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ISRAEL

Em nome do anti-semitismo

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A convicção de que seu Estado está em perigo, leva defensores da causa judaica a forjarem uma estranha aliança – uma “união sagrada” – entre militantes da extrema-direita e outros, originários da esquerda, desencadeando seu ódio aos jornalistas

Dominique Vidal - (01/12/2002)

“Essas pessoas estão presas à idéia da ameaça existencial, que tem como referência direta o holocausto”, afirma o jornalista Sylvain Cypel, do Monde

O que deveria ter sido um simpósio cientifico, durante o qual especialistas israelenses, palestinos e franceses debateriam “A mídia entre a razão e a emoção”, em Nice, de 9 a 11 de novembro de 2001, foi, na realidade, o palco de um processo de bruxaria. Os acusados eram dois jornalistas da Agência France Presse (AFP), um ex-correspondente do jornal Libération em Jerusalém, bem como um jornalista do Monde diplomatique, e, por uma questão de hábito, um casal de pesquisadores, quase todos de origem judaica. Os procuradores foram Alexandre Del Valle, os professores universitários Frédéric Encel e Jacques Tarnero, e o jornalista Maurice Szafran, da revista Marianne. As organizações judaicas da cidade aplaudiam com entusiasmo, aparentemente mais inspiradas no general Ariel Sharon do que no falecido Itzhak Rabin…

Analisado à distância, aquele episódio pareceria um balão de ensaio da contra-Intifada que os incondicionais de Israel deslancharam, a partir de então, em grande escala. Isto, sem dúvida, explica aquilo: a revista L’Express1 acabava de publicar uma pesquisa de opinião impressionante. Embora os franceses manifestassem mais simpatia por Israel (44%) do que pela Palestina (32%), já não acreditavam que os palestinos fossem os únicos responsáveis pelo fracasso do encontro de Camp David, preferindo equiparar ambas as partes (75%). Sobre Jerusalém, sentiam-se mais próximos das posições israelenses do que das palestinas (25% contra 17%), porém expressavam o inverso sobre as colônias (15% contra 36%) e mesmo sobre a “volta dos refugiados para Israel” (18% contra 27%). E 83% se pronunciavam favoravelmente à coexistência dos dois Estados. Finalmente, 61% avaliavam como “equilibrada” a política francesa, 12% achavam que apoiava demasiadamente os israelenses e 6%, os palestinos. Ou seja, nunca as teses sharonistas foram tão isoladas.

Uma “união sagrada”

Roger Cukierman, do CRIF, considera o resultado da extrema-direita, na eleição presidencial, uma “mensagem aos muçulmanos, mandando-os ficarem quietos”

Presidente da associação França-Israel, o almirante Michel Darmon o reconhece, ingenuamente: “Há 10 anos, a comunidade judaica abraçou a luta errada. Não é Le Pen o nosso inimigo, mas sim, a política externa da França2.” Criticá-la, no entanto, implica retomar um espaço perdido junto à opinião pública. Isso pressupõe a reconquista dos meios de informação, pois – garante Elisabeth Schemla, reconvertida pela Internet – “em dois anos, Sharon perdeu uma batalha quase planetária: a da comunicação3”. Mas como obter, nessa batalha, o apoio da maioria dos judeus franceses?

“Essas pessoas estão presas à idéia da ameaça existencial, que tem como referência direta o holocausto”, responde o jornalista Sylvain Cypel, do Monde4. “Naquela época, diante da barbárie nazista, os resistentes judeus – sionistas de esquerda ou de direita, comunistas ou partidários do Bund5 – não podiam deixar de se unir. Hoje, a convicção de que a própria existência de Israel está em perigo deve levar a uma maior união da comunidade, deslegitimizando as vozes discordantes.” Esta união sagrada se enraíza na angústia provocada pelos terríveis atentados suicidas em Israel e as não menos odiosas agressões antijudaicas na França – bem como, em pano de fundo, pela crise de identidade do judaísmo6. Alguns pretendem combater esses perigos forjando uma estranha aliança entre intelectuais de extrema-direita e outros originários da esquerda – um concubinato que vai contra a natureza, baseado numa aproximação dos segundos em direção aos primeiros. Em nome da luta contra o islamismo, assimilado ao Islã e apresentado como sinônimo do terrorismo, contra o qual o presidente George W. Bush iniciou uma cruzada demente.

Um racismo “primário”

Marc d’Anna – verdadeiro nome de Alexandre Del Valle – escreveu e falou durante muito tempo em nome de grupos de extrema-direita e católicos fanáticos

O exemplo, é verdade, vem de cima. Presidente do Conselho Representativo das Instituições Judaicas da França (CRIF), Roger Cukierman considera o resultado da extrema-direita, na eleição presidencial, uma “mensagem aos muçulmanos, mandando-os ficarem quietos7” Como em eco, Bruno Mégret declarou, neste verão: “Frente ao fanatismo islâmico, nós partilhamos de preocupações comuns com as organizações representativas dos judeus da França8.”

Comentário de uma revista neofascista: “Este fechamento sobre si mesmo da comunidade judaica se faz acompanhar, inevitavelmente, por um discurso racista, muitas vezes primário, em relação aos árabes. Cada vez se constroem mais pontes, por exemplo, em direção a certos intelectuais da direita radical, conhecidos por seu anti-islamismo, como Alexandre Del Valle. Estes, num estrito alinhamento com as posições sionistas, são então chamados a participar de todo tipo de simpósios reunindo as instituições judaicas (…) e convidados a inúmeros programas de rádio e televisão. Até apareceu na Internet um site ultra-racista intitulando-se ‘SOS-escória’ (…) pilotado por organizações sionistas, como o Betar. Após ter lutado violentamente contra todos os movimentos de extrema-direita durante trinta anos, não é que agora essas milícias sionistas os estão vendo com bons olhos?! Parece que estamos sonhando! 9

A onda da “judeufobia”

Pierre-André Taguieff acusa todo mundo de “judeufobia”: islamitas, anti-sionistas, esquerdistas e até judeus atormentados pelo ódio a si próprios

Alexandre Del Valle tornou-se, de fato, a coqueluche de certas organizações judaicas. E, no entanto, Marc d’Anna – seu verdadeiro nome – escreveu e falou durante muito tempo em nome dos grupos de extrema-direita e dos católicos fanáticos10 Embora se tenha tornado partidário de Jean-Pierre Chevènement, pelo menos pelo tempo de uma campanha eleitoral, como acreditar que tenha renegado os delírios de suas origens, se escreveu: “Estamos lidando com o terceiro grande totalitarismo, e com um movimento de cunho mundial e permanente, cuja ambição é submeter o planeta ao islamismo, após ter instaurado uma guerra entre as civilizações e as religiões11”?

O inimigo do meu inimigo é o meu amigo, diz o ditado. Pierre-André Taguieff acusa todo mundo de “judeufobia12” – islamitas, anti-sionistas, esquerdistas, militantes antiglobalização e (como não podia deixar de ser) judeus atormentados pelo ódio a si próprios. Ex-assessor de Laurent Fabius quando este era primeiro-ministro, Jacques Tarnero divaga sobre “a nova roupagem das expressões progressistas, que dá à velha paixão antijudaica um sabor aceitável, quase virtuoso13.” Mais infame ainda, Alain Finkielkraut solta: “Antigamente, Sartre dizia: ‘Todo anticomunista é um cachorro.’ Hoje, da revista Télérama ao Monde diplomatique, diriam: “Todo judeu sionista é um cachorro”, “Todo judeu não anti-sionista é um cachorro”, o que equivale a dizer: “Todo judeu é um cachorro, exceto Rony Brauman14.”

A “surpresa” de Sylvain Cypel

Um site na Internet “corrige” notícias substituindo “territórios ocupados” por “Eretz Israel ocidental” e o assassinato de palestinos por “neutralização”

Para Stalin, o fim justificava os meios. Aparentemente, não faltam êmulos entre os fanáticos por Israel, que criaram dezenas de sites na Internet, muitas vezes escandalosos. Um deles “corrige” notícias da AFP, substituindo – entre outros – a expressão “territórios ocupados” por “Eretz Israel ocidental”, qualificando os palestinos de “deficientes” e seu assassinato de “neutralização”... O site La Mena se supera na denúncia de jornalistas. Na extrema-direita, além do “SOS-escória,” o “Amisraelhai.org” convocava a “boicotar todos os vermes antijudeus”, inclusive judeus “renegados”, marcados com uma estrela de David e que merecem “uma boa cacetada com um bastão de beisebol no meio da boca15”. Conselho pelo qual o Betar e a Liga da Defesa Judaica – ligada ao partido Kach, proibido em Israel – não esperaram: a longa lista das agressões que lhes é imputada aumentou durante a manifestação do CRIF, no dia 7 de abril de 2002, quando de 400 a 500 pessoas – segundo o chefe de polícia – atacaram o grupo “A paz agora”, apunhalaram um delegado e distribuíram violência para todo lado...

Outros militantes manifestam-se contra órgãos de imprensa “inimigos”, como a Agência France Presse, o jornal Libération, a revista Témoignage Chrétien ou o canal de televisão France 2. Na rua Claude-Bernard, picharam “Le Monde = anti-semita” e “Plantu (chargista) = nazista”. Alguns se especializam em provocações por cartas ou por correio eletrônico: “Depois de escrever certos artigos, recebo de dez a cinqüenta e-mails por dia, dos quais dois terços são insultos e ameaças, muitas vezes em termos idênticos, portanto combinados”, afirma Sylvain Cypel. E conta, também, que quando foi entrevistado pela Televisão Judaica Francesa sobre suas revelações referentes a uma rede de espionagem nos Estados Unidos, posteriormente confirmadas pelo jornal Yediot Aharonot, foi surpreendido ao ver sua “performance” comentada em seguida, ao vivo, sem sua presença, por um psicólogo encarregado de revelar o seu “perfil” de judeu que odeia a si mesmo!

“Prêmio Goebbels”... pela informação correta

A extrema-direita judaica convocou o boicote a judeus “renegados”, que merecem “uma boa cacetada com um bastão de beisebol no meio da boca”

Mas a última moda é o processo. Campeão nesse gênero, Gilles-William Goldnadel, presidente da entidade Advogados Sem Fronteira (França), não teme a contradição: autor do Novo breviário do ódio16 (antijudaico), ele não hesitou em defender o breviário do ódio (antimuçulmano) de Oriana Fallaci. No total, o placar desses advogados ultra-sionistas conta com seis processos em seis meses, todos perdidos...

Por que transformar a mídia em bode expiatório, responsável pela violência anti-semita? Para forçar os jornalistas à autocensura e seus patrões à censura? Um estudo minucioso mostraria, sem dúvida, que aqui ou ali, a prudência tempera a busca pela verdade. O jornal Libération, por exemplo, publicou várias pesquisas sobre o anti-semitismo dos jovens árabes, mas nenhuma – embora tenha tido proposta – sobre o racismo antiárabe entre alguns jovens judeus franceses. Todavia, os manipuladores querem mais desta vez: a cabeça de alguns profissionais, considerados particularmente perigosos.

“Tem gente querendo que eu seja mandado embora, e nem se escondem”, revela Charles Enderlin. Em Israel, ameaçados durante o primeiro ano da Intifada, o correspondente do canal France 2 e seus familiares tiveram que se mudar. E agora, em Paris, centenas de manifestantes se reuniram, em frente à sede da France Télévision, para lhe entregar o “Prêmio da desinformação”, batizado “prêmio Goebbels”. Seu crime? Ter relatado a morte do pequeno Mohamed Al-Doura nos braços de seu pai. Quando o general Giora Eiland reconheceu a origem israelense do tiro17, a Mena ficou sem saber o que inventar: sem poder provar que o fogo viera de posições palestinas, passou a afirmar que a criança estaria... viva! “Este caso é apenas um pretexto”, conclui Enderlin. “Essas pessoas não suportam que um jornalista franco-israelense faça honestamente o seu trabalho. Aliás, ninguém jamais registrou qualquer queixa contra mim.”

Ataque orquestrado contra a imprensa

A última moda é o processo. O campeão absoluto nesse gênero é Gilles-William Goldnadel, presidente da entidade Advogados Sem Fronteira (França)

Produtor e apresentador do programa “Là-bas si j’y suis”, na rádio France Inter, Daniel Mermet foi absolvido de dois processos instaurados pela associação de Goldnadel, a Liga Internacional contra o Racismo e o Anti-semitismo (Licra) e a União dos Estudantes Judeus da França (UEJF). Primeiramente acusado de anti-semitismo por mensagens de ouvintes criticando com veemência a política do governo israelense, Mermet obrigou o tribunal a reconhecer que os programas citados expressavam “certas preferências”, mas “independentemente de qualquer consideração racial”. O segundo caso era grotesco: os queixosos criticavam, por “provocação ao ódio racial”, a reprise de uma série de programas de 1998… graças aos quais, todavia, o antigo médico nazista Hans Münch, de Auschwitz, absolvido após a guerra, fora finalmente condenado!

Embora vitorioso, Mermet se confessa magoado – a ponto de escrever um livro intitulado “Sujar um homem”. Ele viveu essa dupla provação como “uma tentativa de assassinato moral. E profissional: a primeira providência dessa gente junto à direção da Radio France prova que pretendiam que eu fosse demitido.” Por quê? “Num universo da mídia desprovido de espírito critico, meu programa oferece um ponto de referência. Era preciso pintar um retrato de ‘anti-semita de esquerda’.” E a ação rápida da justiça resolveu? “Mesmo derrotados, meus perseguidores continuam intimidando os jornalistas. Prova disso é a cobertura insignificante dada a esses processos. Um ataque tão grosseiro contra a liberdade de expressão exigia um formidável poder de orquestração.” Mesmo assim, o site labassijysuis.org recebeu um abaixo-assinado com 22 mil assinaturas – mais 5 mil por cartas, com a petição em favor de Mermet…

Vítima de uma fatwa

Por que transformar a mídia em bode expiatório, responsável pela violência anti-semita? Para forçar os jornalistas à autocensura e os patrões à censura?

Outro alvo preferencial é Pascal Boniface, diretor do Instituto de Pesquisas Internacionais e Estratégicas (IRIS). Numa nota endereçada à direção do Partido Socialista, e depois durante um debate organizado por Le Monde18, ele advertiu a “comunidade judaica” contra o risco de se criar uma “comunidade de origem árabe e/ou muçulmana” organizada, pois esta representaria dez vezes mais membros em potencial... “Seria preferível, portanto, que cada um respeitasse princípios universais, e não o peso de sua comunidade.”

Descuidadamente formulada, porém de bom senso, esta reflexão lhe valeria uma verdadeira perseguição. O embaixador de Israel o jogou pessoalmente no pelourinho19. Goldnadel – ele, de novo- e Clément Weill-Raynal, jornalista da emissora France 3, presidente da Associação dos Jornalistas Judeus da Imprensa Francesa (sic), convocaram os membros do conselho de administração do IRIS a renunciar, sem qualquer sucesso. Jean-François Strouf, do Consistório de Paris, entrou na roda, atribuindo a Boniface a derrota do candidato Jospin! Na linha de sua recente radicalização, L’Arche (revista mensal da comunidade judaica) dedicou três paginas ao “Doutor Pascal e Mister Boniface”. Michel Gurfinkiel, de Valeurs actuelles, viu nesse processo a “chave das agressões20”. Sem mencionar a tentativa de complô montada contra ele no Partido Socialista, embora sua nota tenha sido bem recebida mesmo nos altos escalões... “Me chamar de anti-semita é nojento. E perigoso”, acrescentou Boniface – numa alusão às ameaças de morte recebidas. “O que é incrível, é a defasagem entre o que escrevi e estes ataques. Tenho a impressão de estar sendo vítima de uma fatwa.”

O aval à extrema-direita

“Tem gente querendo que eu seja mandado embora e nem se escondem”, revela Charles Enderlin, ex-correspondente do canal France 2 em Israel

Alexandra Schwartzbrod assumiu suas funções de correspondente do jornal Libération em Jerusalém poucos antes da segunda Intifada. Teve de aprender rápido – “e bem”, frisa Enderlin. Mesmo assim, deverá voltar a Paris este mês. Sem graça, seus colegas mencionam “problemas políticos e profissionais”. Coincidência? A Mena a acusava sistematicamente, desde janeiro de 2002, de “incitação ao ódio étnico” e de “propaganda antiisraelense” até que, no dia 14 de julho, uma comunicação anunciou: “Alexandra Schwartzbrod está indo embora! Nossos amigos do Libération nos confirmaram o rumor com uma certa satisfação.” E contava, detalhadamente, as discussões internas que teriam levado à volta da correspondente e à sua substituição...

Difamem, difamem, sempre sobrará alguma coisa. Conforme o velho ditado, o coquetel de calúnias e de propaganda com que os organizadores desta campanha trataram muitos jornalistas obviamente deixou marcas. Sem, todavia, enganar a opinião pública, pelo contrário: segundo uma pesquisa inédita, de outubro de 2000 a abril de 2002, a “simpatia” pelas“posições israelenses” passou de 14% para 16%, e pelas “posições palestinas”, de 18% para 30%21. Em caso de conflito militar, 31% dos entrevistados atribuiriam a responsabilidade às autoridades israelenses (contra 20% em outubro de 2000) e 12% às autoridades palestinas (contra 14%). Enfim, 47% consideram a postura da mídia “objetiva” (56% em outubro de 2000), 16% “favorável demais às posições israelenses” (contra 9%) e 14% “às posições palestinas” (contra 9%).

Duro, este fracasso está, aliás, provocando hesitações importantes. Quando da provocação contra Charles Enderlin, o CRIF se distanciou de seus ultras. No novo processo, movido desta vez contra Edgar Morin., Danielle Sallenave e Sami Naïr, Gilles-William Goldnadel não pôde contar com a Licra nem com a UEJF. A revista Marianne, que durante algum tempo assumiu a vanguarda da denúncia dos intelectuais judeus críticos22, voltou à razão. Teriam, finalmente, os judeus democratas, os judeus de esquerda, compreendido que não podem mais, em nome da luta contra o anti-semitismo, afiançar a ideologia e os agitadores da extrema-direita? Chegou a hora de acabar com uma situação em que – citando a Carta aberta aos judeus da França23, de Elie Barnavi – “os extremistas clamam o seu extremismo, certamente por não terem consciência dele. Os outros, isto é, a grande maioria, cochicham”.

(Trad.: David Catasiner)

n em

1 - 8 de novembro de 2001.
2 - Témoignage Chrétien, Paris, 6 de junho de 2002.
3 - Entrevista a Le Figaro, 23 de setembro de 2002.
4 - As citações que não se referem a uma publicação decorrem de entrevistas realizadas durante esta pesquisa.
5 - Fundado na Rússia, na clandestinidade, em 1897, o Bund era uma organização judaica, socialista e não-sionista.
6 - Ler “Les juifs de France en quête d’identité”, Le Monde diplomatique, agosto de 2002.
7 - Haaretz, Tel Aviv, 22 de abril de 2002. Nessa mesma edição, Pierre-André Taguieff diz, sobre Jean-Marie Le Pen: “Jamais foi claramente identificado como um anti-semita.”
8 - Le Parisien, Paris, 28 de agosto de 2002.
9 - Jeune Résistance nº 25, Paris, inverno de 2001.
10 - Ler, de René Monzat, L’étonnant parcours d’Alexandre Del Valle, ed. Ras l’Front, abril de 2002.
11 - Le Figaro, 16 de outubro de 2002. Ler Le Totalitarisme islamiste à l’assaut des démocraties, Editions des Syrtes, Paris, 2002.
12 - Ler La nouvelle judéophobie, ed. Mille et une nuits, Paris, 2002.
13 - Le Figaro, 16 de janeiro de 2002.
14 - Intervenção de Finkielkraut durante o debate “Le sionisme face à ses détracteurs”, Paris, 13 de outubro de 2002.
15 - Le Monde, 23 de agosto de 2002.
16 - Editora Ramsay, Paris, 2001.
17 - Haaretz, 25 de janeiro de 2002.
18 - Em 4 de agosto de 2001.
19 - Le Monde, 8 de agosto de 2001.
20 - 7 de dezembro de 2001.
21 - Pesquisa feita pelo instituto BVA para a Revue d’études palestiniennes.
22 - Pesquisar, em especial, as edições de 5 de novembro de 2001 e de 28 de janeiro de 2002.
23 - Edições Stock-Bayard, Paris, 2002.




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