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DOSSIÊ IRAQUE

Macartismo, versão Bush

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Bombardeado por um noticiário tendencioso, omisso e nitidamente reacionário – basta ver qualquer jornal, impresso ou de TV, sobre o ataque ao Iraque –, o leitor norte-americano ainda tem que ouvir a extrema-direita dizer que a imprensa é comunista

Eric Alterman - (01/03/2003)

Jornalistas, como David Broder, ainda tentam argumentar que “não há, no corpo do repórter médio, ideologia suficiente para encher um dedal”

O essencial do debate sobre a orientação política dos meios de comunicação nos Estados Unidos gira em torno de dois eixos. A direita considera que os grandes veículos – que, no entanto, estão nas mãos de multinacionais como a Disney (ABC), a General Electric (NBC) e a America On Line (CNN) – servem às teses de esquerda. Os jornalistas respondem, como David Broder, ícone moderado da comunidade dos jornalistas de Washington, que “não há, no corpo do repórter médio, ideologia suficiente para encher um dedal1”. É considerada inconcebível a idéia de que a mídia possa, por razões de propriedade, de economia, da classe social dos jornalistas, ou de pressão externa (de anunciantes, por exemplo), estar mais predisposta em relação a causas conservadoras do que a pontos de vista contrários.

Para afirmar que a mídia norte-americana é de esquerda, é preferível avaliar as simulações. Se a maioria dos eleitores de direita, de boa fé, acredita nisso, os mais astutos sabem que se apresentar como vítima é um bom meio de se fazer ouvir – ou de impedir seus adversários de se fazerem de vítima. Às vezes, concordam com a idéia. Quando era presidente do Partido Republicano, Richard Bond lamentou-se por ocasião da eleição presidencial de 1992: “Acredito que sabemos quem a mídia deseja ver vitorioso nessa eleição – e acho que seja George Bush2.” Mas, por ocasião da mesma eleição, Bond reconheceu: “Há um pouco de estratégia de nossa parte [quando criticamos a mídia]. Observe qualquer treinador num jogo e você vai ver que ele sempre tenta fazer pressão sobre o árbitro, a fim de que ele dê à equipe um pouco mais do que lhe é permitido3.”

“Favoritismo de esquerda”

William Kristol, um dos ideólogos e marqueteiros neoconservadores mais influentes, também confessou: “Admito. A mídia de esquerda nunca foi muito poderosa e a indignação sobre o assunto permitiu sobretudo que os conservadores desculpassem seus fracassos.” Mas isso não impede Kristol, quando busca assinantes para um periódico financiado por Rupert Murdoch (cujas opiniões políticas não são mistério para ninguém4), de se queixar, por sua vez: “O problema com a política e a maneira pela qual a mídia fala sobre isso, é que esta é orientada demais para a esquerda. A mídia não pára de glorificar os fracassos da esquerda, de apoiar seus candidatos e suas causas.”

Num estudo publicado em 1999 pela revista universitária Communications Research, quatro especialistas examinaram o peso das análises que retomam a fórmula “mídia progressista” (liberal media). Coletaram 12 anos de estudos de opinião pública sobre o assunto. Conclusão? O número de norte-americanos que mencionam esse argumento quadruplicou. No entanto, nada confirma essa percepção. Os consumidores de informações refletem sobretudo “a cobertura crescente das acusações de favoritismo da esquerda, que provêm cada vez mais dos candidatos e dos eleitos do Partido Republicano5”.

Entra em cena a Fox

A direita influencia os árbitros. E isso funciona. A crença difundida nesse mito refere-se à ignorância da extensão e influência da mídia conservadora

A direita influencia os árbitros. E isso funciona. A crença difundida nesse mito refere-se a uma ignorância da extensão e da influência da mídia conservadora. Na realidade, já adicionando a difusão ou a penetração do canal Fox News, as páginas editoriais do Wall Street Journal, do New York Post, do Washington Times, do Weekly Standard, da National Review, do American Spectator, da Human Events, a opinião da maioria dos comentaristas, Rush Limbaugh e as rádios com programas do tipo talk show6, obtém-se uma parte significativa da mídia. Mas esses apoios partidários, muitas vezes pouco confiáveis, também têm como efeito moldar o universo do conjunto da imprensa. Isto lhes confere um poder e uma influência que excedem sua difusão, já bastante considerável.

Tomemos o caso da Fox News. Quando o canal foi lançado em 1996, tendo na chefia Roger Ailes, responsável pela campanha eleitoral (particularmente suja) de George H. Bush em 19887 , os conservadores comemoraram com estardalhaço. O think tank Heritage Foundation, formigando de ativistas de extrema-direita, até recomendou a seu pessoal que parasse de acessá-lo em seus computadores pessoais por medo de provocar uma paralisia do sistema informático. George W. Bush, então governador do Texas e candidato republicano à eleição presidencial, ganhou um elogio promocional no programa de Tony Snow, ex-assessor de seu pai na Casa Branca, que se tornou comentarista da Fox. Este elogiou sua “impressionante adaptação ao jornalismo”.

Plantando “boatos”

A Heritage Foundation, reduto de extrema-direita, recomendou a seu pessoal que parasse de acessar a Fox por medo de paralisar o sistema informático

Para a direita, a orientação da Fox representa um valor incalculável. Ao mesmo tempo em que mobiliza os conservadores, faz o conjunto do sistema de informação deslizar ainda mais para a direita. Em novembro de 2000, por exemplo, a Fox desempenhou um papel crucial por intermédio de seu especialista eleitoral, John Ellis, primo de George W. Bush, quando o canal de Murdoch criou a impressão de que tudo já estava decidido na Flórida. O recrutamento de John Ellis pela Fox não foi um caso isolado. Quando, exatamente antes da eleição, a mídia descobriu que Bush ocultara uma condenação por dirigir em estado de embriaguez (o tipo de assunto que, em geral, atrai os jornalistas...), a divulgação pela Fox assemelhou-se ao trabalho de um assessor de imprensa, ansioso por enterrar imediatamente uma notícia comprometedora. “Isso tem o mesmo valor que uma nota de rodapé”, afirmou um dos comentaristas da Fox, Morton Kondracke, um democrata neoconservador. “Uma bobagem”, opinou John Fund, do Wall Street Journal. “Concordo, é uma bobagem”, concluiu, durante o mesmo programa, Mara Liasson, jornalista da National Public Radio.

E o programa em questão preferiu abordar o tema escolhido para o contra-ataque republicano: não seria a equipe de Albert Gore, o candidato democrata, que teria orquestrado a divulgação? Tony Snow lembrou então, sem a menor prova, os “boatos” de implicação do presidente Clinton nesse caso. Só restava predizer que a revelação provocaria... um aumento de simpatia em favor de Bush. No momento dos ataques republicanos contra o presidente Clinton, a Fox não recorrera a esse tipo de análise, citando a irritação do público norte-americano diante da fúria dos parlamentares.

O bombardeio “antiamericano”

Esse tipo de preferência tendenciosa tornou-se uma norma na Fox News. Um dos comentaristas de política externa é Newton Gingrich, ex-líder republicano da Câmara de Representantes. Uma discussão dedicada a Ronald Reagan pode perfeitamente se resumir a um diálogo entre seis amigos do ex-presidente dos Estados Unidos ou membros de seu governo. O tratamento dado pela Fox à guerra do Afeganistão não escapou a essa regra: o jornalista Geraldo Riveira, não contente de ter ido in loco munido de uma arma e proclamando sua esperança de matar pessoalmente Bin Laden, anunciou, no ar, que estava no local de uma batalha... do qual estava a mais de trezentos quilômetros. Quanto a Ailes, o dono do canal, não hesitou em apresentar, em nota, seu parecer a George W. Bush, cujo pai ele já aconselhara: “A opinião pública norte-americana está disposta a se mostrar paciente, mas só se estiver convencida de que Bush irá empregar as medidas mais duras.”

Tony Snow, ex-assessor de Bush pai na Casa Branca que se tornou comentarista da Fox, elogiou a “impressionante adaptação ao jornalismo” de Bush Jr.

A maioria dos jornalistas também privilegiou o ponto de vista “patriótico”. Mostraram-se, portanto, ao mesmo tempo favoráveis ao exército e hostis ou preocupados diante de um inimigo que não hesitava em atacar os jornalistas, às vezes de maneira atroz8. Além disso, os repórteres são intimidados por uma acusação herdada da guerra do Vietnã, segundo a qual seriam “antiamericanos”. No caso da Fox News e da CNN, foram até prevenidos explicitamente desse risco...

Uma simples comparação entre o tratamento da informação pela mídia norte-americana, britânica e européia demonstra o absurdo dessa suspeita. Em 30 de dezembro de 2001, 30 bombas norte-americanas atingiram a aldeia de Niazi Kala (também chamada de Qalaye Niaze), no leste do Afeganistão, matando dezenas de civis. A informação foi considerada importante pela imprensa britânica. As manchetes foram inequívocas: “Estados Unidos acusados de matar mais de 100 aldeões num bombardeio” (The Guardian, 1o de janeiro de 2002); “Cem aldeões mortos por um bombardeio norte-americano” (Times, 1o de janeiro de 2002). Simultaneamente, o New York Times escolhe o título: “Dirigente afegão apóia sem entusiasmo o bombardeio norte-americano” (2 de janeiro de 2002). É preciso lembrar que o New York Times é um dos alvos prioritários da direita conservadora, quando esta acusa a imprensa de antiamericanismo.

Um mero eco da Casa Branca

Mesmo no clima nacionalista do pós-11 de setembro de 2001, a Fox News conseguiu se exceder. Apresentadores e jornalistas desse canal, cuja audiência média, ainda modesta (um pouco mais de um milhão de telespectadores), ultrapassou recentemente a da CNN, competem para ver quem vai injuriar mais Bin Laden e seus “capangas”. Pouco importa, para a Fox, a devastação dos ataques norte-americanos no Afeganistão. “Estamos em guerra. O fato de morrerem pessoas seria realmente uma notícia?”, explicou Brit Hume.

A linha política da Fox tem um valor incalculável. Além de mobilizar os conservadores, faz o sistema de informação deslizar ainda mais para a direita

No caso do Iraque, a imprensa manifesta a mesma falta de espírito crítico. Quando Hans Blix apresentou seu primeiro relatório ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, o Washington Post repercutiu a linha da Casa Branca sem mudar uma vírgula. “Blix”, diz um editorial, “apresentou, com muita moderação, o catálogo intolerável de mentiras, omissões e evasivas perpetradas pelo Iraque desde que o Conselho adotou a resolução 1.441, cujo objetivo era dar a Saddam Hussein uma ‘última chance’ de renunciar a suas armas de destruição em massa. (...) Em vez de ceder aos pedidos dos inspetores e dar ao Iraque uma chance suplementar, o Conselho deveria agir conforme a resolução que adotou por unanimidade há apenas 11 semanas9.” Não é relevante que poucas pessoas, excluindo o governo Bush, tenham compreendido desta forma o relatório de Blix.

Uma prática constante e recorrente

Um pouco antes de comunicar que não seria candidato à Casa Branca em 2004, Albert Gore lembrou, numa entrevista ao New York Observer, uma evidência: “Há neste país vozes institucionais que estão totalmente nas mãos do Partido Republicano (...) A Fox News Network, o Washington Times, Rush Limbaugh... e muitas dessas vozes são financiadas por milionários ultraconservadores que não param de fazer negócios com os governos republicanos e o resto da mídia.”

Quando a mídia descobriu que Bush ocultara uma condenação por dirigir bêbado, Morton Kondracke, da Fox, disse: “Isso tem o valor de uma nota de rodapé”

Ainda que banal, esse comentário desencadeou indignação. Howard Kurtz, jornalista especializado em imprensa no Washington Post e responsável pelo único programa de crítica da mídia na CNN, achou que Gore não era senão um paranóico: “Parece que ele choraminga. A menos que queira, dessa maneira, agradar seus partidários, um pouco como a direita que protesta contra a tendência da mídia ser contra ela.” Antes de concluir: “Gore deve estar amargurado com o fato de seu livro não ter melhor vendagem, a despeito dos milhares de programas de televisão de que participou com sua esposa.”

A mídia não pode, sozinha, tornar os Estados Unidos ingovernáveis, na hipótese, bastante aleatória, de a esquerda democrática vencer. Mas pode legitimar comportamentos pouco democráticos que iriam nesse sentido. Isso já foi observado no momento do processo de destituição do presidente Clinton. Foi visto novamente por ocasião das contagens e recontagens dos votos, após a última eleição presidencial norte-americana. Dificilmente mudaria com a guerra.

(Trad.: Regina Salgado Campos)

1 - Ler, de David Broder, Beyond the Front Page, ed. Simon and Schuster, Nova York, 1987.
2 - No final de uma eleição triangular, o pai do atual presidente foi derrotado pelo democrata William Clinton.
3 - The Washington Post, 20 de agosto de 1992.
4 - Interrogado sobre a guerra na Iraque, Rupert Murdoch explicou: “Creio que Bush tem razão. Não se pode mais recuar. Acho que age de maneira muito moral, muito correta. (...) A melhor coisa que poderia sair como resultado de tudo isso para a economia mundial seria um barril de petróleo a vinte dólares” (Newsweek, 17 de fevereiro de 2002).
5 - “Elite Cues and Media Bias in Presidential Campaigns: Explaining Public Perceptions of a Liberal Press”, Communications Research, Minnesota, nº 26, 1999.
6 - Ler “La gauche dans son ghetto, la droite à la radio”, Le Monde diplomatique, outubro de 1994.
7 - Ler, de Serge Halimi, “Dans les bas-fonds de la campagne électorale américaine”, Le Monde diplomatique, dezembro de 1988.
8 - Daniel Pearl, do Wall Street Journal, foi torturado e massacrado, e a cena, filmada pelos carrascos. Daniel Pearl, no entanto, provara sua independência, publicando (com Robert Block), em 31 de dezembro de 1999, uma pesquisa de grande repercussão sobre a extensão da lavagem cerebral praticada pela Otan durante a guerra do Kosovo.
9 - 28 de janeiro de 2003.




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