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O dinheiro da Al Qaida

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Um ano após George W. Bush anunciar uma operação com o objetivo de desmantelar a “rede financeira do terrorismo internacional”, as investigações vêm esbarrando em revelações constrangedoras, envolvendo CIA, FBI etc., etc.

John K. Cooley - (01/11/2002)

Embora oficialmente não faça parte dos esforços frenéticos da administração Bush para conter o financiamento da rede terrorista Al Qaida, a ação “privada” impetrada na justiça por mais de 500 membros das famílias das vítimas e dos sobreviventes do 11 de setembro de 2001, num valor de mais de um trilhão de dólares, é um desses elementos. Demonstra também a deterioração das relações entre Washington e o mundo árabe, em especial sua aliada de 50 anos, a Arábia Saudita.

São alvos dessa ação sete bancos internacionais, oito fundações islâmicas, entidades caritativas e suas filiais, alguns financiadores individuais, o grupo saudita de sociedades Bin Laden, três príncipes sauditas de posição elevada e o governo do Sudão. Todos são acusados de haverem financiado a Al Qaida, Osama bin Laden e o Taliban. O objetivo das famílias e de sua plêiade de advogados especializados, apresentado numa retórica “patriótica” e ufanista digna de presidente George W. Bush ou de seu secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, é o de “expor (...) o sinistro lado oculto das atrocidades do 11 de setembro, a fim de que os malfeitores não tenham mais nenhum abrigo para se esconder e fugir às suas responsabilidades1”.

Dois príncipes suspeitos

De acordo com o relatório Brisard, a Al Qaida beneficiou-se do apoio financeiro de 400 indivíduos e de 500 empresas e organizações em todo o mundo

A lista de indivíduos e de organizações processadas parece provir principalmente do levantamento dos supostos financiadores do terrorismo feito para os serviços secretos franceses por um advogado parisiense, Jean-Charles Brisard2, e divulgado em muitos países ocidentais antes e depois do 11 setembro. De acordo com esse relatório, a Al Qaida beneficiou-se do apoio financeiro direto ou indireto de 400 indivíduos e de 500 empresas e organizações em todo o mundo. Entre os componentes notáveis dessa lista figuram o príncipe Sultan, ministro da Defesa saudita, e o príncipe Turki Al Fayçal, ex-dirigente dos serviços de espionagem sauditas. Entre 1979 e 1989, ambos ocuparam um lugar decisivo na ajuda importante dada ao jihad anti-soviético no Afeganistão, em colaboração com a CIA e o Paquistão. Durante a década de 90, os ex-membros do jihad, assim como aqueles que eles mesmos formaram, espalharam-se pelo mundo islâmico e o Ocidente, desempenhando desde então um papel importante no terrorismo3.

Dentre os motivos alegados pela ação norte-americana, menciona-se uma ligação entre dois príncipes sauditas e o jihad afegão e, em seguida, a Al Qaida. Afirma-se que, em 1998, o príncipe Turki teria aceito não pedir a extradição de Bin Laden e de outros membros da Al Qaida para o Afeganistão, e que teria dado um auxílio generoso ao regime Taliban, contra uma promessa feita por Bin Laden de que sua organização não procuraria subverter o regime saudita. O príncipe Sultan é acusado de ter contribuído com pelo menos 6 milhões de dólares desde 1994 para quatro organizações caritativas que financiariam a Al Qaida. Os queixosos evidentemente silenciam sobre a implicação do governo norte-americano na determinação dessa estratégia, tanto durante o jihad como na chegada ao poder do Taliban.

Fuga de capitais sauditas

Essa ação judicial prejudicou seriamente as relações entre sauditas e norte-americanos, pois ocorreu somente dois dias depois do vazamento de um documento (briefing paper) preparado para o Pentágono por um analista da Rand Corporation4. Este último, na retórica maniqueísta que caracteriza a era do presidente Bush, acusa a Arábia Saudita de ser “o cerne do mal”. Aconselha o governo a confiscar os bens financeiros sauditas e assumir o controle do petróleo desse país, pois o regime – que até bem pouco tempo era aliado – teria dado meia volta para se tornar o “inimigo” dos Estados Unidos.

Apesar dos desmentidos da Casa Branca, a imprensa saudita expressa o temor de que os bens sauditas nos Estados Unidos – que chegam a centenas de bilhões de dólares – sejam congelados ou confiscados. Youssef Ibrahim, membro do Council on Foreign Relations (Conselho de Relações Exteriores), afirma que controles recentemente efetuados sobre as contas de dezenas de empresas e cidadãos sauditas suspeitos de financiar a Al Qaida teriam preocupado tanto os homens de negócios e os banqueiros sauditas, que estes teriam retirado pelo menos 200 bilhões de dólares dos Estados Unidos durante os últimos meses. Os investidores sauditas e árabes estariam transferindo para a Europa seu dinheiro líquido e seus bens bancários, ações, bônus do Tesouro e bens fundiários.

A “base financeira” do terrorismo

Um relatório preparado para o Pentágono por um analista da Rand Corporation acusa a Arábia Saudita (aliada norte-americana) de ser “o cerne do mal”

Essas informações, no entanto, são recebidas com ceticismo. O economista Steve Englander, do Citibank, declara: “Não estamos nem um pouco convencidos. Os números citados são enormes, cerca da metade do déficit norte-americano das contas correntes. O euro não estaria a 0,98 de dólar, se isto tivesse acontecido.” O príncipe Al Walid ben Talal, investidor saudita mais importante no setor privado norte-americano, afirmou que “tem a intenção de manter todos os seus investimentos nos Estados Unidos”. Por outro lado, Bishr Bakheet, dirigente de Bakheet Financial Advisors, confirmou que “quantias consideráveis” efetivamente estariam se deslocando para a Europa, Japão e Oriente Médio.

O relatório Brisard, como outras investigações, governamentais e privadas, posteriores aos atentados de 11 de setembro, assim como os processos em curso, revelam que a infra-estrutura financeira da Al Qaida assemelha-se a uma holding. Haveria um centro de decisão com centenas de filiais e um número ainda maior de entidades terceirizadas espalhadas pelo mundo. A lista das entidades implicadas abrange um amplo leque, que vai do fundamentalista islâmico fanático ao banqueiro famoso e respeitável, assim como a homens de negócio e empresas.

Em 24 de setembro de 2001, o presidente Bush “lança um ataque” – como ele diz – “contra a base financeira da rede global do terror”. Foi anunciado o congelamento dos bens de 27 organizações e indivíduos suspeitos de manterem relações com Bin Laden. A partir dessa data, a lista tornou-se ainda mais longa do que a do relatório Brisard. Sob pressão norte-americana, o Conselho de Segurança da ONU votaria várias resoluções, pedindo às nações que privem as redes terroristas de qualquer apoio financeiro e logístico.

Os magros resultados do Patriot Act

A infra-estrutura financeira da Al Qaida teria um centro de decisão, centenas de filiais e inúmeras entidades terceirizadas espalhadas pelo mundo

Em outubro de 2001, o Congresso votou precipitadamente a lei chamada de USA Patriot Act. Esta permite ao FBI e a outros serviços de polícia multiplicar as escutas telefônicas, prolongar a prisão preventiva, espionar os advogados e outras usurpações dos direitos civis dos norte-americanos, medidas justificadas sobretudo pela necessidade de esclarecer o financiamento da Al Qaida.

A nova regulamentação financeira dessa lei proíbe contas correntes anônimas em todo o território norte-americano. Impede que os bancos norte-americanos e empresas de corretagem aceitem dinheiro de um banco situado num paraíso fiscal – cujo único propósito seria permitir ao cliente escapar da fiscalização, não tendo qualquer ligação direta com um banco regulamentado.

No final de 2001, os bens congelados pelo governo, nos Estados Unidos e em outros lugares, chegavam a mais de 112 milhões de dólares. Mas, apesar do voto pelas Nações Unidas, em janeiro de 2002, da resolução 1390, que estende as ações contra a Al Qaida ao mundo inteiro, um relatório publicado em agosto de 2002 pelos especialistas da ONU mostra que apenas 10 milhões de dólares suplementares teriam sido identificados e congelados.

Doações "caritativas" sem vestígio

Os autores do relatório constatam a insuficiência dos esforços do Grupo de Ação Financeira sobre a Lavagem de Capitais (Gafi), criado em 1989 para combater a lavagem de dinheiro, seja por terroristas, estelionatários ou traficantes de diferentes máfias, e relançado a partir do 11 de setembro sob pressão norte-americana. Pois os financiadores de Bin Laden no Magrebe, no Oriente Médio e na Ásia continuariam a gerenciar pelo menos 30 milhões de dólares por conta da Al Qaida (certos analistas apresentam estimativas dez vezes maiores). Esses bens estariam na Ilha Maurício, em Cingapura, na Malásia, nas Filipinas e no Panamá. Outras contas também foram abertas por clientes fictícios em Dubai, Hong Kong, Londres e Viena. O relatório da ONU considera que cerca de 16 milhões de dólares em doações “caritativas” recolhidas pela rede escaparam aos controles e às medidas de repressão5.

A lista das entidades implicadas abrange um leque que vai do fundamentalista fanático ao banqueiro respeitável, assim como homens de negócio e empresas

Se os relatórios oficiais só mencionam isso em termos velados, foi confirmado por investigadores particulares que as pesquisas que fazem, sob o comando do Tesouro norte-americano e do FBI, esbarram na conversão das reservas da Al Qaida em bens fungíveis e tangíveis. Trata-se de ouro e pedras preciosas, sobretudo diamantes, fáceis de passar como contrabando. Esbarram também no sistema tradicional de transferência de fundos, o hawala (também chamado de hundi, no Paquistão e no Afeganistão, e de chop na China). Quantias de qualquer valor se deslocam com um simples telefonema com troca de códigos combinados. O que não deixa nenhum vestígio: nem papel, nem pista eletrônica. Após alguns meses, esses correspondentes acertam contas entre si, sem nunca deixar vestígio escrito.

O tráfico do ópio

No começo de setembro de 2002, o Washington Post anunciou que dirigentes da Al Qaida e do Taliban estariam levando ouro do Paquistão para o Sudão, via os Emirados Árabes Unidos e o Irã. A rota seguida era a do contrabando tradicional entre Karachi e Dubai, ou o Irã, utilizando pequenas embarcações, e em seguida por vôos charter até Cartum. Bin Laden, que morou, trabalhou e investiu dinheiro no Sudão de 1991 a 1996, onde dirigiu o treinamento de terroristas, mantém ainda muitos contatos nos meios de negócios daquele país. Os serviços de espionagem e as autoridades militares ocidentais, como, por exemplo, as algumas centenas de homens das forças especiais norte-americanas que desembarcaram em setembro em Djibuti, vigiam de perto as costas da Somália e de maneira mais geral a região do Mar Vermelho.

Outros relatórios de investigação mencionam o comércio do ópio, cultivado no Afeganistão e vendido contra ouro. Durante a guerra do Afeganistão de 1979-1989, o cultivo e o comércio do ópio foram estimulados pela CIA e a ISI (os serviços secretos paquistaneses), para auxiliar o financiamento dos combates e para enfraquecer as forças soviéticas, difundindo entre elas a droga. Essa herança da guerra persistiu: segundo homens de negócio paquistaneses, o Taliban e a Al Qaida teriam enviado de Karachi grandes quantidades de ouro, resultado da venda de ópio aos traficantes da Ásia Central.

O sistema de conversão em divisas

A regulamentação financeira do chamado USA Patriot Act proíbe a existência de contas correntes anônimas em todo o território norte-americano

Dirigentes dos serviços secretos europeus afirmam que alguns dos charters usados para transportar ouro e outros carregamentos por conta do Taliban e da Al Qaida pertenceriam a Victor Bout, traficante de armas russo, de quem se diz possuir uma frota de mais de 50 aviões pessoais baseados nos Emirados Árabes Unidos. As autoridades norte-americanas consideram Bout como “o principal traficante de armas do mundo”; suas amplas atividades incluiriam o transporte de armas e medicamentos para os Taliban, quando estes governavam o Afeganistão6. Em agosto de 2002, o grupo de vigilância da ONU anunciou sua intenção “de visitar Estados do Golfo e do Sudeste da Ásia para discutir (...) meios de pôr em prática normas e controles (...) sobre o crescente comércio de ouro e de diamantes que escapa a qualquer fiscalização7”.

Segundo fontes de empresas que negociam jóias, tais como a Zale Corporation ou a Tiffany & Cia., uma pedra azul chamada “tanzanita”, cujo valor equivale ao do diamante e que somente é extraída na região do monte Kilimanjaro, na Tanzânia, é uma das últimas novidades dentre as matérias-primas preciosas de que a Al Qaida se utiliza para transformar em divisas. No começo de 2002, a Zale, seguida por alguns de seus concorrentes, decidiu parar a venda da “tanzanita”, retirando-a de suas lojas. Don Christian, da multinacional Price-Waterhouse-Coopers, avalia que “90% da ‘tanzanita’ extraída do solo tanzaniano é contrabandeada para fora do país para ser vendida nos mercados de pedras preciosas e nas zonas francas de Dubai, Hong Kong, Bangcoc etc.”. Don Christian diz também que esse comércio parece ser “uma fonte de capitais e de financiamentos associada a empresas ou pseudo-empresas da rede Al Qaida8”.

Os mistérios do hawala

Foi confirmado que as investigações que vêm fazendo o Tesouro e o FBI esbarram na conversão das reservas da Al Qaida em bens fungíveis e tangíveis

Só a partir deste último verão é que os investigadores começam lentamente a levar em conta a outra principal via de intercâmbios financeiros da Al Qaida: o sistema tradicional do hawala. Em março de 2002, o secretário do Tesouro norte-americano, Paul O’Neil, desembarcou no Golfo com um destacamento de justiceiros. Pretendiam tentar compreender como o sistema do hawala, operando entre Dubai, o Sul da Ásia e o resto do mundo, teria podido financiar os autores do atentado de 11 de setembro e outras operações da Al Qaida. Naturalmente, nem um único comerciante dos mercados de Dubai, nem um único banqueiro ou negociante iria admitir que conhecesse o funcionamento do hawala, muito menos sua implicação pessoal no sistema.

Os Emirados Árabes Unidos, a Arábia Saudita e outros países prometeram criar uma legislação visando regulamentar seus setores de “transferências informais de dinheiro” e alguns o fizeram, inclusive o Dubai. Outros, principalmente o Kuait, regulamentaram as transferências efetuadas ou recebidas pelas organizações caritativas por meio de agências de câmbio, mas poucos esforços foram feitos para que essas leis fossem respeitadas. Existem tão poucos especialistas de hawala que um único ex-policial britânico viajou três vezes para Washington, a fim de que os investigadores norte-americanos ficassem a par do sistema.

A “lista negra” do Gafi

Durante a guerra do Afeganistão (1979-1989), o comércio do ópio foi estimulado pela CIA para financiar os combates e enfraquecer as tropas soviéticas

O Gafi e os investidores norte-americanos teriam algum êxito pontual, sobretudo quando os fundos para a Al Qaida foram transferidos pelas vias habituais bancárias e eletrônicas e, portanto, deixando vestígios. Prova disso são os certificados de “bom comportamento” expedidos neste ano pelo Gafi para Israel, para um paraíso fiscal do Caribe, Saint Kitt and Nevis, e para o Líbano. Mas Moscou teria uma enorme decepção em 18 de junho de 2002, quando Sergei Osipov, vice-presidente da comissão russa de controle financeiro, foi obrigado a admitir que o Gafi comunicou ao Kremlin que o país permaneceria na lista de “vigilância máxima” (enhanced scrutiny) pelo menos até nova ordem.

A reviravolta do 11 de outubro não poderia ser mais significativa. Em plena batalha do Conselho de Segurança sobre a exigência norte-americana de um sinal verde para a guerra contra o Iraque, a Rússia, membra do conselho e detentora de um direito de veto, se viu miraculosamente apagada da “lista negra”. É verdade que em fevereiro de 2002, a Rússia criou um novo grupo de vigilância financeira para investigar centenas de casos que se supunha estarem ligados ao terrorismo. Além da Rússia (apagada ao mesmo tempo que Dominica, Niue, as Ilhas Marshall), a “lista negra” do Gafi incluía, em outubro de 2002, as ilhas Cook, o Egito, Granada, a Guatemala, a Hungria, a Indonésia – onde muitas pessoas suspeitas ou acusadas de participação ou de apoio às atividades terroristas da Al Qaida estão presas –, as ilhas Marshall, Myanmar, Nauru, a Nigéria, Niue, as Filipinas, São Vicente e a Ucrânia.

Avançam as investigações

Uma pedra azul chamada “tanzanita” é a última novidade dentre as matérias-primas preciosas de que a Al Qaida se utiliza para transformar em divisas

Mas a procura de pistas das finanças de Al Qaida foi refreada por uma disputa entre o Gafi e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Embora o FMI colabore com o Gafi, tanto oficial como oficiosamente, vários membros do conselho de administração do Fundo argumentavam que o relatório da ONU comprovava que o método do Gafi estava punindo os países mais pobres e isentando os mais ricos, como, por exemplo, a Suíça. Por outro lado, os agentes do Tesouro e do FBI ficaram particularmente irritados com a exigência do FMI de um prazo de um ano para acrescentar novos países à lista, assim como com suas tentativas de impedir o Gafi de investigar os sistemas judiciários e policiais dos países que mantêm ligações conhecidas ou supostas com a Al Qaida9.

No outono de 2002, as investigações sobre a Al Qaida tiveram alguns avanços. Agentes da alfândega de Detroit interrogaram Omar Shishani, checheno de origem jordaniana, portador de um passaporte norte-americano, procedente da Indonésia, com 12 milhões de dólares em cheques cuidadosamente disfarçados. A polícia paquistanesa deteve, pouco depois, vários supostos membros da Al Qaida em Karachi. Um deles era um sudanês, xeque Ahmed Salim, suspeito de ser o assessor financeiro de Bin Laden desde a permanência deste último em Cartum.

As contas secretas da CIA

A CIA mantinha contas secretas em bancos duvidosos, onde o governo saudita depositava fundos secretos para os contra nicaragüenses e a Unita em Angola

Mais significativa para os investigadores é a disputa judicial que vem ocorrendo em Londres. A Suprema Corte britânica deu ordem ao Tesouro real de tornar públicos documentos referentes ao fechamento em 1991 pelo Banco da Inglaterra do Bank of Credit and Commerce International (BCCI), em razão de atividades fraudulentas. No final de outubro, a “velha senhora” não havia respondido publicamente.

O BCCI desempenhou um papel secreto, em grande parte ainda desconhecido, no financiamento do jihad afegão de 1979-1989. O fundador desse banco, Hassan Agha Abedi, de origem paquistanesa, tornou-se amigo do presidente James Carter, cujo governo lançara o jihad, e de Margaret Thatcher, que o apoiou com tanto entusiasmo (sobretudo durante o reinado de seu amigo Ronald Reagan) quanto Anthony Blair apóia a campanha de George W. Bush contra o Iraque. O falecido William Casey, primeiro diretor da CIA nomeado por Ronald Reagan, estabeleceria os contatos com o banco. Mais tarde, seu sucessor, Robert Gates, qualificaria o BCCI de Bank of Crooks and Criminals International (Banco Internacional de Ladrões e Criminosos).

Havia muito tempo que a CIA abrira contas secretas em bancos estrangeiros duvidosos. O governo saudita, mesmo antes do jihad afegão, depositou nessas contas fundos secretos para suas causas prediletas, como os contra nicaragüenses e a Unita em Angola. Investigações do Time, Newsweek, ABC News e outros comprovam a existência de quantias depositadas para informantes e elementos diretamente implicados no jihad afegão, depois para o Taliban e a Al Qaida, por intermédio da sucursal BCCI de Cromwell Road, em Londres, assim como em outras agências no Paquistão.

O dilema de perder aliados

O que os EUA e seus devotos aliados britânicos temem é a revelação de novas provas da cumplicidade financeira de que a Al Qaida se teria beneficiado

O que Washington e seus devotos aliados no interior do governo Blair temem ver desvendado é a existência de novas provas da cumplicidade financeira do mais alto nível de que a Al Qaida se teria beneficiado, inclusive na época em que Bin Laden organizava no Afeganistão acampamentos, casamatas e outras grutas destruídas pelas bombas norte-americanas durante a “guerra contra o terror”.

Em 1993, para grande alívio de todas as partes envolvidas, um júri norte-americano absolveu Clark Clifford, de 85 anos, conselheiro de todos os presidentes norte-americanos desde Harry Truman, e seu sócio, o advogado Robert Altman, no caso do BCCI e seu parceiro norte-americano, o First American Bankshares. O caso foi encerrado sem a menor dano para a honra desses dois “respeitáveis” norte-americanos e sem que fossem reveladas as ligações que vão do jihad à Al Qaida – e que talvez constem dos documentos mantidos pelo Banco da Inglaterra.

O atual dilema do governo Bush, enquanto a campanha contra o financiamento da Al Qaida está em ponto morto, é o seguinte: se forem investigadas detalhadamente as atividades dos bancos e outras instituições financeiras islâmicas, os Estados Unidos correm o risco de se afastarem dos regimes do Oriente Médio de que necessitam, tanto para a perseguição da Al Qaida, como para a campanha contra o presidente Saddam Hussein.

Cidadãos acima de qualquer suspeita

O senador Paul Sarbanes, presidente da comissão de bancos do Senado norte- americano, observava, depois da votação do USA Patriot Act, que esse acúmulo de leis repressivas comporta sérias lacunas. Em primeiro lugar, um novo cliente estrangeiro de um banco, que poderia estar ligado a Bin Laden, tem literalmente o poder de “investigar a si mesmo”, ao assinar um certificado de que não representa uma firma “laranja”. Em seguida, as regras do Tesouro autorizam qualquer banco norte-americano a aceitar depósitos provenientes de um banco offshore, desde que um mínimo de um quarto de suas ações pertença a um banco real, e não a um banco “laranja” anônimo. Isso poderia deixar passar empresas inteiras, ou pelo menos suas filiais offshore, através dos furos na legislação10.

Muito tempo depois de os soldados norte-americanos terem deixado o Afeganistão, e certamente durante a presidência dos sucessores imediatos de Bush, os investigadores darão prosseguimento àquilo que promete ser uma caça sem fim dos bens da Al Qaida e grupos similares. Mas o que farão os que dirigem esses investigadores quando chegarem a um ditador pró-Estados Unidos, a um homem do governo acima de qualquer suspeita, como Clark Clifford, ou a um chefão do Partido Republicano?

(Trad.: Regina Salgado Campos)

1 - Thomas E. Burnett, pai de um dos passageiros do vôo UA 93, que se dirigiria para a Casa Branca ou o Capitólio, mas que caiu na Pensilvânia depois que os passageiros teriam atacado os piratas. Citado por PR Newswire, United Business Media, New York, 15 de agosto de 2002.
2 - Jean-Charles Brisard e Guillaume Dasquié, Ben Laden, la verité interdite, Denöel,coll. “Impacts”, Paris, 2001.
3 - Ler, de John K. Cooley, CIA et Jihad, une alliance désastreuse contre l’URSS, ed. Autrement, Paris, 2002.
4 - New York Times, 23 de setembro de 2002.
5 - The Financial Times, Londres, 20 de agosto de 2002.
6 - Agência France Presse, Washington DC, 3 de setembro de 2002; entrevistas particulares do autor no verão de 2002.
7 - American Metal Market (jornal corporativo), New York, 30 de maio de 2002.
8 - “Business Unusual”, programa da CNN, 15 de janeiro, 3 de setembro de 2002.
9 - “US terror fund drive stalls”, BBC on line, 3 de setembro de 2002.
10 - Ler, de Lawrence Malkin e Yuval Eelizur, “Terrorism’s Money Trail”, World Policy Journal, Cambridge (EUA), março de 2002.




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