Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» A desigualdade brasileira posta à mesa

» Fagulhas de esperança na longa noite bolsonarista

» 1 de setembro de 2020

» O fim do mundo e o indiscreto racismo das elites

» O milagre da multiplicação de bilhões — para os bancos

» Movimento sindical em tempos de tormenta

» 31 de agosto de 2020

» A crucificação de Julian Assange

» Nuestra America: os cinco séculos de solidão

» Ir além do velho mundo: lições da pandemia

Rede Social


Edição francesa


» Le Front national sur un plateau

» Karl Kraus, contre l'empire de la bêtise

» Hors-la-loi

» Révolte américaine contre les ogres du fast-food

» Au Soudan du Sud, l'écroulement des espoirs démocratiques

» Rendez-vous manqué de la gauche et de la politique locale

» Le monde selon Téhéran

» Xénophobes au nom de l'Etat social

» Rafael Correa : « l'Europe endettée reproduit nos erreurs »

» Le Pakistan miné par les affrontements entre sunnites et chiites


Edição em inglês


» How will the US counter China?

» October: the longer view

» America, year 2020

» The ministry of American colonies

» America, the panic room

» Independent only in name

» An election result that won't be accepted

» Into the woods, it's nearly midnight

» Canada's cancel culture

» Crumbs from Sweden's table


Edição portuguesa


» Um resultado que ninguém aceitará

» Edição de Outubro de 2020

» Distâncias à mesa do Orçamento

» Falsas independências

» Trabalho na cultura: estatuto intermitente, precariedade permanente?

» RIVERA

» Edição de Setembro de 2020

» Cuidar dos mais velhos: por uma rede pública e universal

» Restauração em Washington?

» Cabo Delgado: névoa de guerra, tambores de internacionalização


CHILE

Uma brecha no controle da mídia

Imprimir
enviar por email

Ler Comentários
Compartilhe

Passada a ditadura, a quase totalidade dos meios de comunicação continua controlada por dois grandes grupos empresariais, no Chile. Mas há exceções, como jornais satíricos e uma experiência, inédita, de um canal de televisão popular, ’Señal 3’

Nira Reyes Morales - (01/11/2002)

Depois da volta de Pinochet, o jornal satírico The Clinic, publicou, em manchete: “Pinochet doa cadeira de rodas blindada e muletas calibre 42”

Depois do desaparecimento de inúmeros jornais críticos que surgiram na década de 80, no período da luta contra a ditadura – e cujo melhor exemplo é La Época –, 90% das publicações chilenas continuam controladas por dois grandes grupos conservadores: Copesa e El Mercúrio. Três dos quatro principais canais de televisão pertencem igualmente a essa “corrente de pensamento”. Entretanto, depois que o presidente Ricardo Lagos, entre outras medidas, aboliu o artigo 6b da Lei de Segurança do Estado, o qual protegia os altos funcionários do governo, da justiça e do exército contra qualquer crítica pública, novos meios de comunicação animam o cenário social: El Periodista, Rocinante, La Firme, La Huella, The Clinic, o semanário Siete + 7 (Le Monde diplomatique, edição chilena); jornais eletrônicos, como El Mostrador e Primera Línea; e projetos independentes, como a Rádio Tierra.

Depois da “ressurreição” do general Pinochet (em sua volta da Inglaterra), a publicação mensal satírica The Clinic, publicou a manchete: “Pinochet doa cadeira de rodas blindada e muletas calibre 42”. Como nenhum passante podia deixar de ver a primeira página afixada nas bancas, ela propiciava ligeiros momentos de cumplicidade entre chilenos que haviam perdido o hábito de exprimir suas opiniões diante de um desconhecido.

“Nem a favor, nem contra”

Nas poblaciones, desenvolvem-se iniciativas como a da televisão popular Señal 3 – única em seu gênero –, no bairro La Victoria, no sul de Santiago

Os moradores das poblaciones (bairros marginalizados) sofrem de uma falta gritante de representatividade na vida nacional. Ali também se desenvolvem inúmeras iniciativas, como a da televisão popular Señal 3 – única em seu gênero –, em La Victoria, no sul de Santiago. “Ela responde à necessidade de um meio de comunicação que nos represente, a nós, moradores de La Victoria, ou de qualquer outra población, e onde se possa mostrar uma outra realidade que a da pomada vendida pela televisão nacional”, explica Luis Lillo, um dos 16 jovens autodidatas da equipe da emissora1. Após terem juntado o dinheiro necessário vendendo antenas artesanais nos mercados e apresentando pequenos anúncios para a televisão, compraram material usado e alugaram um pequeno local em La Victoria.

“O sucesso do canal foi extraordinário. Mas já faz três anos que emitimos e ainda não conseguimos a devida autorização. Estamos arriscando nossa pele. Podem prender-nos e confiscar nosso material.” Todos, aqui, se lembram bem demais dos maus tratos e dos “métodos de persuasão” praticados pelos carabineros (polícia) durante a ditadura militar nas poblaciones. Os “maus hábitos” no momento de um controle ou de uma prisão perduram sob a democracia. “O governo sabe que emitimos clandestinamente. Não fez nada, nem a favor nem contra. Não se ‘envolveu’. Pode-se considerar isso sob dois pontos de vista: se tomarem nosso material e nos prenderem por termos violado a lei das telecomunicações, nos tornaremos mártires e o poder não tem nenhum interesse nisso; por outro lado, o poder pode dizer ‘deixemos que façam o que estão fazendo, mas não regularizemos sua situação’. Desse modo, estamos em suas mãos. Nós não existimos.”

Señal 3 tornou-se um agente social muito mobilizador. “Através dele, as pessoas sentem que fazem parte do país. A qualidade de vida não depende apenas do crescimento econômico e do dinheiro acumulado, como quiseram nos fazer acreditar. A experiência do Señal 3 nos mostrou isso.”

(Trad.: Iraci D. Poleti)

1 - Segundo a última pesquisa do Conselho Nacional de Televisão e do Instituto Adimark, cerca de 35% dos telespectadores entrevistados consideram que a televisão apresenta uma imagem deformada dos meios populares e da juventude. Esse trabalho mostra que os chilenos estão insatisfeitos com a padronização dos programas de televisão.




Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Leia mais sobre

» Chile
» Imprensa Contra-hegemônica
» Imprensa e Poder
» Televisão

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos