e a toda sua família. Não somente por sua política internacional, mas por sua política nacional. Atualmente, viver nos Estados Unidos é uma vergonha, uma humilhação. Bush roubou sua eleição e temos que suportá-lo. O que ele quer fazer ao Iraque é de uma loucura total e não compreendo como ninguém o consegue deter. Não vejo um único movimento de direitos civis ou de estudantes para dar um basta a tudo isso. Espero que as coisas mudem e as pessoas despertem e se ergam contra essa loucura.” Jessica Lange (nascida no Estado de Minnesota, em 1949) ganhou dois “Oscar”, como atriz, por Tootsie (1982) e por Blue Sky (1995) El País, 26 de setembro de 2002

O “não” de Nelson Mandela

“Na condução de sua política externa, os Estados Unidos cometeram graves erros, a cuja infeliz repercussão continuamos assistindo, muito depois que as decisões foram tomadas”, declarou Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul. “O apoio ao Xá do Irã levou diretamente à revolução islâmica de 1979. Em seguida, os Estados Unidos optaram por armar e financiar os mujahidin (guerreiros fanáticos islamitas) do Afeganistão ao invés de dar apoio e incentivar a ala moderada do governo de Cabul. Isso levou ao regime dos taliban. Mas a ação mais catastrófica dos Estados Unidos foi a sabotagem de uma decisão arduamente elaborada e trabalhada pelas Nações Unidas envolvendo a retirada da União Soviética do Afeganistão. Olhando para tudo isso, chega-se à conclusão de que a atitude dos Estados Unidos representa uma ameaça à paz no mundo. O que dizem eles? Dizem que se alguém receia um veto por parte do Conselho de Segurança, pode ir em frente e violar a soberania de outros países... Scott Ritter, um ex-inspetor das Nações Unidas que estava em Bagdá, declarou que não existia qualquer prova [do desenvolvimento de armas] de destruição maciça... Mas todos sabemos que Israel possui armas de destruição maciça. Ninguém fala disso. Por que haveria uma regra para um país – por seu povo ser negro – e outra para Israel – por seu povo ser branco? Se os Estados Unidos e a Grã-Bretanha comparecerem perante as Nações Unidas e se as Nações Unidas declararem que há provas concretas da existência dessas armas de destruição maciça no Iraque, então todos apoiaremos [essa ação].” Newsweek, 9 de setembro de 2002

O Iraque, um perigo insignificante

Segundo Aharon Levran, ex-chefe dos serviços secretos do exército israelense, “o Iraque ficou muito enfraquecido desde a guerra do Golfo, dez anos atrás. Caso aceite as sanções econômicas e a fiscalização dos inspetores da ONU, o perigo que representa é insignificante. Dispõe de uma quantidade mínima de lança-mísseis Scud e Saddam Hussein não tem a liberdade de fazer o que quiser. E, mesmo que tivesse, dificilmente conseguiria o material que permitisse a seu potencial bélico tornar-se operacional.

No que se refere a armas químicas e biológicas, é fácil conseguir os componentes necessários à sua fabricação, pois são vendidos sem restrições – principalmente para as áreas de medicina e agricultura. Porém, o mais complexo é transformá-los em armas e duvido que o Iraque disponha da tecnologia necessária para permitir usá-los.

Quanto às armas nucleares, só podem ser produzidas com plutônio ou urânio altamente enriquecido, que é necessário comprar ou produzir. De 1981 a 1991, Saddam Hussein tentou fazê-lo, mas seus esforços nessa área foram reduzidos a zero. Todo o material que tinha conseguido reunir com esse objetivo foi destruído durante a guerra do Golfo, ou durante a fiscalização dos inspetores da ONU. Em outras palavras, para que o Iraque se tornasse uma potência nuclear, teria que comprar material no exterior. (...) Essa possibilidade, no entanto, é mínima. A qualidade e a quantidade do material que ele tenha conseguido adquirir não permite que seja produzida uma bomba nuclear.” La Croix, 9 de outubro de 2002

A nova religião de Philippe Sollers

“Você está grudado no 11 de setembro, pois essa é a data-magna, o nascimento de um mundo ferido, mas vencedor. Você ficará comovido no 11 de setembro. Você rezará no 11 de setembro, votará no 11 de setembro, sonhará com o 11 de setembro, responderá a tudo, dizendo: ‘11 de setembro’. Graças ao 11 de setembro, foram superadas todas as festas religiosas da antiga temporalidade – o Natal, a Páscoa, o Yom Kippur e o Ramadã. Ocorreu uma síntese e a bandeira norte-americana flutua para sempre sobre esses escombros.

Oh, eu sei, ainda há muito trabalho a ser feito, lá para os lados de Cabul, Ramallah e Bagdá. O petróleo tem razões que somente Deus conhece. Mas, não importa: o Mal será arrasado, isso é óbvio. Aliás, acho que está demorando demais. Para quê tantas hesitações? Para quê tanta moderação? Para quê tantos pseudo-escrúpulos? Para que essas Onusices que não enganam ninguém? É preciso atacar, atacar e atacar. O 11 de setembro o exige. O 11 de setembro é o horizonte incontornável da nossa era. Acabou-se o 14 de julho: agora é 11 de setembro. Esperemos que os franceses, que sempre estão a reboque da verdadeira consciência histórica, acabem por se convencer e se alinhem com a nova religião.” Philippe Sollers, Le Journal du dimanche, 29 de setembro de 2002.




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